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sábado, janeiro 02, 2010

Volta o dia dois, e depois mais um, e ... sempre assim!...

Recordações que não moram no tempo ...! Recordando este vulto tão pouco falado às gerações de hoje. Mas em que eu faço sempre questão de insistir! è já de mim, do meu próprio ADN, ou da tal "mistura do fundo do saco" com que Deus criou a portugalidade! Afinal, FADO não é só em português, é mesmo bem universal!!!

Avec le temps...

Avec le temps...

Avec le temps, va, tout s'en va

On oublie le visage et l'on oublie la voix

Le coeur, quand ça bat plus, c'est pas la peine d'aller

Chercher plus loin, faut laisser faire et c'est très bien

Avec le temps...

Avec le temps, va, tout s'en va

L'autre qu'on adorait, qu'on cherchait sous la pluie

L'autre qu'on devinait au détour d'un regard

Entre les mots, entre les lignes et sous le fard

D'un serment maquillé qui s'en va faire sa nuit

Avec le temps tout s'évanouit

Avec le temps...

Avec le temps, va, tout s'en va

Mêm' les plus chouett's souv'nirs ça t'as un' de ces gueules

A la Gal'rie j'farfouille dans les rayons d'la mort

Le samedi soir quand la tendresse s'en va tout seule

Avec le temps...

Avec le temps, va, tout s'en va

L'autre à qui l'on croyait pour un rhume, pour un rien

L'autre à qui l'on donnait du vent et des bijoux

Pour qui l'on eût vendu son âme pour quelques sous

Devant quoi l'on s'traînait comme traînent les chiens

Avec le temps, va, tout va bien

Avec le temps...

Avec le temps, va, tout s'en va

On oublie les passions et l'on oublie les voix

Qui vous disaient tout bas les mots des pauvres gens

Ne rentre pas trop tard, surtout ne prends pas froid

Avec le temps...

Avec le temps, va, tout s'en va

Et l'on se sent blanchi comme un cheval fourbu

Et l'on se sent glacé dans un lit de hasard

Et l'on se sent tout seul peut-être mais peinard

Et l'on se sent floué par les années perdues

Alors vraiment

Avec le temps on n'aime plus.

Léo Ferré

domingo, dezembro 06, 2009

Continuando com Ortega y Gasset


Não critico nem comento. Apenas assinalo. Ao jeito, mesmo muito ao jeito das "bicadas" de meu mui citado mestre JAM. Enquanto leio mais uns apontamentos, revejo algumas obras e referências bibliográficas de autores sobre o tema, agora talvez interessante como nunca, da "revolução".

Por isso deixo aqui mais uma exortação (éssayant de saisir l'ésprit de nos jours):

"A função de mandar e obedecer é a decisiva em toda a sociedade. Como ande nesta turvação a questão de quem manda e quem obedece, tudo o mais marchará impura e torpemente. Até a mais íntima intimidade de cada indivíduo, salvas geniais excepções, ficará perturbada e falsificada.

(...) O acanalhamento não é outra coisa senão a aceitação como estado habitual e constituído de uma irregularidade, de algo que enquanto se aceita continua a parecer indevido. Como não é possível converter em sã normalidade o que na sua essência é criminoso e anormal, o indivíduo opta por adaptar-se ao indevido, fazendo-se totalmente homogéneo com o crime ou irregularidade que arrasta. Num mecanismo parecido ao que o adágio popular enuncia quando diz: “Uma mentira faz cento”. Todas as nações atravessaram jornadas em que aspirou a mandar sobre elas quem não devia mandar; mas um forte instinto fez-lhes concentrar no ponto as suas energias e expelir aquela irregular pretensão de mando. Rechaçaram a irregularidade transitória e reconstituíram assim a sua moral pública. Mas o espanhol fez o contrário: em vez de opor-se a ser imperado por quem a sua íntima consciência rechaçava, preferiu falsificar todo o resto do seu ser para o acomodar àquela fraude inicial. Enquanto isso persistir no nosso país, é vão esperar nada dos homens da nossa raça. Não pode ter vigor elástico para a difícil faina de sustentar-se com decoro na história uma sociedade cujo Estado, cujo império ou mando, é constitutivamente fraudulento.

(...)Não se manda em seco. O mando consiste numa pressão que se exerce sobre os demais. Mas não consiste só nisso. Se fosse isto só, seria violência. Não se esqueça que mandar tem duplo efeito: manda-se em alguém, mas manda-se-lhe algo. E o que se lhe manda é, no final das contas, que participe numa empresa, num grande destino histórico.

(...) A vida criadora supõe um regime de alta higiene, de grande decoro, de constantes estímulos, que excitam a consciência da dignidade. A vida criadora é vida enérgica, e esta só é possível numa destas situações: ou sendo quem manda ou achando-se alojado num mundo onde manda alguém a quem reconhecemos pleno direito para tal função; ou mando ou obedeço. Mas obedecer não é aguentar – aguentar é envilecer-se – mas, pelo contrário, estimar quem manda e acompanhá-lo, solidarizando-se com ele, situando-se com fervor sob o drapejar da sua bandeira." (1)

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(1) José Ortega y Gasset, A Rebelião das Massas, Segunda Parte, XIV-IV, ebooksdobrasil.com, pp. 66-68.

domingo, novembro 22, 2009

Adeus a um companheiro

Sinto, como companheiro de algumas lutas em que todos entramos, a amizade que em muitos deixas, e que por ti, e com eles, fará com que te recordemos para sempre.

"Das lutas políticas travadas no Liceu Gil Vicente, em Lisboa, após o 25 de Abril, até à fundação do Partido da Nova Democracia (PND), em 2003, e, mais recentemente, ao activismo espelhado no seu blogue (tomarpartido.blogs.sapo.pt), Jorge Ferreira manteve intocável uma das faculdades que mais o distinguiram na vida político-partidária: a frontalidade. É essa a qualidade mais evidenciada por quem acompanhou a sua vida política, ao seu lado e no campo adversário." (1)














Adeus, companheiro Jorge!

Que Deus de tenha, como um "Trazedor de Paz"!!!




(1) Jornal Público

domingo, novembro 08, 2009

Voltar, de novo, ao futuro!


Obrigado, mestre, por mais uma vez me lembrar das tuas bicadas, e rever nelas muitas das situações com que, frequentemente, evocas clássicas troadas que muitos de agora pensam como novas descobertas e luzes de glória! Mais valeria, realmente, renascer do nada!!!

É (talvez) por isso que só agora volto a escrever algumas notas dignas de publicitar. Por duas razões principais, apenas: primeiro, porque me deste novo alento ao saberes que volto a tentar fugir das garras do sempiterno senhor medo das trevas, ou melhor, medo dos sombrios vultos da cobardia institucionalizada, estatizada q.b. para que ninguém se sinta livre de uma qualquer persiganga a uma qualquer virtude não identificada pelo rolo compressor e unidimensionador do comportamento politicamente correcto. "Hiperdemocratizante" (agora escrevo a palavra com aspas). Serodiamente progressista.
Segundo, porque ao tratar de uma tradução de Ortega y Gasset, me relembro de quantas vezes não terei eu (e outros) lido nas tuas bicadas o que este ilustre filósofo do século passado com raízes no futuro também me está, também ele novamente, a ensinar.

Por isso, aqui deixo algumas das notas com que retrato esta evocação. Com saudades do tal futuro que sempre queremos trilhar, desbravar, perseguir como a uma estrela que nos indica o caminho ...!

"Há sobretudo épocas em que a realidade humana, sempre instável, se precipita em velocidade vertiginosa. A nossa época é dessa classe porque é de descidas e quedas."

"A mentira seria impossível se o falar primário e normal não fosse sincero. A moeda falsa circula apoiada na verdadeira. No final das contas, o engano vem a ser um humilde parasita da ingenuidade."

"Outrora podia ventilar-se a atmosfera confinada de um país abrindo-se as janelas que dão para outro. Mas agora esse expediente não serve de nada, porque em outro país a atmosfera é tão irrespirável como no próprio. Daí a sensação opressora de asfixia."

"...até a extravagante ideia do século XVIII, segundo a qual todos os povos hão de ter uma constituição idêntica, produz o efeito de despertar romanticamente a consciência diferencial das nacionalidades, que vem a ser como estimular em cada um a sua vocação particular."

"... há costumes europeus, usos europeus, opinião pública europeia, direito europeu, poder público europeu. Mas todos esses fenómenos sociais dão-se na forma adequada ao estado de evolução em que se encontra a sociedade europeia, que não é, evidentemente, tão avançado como o dos seus membros componentes, as nações."

"Onde quer que tenha surgido o homem-massa de que este volume se ocupa, um tipo de homem feito de pressa, montado tão somente numas quantas e pobres abstracções e que, por isso mesmo, é idêntico em qualquer parte da Europa. A ele se deve o triste aspecto de asfixiante monotonia que vai tomando a vida em todo o continente. Esse homem-massa é o homem previamente despojado de sua própria história, sem entranhas de passado e, por isso mesmo, dócil a todas as disciplinas chamadas “internacionais”. Mais do que um homem, é apenas uma carcaça de homem constituído por meros idola fori; carece de um “dentro”, de uma intimidade sua, inexorável e inalienável, de um eu que não se possa revogar. Daí estar sempre em disponibilidade para fingir ser qualquer coisa. Tem só apetites, crê que só tem direitos e não crê que tem obrigações: é o homem sem nobreza que obriga – sine nobilitate – snob."

"A velha democracia vivia temperada por uma dose abundante de liberalismo e de entusiasmo pela lei. Ao servir a estes princípios o indivíduo obrigava-se a sustentar em si mesmo uma disciplina difícil. Ao amparo do princípio liberal e da norma jurídica podiam aguar e viver as minorias. Democracia e Lei, convivência legal, eram sinónimos. Hoje assistimos ao triunfo de uma hiperdemocracia em que a massa actua directamente sem lei, por meio de pressões materiais, impondo as suas aspirações e os seus gostos."

"A missão do chamado “intelectual” é, em certo modo, oposta à do político. A obra intelectual aspira, com frequência baldada, a esclarecer um pouco as coisas, enquanto a do político só pode, pelo contrário, consistir em confundi-las mais do que estavam. Ser da esquerda é, como ser da direita, uma das infinitas maneiras que o homem pode escolher para ser imbecil: ambas, com efeito, são formas da hemiplegia moral. Ademais, a persistência destes qualificativos contribui não pouco para falsificar mais ainda a “realidade” do presente, que já fala de per si, porque se encrespou o crespo das experiências políticas a que respondem, como o demonstra o facto de que hoje as direitas prometem revoluções e as esquerdas propõem tiranias."

"Esse costume de falar para a Humanidade, que é a forma mais sublime, e, portanto, a mais desprezível da demagogia, foi adoptada até 1750 por intelectuais desajustados, ignorantes dos seus próprios limites e que sendo, por seu ofício, os homens do dizer, do logos, usaram dele sem respeito e precauções, sem perceberem que a palavra é um sacramento de mui delicada administração."

Por tudo isto evoco essa muito pertinente afirmação de que "só é moda o que passa de moda" - estes excertos são, repare-se, da obra de José Ortega y Gasset "A Rebelião das Massas", 1928.

PS: qualquer semelhança entre as proposições aqui citadas e apresentadas e qualquer das realidades por nós vivenciadas é mera semelhança do acaso, nestes tempos de conturbados determinismos, que a todos nos incomodam.

terça-feira, dezembro 02, 2008

Sobre a "comunidade natural dos homens" e dos atentados que a ela a História já vai esquecendo ...(!?)

Revejo, agora em formato DVD (com as vantagens de se possuir um "making of" fantástico, valendo inequivocamene a pena observá-lo com toda a atenção e estudo dedicado), "A Missão", um filme que, depois de fazer aquele estudo de tudo quanto possa estar contido nas suas múltiplas mensagens sócio-humanas (numa vertente mais antropológica), históricas e políticas (aqui se extendendo a acepção do político ao jurídico), só pode ser considerado um dos marcos do cinema, e por tudo isso (e não só), em minha opinião, um dos maiores filmes da história cinematográfica.

Por isso, e depois de ler mais uma das mensagens que, talvez ainda implicitamente, se lêem no relato das 'viagens' de mestre JA Maltez pelas "terras do crocodilo":

"(...) ainda acredito que, no mundo afro-asiático, o direito pode ser expressão directa da consciência jurídica popular, uma produção instintiva e quase inconsciente, onde há um espírito particular, e o mesmo é gerador da poesia, dos costumes, da língua e de outros segregados da história. (...)
 
(neste post), posso prometer-lhe que gostaria, com toda a humildade, que passasse este filme, legendado em português, aos seus alunos e a todos os eventuais interessados na comunidade onde cumpre 'missão', e que, se assim o quiser, lho enviarei, para passar a fazer parte do espólio documental dessa Escola.




Vale a pena!!!

PS: esta é apenas uma das pequenas peças que encontrei para poderem transmitir apenas uma pequena ideia do que esta obra contém, no You Tube.

quarta-feira, novembro 05, 2008

5 de Novembro: o primeiro dia de uma nova era?

"We shall overcome, one day"!
Se a recordação de meu mui citado mestre JA Maltez "Lisboa é uma capital feita por subscrição nacional" representa, ao nível interno de Portugal, uma observação realista incontornável, o facto histórico deste 4 de Novembro (também dia de aniversário do meu primogénito David) traz-me, de novo, a esperança por mim interiorizada na minha adolescência, de que os EUA são uma representação, à escala planetária, daquilo por que todo o mundo anseia.

Então, eu diria que os Estados Unidos da América são um país, e mais ainda uma nação, feita por subscrição mundial. Essa é a grande, se não a maior, causa da sua força no mundo, e certamente a garantia que ao mundo pode dar quanto às expectativas que muitos cidadãos do Mundo nessa nação depositam.

Muito portuguesmente (na esteira da nossa simbólica esfera armilar, das nossas cinco quinas e dos nossos sete mares, e a nossa "Procura da República Maior"), não posso deixar de relembrar aquele momento discursivo, proferido perante uma das maiores concentrações populares que o Mundo já conheceu, exactamente com a mesma exortação que o candidato democrata Barak H. Obama dirigiu, afinal, não só ao povo americano, mas a todos os cidadãos do Mundo:

"I have a dream"



E que eu actualizaria, dizendo We had a dream, oh mighty God, that finally You may come true.
Se assim for essa a vontade de Deus, God bless you, Barak. Our heart and our minds will follow You!!!
Por isso, aqui deixo o marco histórico da sua campanha eleitoral. A génese do seu discurso mais espiritual não pode ser desmentida. Eis a raíz da esperança em todo o seu discurso político:




Oxalá!!!

PS: Em apreço pela honrosa missão que mestre JA Maltez tenta cumprir em Dili (Timor Lorosae), aqui deixo uma nota de discurso (do já eleito Barak Obama) que gostaria que ele passasse aos seus alunos e, se possível, que este fosse mais um bom exemplo para a unificação dessa tão simpática nação!!! Com mais um abraço de sincera amizade!

O Professor José Rodrigo Coelho

sexta-feira, outubro 24, 2008

Uma prece por minha MÃE!

Também uma prova de amor pela blogosfera!

Não é apenas amor! É paixão!

Não consigo dizer por outras palavras o que neste momento me vai na alma e o que me atingiu no coração, depois de familiares me comunicarem o estado de saúde de minha mui querida MÃE! Depois de tantas das minhas próprias recentes maleitas, eis mais esta! Se não é Deus que me submete a tamanha prova, então eu não sei mais o que é minha razão!

Depois de muitas das imagens imemoriais que a vida me permitiu ao lado deste meu ser mais querido, esta é a que, nos últimos meses, ressaltou do amparo que ELA uma vez mais me deu, quando precisei ...! Ela merece! A melhor MÃE do Mundo merece essa oração divina, que Deus me ouça e a quantos se juntarem a mim neste momento de tão aflita comoção!
Aos meus amigos, aos meus leitores e a quantos me leiam o coração, aos deuses do Mar, à eterna e Divina Criação, rogo, com uma profunda oração, pela saúde de uma QUERIDA MÃE!
Para todos um abraço com sincera gratidão.
José Rodrigo Coelho