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quarta-feira, maio 26, 2010

Da felicidade interior nos discursos contemplativos ...

Como sempre, vou acompanhando e lendo, com alguma atenção, as "bicadas" de meu mui citado mestre JAM.

Esta é mais uma, que poderia inscrever-se, também, nos artigos de opinião da "Escola de C. P.". Mas tem lugar aqui, dentro do espírito com que criámos este "Publicista".

Eu sei que o seu autor também por aqui "anda":

"Das vacas magras, sagradas ou gordinhas...

Os economistas mais escutados fazem prognóstico depois da crise e já reconhecem o óbvio da imposição externa e da falta de margem de manobra dos factores nacionais de poder. Nenhum sabe conjugar a palavra pátria e esta pode ser aprisionada pela música celestial de Pilatos e de outros que lavam as culpas com discursos.

Os discursos contra os especuladores são pássaros que voam na ilha da utopia. Preferia ter passarinhos na mão. O preço pode ser o máximo de sagrado na religião da economia. E não há mercado para quem não assume a liturgia da confiança no outro e na palavra do outro.

Foi o capitalismo especulador que nos permitiu a ascensão ao clube dos mais ricos do mundo, sem que a nossa sabedoria e a nossa produtividade efectivamente o merecessem. Foi uma escolha geopolítica que nos permitiu esse máximo de prazer com o mínimo de dor que foi a descolonização e a integração na CEE...

As vacas sagradas foram dois terços de remediados, entre papa-reformas e a protecção do bom e velho Estado, com um terço de excluídos que, apesar de tudo, votaram as maiorias do especulativo, como as de Cavaco, Guterres e Sócrates...

Neste momento de encruzilhada, quando muitos visionam o tremendismo das vacas magras, há quem, como eu, profetize que a geopolítica pode ainda livrar-nos do preço que, se houvesse justiça nas relações internacionais, deveríamos pagar por causa de pecados cometidos por omissão com justa causa...

Os erros de um aparelho de Estado, com muita banha, pouco músculo e quase ausência de nervo e cérebro, podem também aplicar-se ao mundo empresarial, feito à imagem e semelhança do primeiro, e ao colaboracionismo da chamada autonomia da sociedade civil com a partidocracia dominante.

Ao contrário do que proclamam certos criadores de cenários, apocalípticos, economicistas ou politiqueiros, o que temos é de dar estratégia ao nosso tradicional desenrascanço, nesse misto de aventura e pragmatismo que sempre nos deu identidade, permitindo sucessivas refundações de Portugal. Basta cultivarmos a ciência da criatividade, com os pés na dívida...

Os donos do poder interno, calculando cenários até pensam que se aviam com o pantagruel de um bloco central que deu limitados frutos há mais de um quarto de séculos, antes da CEE e do euro... Portugal já não é esse país dos engenheiros macromonetários e que agora dão aulas de saudosismo, pensando que tal é macro-economia...

Os donos do poder continuam encantados pelos velhos do restolho, do partido dos fidalgos, esses que temem o risco de navegar e preferem segurar-se entre as querelas do professor pardal e do professor manitu...

A reforma da ciência e da universidade, a que levou o cheque tecnológico ao ministério da economia, bem pode amar e odiar, colaborar ou sanear os ausentes-presentes e os caçadores de comendas e honrarias que geraram o presente neofeudalismo do sindicato das citações mútuas desta sociedade de corte...

Ficou o permanecente das viradeiras, este arquipélago de gestores endogâmicos que, em nome da autonomia financeira e do "outsourcing", controlam a mesa do orçamento através do clientelismo, do carreirismo e do cacete, típicos dos micro-atoritarismos sub-estatais que poluem a democracia...

O aparelho de Estado, da administração directa e indirecta, bem como os mecanismos contratualizados pelas políticas públicas são bens escassos que devem ser tratados sem o folclore do exibicionismo dos pequenos teatros de estadão, com beberete, croquete e outros rituais despesistas que ofendem a ética republicana, enquanto sinónimo de serviço público, com saúde e fraternidade, a bem da nação."

posted by JAM | 5/26/2010

sexta-feira, fevereiro 05, 2010

Continuamos com Raúl Brandão, evocando a justiça aristotélica ...!?

Lembro-me de uma sessão de aulas minhas, assistidas pelo Prof. Doutor Joaquim Gomes Dias, coordenador do meu “Projecto de Profissionalização em Serviço”, na Universidade do Minho, correspondente ao 2º Ano do Estágio em Ciências da Educação que, muito bem, a norma impõe (impunha?) a quem entrava para o Quadro de Nomeação Provisória de docência numa escola pública (onde só adquiria o título de Professor quem obtivesse aprovação no dito Estágio, passando então a ser Professor do Quadro de Nomeação Definitiva).

E porque é que, agora, me vem à memória esta sessão lectiva? Certamente não quero, aqui, repeti-la. Nem, tão pouco, esta referência específica à meritocrática titularização docente (a fazer, também, recordar aos actuais pactuadores do regime avalienígena a pertinência de então) vai mais além da simples evocação contextual da questão que, aqui, pretendo parabolizar.

Tão pouco, talvez, queira mostrar algum ressentimento pelas consequências negativas que, subjectivamente, muitos de nós sofremos com este devir de uma carreira profissional que já não o é, pois deixou de ter “carraria”, percurso ou sequência previsional. É das tais estatuições legais que, pouco legalmente (leia-se pouco cobertas pela conformidade à Lei Fundamental que as sustenta), se vêem alteradas pelas conjunturas de interesses que, longe de serem os superiores onde, ainda, achariam alguma sustentação, apenas convergem para a remediação dos males de que alguns se alimentaram, para proveito próprio, mesmo que com isso declarassem estar ao serviço de todos ...!?

E, aqui sim, estamos então no cerne ou núcleo da questão em apreço, e que foi, exactamente, o capítulo da matéria de Introdução à Economia que escolhi, sobre a qual teria de apresentar uma planificação didáctica e pedagogicamente conforme os cânones das ditas Ciências da Educação: o da “Repartição dos Resultados da Produção”, onde, entre outros conceitos, os alunos deveriam aprender os de repartição funcional (salários, juros, lucros e rendas) e repartição pessoal dos rendimentos (equacionalizando as rúbricas componentes do Rendimento Líquido Disponível das famílias), salário directo e indirecto (repartição primária e secundária) ...

Uma das primeiras afirmações que proferi, frente ao referido Professor (para os que não têm uma imagem da cena, está um sujeito, sentado numa das cadeiras do fundo de uma sala de aula, muito discretamente, a tirar apontamentos sobre a forma como um Professor “dá a sua aula”, para a sua posterior avaliação ...), foi esta: “Sabem porque escolhi este tema do vosso Programa? Porque, como já viram no capítulo inicial, esta é uma Disciplina em que, também, se aprende a interpretar e compreender a sociedade (é uma Ciência Social), como não poderia deixar de ser, nesta função educativa da Escola! Neste capítulo, vocês vão poder compreender a razão de fundo de, praticamente, todos os conflitos sociais por que a Humanidade tem passado, independentemente do tempo ou lugar em que ocorrem! É, directa ou indirectamente, o móbil da determinação dos regimes políticos e dos fenómenos que os caracterizam: como e por quem repartir aquilo que a todos diz respeito!?" E, mesmo à margem das indicações programáticas, lá lhes esquematizei, com algum jeito de síntese, um quadro com as concepções aristotélicas de justiça: comutativa (ou particular), distributiva, e social ou legal (ambas públicas ou comuns), apenas para introduzir alguma orientação axiológica aos conceitos programáticos em apreço, já que a sua implicação pedagógica ultrapassa, por natureza e como já referi, o estrito âmbito das obrigações da Disciplina (naquela tal acepção da pedagogia da função docente, não estritamente disciplinar ...)!

Se fosse hoje, levaria para as ditas aulas alguns dos títulos dos jornais, sobre a questão que todos conhecemos, mas talvez convidando, para as mesmas, o Cardeal cá da terra, um Ayatolla, um Íman , o Dalai Lama, o Ministro do Erário Público português e o seu homólogo do Mercado Comum, e dir-lhes-ia estas palavras [1]:

Torna a vida simples e serás feliz. A tua vida não custará gritos; o teu pão não será furtado a bocas famintas. Por cada homem que amontoa oiro, há cem criaturas morrendo no desespero e na aflição.” (Cap. XXII – A Filosofia do Gabiru)

Os pobres são como os rios. Estancam a sede da terra, fazem inchar as raízes e crescer as árvores; acarretam; moem o pão nos moinhos. Ei-la a vida da terra. Todas as catedrais se construíram da sua dor; sem eles a vida pararia.” (…) “Os pobres pensam que existem seres ainda mais pobres, lares desamparados, onde nem o lume se acende; cuidam numa velhinha, que, a essa mesma hora, cisma, abandonada, e sozinha, ao pé de brasas extintas no filho doente, no filho ausente... Há cabanas nuas, lares rotos, almas mais gélidas que o nevão.

As lágrimas que se choram e se não vêem são as melhores: caem sobre a alma.” (Cap. XXV – Natal dos Pobres)” –.



[1] Retiradas de Os Pobres, de Raúl Brandão

quarta-feira, abril 01, 2009

Nova era de MEDO

E, porque tudo se perfila com a "Anatomia do Terror", então eu digo:

Tenho estado a reflectir, também, sobre as razões quase subconscientes que me têm levado a não ser regular nas minhas postagens, neste ou noutros blogues que já criei. Sei de algumas dessas razões. Muito provavelmente, há outros ícones da subserviência pública e estatal, q. b., que o saberão melhor que eu, o próprio.

Tenho estado, mesmo debaixo de um período de descanso médico-compulsivo (dita baixa médica, derivado dessas circunstâncias de que os acima mencionados são bastante conhecedores e em que são exímios especialistas), a contribuir, directa ou indirectamente, para a retribuição a que a sociedade que me dá o vencimento mensal julgo ter sempre esse direito. E então lá vou escrevendo, criando ou repensando sobre tudo o que se reporta com a minha actividade académica e profissional. Aqui, neste burgo pseudo-condalense em que Deus quis que eu constituísse lar e mais família; e em Lisboa, onde, entre idas à Costa com a minha querida Mãe e os momentos que lhe roubo à sua solidão, não deixo de visitar e participar no que de mais vivo e notório emana da minha querida Escola que é o ISCSP, sempre em contacto com aqueles Professores que me dão o alento necessário para sentir e amar esta actividade que conquistou a minha paixão desde tenra idade. (Quanto já coloquei no prelo sobre este assunto, que um dia virá a lume, brando, brandinho, qu'é p'ra não haver ninguém que se possa dizer queimado ...!?).

Por tudo isto, e porque talvez não seja mera coincidência o facto de já ter começado a reler e a aprofundar leituras sobre o fenómeno, vêem-me à ideia a "Anatomia do Terror", de Andrew Sinclair, "Os Homens do Terror", de Hans Magnus Enzensberger, "Globalização, Democracia e Terrorismo", de Eric Hobsbawm, ou "Os Demónios", de Fiódor Dostoiévski. Não posso deixar de aconselhar, também, a abrangente antologia, com direcção do meu primeiro grande mestre em C. Política que foi o Prof. Doutor Adriano Moreira, Terrorismo, de que já fiz uma pequena recensão oral.

Reporto-me, por tudo isto, a mais uma das "opinadelas" deste já por mim mui citado colunista, cujo teor se encaixa, historicamente, neste tipo de fenómeno (as)social:

"POR OUTRAS PALAVRAS

"Perfilados de medo"

A memória é de geometria infinitamente variável e, sempre que os propósitos não se compadecem com escrúpulos, como acontece na guerra, a História pode ser escrita, reescrita e apagada à medida das conveniências. Foi assim que a Orquestra Juvenil Palestiniana "Cordas de Liberdade" (bonito nome…) foi agora dissolvida pelas autoridades de Jenin, na Cisjordânia, por ter tocado para um grupo de sobreviventes do Holocausto.

Compreende-se: para quem, como certos movimentos islâmicos e seus simpatizantes na extrema-esquerda e extrema-direita europeias, o Holocausto nunca existiu, ou foi um "pormenor", também não podem existir sobreviventes do Holocausto. Ora tocar para inexistências é impróprio de uma orquestra juvenil, pelo que também ela deve passar a não existir. Se o próprio Estado de Israel ainda existe é porque o longo braço da ontologia islâmica lá não chega. Chega já, porém, ao Reino Unido, onde o Holocausto e as Cruzadas foram retirados dos programas de História com medo (o medo, esse mestre mudo, sempre foi o grande educador dos infiéis) de ferir a "sensibilidade" da comunidade islâmica."

terça-feira, dezembro 23, 2008

Ai!!!, ...se a Srª minha Ministra me lesse, ...!!!(?)

E se os assessores (leia-se, pedagógicos) da Srª Ministra da Educação fossem todos professores (não precisava serem titulares)?!!! ...


Isto tudo não começou na era socratina! Nem na era guterrista, ou na cavaquistanista! Isto tudo começa todos os dias em que nos levantamos para viver mais um dia, uns à custa de outros, uns mais que outros! Mas em que ninguém assume as culpas, cada um a sua enésima parte de culpa, pelo estado a que chegamos! Uns por acção, outros muitos por omissão! Todos por cobardia!

Ora aqui está um adjectivo que pode chegar para começarmos a compreender uma das faces da fonte da nossa miséria social: falta de espinha dorsal, quer dizer de verticalidade, isto é, falta de coragem para assumirmos, todos, que todos nós sabemos do que se trata: todos sabemos que, mais ou menos, anteontem, ontem ou hoje, nos corrompemos ou deixamos corromper, anuímos ou fomos coniventes, mas certamente todos negligentes, face ao comodismo e ao oportunismo que as facilidades, os compadrios, os favores, prebendas e outras merendas, nos satisfizeram a todos, novamente a uns mais que a outros, quando tratamos de resolver as questões que a nós, a cada um de nós pelo seu mérito, deveria ficar entregue. E que cada um de nós sempre adiou, falseou, escondeu ou disso fugiu ou desertou!

E que tem isto a haver com a Srª Ministra da Educação? Tudo!!! Porque é disso que se trata: para atender a um fim que se justifica plenamente, seguiu e tem prosseguido por meios que, já em si, negam os fins a que se destinam! Ou seja, pede aos professores:

1º - que fiquem parados (a congelar) na carreira que os seduziu profissionalmente! Resultado organizacional: torna-se persona non grata (o titular do cargo, não a pessoa, entenda-se), e o inimigo nº 1 a abater;

2º - que se diferenciem entre si, tendo como consequência (mais uma inconstitucionalidade?) a discriminação e a injustiça funcional de alguns mais incompetentes (mas mais sistemizados) virem a assumir funções pedagogicamente fulcrais para a definição, acompanhamento e avaliação dos processos de ensino-aprendizagem !!!(...);

3º - que se avaliem, através dos tais que, para serem avaliadores, deveriam há muitos ser os primeiros a ser, especialmente, avaliados, primeiro para se atestar da sua competência para ensinar, e depois para avaliar o que os outros ensinam (e, admito-o, muitos não ensinam nada!!! Quanto a isso estou disposto, totalmente disponível, para ser avaliado e classificado, e daí assumir todas as consequências!!!);

4º - finalmente, que admitam que, para serem avaliados, têm que dizer, de sua própria justiça, o que acham que andam aqui a fazer! E o que pretendem fazer!? E quanto acham que por tanto deveriam ganhar (quanto a isso já tenho consultado ofertas de emprego no Reino Unido e na Noruega: a inferir pelos salários ali propostos, NÓS GANHAMOS MAIS QUE ESSES, QUE SÃO PROFESSORES EM PAÍSES MUITO MAIS RICOS QUE O NOSSO, com muito maiores taxas de sucesso escolar que o nosso)!!!

Então, V. Exª, Srª Ministra, não sabe que se entra para uma reun
ião (seja de que cariz for), dentro de uma escola (pelo menos pública) portuguesa, e a primeira coisa que se faz é assinar a respectiva Acta? E que acontece a um professor que, por acaso (?), até nem concorde com o seu conteúdo? A Srª Ministra acha que se vai chamar novamente uma dúzia de boas almas ensinantes e preencher, mais uma vez, aqueles papéis maçudos? Não!!! Processa-se o inssurecto, que é para ele aprender que, no ensino deste país muito finamente democratizado, quem não aprende não come!!! (?!!! Está a ver a essência da questão, não está?).

Então, a Srª Ministra, V. Exª não sabe que há órgãos de gestão, designados electivamente, que se perpetuam há mais de uma década nas mesmas cadeiras, e que gerem as coisas da feição já aqui insinuada? Mesmo que normativamente, a questão já em si, de si e só por si perniciosa, dos presidentes dos órgãos executivos acumularem a presidência pedagógica das respectivas escolas, ao mesmo tempo que presidem aos respectivos conselhos fiscais, torna as oportunidades de insucesso por acumulação de incompetência uma grande certeza! Ou seja, nas escolas públicas portuguesas, quem tem competências para fiscalizar é quem é fiscalizado! Ou vice-versa, que é o mesmo que dizer que aqueles cuja administração deve ser legalmente supervisionada são os próprios fiscalizadores!!! (Assim vai bem que não deve a quem! Percebeu?)

Só mais uma, Exª Srª Ministra: por favor, diga ao país: "eu não sabia que os professores afirmam fazer ou realizar "coisas" que (quase) ninguém faz! E todos concordam que se fez! Mesmo quem os dirige! Por isso esses também devem ser avaliados (fiscalizados e responsabilizados)! Sei que, por exemplo, muitíssimos dos alegadamente concebidos, participados e realizados (por professores e alunos) Projectos de Área-Escola, que se ratificam em Conselhos de Turma, nunca chegam a ser minimamente implementados (nalguns casos verifica-se, mesmo, que, durante todo um ano lectivo, ninguém sobre isso escreve uma única letra!!!?)! E que muitos professores que não se mostram coniventes com este estado de coisas chegam, em alguns (muitos?) casos, a ser processados, pelos mais variados e kafkianizados meios burocraticamente disponíveis!!!"

Por favor, Srª Ministra: diga-o, ou então diga ao país que eu sou um grande mentiroso (V. Exª está de acordo, não está?!!!)

Obrigado

Um Professor português, 
de uma escola de Portugal,
com votos de uma feliz e saudável quadra natalícia, para TODOS!

quinta-feira, dezembro 11, 2008

Da Declaração UDH às democracias "de estimação", professor titular ...NÃO!

A quanto não teremos, ainda, de resistir e de "declarar", e ... de esperar!!???

Projecto-me, em sonhos misturados com a realidade, nesta convalescença provocada pelos ditos arautos supremos da democracia "de trazer por casa", nas últimas das novelas sócio-políticas, nesta polis cada vez mais "degradante" e degradada, como já o 'profetizavam' alguns de que, também hoje, nos aponta mais este post de mestre JA Maltez, lá da terra do crocodilo do sol nascente ...!

Apenas gostaria de lembrar, ao respeitoso Prof. Mário Nogueira, que dentro da sua organização pontificam muitos desses jacobinos amantes das democracias de estimação (para lembrar a fábula do piolho, o tal "Jimmy" de unhas pintadas, o animal de estimação de uma dessas personagens, psicopata pseudo-delinquente e lunática assumida), tanto que, agora que o prezado colega (e muito bem) vem defender mais uma vez a abolição da figura do "professor titular", deveria contar QUANTOS DESSES SEUS AFILIADOS NÃO SÃO JÁ PROFESSORES TITULARES? E se o são (desde o primeiro minuto em que se deu a abertura para tal concurso), será que o vão deixar de ser (ou já deixaram?)?!!!?

Fico-me pela remissão, a tão digníssima gente, para os artºs 1º, 5º, 6º, 9º, 12º, 19º, 23º (sobretudo nº 2) e 30º, da Declaração Universal dos Direitos do Homem, ainda e em muito por cumprir!!!

terça-feira, dezembro 02, 2008

Sobre a "comunidade natural dos homens" e dos atentados que a ela a História já vai esquecendo ...(!?)

Revejo, agora em formato DVD (com as vantagens de se possuir um "making of" fantástico, valendo inequivocamene a pena observá-lo com toda a atenção e estudo dedicado), "A Missão", um filme que, depois de fazer aquele estudo de tudo quanto possa estar contido nas suas múltiplas mensagens sócio-humanas (numa vertente mais antropológica), históricas e políticas (aqui se extendendo a acepção do político ao jurídico), só pode ser considerado um dos marcos do cinema, e por tudo isso (e não só), em minha opinião, um dos maiores filmes da história cinematográfica.

Por isso, e depois de ler mais uma das mensagens que, talvez ainda implicitamente, se lêem no relato das 'viagens' de mestre JA Maltez pelas "terras do crocodilo":

"(...) ainda acredito que, no mundo afro-asiático, o direito pode ser expressão directa da consciência jurídica popular, uma produção instintiva e quase inconsciente, onde há um espírito particular, e o mesmo é gerador da poesia, dos costumes, da língua e de outros segregados da história. (...)
 
(neste post), posso prometer-lhe que gostaria, com toda a humildade, que passasse este filme, legendado em português, aos seus alunos e a todos os eventuais interessados na comunidade onde cumpre 'missão', e que, se assim o quiser, lho enviarei, para passar a fazer parte do espólio documental dessa Escola.




Vale a pena!!!

PS: esta é apenas uma das pequenas peças que encontrei para poderem transmitir apenas uma pequena ideia do que esta obra contém, no You Tube.

quarta-feira, novembro 19, 2008

De novo "em baixa"

Não sei se são os efeitos da economia, se das afrontas que vêm dos lados das desditas de maus costumes (porque lá que as há, las hay), o certo é que estou melhorando destas maleitas que as tais me vão pregando, e os seus carrascos carbonários respectivamente vão arquivando ...!

Mas cá me vou arranjando, com a ajuda de Deus, da minha família (que são os meus) e dos santos a quem me dirijo em meditação! E não paro! Estou, nesses entretantos, a tentar construir o meu domínio (depois darei todos os links). A expensas do meu bolso (pelo menos directamente, sem subsídios estatais)!

Que hei-de fazer para poder continuar a trabalhar com tanquilidade, sem as afrontas dos jacobinos do costume? Mudar de estabelecimento de ensino, como me mandam, imperativamente, os receituários médicos? Se assim tem que ser, vamos a isso. Já não é sem tempo!


Oxalá, com a ajuda de todos quantos me quiserem e puderem ajudar, institucionalmente ou não!

sexta-feira, outubro 24, 2008

Só com a liberdade posso ser!

Ou da liberdade interior
Vejo que mestre JAM vai ter muitos alunos apaixonados, tal é a convicção, acredito, com que tentará ensinar "as coisas boas" aos seus alunos desse jovem e mui querido país que é Timor Lorosae! Bem haja!
Da minha parte, para além da disponibiildade que já lhe manifestei, não só em poder enviar o que me for possível, mas em ajudar de que forma for (ai se Deus me desse essa oportunidade ...), apenas me apraz, aqui e desta forma pública, enviar um grande abraço a todos esses amigos (não esquecerei, nunca, esse colega que tive na Casa Pia de Lisboa chamado Vicente Guterres, e as conversas sobre a esperança, a fé, as melhores soluções possíveis de libertar o seu povo, ...). E que a liberdade ganhe raízes de futuro, para quem a semear poder dizer e viver, amanhã, o que outrora não foi possível, se bem que já apreciado: esse eterno amor de terra-mãe, à qual todos pertencemos, aquele que nos dá força de ser e de viver, aquele pelo qual, por isso, não nos importamos de morrer, porque nele sempre estaremos!
Por tudo isso, nunca esqueçamos que, desse modo, todo o nosso ânimo vem dessa natural vivência das coisas que são por dentro. e, para as alcançarmos, temos que ser (por dentro) como elas: liberdade confunde-se, por isso, com a natural expressão e manifestação extrínseca das coisas que o são.Tudo o resto é fantasia!
Deleitem-se, amigos, com uma das expressões musicais mais apaixonantes (e divinas?) da história da música, de um dos autores que, também, muito contribuiu para o puro sentimento de liberdade (=amor natural e eterno)!


Com toda a amizade
Prof. José Rodrigo Coelho

quinta-feira, outubro 23, 2008

Um destes dias todos seremos "fugitivos"!

Revejo, no HW Canal, "O Fugitivo", na versão de 1993, ano em que ingressei no quadro de uma Escola pública portuguesa, para ... "mal dos meus pecados". Não sei já o que ali disse e/ ou fiz, a quem. O certo é que desde que me referi a uma revista em que citei um já ido escritor português nosso contemporâneo, onde se identificava a orientação sexual de uma altíssima figura do Estado (entre outras figuras públicas da nossa praça), eu nunca mais tive sossêgo, quer dizer, nunca mais me livrei de todas as investidas deste processo de linchamento profissional e pessoal (com certeza que, por decorrência, também familiar). Ao ponto de, mesmo juridicamente, os advogados não terem meios de prova para avançarem com a respectiva queixa-crime, apenas ficando nos registos de alguma instância supervisora da nossa Justiça todos os relatos referentes, um a um, com ou sem erros por parte da Administração que os processa. A todos os níveis, desde o local ao nacional (...)!!!
Por isso, deixo aqui um apelo, também, a todos os pais e/ ou Enc. Educ. (representantes dos alunos), para que, como primeira e acima de todas as preocupações com a vida escolar dos vossos filhos, vigiem a forma como são manipulados nas respectivas Escolas para, a troco de alguns favores avaliativos, se deixarem comprar por detentores de poderes de decisão que, sem o assentimento dos vossos filhos, vêm os seus lugares, posições e privilégios em risco! Com o acompanhamento contínuo destes processos, vocês contribuirão para que a educação deles seja, efectivamente, a de uma escola pública que serve aquilo a que se destina, na sua natureza e génese: a formação de cidadãos conscientes formados no respeito e, assim, responsáveis!
É por tudo isto e contra toda esta canalhocracia que ando a lutar sozinho! E a sofrer as respectivas consequências! Mas, receio, um destes dias todos seremos "fugitivos"!




PS: qualquer semelhança (ou analogia) entre os excertos deste filme aqui reproduzidos e a realidade com que se comparam não é mera coincidência, nem fruto do acaso! Tão somente são elucidativos de um tipo de situações de injustiça extrema, difíceis de combater e resolver a favor de quem está, verdadeiramente, inocente!

segunda-feira, outubro 13, 2008

Escola ?!... Que saudades!

Por que devemos ter medo da "escola a que chegamos"!

Mais uma vez me manifesto com
a deixa das afirmações de mestre JAM! Não sem relevância actual, num dia em que assinalo ter observado, na sala de professores onde trabalho, um abaixo assinado contra os processos avalianígenas que a tecnocracia avalióloga (leia-se e pasme-se com os termos em que estão definidas, normativamente, as equipas de avaliação) vai tecendo para dominar "esta pastelada de massa tenra, muito maleável que, estando em condições precárias, é passível de ser domesticada pela tecnocracia dos reformismos de fachada, à espera de aval decretino".

E o que me lembrou, hoje, esta deixa, foi o que li há já um mês atrás, na 'Notícias Magazine' do JN de 14 de Setembro, numa entrevista à Professora Maria do Carmo Vieira, uma pessoa que, pelos ditos e vistos, muito me orgulho de chamar colega. Donde destaco:



- Ensino

"... Todos nós nos lembramos dos professores que nos marcaram, que se tornaram exemplo. Daí a imprescindibilidade de um professor amar o que ensina ...";

- "... Banido o verbo ensinar, os alunos só têm actualmente de adquirir aprendizagens e competências, tendo em vista o mercado de trabalho. (...) Como estratégia para obter um êxito rápido e cumprir metas estatísticas. Com efeito, as novas teorias pedagógicas (uma ofensa à nobreza da pedagogia) viciam os alunos no facilitismo, cultivando a preguiça e a ignorância ...";

- "Não compreendo como é que os professores de Português aceitam critérios de correcção em que os erros ortográficos não são penalizados.";

- Treinar a não pensar

"É triste, mas creio que neste momento a escola perdeu a sua função milenar de preparar para a vida, e por isso os alunos quando dela saírem encontrarão um mundo totalmente diferente daquele que lhes foi mostrado por um ensino que se centra apenas nos seus interesses imediatos, fomentando o narcisismo e o egoísmo. Sabemos, por experiência, que os interesses dos alunos estão em geral muito afastados da cultura.";

- "... chamaram-me elitista quando dei a conhecer, de forma crítica, a presença do Big Brother e das telenovelas nos manuais .... Elitistas são as pessoas que estão por detrás destes programas e das suas metodologias. Com efeito, se não for a escola a preencher o vazio cultural que resulta de uma situação familiar fragilizada, quem o fará? (...) A esta desigualdade de oportunidades, que a escola promove, chama-se cavar o fosso entre ricos e pobres, para mais tarde, como diria Vieira no seu Sermão de Santo António aos Peixes, os maiores comerem os mais pequenos. Expressiva é também a frase de Schumann: «Aqueles que são ignorantes são fáceis de conduzir.» Na verdade, quem não pensa acaba por baixar os olhos, caminhar em grupo, seguindo os passos de quem o conduz, esquecendo-se de si próprio. Mas isto é um crime, fazer com que os alunos se esqueçam de si próprios, se anulem enquanto seres humanos, ...";

- "... Finalmente, com a implementação desta nova reforma em 2003, oficializou-se a mediocridade na escola, numa atitude de arrogância nunca experimentada, que anunciava o acto de pensar e de reragir, e mesmo de desobedecer, como algo intolerável. ...";
- Professores resignados e com medo

"A resignação é também uma atitude que impera. (...) A par da resignação, existe o medo, agora agravado com a avaliação, nos moldes em que foi imposta (apesar das alterações), infelizmwente com a anuência dos sindicatos. (...) Os professores obedecem porque têm medo. Houve colegas que não assinaram as petições que elaborei em defesa do ensino e da sua dignidade, confessando-me terem medo das consequências. Outra situação é a que se prende com o exercício do poder, nomeadamente através do cargo de «professor titular», que só pode ter sido criado para dividir os professores. Poderia ter concorrido a professora titular, e certamente que obteria a pomposa designação, porém não aceitei fazê-lo. ... Optei pela minha consciência, ... ainda que tenham tentado assustar com possíveis consequências. ... Como é possível avaliar o desempenho de um professor com base em critérios pouco objectivos e discricionários? ...";

- Estamos a destruir o futuro dos alunos

"... o ME quer facilitar, porque conforme afirmou, muito convicto, o coordenador do GAVE [...], «os alunos têm direito ao êxito», ignorando que o êxito se conquista, não se oferece. ... Actualmente exigência é comparada a traumatismo, e à partida os alunos são considerados uns incapazes. O que se pode esperar quando se raciocina assim? (...) Ser avaliados por colegas, e ainda por cima da mesma escola, é inaceitável, mas há sempre quem aceite representar estes papéis. ..."

No final do artigo há uma remissão para a página na internet que esta Professora tem: "Pela Dignificação do Ensino". PARABÉNS!!!

Por mim, sinto uma bofetada na minha dignidade profissional e um atentado à instituição escolar o facto de me atribuírem a leccionação de matérias que eu nunca estudei. E de me retirarem disciplinas que, no mesmo estabelecimento de ensino, eu próprio já há muito comecei a preparar, já leccionei, e sobre as quais tenho projecto de doutoramente universitariamente aprovado. Com conhecimento documental formal (em fotocópia) do respectivo Orgão de Gestão. Com formalização de candidatura na FCT! Há ou não discricionaridade, medo, compadrios, prebendas, represálias ...? Como se pode realizar uma avaliação docente nestas circunstâncias orgânico-institucionais?

Arre!!! Não há pachorra!!!

PS: volto a assumir todas as consequências legais deste meu tão digno acto de civismo e de liberdade de expressão!

(O vermelho é da autoria deste blogue).

terça-feira, outubro 07, 2008

Homens sem idade, sem tempo, neste ... "tempo que passa"!

Quo vadis, magister?

Para onde fores, também gostaria de ir, nessa tal "procura do mais além", que nos possa trazer fortuna, dessa bem aventurança que, mesmo que não faça dos homens ricos, traz a maior riqueza de todas, que será sempre a da alma.

Por tudo isso te deixo essa força contida em minha vontade e desejo, esse sincero desejar ao próximo o que gostaríamos que nos desejassem a nós, em circunstâncias semelhantes. Para onde vais, creio, nada disso é estranho.

Que faças ESCOLA onde, quando e como for merecido, obedecendo sempre a essa Vontade que é a grande Julgadora. Deixa isso bem escrito, de tal forma que perdure a crua e dura simplicidade cristalina da água pura, tão natural como Deus a fez, por onde possa transparecer, a cada passo dado pelos que a procuram, a Verdade que os ilumine. Não espero menos de ti, mestre.

Que nesse Oriente, tão longe e tão próximo, possas deixar semente de futuro, daquele que sempre se espera trazer para melhor. Outro não pode ser o sentido do devir, com o qual podemos dizer desenvolvimento. Nesse eterno sonho de "mais além"!

Deixo, por isso, esse grande momento de exortação à portugalidade, por que não à humanidade, legado pelo grande pedagogo (que também referencio na obra que tenho em empreendimento, por ti orientada) António Gedeão. Talvez ao som dessa melodia, com o encanto desse cântico, a sementeira decorra sem maiores sobressaltos, e a obra chegue a bom fim. "Porque Deus quis, porque o homem sonha, porque a obra pode nascer."



Quando fores, leva então este abraço amigo, e partilha-o, se tiveres oportunidade para isso, com todo esse Povo irmão e, em especial pela saudade que há muito trago em mim, com o meu ex-colega docente na Casa Pia e bom conviva Vicente Guterres.

quarta-feira, julho 30, 2008

Hoje deu-me para mandar ...

Um recado à Srª Ministra da Educação de Portugal:

Exª Srª Dr.ª Maria de Lurdes Rodrigues,

Muito haveria a dizer, da minha parte, a favor e não assim, em relação às suas medidas educativas em geral. Para que, logo à partida desta minha comunicação, se auto-convencesse da sua imparcialidade, isenção e de qualquer despretrensiosismo. Prefiro falar só de mim.

Professor. Da área disciplinar das ciências sociais (7º grupo), agora agregado no 430.

Exigente comigo mesmo, e assim com aqueles a quem pretendo dar alguma coisa, por vocação, primeiro, e por dever de contrapartida pelo que a sociedade me paga para tal, depois.

Já leccionei todas as disciplinas atribuídas a este grupo, de que V. Exª tenha memória. Por minha discricionaridade, nunca "chumbei" um aluno. Poucas vezes foram aquelas em que não consegui fazer o suficiente para evitar que alunos não tivessem o aproveitamento mínimo.

Já fui, durante longos anos, corrector de exames nacionais, de todas as disciplinas que, no meu grupo, a eles eram sujeitas. Nunca fui alvo de qualquer reparo. Das reapreciações que me solicitaram, diz-se o mesmo.

De formação académica teoricamente multifacetada (curso de ciências sociais e políticas do ISCSP - UTL: "Gestão e Administração Pública", na especialização de Administração Urbana e Municipal), frequentei o Curso Conducente ao Grau de Mestre em Ciência Política, pela mesma Escola, e actualmente tenho projecto de investigação para doutoramento em Ciência Política aprovado, oficialmente, na mesma Escola ("Cultura Democrática e Educação para a Cidadania em Portugal do Século XX - Contributos para a Reformulação Epistemológica da Democracia e da Deontologia da sua Prática Pedagógica"), e de cuja declaração autenticada já remeti fotocópia ao Conselho Executivo da Escola onde lecciono.

Por outro lado, há quem, nos meandros do poder interno desse estabelecimento, não goste de mim! Acho que com razão, respeitando o dever que reconheço nesses mesmos actores de zelarem por princípios de boa educação democrática, e de práticas pedagógicas com eles consentâneas.

Com um senão: como as suas próprias acções de boa educação democrática e de práticas pedagógicas a ela conducentes ficam, nesse âmbito, a competir com as minhas, por defeito, há muito tempo que, não sendo eu um dos que se perdem nos meandros daqueles "passos perdidos", por convicção e verticalidade de carácter, sou completamente ostracizado por esta autêntica "casta" docente (tantas e tantas há para contar ...!!!). Por isso lhes reconheço razão!

Há dois anos, quando pela primeira vez apareceu a Disciplina de C. Política no 12º ano do Ensino Secundário, fui no meu Grupo incumbido de a leccionar, preparando a dita ab initio, com as dificuldades mas, também, com as motivações inerentes a algo que, na minha actividade profissional, me era tão chegado. E os tais sabem-no.

Assim, neste ano lectivo que se aproxima, a C. Política volta a ter alunos nesta Escola. Mas, não vá tão 'profano e herético' professor (que, supostamente, devo ser eu) perverter os alunos em tão importante disciplina para a formação política de autênticos cidadãos que queremos formar, atribui-se, dentro do silêncio que o tempo que vai passando não desvela, a tal Disciplina ao grupo de História (sim, que a Nova Ciência Política deve ser uma matéria centrada na análise histórica das ideias políticas ou na história dos factos políticos ... (?)!, com todo o respeito e reconhecimento que os respectivos representantes merecem ).

O Supremo Juízo do Publicista manda que se investigue!

Queira V. Exª, Srª Ministra, dar um bom exemplo de governança democrátrica, seguindo este juízo ancião, mandando investigar isto e tudo o resto, mas todo quanto humana, juridica e tecnicamente possível, que este meu País, de que estamos todos à espera (à excepção dos tais que já vivem no Éden da vida e da Academia), bem precisa. Desde há muito (1970/71) que este que se lhe dirige lutou para isso. Ao lado de actuais conhecidos seus (e colegas do ISCTE).

PS: Assumo, juridicamente, todas as consequências disciplinares deste meu público acto.

O Professor,

José Rodrigo Coelho

sexta-feira, junho 20, 2008

Ainda à espera das verdadeiras calendas deste ano

Ainda à espera das verdadeiras calendas deste ano, aqui na capital deste antigo reino que fez "A Primeira Aldeia Global - Como Portugal Mudou o Mundo",

volto a agradecer toda a disponibilidade académica e pessoal a meu mui citado mestre e amigo JA Maltez ...! E vou lendo, como aqui referencio (passo a publicidade comercial), mais um desses livrinhos (que até nos hipermercados se vendem), agora traduzido em português de Portugal.
E, porque de retomar memórias que se vão perdendo se trata, parto desta evocação que tem a ver com as tais razões académicas, muito cúmplices de um renovar da nossa verdadeira esperança de fazermos algo pelo nosso cantinho do (deste) Céu, com a qual 'abro peito', a preceito (não vá algum cientista contestar, de boa ciência feita ?, as minhas boas intenções ...), e com esta evocação trago, também, à memória o que com todo este enredo se liga, desde o tal nome de Portugal, ao meu antigo companheiro de outros tempos de 'luta' AC Pinto, ao meu amigo e mui citado mestre JAM ...!
Bom, o melhor é, para eles (se o quiserem), pararem um minuto para ouvir esta daquela dupla musical que deu pelo nome de Simon & Garfunkel:



"Time it was, and what a time it was, it was
A time of innocence, a time of confidences
Long ago, it must be, I have a photograph
Preserve your memories, they're all that's left you"

Um abraço a eles, por tudo!

quinta-feira, abril 17, 2008

Estado-Sociedade-Educação

Da violência reprodutora (ou de como a pseudo-cultura democrática gera múltiplas violências)

Depois de receber mais mail postal do "Portal da Educação", sobre a violência nas escolas de Portugal (algures também), e de, por um acaso, ter lido mais um postal em que o meu mui citado mestre JA Maltez dá uma excelente lição sobre a essência da democracia:

"... O essencial da democracia está no estabelecimento do diálogo entre adversários, como dizia Ortega y Gasset, ou em controlarmos o poder dos que mandam, através do sistema de pesos e contrapesos, visionado por Montesquieu. Melhor ainda: o essencial da democracia está em podermos fazer um golpe de Estado sem efusão de sangue, como dizia Karl Popper. A democracia mede-se menos por resultados eleitorais e mais pela prática governativa das maiorias absolutas. A democracia vive-se e mede-se pela distância que vai da teoria à prática. (...)",

veio-me à ideia o tema da minha proposta de investigação para tese de doutoramento:
"Cultura Democrática e Educação para a Cidadania em Portugal de Abril (Contributos para a formulação de uma epistemologia da democracia e de uma deontologia da sua prática pedagógica).

E, de algumas coisinhas que já me passaram pelos olhos de ler, lembro-me de esta (1):

"... a política de avaliação [dos professores], embora declarando promover o desenvolvimento profissional dos professores e a melhoria organizacional das escolas, não incluía algumas características que a literatura considerava fundamentais para atingir esses objectivos. A implementalão da política visava sobretudo a finalidade administrativa de possibilitar a progressão na carreira docente. Em consequência, foram apresentadas recomendações para a reformulação da política e para a sua implementação de forma mais consonante com as finalidades assumidas."

Dito isto, de outra maneira, o trinómio Estado-Sociedade-Educação desfaz-se num acolchoar de interesses mútuos, entre quem escolhemos para nos governar, e que elegemos para nos avaliar. O sistema que se estruturou com a anterior política de avaliação pariu, há muito, seniores bem instalados nas cadeiras directivas que, à boa maneira caciquista, serão os chefes de equipa das comissões internas que, nas escolas de Portugal, continuarão a gerir os interesses já há muito gerados pelas cliques instaladas.

Por isso, não haverá solução, certamente, que não passe pela analógica instalação, essencialmente democrática, de controlarmos o poder de quem manda, no tal jogo de equilíbrios que só o Estado (a tal componente essencialmente externa e, por isso, isenta e imparcial da avaliação) pode assegurar. As comissões internas de avaliação continuarão, forçosamente (pela inércia característica dos fenómenos grupais intra-organizacionais), a acarretar o pendor das suas decisões a favor daqueles que, em contrapartida, garantirão a continuidade dos seus privilégios.

___________________________
(1) Curado, Ana Paula, Política de Avaliação de Professores em Portugal: Um Estudo de Implementação, Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa, 2002, pág. 9. (tradução portuguesa da dissertação de doutoramento da autora).

domingo, abril 06, 2008

E se houvesse PIE's (projectos de interesse educativo)?

Vejo e revejo-me em mais estas linhas do "Pedrito" do J Negócios.

Ao ler mais este artigo do 'Pedrito' do JNegócios veio-me à ideia essa figura normativa dos projectos e/ ou participação em actividades de interesse educativo que os professores deste portugalório devem apresentar para serem devidamente avaliados. Mas já o tenho dito: são os interessados em manter o status quo educativo aqueles a quem, essencialmente, está destinado o controle da avaliação. Por outras palavras, vamos entregar a 'julgamento' muitos 'não-culpados' pelos actos ilícitos dos que os vão julgar. Ou seja, ainda, o problema da eficiência do sistema educativo não está tanto em professores que não 'cumpram', mas naqueles em quem recai a responsabilidade de controlar, sistematicamente, osz métodos, os instrumentos e os resultados, em cada ano lectivo. E ESSES NÃO CUMPREM!
Por isso, gostaria de ver até que ponto não aconteceria o mesmo a eventuais PIE's (Projectos de Interesse Educativo) que aos PIN's referidos neste artigo:

"A montanha pariu um PIN
Pedro Santos Guerreiro

psg@mediafin.pt

Ou melhor: nenhum. Três anos depois do arranque dos fabulosos Projectos de Interesse Nacional, não há que esteja a laborar. Os únicos salários que estão a ser pagos por estes “projectos de elite” são os dos construtores que os erguem e dos consultores que tratam da papelada. Os PIN são um fracasso? Não. O fracasso está no País que tomba à força da inércia.
Os PIN foram lançados como uma “Via Verde” para o investimento; pertencem à era da entrada de leão de Sócrates, quando disse ao que vinha em meia dúzia de semanas, lançando o Plano Tecnológico, os PIIP, os PIN, o PRACE ou o Simplex.
Num país onde qualquer empresário desesperava com as iterações necessárias para pôr de pé um projecto, os PIN propuseram o oásis. Em vez de mudar leis, propunham alterar o processo decisional para contornar os custos de contexto: juntavam todas as autoridades numa sala e desatavam-se todos os nós. Simples, não era?
É uma utopia. Os papéis dos PIN vão para o cimo da pilha de papéis, mas a pilha permanece. Há uma diferença abissal entre os megaprojectos anunciados por Manuel Pinho, os números fantásticos de Basílio Horta e esta realidade funil: de 147 propostas de PIN, a AICEP aceitou 77; apenas 11 estão em execução; nenhum em laboração.
Os empresários queixam-se de haver projectos de primeira e de segunda. Por causa disso, estão a querer chamar PIN a tudo. É como os remetentes de correio normal depois de aparecer o correio azul: o azul passou a ser o normal... Resultado: as direcções regionais de Economia queixam--se de uma “overdose” de PIN. Voltou-se à casa da partida.
O problema não está nem em Pinho, nem em Basílio. As empresas ainda hão-de construir uma estátua ao trabalho da API (cuja cultura e gestão, espera-se, contagiará o ex-ICEP). A questão a colocar é outra: se é assim com os investimentos que têm passadeira vermelha na Administração, como será com os milhares de projectos que não possuem cunha de ministro?"

quinta-feira, abril 03, 2008

Em Nome do Pai

Sobre a Justiça na Educação: um caso revelador de um Estado sem graça!

Veio-me à ideia, agora que revi no canal HWD o filme "Em Nome do Pai", e durante mais este período convalescente em que me encontro, após mais uma recaída dos esquemas kafkianos que os meandros situacionistas dos micropoderes subestatais da educação provocam a "inconvenientes" como eu ..., veio-me à ideia, dizia, a tentação de poder mostrar o que praticamente todos nós já vimos, na vida ou em representações dramatizadas: como se sente um inocente, culpabilizado de actos que o condenam, sistematica e impunemente (dado que quem promove estes procesos já foi indicado, em alegações finais de um processo, como sendo quem deveria estar a ser julgado ...). E nada melhor para o conseguir que através de algumas passagens deste filme, aqui evocado. Especialmente uma das últimas passagens, em que se mostra algo que, em julgamente, é omitido pela acusação, escondido da defesa! Para gáudio da vil condenação de alguém que se sabe inocente! Para se resguardarem do sistema, que teimam em querer defender! Para agradarem e mostrarem serviço que, de outra forma, só revelaria incompetência!




Por isso vou aqui mostrar, a partir de agora, em que irá consistir a campanha que, à semelhança do que também mostra no filme, talvez seja o único caminho para um desamparado social como eu conseguir fazer chegar a voz e a imagem da verdade às devidas instâncias da JUSTIÇA ! Chega de humilhação e instrumentalização! Teremos que VER o que se passa nas escolas de Portugal! Para bem de todos! Para mim, basta! (continua)

PS: E, já que estamos em ambiente cinéfilo, que tal revermos a mensagem de mais este filme (ficcionado) revelador dos meandros ocultos dos poderes instalados? Acho que vale a pena, sobretudo para quem nunca o viu! Também pela analogia que, a partir deste filme, podemos tecer relativamente aos meandros alienígenas de quem nos engana, oprime e controla! Vá, vá lá que vale a pena. Vá ...!

segunda-feira, março 31, 2008

Temos precedente Carolina Micaelis?

"Se Vossa Excelência, Sr. Presidente, viesse cá almoçar mais vezes ..."

Como eu gostava de ser ouvido, Sr. Presidente!

Volto a escrever ao som de Adriano!

Depois de ler mais um artigo de opinião (que subscrevo e exorto), agora pela excelente pena de Mário Crespo, não posso deixar de clamar por JUSTIÇA: há mais ou menos 10 anos que sou, sistemática e ostracivamente, perseguido e linchado (moral e profissionalmente) nesta Escola onde professo, pelos mais kafkianos e pseudo-maquiavélicos ardis de gente sem escrúpulos, bem 'sentados à mesa' do poder que querem (e têm conseguido) manter. Para quê? Para gerirem os seus eventuais interesses de grupo sócio-profissional, à revelia e ao arrepio de alunos e professores não-alinhados.

Já vou no quarto processo disciplinar por culpas inventariadas, tanto por alunos manobrados, como por outros tantos professores cúmplices e/ ou coniventes com o esquema.

Do primeiro, resultou o arquivamento, talvez perla excelente intervenção de um advogado do Sindicato, não sem que esse advogado dissesse, em alegações finais, que quem deveria estar sentado no banco dos arguidos fosse a própria Administração escolar ...!

Nos três seguintes, fui condenado a um mês de suspensão com perda de vencimento (2º processo), e a multa de 400 euros (3º e 4º processos).

E por que factos fui condenado? Sempre por se alegar conduta imprópria para com alunos, na maioria das alíneas, e mesmo por falta de respeito para com colegas e, até, para com o Sr. Presidente da Escola! Em que circunstâncias? Por não pactuar nem ser permissivo (sempre tolerante, quando a situação o justifique) com a laxívia, a corrupção e tráfico de influências, e com a indisciplina! Por tentar ser sempre um digno servidor da sociedade que me paga para isso, ou seja, por intermédio do ME e do Estado! Sou um servidor público, não de interesses particulares ou, mesmo, regionais de onde me encontro a viver e a trabalhar! Tenho dito.

Por tudo isto, não digo que, no meu caso, tenha feito qualquer "braço-de-ferro" com alguém. Não. No meu caso, o que eu tenho exercido é, nas circunstâncias que tentei resumir, um autêntico "alma-de-ferro", tais são as marcas que, na minha saúde psíquica, já são manifestamente probatórias. O que me leva, em tom de profunda revolta, a denunciar esta situação, analogando-a a todo este caso mediático:

"Não houve braço-de-ferro nenhum


Mário , Crespo, Jornalista

Acho espantoso que sobre a ocorrência na Carolina Michaelis várias opiniões insistam que a professora não devia ter entrado em "braço-de-ferro" com a aluna por causa do telemóvel. Não houve "braço-de-ferro" nenhum.

A Professora recusou-se a capitular. Não deixou que lhe tirassem à força algo que, no exercício das competências em que está investida, tinha achado por bem confiscar. E não cedeu face a pressões selváticas. E não capitulou face a agressões verbais. E manteve-se digna no posto que lhe foi confiado pela sociedade, com elevação e consistência, cumprindo as expectativas depostas na sua missão.

A Dra. Adozinda Cruz é um modelo de coragem que o país tem que aplaudir. Que a nossa confusa sociedade precisa de aplaudir porque é uma sociedade carente de pessoas como ela. A Professora de francês fez aquilo que tinha que ser feito. Sozinha. Porque trabalha numa escola onde o Conselho Directivo tolera que a placa com nome do estabelecimento, baptizado em honra de uma excepcional pedagoga que foi a primeira mulher portuguesa a conseguir leccionar numa universidade, esteja conspurcada, num muro com inenarráveis graffitis que mandam cá para fora a mensagem que lá dentro tolera-se a bandalheira. Numa escola onde durante minutos se ouviu a algazarra infernal dessa bandalheira, onde ela estava a ser agredida e nenhum colega ou funcionário ou aluno se atreveu a abrir a porta e ver se podia ajudar. Foi dessa cobardia geral e conformismo abúlico que a Dra. Adozinda Cruz se demarcou quando não deixou que a desautorizassem. É por isso funesto não lhe reconhecer a coragem e diminuí-la num bizarro processo de culpabilização da vítima.

Estar a tentar encontrar fragilidades comportamentais num ambiente de tal hostilidade é injusto. E o facto é que não fora a louvável e pronta actuação do Procurador-geral da República a Dra Adozinda Cruz ficaria sozinha. Abandonada pelo Ministério que a tutela, porque entende que o seu calvário é resolúvel nas meias tintas do experimentalismo burocrático, distante das realidades do terreno e que os problemas de segurança da escola são questões menores que se decidem dentro dos muros cheios de graffitis ameaçadores, em ambientes onde circulam armas e drogas. Abandonada pelas organizações laborais porque não está filiada. Com assinalável candura Mário Nogueira confessou em entrevista que a Fenprof não tinha feito nenhuma intervenção nem a faria porque "a colega não está sindicalizada". Abandonada no arrazoado palavroso do Bastonário da Ordem dos Advogados que, desconhecedor da Lei, achava que tinha que haver queixa para que a Procuradoria iniciasse algum procedimento e que, como tal, a professora deveria ser deixada ao sabor das indecisões da desordem que reina dentro dos muros graffitados. Felizmente o Estado não se limita a estas entidades.

O Procurador-geral actuou a tempo e o Presidente da República, ao chamá-lo a Belém, diz ao país e em particular ao governo que o caso não está nem resolvido nem o executivo conseguiu um vislumbre de solução.

Talvez fosse importante reforçar esta mensagem de preocupação, solidariedade e cidadania recebendo em Belém a Professora que não se intimida e é capaz de ser firme no meio do caos em que se tornou a educação pública em Portugal. As famílias entenderiam que a tolerância cúmplice e desleixada do Ministério, das escolas, sindicatos e acratas irresponsáveis iria acabar e poderiam começar a mudar o seu próprio comportamento."


PS: o negrito a vermelho é de nossa autoria, para reforçar a tal analogia e pelo qual gostaríamos que este constituisse um precedente judiciário (temos jurisprudència?).
Gostaria, também, de chamar a atenção para um artigo de hoje, no "Quarta República", onde se descreve uma situação caricaturada mas bem exemplificativa das posturas assumidas em contextgos análogos, nas escolas portuguesas.

sexta-feira, março 14, 2008

Um Bom discurso sobre a actual crise na Educação!

Ainda entre a "marcha" dos incorrectos e o "comício" dos ali(nh)ados!,
Encontro algum discurso em tom mais realista e aproximado à inevitabilidade da actual orientação da política educativa. Por outras palavras, haja bom senso, e assumamos todos, de uma vez para sempre, que temos que seguir a velha romana do "a Deus o que é de Deus, a César o que é de César".
Ou seja, isto de fazer reformas tem muito que se lhe diga, e não é de forma a pretender "agradar a gregos e troianos" que os resultados podem aparecer:
- há várias inconstitucionalidades nas actuações governativas (este governo foi, supervenien-temente, fruto de um golpe constitucional do anterior Presidente da República; o congelamento de carreiras fere alguns dos princípios constitucionais ...);
- há várias ilegalidades praticadas pela Administração governante (veja-se, por exemplo, esta última);
- os principais agentes da entropia existentes nos quadros do sistema educativo vigente são os principais actores do modelo de avaliação dos professores, proposto pelo ME; ... etc.
Por isso, chamo a atenção para este artigo recebido da FERSAP:
"É impossível ficar indiferente à manifestação de professores que decorreu em Lisboa. Pouco importa se seriam 100 000 ou 80 000. Por certo, muitos seriam acompanhantes ou, mesmo, simples curiosos. Mas, 50 000 que fossem já seria um número impressionante, tendo em conta a dimensão da classe e o número de adesões que normalmente se verifica a este tipo de iniciativas. Mas o mais dramático de toda a situação é que ninguém pode estar em desacordo com a urgência da introdução de sistemas de avaliação do desempenho de docentes ou de gestão das Escolas, afirma António Mendonça.Mas o mais dramático de toda a situação é que ninguém, minimamente atento aos problemas que afectam o sistema de ensino básico e secundário, em Portugal, pode estar em desacordo com a urgência da introdução de sistemas de avaliação do desempenho de docentes ou de gestão das Escolas - o que o governo pretende levar a cabo, precisamente, com o conjunto de medidas que foram objecto da contestação. É por demais sabido que o que falta às escolas portuguesas não são inovações curriculares ou pedagógicas – que, aliás, se sucederam a um ritmo frenético nas últimas duas ou três décadas, sem evidentes resultados – mas, sim, acções que se orientem para o reforço da organização, da eficiência da gestão, da disciplina e do prestígio e autoridade dos docentes. Tudo aquilo que, aparentemente, está no centro das preocupações das reformas encetadas pela actual equipa do Ministério da Educação. O que está mal, afinal, em tudo isto? Porque é que sendo praticamente unânime a opinião de que o sistema de ensino em Portugal está a necessitar de reformas profundas, se levanta este coro imenso de protestos por parte daqueles que vivendo os problemas no quotidiano e tendo, por isso, plena consciência da situação, deveriam ser os primeiros a apoiar as políticas reformistas do governo? A resposta simplista a esta questão será considerar os professores responsáveis por todos os malefícios e dizer que a contestação resulta de uma defesa corporativa de privilégios adquiridos que estão muito para além da eficiência e qualidade que introduzem no sistema. Em parte esta tese encontra suporte na realidade, sendo um facto que existem largos sectores do corpo docente que beneficiam ou beneficiaram de situações de excepção e que contribuiram com a sua influência política e sindical para a entropia do sistema. Mas será um erro estratégico confundir estes sectores, por maiores que sejam a sua dimensão e influência, com a totalidade do corpo docente do ensino básico e secundário. Aliás, o erro parece não estar confinado ao campo da educação e manifesta-se em outros sectores da sociedade, objecto das chamadas reformas estruturais, contribuindo para a perda de eficácia das medidas tomadas e para o sacrifício inglório dos seus principais protagonistas, com os resultados que se conhecem em termos de degradação do clima político e de custos adicionais para o país. A dimensão da contestação dos professores à política governamental para a educação, veio tornar evidente aquilo que já se pressentia há algum tempo: que o aprofundamento do processo de reformas estruturais - que o país exige para se libertar dos constrangimentos que impedem o seu desenvolvimento económico e social - não está suportado numa estratégia coerente e integrada de intervenção, antes obedecendo a uma lógica voluntarista que corre sérios riscos de vacilar ou de se deixar descaracterizar mal encontra pela frente uma resistência forte e politicamente influente. Existe hoje, na sociedade portuguesa, um largo consenso relativamente à necessidade de atacar os problemas estruturais com clareza de objectivos e firmeza de propósitos. Mas é importante não perder de vista que as reformas encontram, no seu desenvolvimento, resistências que devem ser integradas no planeamento das acções e na forma como as políticas são justificadas, na sua necessidade e substância. E é aqui, precisamente, que mais se manifesta a debilidade estratégica a que antes fizemos referência. A este propósito, destacaríamos, três aspectos que consideramos mais negativos e que importa corrigir atempadamente, sob pena de se continuar a comprometer o sucesso das iniciativas reformistas. O primeiro, tem a ver com a dificuldade em convencer a opinião pública de que as reformas em curso se justificam pela racionalidade própria e pela eficiência que pretendem introduzir e não apenas pelas restrições financeiras que o pais atravessa. O segundo, prende-se com a excessiva abordagem das reformas em termos de combate a privilégios e a interesses corporativos, quando o que está em causa, verdadeiramente é a introdução de dinâmicas positivas de racionalização de meios e aumento de qualidade do serviço prestado. Por fim, o terceiro tem a ver com a tendência, por parte dos responsáveis políticos, para assumirem uma postura de excessiva auto-suficiência, negligenciando a importância de garantirem o apoio, no terreno, dos sectores mais dinâmicos e que querem que as reformas se concretizem.
António Mendonça,
docente do iseg-utl
Jornal de Negócios, 13 de Março 2008