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quarta-feira, janeiro 21, 2009

Novas 'roupas' de uma elite circulante?

Sobre o discurso da reformulação do Poder da elite dominante!

Será que estamos, finalmente, perante o virar da página do "white man's burden"? Será que esta presidência constituirá o precedente originário da superação das diferenciações raciais? Terá o desempenho desta Administração o reflexo exemplar que constituirá o modelo com que poderemos visualisar a próxima etapa da consciencialização cívica dos cidadãos do Mundo?

Assisti, mais uma vez, em directo e em diferido, a um ritual de investidura do Poder, actualmente a mais mediatizada do Planeta! Afinal, trata-se da imagem pública do representante da nação mais influente na cena internacional dos nossos dias.

Mas subscrevo, pelo menos quase na íntegra, esta nota (bicada) Sobre o Tempo Que Passa, de meu mui citado mestre JA Maltez.

sábado, janeiro 10, 2009

Mais umas buscas, possíveis surpresas, na mediocracia ... banal

Mais um balde de água fria, desta feita ... "à moda do Porto"!

Leio com alguma atenção mais esta  notícia "de cartaz", cujo conteúdo nos traz mensagem de alguma esperança. Mais uma! Para quê? No final de 'contas', todas feitas com a ética, a estética e dentro da actual oportunidade política, apenas nos resta a consolação de ficarmos, nós os pobres de carteira, a conhecer esta realização de tão prestimoso evento, iniciativa ainda levada a efeito por uma Fundação com alusiva e emblemática denominação encíclica. Cristo, creio (sem qualquer pretensão ou pejoração), ter-se-ia revoltado e derrubado as cadeiras e mesas de tão plutocrático empreendimento!

"O alicerce das coisas

Ética e política

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A saída da crise actual exige profunda reflexão ética, requer discernimento, sensibilidade, percepção espiritual, autocrítica, análise descodificada da realidade, abertura estética.

 Para analisar a actualidade importa convocar valores intemporais, escapar à idolatria da acção, do pragmatismo sem princípios. Aos seguidores de Jesus falta muito uma contestação e uma indignação proféticas, porque a espiritualidade cristã encarna no ser humano, na cultura, na estrutura, na conjuntura... As bem-aventuranças do Evangelho constituem apelo à transformação radical da sociedade para que não impeça os irmãos de serem irmãos. Homens e mulheres contemplativos do Deus de Jesus levam a solidariedade até às últimas consequências, necessariamente políticas. Jesus não teve apenas compaixão, viveu a paixão e deu a vida na cruz. Aproximou-se com a lucidez de Filho de Deus, caminhou com os pobres, experimentou a cruz da privação, da renúncia, do risco e até da conflitualidade, se necessário.

Ajudar as pessoas a não entrar em desespero, a não ficar na pura indignação sem sentido, requer grande capacidade de esperança com base ética e mesmo profética e utópica.

Com o tema ‘Ética e Política’, tem início, no próximo dia 12, em Lisboa, e no dia 13, no Porto, um curso livre em doze sessões, organizado pela Fundação Spes (www.fspes.pt). Esta Fundação foi criada pelo bispo do Porto, D. António Ferreira Gomes (1906-1989), exemplo claro da força das incidências éticas na vida cívica. Não é apenas o contexto dos cinquenta anos da sua ‘Carta a Salazar’ a conduzir o evento, mas a escolha da temática tem particular acuidade e será abordada por especialistas de diversos quadrantes, em ambiente de debate.

A oportunidade da iniciativa, no actual contexto mundial e nacional, merece especial atenção. A valorização da ética na política, na economia e na educação é caminho essencial, evidenciado no presente momento histórico. Mas o percurso tem pouco a ver com moralismos retóricos e tem tudo a ganhar com estilos inovadores de viver e de organizar a economia, a política e a educação. Seria fundamental que o ano de 2009 fosse de Inovação, nestes domínios e não apenas nas novas tecnologias.

É para contribuir neste sentido e preocupada em formar uma nova geração, capaz de romper com oligarquias de mais do mesmo, que a Fundação Spes promove o referido Curso de Ética e Política. Conto participar nas sessões de Lisboa, disposto a analisar as perspectivas lançadas pelos professores convidados. Aqui farei eco, quando oportuno.

D. Carlos Azevedo, Bispo Auxiliar de Lisboa"

Agora, olhando para os encargos  por quem quiser participar  nesta tão nobre e enriquecedora iniciativa (apenas os da inscrição, não contando com outras despesas adicionais, sobretudo as inerentes a quem tem de deslocar-se do seu local de residência), como se presume , mesmos para os mais baixos, ficamos a perceber quem nela poderá tomar parte!

Haja Deus!!!

Amen

quarta-feira, dezembro 03, 2008

Meditações do fundo da alma, para um futuro longínquo, deste Portugal sem Pátria!

Estatísticas democráticas, notícias democratizantes e meditação transdemocrática! 

Eis como se passou mais um dia, mais um espaço de tempo em que o folquelore do costume, desde as caricaturas radiofónicas do Bruno Nogueira (TSF) sobre o Congresso do PCP, a entremearem as notícias dos 60,1 % (versão W Lemos) contra os 94 % (versão da P sindical) com que sintetizam a greve dos profs; as "Oh, pinadelas" do Manel do JN sobre o socialismo de trazer na gaveta e as biscspicadas do Jó-Jó quanto aos limites da estatístico-democratura em Angola, apenas me deixa na saudade as notas soltas de desabafo deste amigo lá longe, bem longe, tão longe que, de tanto espreitar, fixo os olhos naqueles horizontes para além de todo este pseudo-neuro-democratismo, quando leio mais uma dessas notas em que também embarco, com que me solto e solidarizo, mas lamento, porque também navegar preciso ...!!!

"Quando descer sobre a luz que me faz falta, num ir além do poente, noite dentro, até sempre


(...) Confesso que não vim aqui procurar a pátria que já não há, a revolução que sempre foi perdida, quando apenas devia ter sido evitada, o falso homem do leme ou uma qualquer nau de fantasia que, envolta no mistério do exótico, seja capaz de me dar porto seguro ou refúgio face a ameaça dos piratas. Por mim, porque navegar é preciso, continuo sem contabilizar o ir não sei para onde, dos que apenas se submetem para o sobreviver e se esquecem que importa lutar, para que continuemos a viver. 

Parece que não conseguirei um conveniente heterónimo me dê refúgio e talvez  chegue mesmo à conclusão que tenho definitivamente de mudar para outra ilha qualquer, onde saiba mesmo que não haverá lugar, tanto do onde como do porquê.  Mas sempre era capaz de dizer que quando descer sobre a luz que me faz falta, quando estiver no regressar, poderei, talvez, continuar a viver assim, sem agenda, para poder ter sempre um intervalo que me dê tempo e me dê sítio. De um estar que seja ser e de um ser que não dependa do ter. Num aqui e agora,  que seja sempre acaso procurado, sem horários, sem relatórios, sem reuniões, avaliações, manual de procedimentos, num ir além do poente, até sempre, ao nascer de novo, de um dia mais dia que me  dê força, para que o amanhã seja o que Deus quer e o que homem sonha, para que volte a dizer pedra e a dizer praia, a praia de partida que o sonho todos os dias desenha no mapa da procura de quem continua a procurar."

sábado, novembro 29, 2008

Deixem o "Zé" trabalhar, pá ...!!!

Mais uma fogueira que aquece a pena de muitos opinadores; e uma metafórica "alegoria da caverna" da escola actual ...

Volto a ler o meu ex-colega iscspiano "Jó-Jó". E, já o disse, lá que ele tem talento, também me parece verdade. Mas nem sempre se acerta! Porquê?:

- errare humanum est, diriam alguns jus pensadores ...;
- são pedradas fora do alvo ...;
- o tipo não gosta do outro ...;
- os jornalistas têm sempre algo que dizer, seja do que for ...;
- está a defender a sua causa (?) ...!!!

Bom, o que interessa é o que este ex-colega jornalista alega para criticar as justificações apresentadas por aquele designado e (parece) desafortunado representante dos lisboetas (José Sá Fernandes), quanto às suas desavenças com o bloco partidário (há por aí mais blocos do que se pense ...) que escolheu para esse efeito. 

Numa palavra, depois de tantas que o autor do artigo que se segue empregou para concluir por tão pouco, qualquer eleito, seja para que instituição democrática for, deve representar (é o instituto da res presentatione)  o que aqueles que o designaram esperam que faça (para isso lhe conferem um poder mandatário, não para outra coisa, como, por exemplo, servir interesses partidários, mesmo que estes sejam legítimos, democráticos e programáticos).

Mas, como diz o ditado popular, "não há fumo sem fogo". E lá que o "Zé" tem de se explicar bem, sobretudo depois da conotação que lhe está a ser rotulada de apêgo ao poder, lá isso tem. Para defesa, não só da sua alegada honorabilidade, mas dos tais interesses primeiros (mesmo que não os maiores) que são os dos representados que o elegeram.

"O Bloco largou o "Zé"

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O "Zé", aquele que tanta falta fazia a Lisboa, já não é "provedor do cidadão", lamenta, amargamente, o Bloco de Esquerda. É capaz de ter razão: José Sá Fernandes parece outro. Está mais institucional e menos disponível para desembainhar a espada. Devem ser efeitos da "real politik", um vírus que lhe corrói a alma desde que começou a andar de braço dado com António Costa. Suspeita-se que passou de provedor a "provador". Tomou o gosto ao poder, esse supremo afrodisíaco que perde por completo a eficácia se tiver de conviver com a contestação.

No entanto, como se diz no futebolês quando o jogador falha o remate decisivo, o Bloco só pode queixar-se de si próprio. Adquiriu peso eleitoral às cavalitas do "Zé" e ganhou poiso no governo de Lisboa graças a um acordo com o PS, que subscreveu de livre vontade. Se concluiu que o seu representante no Executivo não cumpre o programa político, tem todo o direito de romper com ele. Tem é de pagar as favas, porque sendo independente não o pode substituir. É este o ponto que interessa discutir. Mais do que a guerrilha em ano pré-eleitoral.

Em Portugal, onde um dos temas predilectos do anedotário são "os políticos"- labéu atirado à ventoinha, indiscriminadamente, que em conversas de café significa pessoas pouco recomendáveis, potencialmente desonestas - fica sempre bem imputar aos partidos todos os males do Mundo. Por contraposição, ser independente cai no goto. Foi por isso - e pela combatividade demonstrada enquanto cidadão civicamente empenhado, concorde-se ou não com as causas defendidas - que o Bloco "recrutou" Sá Fernandes. A estratégia pouco teve de original. Muitos outros partidos acolhem independentes no regaço, por causa do seu valor no mercado eleitoral.

Desde que a lei permite candidaturas independentes, apenas até ao nível municipal, uma tendência tem vindo a manifestar-se: poucos são "genuínos". Abundam casos de ex-militantes de partidos que, de um momento para o outro, se viram contra a "casa-mãe". Alguns até têm assento na sala de reuniões do Executivo lisboeta. Com frequência, esses independentes apresentam-se como "puros", regeneradores do sistema, cheios de boas intenções. Prontos a denunciar as malévolas maquinações dos partidos de que na véspera faziam parte.

Sá Fernandes não encaixa neste perfil de ressabiado, é certo, porque que se saiba nunca teve cartão partidário. Mas não resistiu a lançar a "boca": o Bloco move-se, afirmou, por "interesses partidários" (o tom negativo fica nas entrelinhas). Só duas perguntas muito simples. Por quais haveria de mover- -se? É ilegítimo que os partidos tenham "interesses" ou só os individuais são admissíveis?"

Por isso, recomendo ao meu antigo colega de Escola que consulte, por exemplo, um amigo comum (como o M. Meirinho), numa pausa como aquelas de almoço no refeitório de Escola, e que lhe pode dar uns conselhos mais especificados nesta área da coisa política ...! 

OK, Paulo?!
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Recomendo, como em projecção do que se deve depreender ou "ler" para além das palavras, uma observação atenta à mensagem desta conhecida autora:

"No liceu há 50 anos

Nestes tempos escolarmente muito conturbados, lembro-me muitas vezes dela. Não me lembro do nome, mas nunca hei-de esquecer a sua voz mansa, o cabelo todo branco (embora ainda fosse nova), o casaco comprido castanho, e a malinha enfiada no braço.

Tinha vindo de outra escola, e também não aqueceu ali o lugar: eram tempos complicados, e pensar pela própria cabeça (e - pior do que isso - pôr os alunos a pensar pela deles) pagava-se caro.

Nunca soubemos o que lhe aconteceu. Como na cantiga, "às duas por três chegou/ às duas por três partiu".

A primeira vez que entrou na nossa sala de aula, olhou para todas como se não soubesse o que havia de nos dizer. Depois abriu a malinha. Da malinha tirou um livro.

Um livro muito pequeno, de uma colecção chamada "Miniatura". Voltou a olhar para nós, abriu o livro e começou a ler. Era uma história estranha, que se passava numa terra que nem sabíamos onde ficava, uma história onde não havia mulheres a apaixonarem-se por homens que não lhes ligavam nenhuma, ou exactamente o contrário, como nos romances da "Biblioteca das Raparigas", que habitualmente líamos.

Era a história de uma terra aparentemente normal onde, de repente, começavam a aparecer ratos mortos, muitos ratos mortos. E, depois dos ratos mortos, começaram a morrer pessoas, muitas pessoas, até que alguém ordenou que a cidade fosse fechada.

Foi assim que nós, meninas de 15 anos, num liceu lisboeta no Portugal salazarento de finais dos anos 50, nos apaixonámos todas pela "Peste", de Camus.

A seguir à primeira leitura, ela explicou-nos quem era o autor, que terra estranha era aquela Oran onde tudo se passava, e disse-nos que estivéssemos sempre com muita atenção, porque às vezes as histórias tinham de ser entendidas para além das palavras.

Nos outros dias, tudo se processava da mesma maneira: entrava, abria a malinha, tirava o livro, "ora vamos lá ver onde ficámos da outra vez" - e lia.Sem floreados, sem "powerpoints", sem "Magalhães": a sua voz e mais nada. 50 minutos depois, a campainha tocava, ela fechava o livro, metia-o na malinha e saía.

E nós saímos da sala meio atordoadas, com a sensação de sermos muito mais adultas. E, no recreio a seguir, nunca tínhamos vontade de falar.

Não, evidentemente que "A peste" não fazia parte do programa! E as aulas que ela nos dava não eram de Português, ou de Francês, ou de outra disciplina curricular.

Acontecia apenas que tínhamos duas professoras que faltavam muito. E ela vinha, pura e simplesmente, dar-nos aulas de substituição."

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PS: Há alguma reserva de direito de imagem para as fotos dos autores dos artigos de jornal? Ou tenho de pagar direitos de autor? Será algum crime de exposição pública ou de apropriação de direitos alheios?
Vá lá, deixem estar as fotografias dos autores citados, já que se indica a respectiva fonte (ver links). OK?

Cmprimentos e um abraço

quarta-feira, novembro 19, 2008

Será que temos uma "Democracia Virtual"?

Fóruns TSF, politiquices, governança, jornalistas, "crises" que a todos cuida da pança!

Vou lendo e tentando assimilar as notícias, desde a capitaleira Lisboa que já não é a mesma de outrora (ainda há dias explicava isso a um barcelense, agora de serviço na PSP por essas bandas, que lindo era viver e ser cidadão nessa capital então única no Mundo ...!), até às novas e menos más de Dili, pela pena de meu mui citado mestre JA Maltez.

Por isso lhe comunico, ainda, sinais de tudo na mesma. Continuo a ir ao café e fazer o meu Sudoku, antes de entrar nas últimas do já aqui referenciado Senhor Pina (este é dos meus "inconvenientes"). Por acaso, dou de caras com umas de "Opinião" do meu ex-colega do ISCSP Jó-Jó (Paulo Martins), ainda há uns meses atrás ali revisto ...! Não sei qual deles melhor, nisto de escrever artigos de opinião. Apenas revelo aos meus leitores que vale a pena lê-los: mestre JAM, Pina e Paulo Martins. Com todo o apreço pelos demais, aqui deixo essas referências e justificações:


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"Jurassik Park"

Ontem

Começa a ser fastidioso falar da ministra da Educação. Afinal de contas, como Brecht diria, o Sol nasce todos os dias sem querer saber dela, o trigo cresce nos campos, as estações sucedem-se. Mas que pode fazer o pobre cronista, se ela se tornou, se calhar contra a sua vontade, o lamentável protagonista do filme hoje mais visto em todas as salas do país? Desta vez, a crer na TSF, Lurdes Rodrigues "reconheceu segunda-feira a dificuldade das escolas na aplicação do processo de avaliação dos professores" e já "admite alterar o sistema".

Durante o fim-de-semana, o argumentista ter-lhe-á escrito novos diálogos, pois ainda no sábado ela garantia no "Expresso" que não se passava nada. A explicação da inesperada evolução tem, tudo o indica, 150 anos, que se comemorarão em 2009, ano de eleições. E, como Darwin mostra em "A origem das espécies", o processo evolutivo de selecção natural implica que só organismos (incluindo ministros e maiorias) capazes de adaptar-se ao ambiente (e, no caso, que ambiente!) tendem a sobreviver. Resta saber se se trata de adaptação ou só de aclimatação ao tempo que faz.

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Um simulacro de regulação

2008-11-13

Num assomo de sinceridade, que só lhe fica bem, o homem que entre Agosto de 1987 e Janeiro de 2006 presidiu à Reserva Federal norte-americana assumiu recentemente ter-se enganado acerca da eficácia da "mão invisível" do mercado. Estava firmemente convencido de que ela reconduziria o sistema à sua genuína vocação, sempre que descarrilasse, dispensando intervenção externa, mas a erupção da crise financeira abalou-lhe as convicções. A moral desta história salta à vista. A Alan Greenspan foi confiada durante 18 anos a farda de "polícia do mercado" e ele aceitou vesti-la. Mas, lá no íntimo, acreditava que o sector financeiro não precisava de vigilância, corrigia-se a si próprio. Viu-se no que deu a crença. Ele também viu.

Greenspan não é Vítor Constâncio. O norte-americano é um neo-liberal dos quatro costados, o português membro de um partido socialista. É natural que o governador do Banco de Portugal (BdP) seja adepto da regulação estatal do mercado. A questão, portanto, não reside em saber se um remexe mais do que o outro no complexo mundo financeiro ou, sequer, quem é que tem mais vontade de exercer a supervisão. A questão está em apurar a real eficácia dos mecanismos de controlo, numa época em que a intervenção do Estado é olhada de soslaio e muitos gostariam, como propalavam os neo-conservadores que Bush arregimentou no primeiro mandato, de ter um Estado tão pequeno que pudesse ser afogado na água do banho.

Ao contrário do que possa supor-se, um Estado regulador não é um Estado "mais barato" (o argumento financeiro é o mais usado, quando se fala nestas coisas). Para efectivamente fiscalizar, o Estado tem de recrutar peritos e especialistas, sob pena de ficar refém da instituição regulada. Ora o Departamento de Supervisão Bancária do BdP, como ontem revelou o jornal Público, dispõe de apenas 60 técnicos, que nem fazendo todos os dias horas extraordinárias poderiam inspeccionar as 320 instituições financeiras do país, 40 das quais bancos. A intervenção do BdP, como reconheceu o próprio Constâncio, assenta essencialmente na análise de reportes enviados. E é escassa a sua autonomia - não faltam casos de transferência de quadros de bancos para o BdP e vice-versa.

Se a supervisão funciona assim (sem meios e, por isso, com enormes deficiências, como confirma o "caso BPN"), a culpa não é de Vítor Constâncio. Ou não é exclusivamente dele, que pressurosamente se propõe agora instalar equipas de supervisão nos principais bancos. A culpa é do poder político. Por isso vale a pena perguntar: o poder político quer mesmo que as instituições reguladores sejam eficazes ou prefere manter um simulacro de regulação?"

Um abraço a ambos (um dia procurarei encontrar-me com aquele Manel, palavra)!!!

domingo, abril 20, 2008

Do devir da democracia virtual

Ou da virologia social vigente

Vejo nas notícias de agora sinais de preocupação que me deixam preocupado: qualquer destes sinais mediatizados caberiam, nos meios jornalísticos por onde discretamente (ou receosamente) circulam, nas 1ªs páginas respectivas, com mérito, dignidade profissional e toda a pertinência como serviço público prestado.

Como vai a democracia que temos!?
Apenas anoto, hoje, dois destes sinais. Sem qualquer preconceito, vindos de vozes que, pela escrita falada, apenas apontam sinais de revolta: o excerto de uma entrevista a uma senhora ex-deputada da nossa Assembleia da República (de quem nunca gostei do estilo, mas que "põe o dedo na ferida", lá isso põe), de uma área ideológico-partidária historicamente revolucionária; e um artigo de opinião que, em 360º graus de perspectriva crítica, pinta o quadro da "doença virológica" que infectou o que ainda esperávamos da democracia ideal. Por isso, talvez nunca tenha passado de virtual - realidades democráticas sustentáveis parecem quimeras ou, no mínimo, fantasiosas utopias dos que habitam o submundo!

Excerto da entrevista a Odete Santos:

"(...) Qual é o partido mais próximo do stand-up comedy real?
O Bloco de Esquerda.

Porquê?
Não me convencem com aquelas tiradas revolucionários. Representam a burguesia intelectual.

À Direita, Aguiar Branco afirmou estar disponível para derrotar Sócrates. Pode ser ele o salvador da pátria laranja?
O PSD tem um drama inultrapassável, seja por que figura for Sócrates faz ainda mais política de Direita do que faria o PSD."


E o artigo de opinião da secção cultura do J Notícias de hoje:

"O vírus e a democracia

1. A vitória eleitoral de Berlusconi, num país de milenárias raízes culturais, não pode passar despercebida. Vivemos uma realidade globalizada, como sublinhou, nas páginas deste jornal, Paquete de Oliveira, em artigo emotivo e inteligente (qualidades não incompatíveis, completam-se e enriquecem-se). Escreve Paquete de Oliveira "as democracias estão a ser impregnadas de perigosos e ameaçadores "vírus". Antes, sublinhava o divórcio do povo e dos políticos, o crescente desprezo daquele por estes. Referia o caos crescente e decorrente. Assim é. Ao chegar a Itália (Janeiro de 1975), onde me demorei quase 15 anos, fervia uma polémica apaixonante, entre Calvino e Pasolini, que o assassínio do segundo interrompeu. Os dois escritores debatiam a sociedade e a política, cuja prática marcava (e, no fundo, continua a marcar) os italianos. Discutiam-se ideais, moral, o presente e o futuro. Mas tudo involuíu - a sociedade deixou que a comprassem, para a explorarem. O vírus instalou-se.

2. E instalaram-se os anos do consumismo inconsciente. Aliás, tornar os cidadãos inconscientes, anestesiá-los, afastá-los de preocupações "incómodas" - ética, justiça, solidariedade - era a meta da política neo-liberalista, que tomou as rédeas. O resultado foi desastroso corrupção, queda do poder de compra, desemprego. Obviamente: no frenesi do consumo, o cidadão mandara às ortigas a intervenção cívica e assim que a casa começou a abrir brechas, responsabilizou os políticos, esquecendo que ele é que os deixara livres: incontroláveis. Virando-lhes as costas, reforçara-lhes a venalidade. E, mesmo assim, ou por isso, buscou um magnata salvador: Berlusconi (na imagem), ao qual volta, agora. Não todos, claro!, mas a maioria - e uma maioria folgada. A década das vacas gordas - os anos 80 - representou o triunfo da contra-cultura. E um país só é dono de si próprio quando investe na cultura - na inteligência e conhecimento.

3. De manhã à noite, somos objecto e vítimas da publicidade de um trabalho de sapa, continuado e implacável, que nos vai vulgarizando, anulando. Quero dizer: que vai uniformizando e enfraquecendo a nossa personalidade. Nunca é de mais lembrar o cão de Pavlov e a campainha. Hoje, a Itália - e muitos outros países - anseia pelo que lhe deram e roubaram: dinheiro. E o drama é que não entendem os que se queixam o seguinte: para atingir a justa estabilidade económica é indispensável não perder de vista a defesa e exercício dos direitos inerentes à democracia."

domingo, abril 13, 2008

Uma boa lição sobre 'Políticas Públicas'

Se eu estivese a passar o capítulo das políticas públicas numa das aulas de Ciência Política adoptaria este artigo de opinião como obrigatório para os meus alunos - eu já o tinha bedm referido: este jornal ainda vai tornar-se uma academia de articulistas.
Eis mais este artigo do já mui referido "Pedrito", com painel de votação para uma pequena sondagem de opinião (já agora, depois explico porque votei 'sim'):

"O nojo

Pedro Santos Guerreiro
psg@mediafin.pt

A indicação de Jorge Coelho para presidente da Mota-Engil convocou o debate das promiscuidades entre política e empresas. E dividiu o País em duas facções: os moralistas e os ingénuos. A demagogia adora divisões assim. Pensar que Coelho está a ser pago por favores prestados é um insulto à inteligência de António Mota.

Não é pelo que fez no passado que Coelho é o preferido pela família que controla a empresa, mas pelo que pode fazer no futuro. Politicamente, é claro.

Se sete anos não é tempo suficiente para período de nojo, então mais vale decidir que ser governante é um caminho sem saída: nunca mais se pode ser nada na vida excepto continuar político ou ser académico. Nesse caso é necessário pagar essa exclusividade: Abel Mateus sai da Autoridade da Concorrência com uma inibição profissional, e bem, de dois anos; por isso recebe, e bem, um subsídio de dois terços da sua anterior remuneração.

Mesmo validar uma contratação desde que seja para empresas que nada tenham a ver com o sector que o ex-ministro tutelou é uma contradição: se o novo gestor nada percebe do sector, a única razão da sua contratação é política.

É evidente que António Mota quer recrutar Jorge Coelho pelos seus contactos políticos. Pela sua influência no PS, que governa. Porque a Mota-Engil está prestes a renegociar com Mário Lino os contratos de concessão de estradas. Porque estão anunciadas oito novas auto-estradas. Mas qual é o mal de querer contratar alguém pela sua rede de contactos?

O mal existe mas é outro: é termos uma economia assente em favorecimentos e dependências recíprocas entre Governos e algumas empresas. São os intervencionismos compulsivos dos ministros, o que cria economias paralelas de privilégios e monopólios. Os métodos são opacos e as justificações populistas. Como dizia António Borges em entrevista há oito dias, a economia está fechada como uma espécie de oligarquia de mercado. Como hoje escreve José Manuel Moreira, num texto obrigatório a páginas 9, “quanto mais se abusa dos meios coercivos do Estado para intervir na economia, mais o sucesso depende da acumulação de capital político”.

Em capital político, António Mota não corre qualquer risco de estar a comprar gato por Coelho. Os accionistas da empresa foram os primeiros a reconhecê-lo, quando valorizaram as acções imediatamente depois da notícia. Mas Mota e Coelho são mais vítimas das circunstâncias em que eles próprios prosperaram do que agentes de uma promiscuidade subitamente desflorada. Na verdade, sempre foi assim. Esse é que é o problema.

Há poucos assuntos tão dados ao populismo como o da migração de políticos para as empresas. E é também por causa do moralismo fácil (a par do aparelhismo cacique e desqualificado) que muita gente de qualidade não está disponível para a política. Mas mal está o País quando o seu Governo só interessa ou a missionários ou a gangsters.

O mundo das empresas está cheio de animais anfíbios, como Luís Filipe Pereira, António Vitorino, Armando Vara, Fernando Gomes ou Ferreira do Amaral e gente que, ao contrário de Coelho, nem nojo teve quando saiu de funções governativas. Entretanto, a Mota-Engil garantiu uma suspeição colectiva e demagógica, que aliás se vai virar contra si, pois todos os concursos que Jorge Coelho ganhar serão sempre linchados na opinião pública.

Se a acção política e os contratos públicos fossem transparentes e escrutináveis, metade desta suspeição sobre a classe política esfumava-se. E metade dos ex-ministros perdia o emprego."

Vote no painel do artigo do J Negócios

domingo, abril 06, 2008

E se houvesse PIE's (projectos de interesse educativo)?

Vejo e revejo-me em mais estas linhas do "Pedrito" do J Negócios.

Ao ler mais este artigo do 'Pedrito' do JNegócios veio-me à ideia essa figura normativa dos projectos e/ ou participação em actividades de interesse educativo que os professores deste portugalório devem apresentar para serem devidamente avaliados. Mas já o tenho dito: são os interessados em manter o status quo educativo aqueles a quem, essencialmente, está destinado o controle da avaliação. Por outras palavras, vamos entregar a 'julgamento' muitos 'não-culpados' pelos actos ilícitos dos que os vão julgar. Ou seja, ainda, o problema da eficiência do sistema educativo não está tanto em professores que não 'cumpram', mas naqueles em quem recai a responsabilidade de controlar, sistematicamente, osz métodos, os instrumentos e os resultados, em cada ano lectivo. E ESSES NÃO CUMPREM!
Por isso, gostaria de ver até que ponto não aconteceria o mesmo a eventuais PIE's (Projectos de Interesse Educativo) que aos PIN's referidos neste artigo:

"A montanha pariu um PIN
Pedro Santos Guerreiro

psg@mediafin.pt

Ou melhor: nenhum. Três anos depois do arranque dos fabulosos Projectos de Interesse Nacional, não há que esteja a laborar. Os únicos salários que estão a ser pagos por estes “projectos de elite” são os dos construtores que os erguem e dos consultores que tratam da papelada. Os PIN são um fracasso? Não. O fracasso está no País que tomba à força da inércia.
Os PIN foram lançados como uma “Via Verde” para o investimento; pertencem à era da entrada de leão de Sócrates, quando disse ao que vinha em meia dúzia de semanas, lançando o Plano Tecnológico, os PIIP, os PIN, o PRACE ou o Simplex.
Num país onde qualquer empresário desesperava com as iterações necessárias para pôr de pé um projecto, os PIN propuseram o oásis. Em vez de mudar leis, propunham alterar o processo decisional para contornar os custos de contexto: juntavam todas as autoridades numa sala e desatavam-se todos os nós. Simples, não era?
É uma utopia. Os papéis dos PIN vão para o cimo da pilha de papéis, mas a pilha permanece. Há uma diferença abissal entre os megaprojectos anunciados por Manuel Pinho, os números fantásticos de Basílio Horta e esta realidade funil: de 147 propostas de PIN, a AICEP aceitou 77; apenas 11 estão em execução; nenhum em laboração.
Os empresários queixam-se de haver projectos de primeira e de segunda. Por causa disso, estão a querer chamar PIN a tudo. É como os remetentes de correio normal depois de aparecer o correio azul: o azul passou a ser o normal... Resultado: as direcções regionais de Economia queixam--se de uma “overdose” de PIN. Voltou-se à casa da partida.
O problema não está nem em Pinho, nem em Basílio. As empresas ainda hão-de construir uma estátua ao trabalho da API (cuja cultura e gestão, espera-se, contagiará o ex-ICEP). A questão a colocar é outra: se é assim com os investimentos que têm passadeira vermelha na Administração, como será com os milhares de projectos que não possuem cunha de ministro?"

segunda-feira, março 31, 2008

Temos precedente Carolina Micaelis?

"Se Vossa Excelência, Sr. Presidente, viesse cá almoçar mais vezes ..."

Como eu gostava de ser ouvido, Sr. Presidente!

Volto a escrever ao som de Adriano!

Depois de ler mais um artigo de opinião (que subscrevo e exorto), agora pela excelente pena de Mário Crespo, não posso deixar de clamar por JUSTIÇA: há mais ou menos 10 anos que sou, sistemática e ostracivamente, perseguido e linchado (moral e profissionalmente) nesta Escola onde professo, pelos mais kafkianos e pseudo-maquiavélicos ardis de gente sem escrúpulos, bem 'sentados à mesa' do poder que querem (e têm conseguido) manter. Para quê? Para gerirem os seus eventuais interesses de grupo sócio-profissional, à revelia e ao arrepio de alunos e professores não-alinhados.

Já vou no quarto processo disciplinar por culpas inventariadas, tanto por alunos manobrados, como por outros tantos professores cúmplices e/ ou coniventes com o esquema.

Do primeiro, resultou o arquivamento, talvez perla excelente intervenção de um advogado do Sindicato, não sem que esse advogado dissesse, em alegações finais, que quem deveria estar sentado no banco dos arguidos fosse a própria Administração escolar ...!

Nos três seguintes, fui condenado a um mês de suspensão com perda de vencimento (2º processo), e a multa de 400 euros (3º e 4º processos).

E por que factos fui condenado? Sempre por se alegar conduta imprópria para com alunos, na maioria das alíneas, e mesmo por falta de respeito para com colegas e, até, para com o Sr. Presidente da Escola! Em que circunstâncias? Por não pactuar nem ser permissivo (sempre tolerante, quando a situação o justifique) com a laxívia, a corrupção e tráfico de influências, e com a indisciplina! Por tentar ser sempre um digno servidor da sociedade que me paga para isso, ou seja, por intermédio do ME e do Estado! Sou um servidor público, não de interesses particulares ou, mesmo, regionais de onde me encontro a viver e a trabalhar! Tenho dito.

Por tudo isto, não digo que, no meu caso, tenha feito qualquer "braço-de-ferro" com alguém. Não. No meu caso, o que eu tenho exercido é, nas circunstâncias que tentei resumir, um autêntico "alma-de-ferro", tais são as marcas que, na minha saúde psíquica, já são manifestamente probatórias. O que me leva, em tom de profunda revolta, a denunciar esta situação, analogando-a a todo este caso mediático:

"Não houve braço-de-ferro nenhum


Mário , Crespo, Jornalista

Acho espantoso que sobre a ocorrência na Carolina Michaelis várias opiniões insistam que a professora não devia ter entrado em "braço-de-ferro" com a aluna por causa do telemóvel. Não houve "braço-de-ferro" nenhum.

A Professora recusou-se a capitular. Não deixou que lhe tirassem à força algo que, no exercício das competências em que está investida, tinha achado por bem confiscar. E não cedeu face a pressões selváticas. E não capitulou face a agressões verbais. E manteve-se digna no posto que lhe foi confiado pela sociedade, com elevação e consistência, cumprindo as expectativas depostas na sua missão.

A Dra. Adozinda Cruz é um modelo de coragem que o país tem que aplaudir. Que a nossa confusa sociedade precisa de aplaudir porque é uma sociedade carente de pessoas como ela. A Professora de francês fez aquilo que tinha que ser feito. Sozinha. Porque trabalha numa escola onde o Conselho Directivo tolera que a placa com nome do estabelecimento, baptizado em honra de uma excepcional pedagoga que foi a primeira mulher portuguesa a conseguir leccionar numa universidade, esteja conspurcada, num muro com inenarráveis graffitis que mandam cá para fora a mensagem que lá dentro tolera-se a bandalheira. Numa escola onde durante minutos se ouviu a algazarra infernal dessa bandalheira, onde ela estava a ser agredida e nenhum colega ou funcionário ou aluno se atreveu a abrir a porta e ver se podia ajudar. Foi dessa cobardia geral e conformismo abúlico que a Dra. Adozinda Cruz se demarcou quando não deixou que a desautorizassem. É por isso funesto não lhe reconhecer a coragem e diminuí-la num bizarro processo de culpabilização da vítima.

Estar a tentar encontrar fragilidades comportamentais num ambiente de tal hostilidade é injusto. E o facto é que não fora a louvável e pronta actuação do Procurador-geral da República a Dra Adozinda Cruz ficaria sozinha. Abandonada pelo Ministério que a tutela, porque entende que o seu calvário é resolúvel nas meias tintas do experimentalismo burocrático, distante das realidades do terreno e que os problemas de segurança da escola são questões menores que se decidem dentro dos muros cheios de graffitis ameaçadores, em ambientes onde circulam armas e drogas. Abandonada pelas organizações laborais porque não está filiada. Com assinalável candura Mário Nogueira confessou em entrevista que a Fenprof não tinha feito nenhuma intervenção nem a faria porque "a colega não está sindicalizada". Abandonada no arrazoado palavroso do Bastonário da Ordem dos Advogados que, desconhecedor da Lei, achava que tinha que haver queixa para que a Procuradoria iniciasse algum procedimento e que, como tal, a professora deveria ser deixada ao sabor das indecisões da desordem que reina dentro dos muros graffitados. Felizmente o Estado não se limita a estas entidades.

O Procurador-geral actuou a tempo e o Presidente da República, ao chamá-lo a Belém, diz ao país e em particular ao governo que o caso não está nem resolvido nem o executivo conseguiu um vislumbre de solução.

Talvez fosse importante reforçar esta mensagem de preocupação, solidariedade e cidadania recebendo em Belém a Professora que não se intimida e é capaz de ser firme no meio do caos em que se tornou a educação pública em Portugal. As famílias entenderiam que a tolerância cúmplice e desleixada do Ministério, das escolas, sindicatos e acratas irresponsáveis iria acabar e poderiam começar a mudar o seu próprio comportamento."


PS: o negrito a vermelho é de nossa autoria, para reforçar a tal analogia e pelo qual gostaríamos que este constituisse um precedente judiciário (temos jurisprudència?).
Gostaria, também, de chamar a atenção para um artigo de hoje, no "Quarta República", onde se descreve uma situação caricaturada mas bem exemplificativa das posturas assumidas em contextgos análogos, nas escolas portuguesas.

quinta-feira, março 27, 2008

A César o que é de César, ao Povo o que é do Povo!

E não metam Deus ao barulho...!
Há já algum tempo que observo este articulista do aqui muito citado JNegócios (já lhe chamei escola prática de sociologia). Mas neste artigo dou-lhe nota superior, pela pertinência (conteúdo e oportunidade) que aí revela.

E, além das razões evocadas para os excesos desta norma 'anormal', justificadora de um Portugal cheio de 'Robins dos Bosques e das Cidades', ainda nos resta averiguar da bondade da mesma na perspectiva catolaica, onde certamente se dirá: "A Deus o que é de Deus, a César o que é de César". Mesmo com pretextos de um novo e eventual cisma portucalense, onde se arvora a virtual lusa protestandade(?...). E que não venha o PS clamar pela laicidade do Estado, agora arrastado por esta onda pseudo-socialista e para-ateísta q.b., se os canais comunicacionais da Igreja condenarem a dita, queixando-se à AdC - vistas bem as coisas (coisas de observação microssociológica 'à lupa'), se se adoptar por uma posição moral comum ainda se esvaziam as fontes de receita de tão virtuosa Instituição, que trabalha para tão digníssimos fins ...(?!) ...

Bom, vejamos o que nos diz, sobre esta nubentíssima mas (parece) enublada norma, o já referido

João Cândido da Silva







"O nó do Fisco

Exigir aos recém-casados que dediquem uma parte do seu tempo e paciência à denúncia de eventuais irregularidades fiscais, parece uma medida um tanto ou quanto antipática e disparatada. Sobretudo quando o papel de inspector a que o casal é forçado, sob a ameaça de vir a ter de pagar coimas pesadas, visa expor os fornecedores de serviços que ajudaram a assinalar a celebração do nó.

Ainda assim, entre o objectivo de combater a fuga aos impostos e os meios que o Estado se mostra disposto a utilizar, nem tudo é motivo para revolta e indignação.

Algumas estimativas, provavelmente conservadoras, referem que a economia paralela representará, em Portugal, um quinto do valor total da produção anual de bens e serviços. Está em causa dinheiro suficiente para, num passe de magia, fazer desaparecer os problemas nas finanças públicas, se a carga fiscal que pesa sobre a economia oficial incidisse, na mesma proporção, sobre os fluxos que, ano após ano, vão escapando aos circuitos formais.

Pensar que seria possível reduzir aquele fenómeno a zero, é apenas um belo sonho na mente do mais criativo ministro das Finanças. Num país de baixos rendimentos e carga fiscal elevada, a pressão para o mais honesto dos cidadãos se tornar cúmplice da informalidade é enorme.

Encontra-se na diferença de preços a que lhe são propostos os numerosos serviços de que necessita. Terá de os adquirir mais caros se exigir recibo, já que o fornecedor tratará de incluir não apenas o IVA, mas também a soma relativa a outros encargos que terá de liquidar, como o imposto sobre o rendimento. Tudo isto, naturalmente, sem abdicar da margem de lucro. Como decisor racional que é, o consumidor faz as suas contas e opta por aquilo que melhor se adequa aos seus interesses. Acaba por comprar o mesmo, por um preço menor, ainda que à custa de uma perda para os cofres públicos.

Ao decidir colocar pressão sobre os recém-casados para que mostrem toda a documentação relativa à aquisição de bens e serviços relacionados com o matrimónio, a administração fiscal revela querer dar luta à informalidade nesta área de negócios. Se um dos mais poderosos incentivos para cumprir as obrigações fiscais está na necessidade de haver uma percepção generalizada de que quem a elas se furta sofre consequências, então o Fisco decidiu transmitir sinais de que pretende apertar o cerco e acabar com a impunidade. Da máquina que cobra os impostos é isto que se espera. O problema está nos excessos.

Nas cartas enviadas aos contribuintes recém-casados pede-se, expressamente, a denúncia de situações para as quais aqueles não são tidos nem achados. E lança-se, de forma coerciva, o ónus do combate a eventuais situações irregulares exclusivamente sobre uma das partes envolvidas nas transacções efectuadas. A ânsia de cobrar mais receitas de impostos não justifica que se utilizem quaisquer meios. A capacidade dos contribuintes cumpridores para compreenderem e aceitarem a actuação da administração fiscal tem limites, quando não vislumbram os benefícios que o sucesso no combate à fuga fiscal deveria proporcionar-lhes."

sexta-feira, março 14, 2008

Um Bom discurso sobre a actual crise na Educação!

Ainda entre a "marcha" dos incorrectos e o "comício" dos ali(nh)ados!,
Encontro algum discurso em tom mais realista e aproximado à inevitabilidade da actual orientação da política educativa. Por outras palavras, haja bom senso, e assumamos todos, de uma vez para sempre, que temos que seguir a velha romana do "a Deus o que é de Deus, a César o que é de César".
Ou seja, isto de fazer reformas tem muito que se lhe diga, e não é de forma a pretender "agradar a gregos e troianos" que os resultados podem aparecer:
- há várias inconstitucionalidades nas actuações governativas (este governo foi, supervenien-temente, fruto de um golpe constitucional do anterior Presidente da República; o congelamento de carreiras fere alguns dos princípios constitucionais ...);
- há várias ilegalidades praticadas pela Administração governante (veja-se, por exemplo, esta última);
- os principais agentes da entropia existentes nos quadros do sistema educativo vigente são os principais actores do modelo de avaliação dos professores, proposto pelo ME; ... etc.
Por isso, chamo a atenção para este artigo recebido da FERSAP:
"É impossível ficar indiferente à manifestação de professores que decorreu em Lisboa. Pouco importa se seriam 100 000 ou 80 000. Por certo, muitos seriam acompanhantes ou, mesmo, simples curiosos. Mas, 50 000 que fossem já seria um número impressionante, tendo em conta a dimensão da classe e o número de adesões que normalmente se verifica a este tipo de iniciativas. Mas o mais dramático de toda a situação é que ninguém pode estar em desacordo com a urgência da introdução de sistemas de avaliação do desempenho de docentes ou de gestão das Escolas, afirma António Mendonça.Mas o mais dramático de toda a situação é que ninguém, minimamente atento aos problemas que afectam o sistema de ensino básico e secundário, em Portugal, pode estar em desacordo com a urgência da introdução de sistemas de avaliação do desempenho de docentes ou de gestão das Escolas - o que o governo pretende levar a cabo, precisamente, com o conjunto de medidas que foram objecto da contestação. É por demais sabido que o que falta às escolas portuguesas não são inovações curriculares ou pedagógicas – que, aliás, se sucederam a um ritmo frenético nas últimas duas ou três décadas, sem evidentes resultados – mas, sim, acções que se orientem para o reforço da organização, da eficiência da gestão, da disciplina e do prestígio e autoridade dos docentes. Tudo aquilo que, aparentemente, está no centro das preocupações das reformas encetadas pela actual equipa do Ministério da Educação. O que está mal, afinal, em tudo isto? Porque é que sendo praticamente unânime a opinião de que o sistema de ensino em Portugal está a necessitar de reformas profundas, se levanta este coro imenso de protestos por parte daqueles que vivendo os problemas no quotidiano e tendo, por isso, plena consciência da situação, deveriam ser os primeiros a apoiar as políticas reformistas do governo? A resposta simplista a esta questão será considerar os professores responsáveis por todos os malefícios e dizer que a contestação resulta de uma defesa corporativa de privilégios adquiridos que estão muito para além da eficiência e qualidade que introduzem no sistema. Em parte esta tese encontra suporte na realidade, sendo um facto que existem largos sectores do corpo docente que beneficiam ou beneficiaram de situações de excepção e que contribuiram com a sua influência política e sindical para a entropia do sistema. Mas será um erro estratégico confundir estes sectores, por maiores que sejam a sua dimensão e influência, com a totalidade do corpo docente do ensino básico e secundário. Aliás, o erro parece não estar confinado ao campo da educação e manifesta-se em outros sectores da sociedade, objecto das chamadas reformas estruturais, contribuindo para a perda de eficácia das medidas tomadas e para o sacrifício inglório dos seus principais protagonistas, com os resultados que se conhecem em termos de degradação do clima político e de custos adicionais para o país. A dimensão da contestação dos professores à política governamental para a educação, veio tornar evidente aquilo que já se pressentia há algum tempo: que o aprofundamento do processo de reformas estruturais - que o país exige para se libertar dos constrangimentos que impedem o seu desenvolvimento económico e social - não está suportado numa estratégia coerente e integrada de intervenção, antes obedecendo a uma lógica voluntarista que corre sérios riscos de vacilar ou de se deixar descaracterizar mal encontra pela frente uma resistência forte e politicamente influente. Existe hoje, na sociedade portuguesa, um largo consenso relativamente à necessidade de atacar os problemas estruturais com clareza de objectivos e firmeza de propósitos. Mas é importante não perder de vista que as reformas encontram, no seu desenvolvimento, resistências que devem ser integradas no planeamento das acções e na forma como as políticas são justificadas, na sua necessidade e substância. E é aqui, precisamente, que mais se manifesta a debilidade estratégica a que antes fizemos referência. A este propósito, destacaríamos, três aspectos que consideramos mais negativos e que importa corrigir atempadamente, sob pena de se continuar a comprometer o sucesso das iniciativas reformistas. O primeiro, tem a ver com a dificuldade em convencer a opinião pública de que as reformas em curso se justificam pela racionalidade própria e pela eficiência que pretendem introduzir e não apenas pelas restrições financeiras que o pais atravessa. O segundo, prende-se com a excessiva abordagem das reformas em termos de combate a privilégios e a interesses corporativos, quando o que está em causa, verdadeiramente é a introdução de dinâmicas positivas de racionalização de meios e aumento de qualidade do serviço prestado. Por fim, o terceiro tem a ver com a tendência, por parte dos responsáveis políticos, para assumirem uma postura de excessiva auto-suficiência, negligenciando a importância de garantirem o apoio, no terreno, dos sectores mais dinâmicos e que querem que as reformas se concretizem.
António Mendonça,
docente do iseg-utl
Jornal de Negócios, 13 de Março 2008

O Emídio Rangel não serve para este papel!

Ainda sobre a "Marcha da Indignação" dos Professores.

Chegam-me novas críticas sobre a já muito falada marcha! Muitas serão aceitáveis, porque compreensivas, justificadas, mais ou menos explicativas, ... mas todas pertinentes! O que se revelou muito impertinente foi a impreparação manifesta pela falta de conhecimeto da realidade escolar revelada na crítica pessoalizada (sobre os professores), muito mal-educada (por diversas razões), emitida por esta figura da Comunicação Social que foi (talvez ainda o seja ...) o entristecido Emídio Rangel (e, por isso, bastante responsável, pelo menos publicamente, por afirmações com a gravidade das suas)!!! O que podemos e devemos adjectivar de péssima defesa de uma causa que, em si mesma, parece nobre (pela coragem e inovação de uma efectiva política educativa há já muito necessária no nosso país - os PROFESSORES, melhor que ninguém, sabem-no).
Assim, cada um tire as suas conclusões sobre o enquadramento das afirmações como estas que, aqui, também eu vos deixo, através do sítio de onde as recebi:
"Tenho vergonha destes pseudo-professores que trabalham pouco, ensinam menos, não aceitam avaliações.
Eles aí estão ‘em estágio’. Faz-me lembrar os hooligans quando há uma disputa futebolística em causa. Chegaram pela manhã em autocarros vindos de todo o País, alugados pelo Partido Comunista. Vestem de preto e gritam desalmadamente. Como diz um tal Mário Sequeira, em tom de locutor de circo, “à maior, à mais completa, à mais ruidosa manifestação de sempre que o País viu”.
Eu nunca tinha apreciado professores travestidos de operários da Lisnave, como aqueles que cercaram a Assembleia da República, nos anos idos de 1975, com os cabelos desalinhados, as senhoras a fazerem tristes figuras, em nome de nada que seja razoável considerar. Lembro-me bem dos meus professores. Não tinham nada que ver com esta gente. Eram referências para os seus alunos. A maior parte escolheu aquela profissão porque gostava de ensinar. Talvez por isso eram todos licenciados e com um curso (dois anos) de pedagógicas. Aprendi muito com eles e quando dei aulas, no liceu e na universidade, utilizei muitas vezes os seus métodos.
Estou-lhes grato para a vida inteira. Hoje as coisas são bem diferentes, embora seja óbvio que estes manifestantes são só uma parte dos professores. Felizmente ainda há milhares de professores (talvez a maioria) que exercem com toda a dignidade a sua profissão. A manifestação é contra uma professora que agora é ministra. Uma ministra sábia, tranquila, dialogante, que fala com uma clareza tal que só os inúmeros boatos, a manipulação e a leitura distorcida do que propõe podem beliscar o que de boa-fé pretende para Portugal. Se reduzirmos à expressão mais simples as suas pretensões tudo se pode resumir assim:
– Portugal não pode continuar a pôr cá fora jovens analfabetos, incultos e impreparados, como acontecia até aqui.
– Os professores colaboraram com um sistema iníquo que permitia faltas sem limites, baixas prolongadas sem justificação e incumprimento dos programas escolares.
– Os professores não são todos iguais. Quero referir-me àqueles que sem nenhuma vocação (com ou sem curso Superior) instalaram um culto madraceirão que ninguém punha em causa nem responsabilizava, mas que estava a matar o ensino.
Confesso que tenho vergonha destes pseudoprofessores que trabalham pouco, ensinam menos, não aceitam avaliações e transformaram-se em soldados do Partido Comunista, para todo o serviço. Maria de Lurdes Rodrigues é uma ministra determinada. Bem haja pela sua coragem. Por ter introduzido um sistema de avaliação dos professores, por ter chamado os pais a intervir, por ter fechado escolas sem alunos, por ter prolongado os horários e criado as aulas de substituição, por ter resolvido o problema da colocação dos professores, por ter introduzido o Inglês, por levar a informática aos lugares mais recônditos do País. Estas entre outras medidas já deram frutos. Diminuiu o abandono escolar, os métodos escolares estão a criar alunos mais preparados, os graus de exigência aumentaram. O PCP pode usar a tropa de choque que agora arranjou para enfraquecer o Governo e utilizar as suas artes de manipulação e demagogia até a exaustão. Mas creio que a reforma tem de se fazer, a bem do País. É absolutamente nítido que os professores não têm razão. E os estúpidos do PSD que se aliaram ao PCP perderam o tino de vez, porque Portugal não pode parar mais. Espero ver Luís Filipe Menezes à cabeça da manifestação contra os interesses do País.

Emídio Rangel"

Eu nunca gostaria de ter este senhor como meu Professor!

Viva a Pedagogia. Por um Portugal melhor! Obrigado!

sexta-feira, fevereiro 22, 2008

Da profilaxia educativa. Presente?!!!

Mais uma reguada do Sr. Pina

Vejo que este por mim muito citado Sr. Pina está atento às ocorrências mais ... caricatas, digamos assim, que acompanhamos no dia-a-dia das nossas preocupações públicas, com ou sem consciência de prestação de um direito/ dever cívico ...!
Vejo, agora, que muito gostaria de estar no lugar deste colunista, para poder desabafar deste claustrofóbico labirinto de interesses que é o das direcções escolars, nestes meandros ministeriais em que se enreda a administração da dita EDUCAÇÃO!
Não, não estou a delirar: quatro processos disciplinares, dos quais resultaram três com penas de multa - uma com perda de vencimento mensal e duas de quatrocentos euros -, para além das ameaças de outros tantos processos kafkianamente urdidos pela camarilha do ditirambo, que subrepticiamente prolongam a gestão de tão discreto e aparente sistema democrático escolar à custa do silêncio dos inocentes ... ! E porquê? Porque sou um "tipo inconveniente"! Porque não deixo copiar ...! Porque ... NÃO DEIXO! Porque NÃO! Porque sou PROFESSOR!!!
Por isso (e muito, muito mais, que aqui e agora não importa referir), invejo esta posição do Sr. Pina, com as suas opinadelas que corroboro e, assim (penso que ele não se importará), faço também minhas.
Força, amigo! Dá-lhe sempre, com o meu total apoio, admiração e aplauso!
É para isso que serve o jornalismo, em particular o jornalismo de opinião, talvez a mais genuína forma de liberdade de expressão mediática!
Tenho dito!
"O Ministério desmente
Por outras, palavras,
Manuel, António, Pina
Desmente o Ministério da Educação hoje no JN que a equipa de Maria de Lurdes Rodrigues tenha, como aqui se disse, qualificado os professores que criticam as suas politicas de "professorzecos". Acontece, porém, que isso foi notícia na comunicação social, designadamente no "Público" de 25 de Janeiro, e que o Ministério não o desmentiu.
A notícia do "Público", assinada pela jornalista Leonete Botelho, revela que, durante uma reunião com deputados socialistas que "não terá corrido bem e acabou com acusações mútuas", "a equipa do Ministério da Educação considerou que os deputados estavam a dar voz a 'professorzecos'".
Por causa do elegante epíteto (citado noutros jornais e que teve enorme sucesso na Net), a Fenprof reclamou então um pedido de desculpas à ministra. Em quem acreditar, no Ministério, insuspeito de desamor pelos professores, ou numa notícia amplamente divulgada e nunca desmentida? "Exige" afogueadamente o Ministério (muito se declina o verbo "exigir" por aquelas educativas bandas) que eu prove não sei quê.
Alguém informou mal o Ministério não sou (felizmente) funcionário do Ministério nem professor ou "professorzeco" a quem o Ministério faça exigências e dê reguadas ou ponha virado para a parede se se porta mal. Mas foi uma boa tentativa."

A Deus o que é de Deus, ...!

E porque ando zangado com todo este sistema que ultrapassa quaiquer apontamentos e/ou críticas feitas às conjunturas partidário-governativas, vem mais esta farpa do Sr. Pina, que gostei, não tanto pelo estilo que lhe observo e, frequentemente, admiro, mas pela profundidade com que atinge horizontes que ninguém gosta de referenciar. E muitos poderiam fazê-lo, não se acobardassem nas prebendas, mordomias ou, tão pouco, no comodismo balofo da retribuição a que não correspondem, no seu dia-a-dia. Aqui vai, assim, mais uma das minhas "inconvenientes" piscadelas:

"Finalmenteum sorriso
Por outras, palavras, Manuel, António, Pina

A grande "cacha" jornalística da semana veio na página 14 do "Expresso" e ninguém deu por ela. É a ministra da Educação a sorrir, o que sugere que, ao contrário das piores expectativas, ela é humana. E que talvez até a sua severa postura de mestre-escola face aos "professorzecos" (a elegante expressão é de um dos seus secretários de Estado) que dão erros nos ditados do Ministério seja humana, demasiadamente humana (coisa do vago parassimpático ou do hipocampo). De qualquer modo, a descoberta de que a ministra sorri abre perspectivas inesperadas de análise, sobretudo tendo em conta a notória falta de sentido de humor dos sindicatos, às políticas por assim dizer educativas do Ministério. Diz o Talmude que não se deve interromper a instrução das crianças nem para reconstruir o Templo. Que Maria de Lurdes Rodrigues ande há três anos a reconstruir, pedra a pedra, o Templo (Estatuto da Carreira Docente, avaliação dos professores, gestão escolar) esquecendo o ensino, e principalmente a instrução, há-de decerto ter que ver com "humor objectivo" ou algo do género. Provavelmente, como na famosa carta de Nietzsche de 6 de Janeiro de 1889, a ministra preferiria ser professora e não Deus, mas não pôde levar o seu egoísmo ao ponto de abandonar a criação do Mundo."

segunda-feira, fevereiro 18, 2008

Coincidências históricas

Vejo no meu mailbox esta mensagem, relativa às novidades editoriais de uma famosa editora portuguesa:

"P.S. - EU AMO-TE

Ahern, Cecelia
Quase todas as noites Holly e Gerry tinham a mesma discussão – qual dos dois se ia levantar da cama e voltar tacteando pateticamente o caminho de regresso ao apetecível leito? Comprar um candeeiro de mesa-de-cabeceira parecia não fazer parte dos planos, e assim o episódio da luz repetia-se a cada noite, num rito conjugal de pendor cómico a que nenhum desejava pôr termo. Agora, ao recordar esses momentos de pura felicidade, Holly sentia-se perdida sem Gerry. Simplesmente não sabia viver sem ele. Mas ele sabia-o, conhecia-a demasiado bem para a deixar no mundo sozinha e sem rumo. Por isso, imaginou uma forma de perpetuar ainda por algum tempo a sua presença junto da mulher, incentivando-a a viver de novo. Mas como se sobrevive à perda de um grande amor? Holly ter-nos-ia respondido: não se sobrevive! Mas Holly sobreviveu!"

Mas não sei por que razão é que esta sinopse me fez lembrar a relação entre o nosso PM com o seu PS. Talvez a propósito dos últimos capítulos da novela MA, ou da fidelidade transcendente do dito partido do Governo com a sua histórica paixão!

Francamente, esperava um pouco mais de atenção da referida editora às sinopses que, alguém, lhes redige. Assim …?! Não!

quarta-feira, janeiro 16, 2008

O caso da cabeça que mudou de corpo

Nesta última do J Notícias, Pina, Manuel António fez-me lembrar uns alunos, há uns dias atrás, quando me aturdiam com as suas habituais atuardas, mas dessa vez pude perceber que, realmente, os alunos começam a ter alguma razão. Sim! O caso não é para menos: "... antes do 25 de Abril, segundo o que os nossos pais contam, a vida era melhor ...!? Não havia tanta desigualdade e as pessoas eram mais felizes, não havia tantas coisas mas, o que se ganhava chegava ...!?" Bem, ali fiquei eu a dar-lhes a ideia que estava surpreso com tamanha afirmação, tendo em conta o que de costume se passava com algumas das suas intervenções menos próprias, mais ou menos jocosas, mais ou menos em tom de brincadeira, ... sim, que isto de leccionar mudou muito ... (?) ... e lá retorqui eu que, há uns anos, na Introdução à Economia, até havia um manual da Disciplina que referia, a páginas tantas (quando, muito pedagogicamente, explicava a importância da definição de critérios de convergência real e não, apenas, nominal - taxa de inflação, % do PIB da dívida pública e os famosíssimos 3% do défice orçamental -, a cumprir pelos países da União Europeia. Sobretudo para países menos desenvolvidos neste espaço organizacional, como era o caso de Portugal), que o poder de compra (o salário real, face ao cabaz de bens e serviços de onde se aferia o IPC) era, em 1973, superior ao de 1995/6/7 ...! O que é também certo é que o dito texto de referência aos respectivos conteúdos programáticos da Disciplina desapareceu dos manuais da dita, e não era por falta de fidedignidade das fontes (com dados do INE e do Banco de Portugal); e que o velhinho de Santa Comba, com os seus autoritarismisinhos de trazer por corredores de São Bento, com almofadas para as sonecas de fim de semana e tudo - a passar 'recadinhos' para a semana seguinte -, neste contexto, era exímio, pois até o número de ovos postos pelas galinhas do quintal das traseiras da actual Assembleia da República mandava que lhe trouxessem. Aqui sim, cumprimento total e obrigatório dos critérios de ... economicidade ...!

Bom, tudo
isto me lembra mais esta opinadela deste senhor já aqui há uns tempos apresentado:

"John Grisham arrisca-se a perder leitores em Portugal com a concorrência que lhe estão a fazer as novelas do BCP e do aeroporto. Enquanto a do BCP caminha para o último episódio e se aguardam as partes II e III, a intriga e o mistério adensam-se no "Estranho Caso do Novo Aeroporto". Os financiadores do estudo da CIP que provocou o emocionante "volte face" herói-cómico do "Alcochete Jamé" continuam encapuzados "com medo de represálias", mas o novo "plot" já tem uma inquietante personagem capaz de desencadear desencontradas emoções entre os espectadores. A Lusoponte, que tudo indica que seja um dos misteriosos encapuzados, fez em 1994 um negócio de pontes com o Estado que o Tribunal de Contas considerou ruinoso para o pobre Estado ("afigura-se bem longe de constituir qualquer ficção a ideia de que o Estado concedente tem sido o mais importante e decisivo financiador da concessão, sem a explorar"), no qual ficava ainda com o monopólio da exploração de tudo o que fosse ponte. Ora quem assinou o negócio por parte do Estado em 1994 foi (as novelas estão cheias de felizes coincidências) o… actual presidente da Lusoponte ("Meu Deus, a cabeça da Natalie Paxton no corpo da Ramona Hensley!", como dizia ontem uma "médium" noutra série). A coisa promete.”

Valham-nos Santo Agostinho, São Bento e Santa Comba Dão? Por este andar da carruagem da tal Entidade, ainda vamos parar a um Estado velho com pretensões e espasmos epilépticos de Novo! Não é preciso tanto, caramba!!!