terça-feira, junho 06, 2006

Fiat Lux (Do Observatório Social)

E, para complementar a visão que tem sido apresentada sobre esta artificial mas tão crucial polémica, aqui vai mais esta do Portal da Fersap:

Opinião dos pais será consequente
Enviado por Domingo, Junho 04 @ 12:55:26 WEST por Amaral
Hoje Público escreveu: "A apresentação da proposta ministerial para a revisão do estatuto da carreira docente valeu à ministra da Educação uma das semanas em que mais críticas recebeu. A 14 de Junho, Maria de Lurdes Rodrigues enfrentará mais uma greve de professores, convocada pela Fenprof [Federação Nacional dos Professores]. Lamenta que o debate esteja a ser tão extremado e "com grande exagero na argumentação" e apela aos críticos para que façam propostas mais construtivas.Entrevista em Leia Mais...(Entrevista à ministra da Educação pelo PÚBLICO e Rádio Renascença)Que nota dá aos professores portugueses?Não se podem dar notas aos professores portugueses em abstracto. Cada um deverá ser avaliado, poderá ter direito à sua nota, mas não será dada por mim. Será dada pelos seus pares, pela escola onde exerce funções e eu defendo que é também indispensável uma componente de avaliação externa. A proposta do Governo agora em discussão é que sejam os pais a participar nessa avaliação. Penso que, entre os diversos agentes com intervenção exterior à escola, os que têm melhores condições para perceber o desempenho dos professores, sobretudo nas matérias relativas à capacidade de relação e comunicação, são os pais.Que peso terá essa classificação na avaliação global do professor?Essa é uma matéria que está em discussão. As questões da avaliação são muito difíceis e não há modelos perfeitos. Mas isso não nos deve impedir de os ter. Todos os sistemas sujeitos a avaliação melhoram com ela. É isso que pretendemos com o sistema de ensino. Espero ainda que possamos avançar para a avaliação das escolas em paralelo com a dos professores. Porque eu não vejo o trabalho dos professores de forma isolada do contexto em que ele se exerce. Há escolas em que o trabalho é mais exigente e mais difícil. A avaliação dos docentes tem de ter em consideração a dificuldade do contexto em que se insere.Voltando à questão da participação dos pais. Acha exequível que numa família com três ou quatro filhos um dos pais esteja em condições de avaliar 18 ou 20 professores?Esse é um exemplo muito concreto. Os pais são muito diferentes, como diferentes são os alunos, os professores, as escolas. A desigualdade económica e social é uma das características do nosso sistema. De novo, isso não pode ser um obstáculo, mas uma variável que temos de considerar, estudar e ultrapassar. Há pais que participam, pais que não participam, que estão envolvidos na escola com diferentes motivações. De uma coisa ninguém tem dúvida: quanto mais qualificada e empenhada a intervenção dos pais, melhor as condições de aprendizagem das crianças. Então temos de criar condições para que esta participação seja possível, de qualidade e consequente.Por mais diferentes que os pais sejam, têm em comum o facto de ter uma visão muito subjectiva e, eventualmente, faltar-lhes a capacidade técnica para fazer uma avaliação rigorosa do professor.Não está em causa avaliar a capacidade técnica do professor. A avaliação de desempenho tem muitas dimensões: científica, pedagógica, relacional, de participação na organização. Tudo isto deve ser segmentado e devem ser chamados a participar na avaliação diferentes actores.Essa participação traduzir-se-á numa percentagem?Uma percentagem que pode ser mínima. A nossa proposta é uma proposta minimalista. Eu não aceito críticas como os pais não têm condições, os pais são analfabetos. Alguns serão, mas mesmo assim terão muita competência.A ideia é tentar levar os pais à escola, pelo menos?Melhorar a qualidade da participação dos pais nas escolas é um dos objectivos que se podem conseguir. Neste momento é difícil porque as escolas têm tendência para se fechar aos pais. E em muitos casos os pais sentem que não têm uma participação efectiva e consequente. O seu testemunho pode ajudar a despistar casos extremos de desempenho deficiente, porque os pais são os primeiros a perceber as dificuldades de alguns professores no acompanhamento das crianças.A participação pode ser minimalista mas tem de ser consequente. E os riscos podem ser minimizados. Não precisa de ser uma avaliação directa, a nossa proposta é que seja filtrada pelo conselho executivo. Podemos exigir que, para haver avaliação, os pais participem em todas as reuniões, que façam um acompanhamento regular dos seus filhos na escola. Desta forma podemos dar passos significativos na melhoria das escolas e na participação dos pais.Outros dos factores que serão tidos em conta são as notas dos alunos. Não poderá haver uma subversão do sistema, com os docentes a darem boas notas aos alunos que não merecem?O que está apontado na proposta é que serão considerados os resultados. Podem ser as provas de aferição, os exames, ou seja, elementos que não resultam da avaliação interna da escola. O risco que vejo é que seja posta uma ênfase excessiva na orientação dos professores para esses resultados. Como disse no início, não há modelos perfeitos de avaliação. A proposta requer uma participação efectiva dos sindicatos e está aberta à discussão pública. O que tenho percebido é que o debate tem sido muito extremado, com grande exagero na argumentação. Perante uma proposta é preciso ter uma opinião mais construtiva. Tem-se discutido muito, por exemplo, a lista de funções para a profissão docente, mas faltam sugestões concretas sobre o que falta ou o que está a mais.04.06.2006

Fiat Lux (Do Observatório Social)

Agora sim! Para que conste: já tive processos disciplinares por dizer muito menos (por apontar culpas à liderança da minha Escola, entre outas acusações cabalísticas promovidas pelos visados, já sofri um mês de suspensão com perda de vencimento)! E agora, vão processar a Srª Ministra?

Ministra da Educação culpa docentes pelo insucesso escolarEnviado por Terça, Maio 30 @ 14:40:40 WEST por Amaral
Um Pai escreveu: "A ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, responsabilizou os professores pelo insucesso escolar e a falta de qualificação dos alunos e criticou o funcionamento dos estabelecimentos de ensino, noticia hoje a imprensa. Leia Mais e ComenteNa abertura de uma série de seminários, promovidos pelo Conselho Nacional de Educação, no Fórum da Maia, Maria de Lurdes Rodrigues disse que o trabalho dos professores «não se encontra aos serviço dos resultados e das aprendizagens».Maria de Lurdes Rodrigues lamentou também que a escola não esteja a combater as desigualdades sociais.A título de exemplo, refere o Jornal de Notícias, a ministra referiu-se à organização dos horários escolares que, segundo sublinhou, privilegia os alunos melhores, assim como os filhos de funcionários das escolas.«No conjunto de regras de funcionamento da escola tem de se lhe inscrever a preocupação com os resultados dos alunos, medidos quer nas provas de aferição, quer pela qualidade dos diplomas e das competências adquiridas pelos alunos», realçou.Os professores não ficaram incólumes no discurso da ministra da Educação, que considerou ser uma classe com uma cultura profissional (que comparou com os médicos) que não têm como objectivo o sucesso educativo dos alunos, escreve o Diário de Notícias na sua edição de hoje.«[Os docentes] Não são orientados para os casos mais difíceis. Os melhores professores ficam com os melhores alunos e os docentes com pior estatuto na casa levam com as turmas difíceis», afirmou a ministra, garantindo ainda não haver trabalho em equipa nas escolas.Alguns docentes presentes no evento não gostaram das palavras da ministra e protestaram, exortando a governante a adoptar um discurso que respeite a sua dignidade profissional.A governante já apontou várias vezes a falta de mobilização da escola para os resultados dos alunos.No início do mês, em Oliveira de Azeméis, Maria de Lurdes Rodrigues disse que o Ensino Secundário não pode continuar «a preparar alunos apenas para o acesso à universidade».O cenário traçado segunda-feira pela ministra da Educação veio agravar o descontentamento dos professores, gerado pela apresentação das propostas de alteração ao Estatuto da Carreira de Docente, no fim-de-semana passado.Para os sindicatos do sector, as declarações de Maria de Lurdes Rodrigues são «lamentáveis» e «perigosas».Paulo Sucena, da Federação Nacional de Professores (Fenprof), assegurou ao DN que as acusações da ministra - dizendo que as escolas e os docentes não estão orientados para os resultados - «não correspondem à verdade pois, se assim fosse, «não haveria professores a leccionar no interior ou nas áreas urbanas mais marcadas pela indisciplina dos alunos».Já João Dias da Silva, da Federação Nacional de Educação (FNE), disse ao DN que «as generalizações são sempre perigosas e dão mau resultado».Apesar de admitir que possa haver falhas em certos serviços, o responsável lembra todas as escolas que se preocupam com os resultados e até vão mudando a sua actuação em função deles, escreve o DN.Diário Digital / Lusa 30-05-2006 "
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Fiat Lux (Do Observatório Social)

A célebre ''avaliação'' e o que diz a proposta
Enviado por Domingo, Junho 04 @ 13:46:16 WEST por Amaral


Eu até já tinha avisado que isto ia dar que falar ... "Tomem lá, que é democrático"!

Artigos de opinião antonioamaral escreveu: "Diz o ditado que não se nasce ensinado, pois se pode desculpar a a ignorância. Mas o que dizer de tantos comentadores que opinam sobre tudo e mais alguma coisa, do "ouvi dizer", do "li a notícia", mas não se dão ao trabalho de irem às fontes, de lerem os documentos?

Se esses "iluminados", geralmente pagos para debitarem o seu discurso, em vez de dizerem "eu sobre isso não sei, mas acho que...", fizessem o que lhes compete, ou seja, de se documentarem, prestavam um serviço útil, em vez de alimentarem a confusão e a ignorância.

No caso, bastava lerem a proposta de alteração ao Estatuto da Carreira Docente. Assim, nos Itens de classificação, Artigo 46.º, na alínea h) do ponto 2, lê-se: "Apreciação realizada pelos pais e encarregados dos alunos que integram a turma leccionada, em relação à actividade lectiva dos docentes".
E, no ponto 3 do mesmo Artigo: "A apreciação dos pais e encarregados de educação é promovida no final de cada ano escolar, pelo director de turma, e traduz-se no preenchimento de uma ficha de modelo a aprovar nos termos do n.º 5 do artigo 44.º". E, este Art. 44.º "Intervenientes no processo de avaliação", p. 5, diz: "Junto de cada escola ou agrupamento de escolas funciona a comissão de coordenação da avaliação que integra três membros do conselho pedagógico, um dos quais o seu presidente, que coordenará, bem como os vice-presidentes ou adjuntos da direcção executiva da escola". E, uma das competências desta comissão é "Garantir o rigor do sistema de avaliação, através da validação ou confirmação dos dados constantes das fichas de avaliação".

Afinal de contas, o DL 115-A/98, não consagra a escola como inserida numa "Comunidade Educativa" representada por docentes, pais e encarregados de educação, alunos e pessoal não docente?

Para quê, tanto barulho!?"


Recebido de webmaster@fersap.pt

Hoje ... de Outros Tempos

Dia D, ou o começo da concretização da invasão americana da Europa, ainda sem MacDonald's!

6 de Junho

- de 1714. Nasce D. José, filho de D. João V e de D. Maria Ana de Áustria, futuro rei de Portugal.

- de 1755. Lei que restitui aos Índios do estado do Grão-Pará e Maranhão a liberdade das suas pessoas e bens.

- de 1784. Bocage, oficial de marinha, é considerado desertor.

- de 1861. Cavour, ministro do rei da Sardenha, artífice da unidade italiana em torno da casa real de Sáboia, morre.

- de 1926. Gomes da Costa entra triunfalmente em Lisboa, afirmando a vitória militar da «Revolução Nacional».

“Uma vez concluída a concentração de tropas em Santarém, afirmando a vitória militar da «Revolução Nacional» ─ bem como a sua própria supremacia política ─, Gomes da Costa entra triunfalmente em Lisboa à frente de cerca de 15 000 homens provenientes de unidades militares do Norte, Centro e Centro-Sul do país.” [1]

- de 1944. Dia D. Desembarque das tropas aliadas na Normandia.


“Na alvorada de mais um dia 6 de Junho, o Dia D é relembrado na Normandia. Hoje, como então, a maré está baixa. Hoje, como então, a areia endurece debaixo dos pés. Toco com a mão numa viga ferrugenta enterrada na areia, um vestígio das barreiras que revestiam esta praia em 1944. Esta manhã, o céu está carregado. Hoje, como então, vai ser um dia cinzento.


Este é um excerto da reportagem que pode encontrar na edição impressa da NGM – Portugal.

Todos os anos, em Junho, chegam a esta praia grupos de homens silenciosos, que por aqui passeiam, acompanhados pelos familiares e pelas recordações. Um deles é Joseph Vaghi, um enérgico e caloroso oficial veterano da Marinha, responsável pela orientação das manobras de desembarque durante o Dia D num sector sangrento da praia de "Omaha" baptizado com o código de "Easy Red". "Era uma espécie de polícia de trânsito", recorda. Encontro-me com ele no alto das falésias ventosas que se debruçam sobre aquelas areias cinzentas, hoje tão vazias e serenas.
Ali perto fica o cemitério americano, com 9.387 sepulturas, 23 das quais pertencentes a membros da unidade de Joe, o Sexto Batalhão Naval das Praias. Cabia-lhes desactivar minas, marcar corredores no mar para os navios de desembarque, tratar dos feridos atingidos a tiro na posição adiantada da praia e carregá-los para os navios de evacuação através do mar ensanguentado. No dia em que nos encontramos, Vaghi participa na inauguração de um monumento tardio à memória dos camaradas caídos em combate. Segundo afirma, rindo-se, a unidade militar a que pertenciam era tão discreta que as forças armadas dos EUA - e até a própria Marinha - se esqueceram deles durante quase 60 anos. Foi para conhecer homens como Joe Vaghi e ouvir as suas histórias que viajei até à Normandia no Verão passado. Queria descobrir os pedaços fascinantes de história e de heroísmo que, durante décadas, ficaram em grande parte por contar. Muitas destas histórias perderam-se porque o mar se fechou sobre elas, selando bocas para sempre.

(Texto de Thomas B. Allen)
Leia a história completa nas páginas da National Geographic Magazine.”
____________________
[1] História de Portugal em Datas, Círculo de Leitores, pág. 308.

domingo, junho 04, 2006

Hoje ... de Outros Tempos

4 de Junho

E de como nesta data de 1989 ainda se acham sangrentas ditaduras ditas repúblicas populares.

- de 1624. Carta régia que permite a expulsão de Lisboa de pessoas «inquietas e escandalosas».

- de 1738. Nascimento do futuro rei inglês Jorge III (1738-1820). Foi considerado inapto para governar devido a loucura em 1812.

- de 1941. O antigo imperador alemão Guilherme II morre na Holanda, local de exílio desde 1918, ocupada pelo exército alemão.

- de 1989. O governo chinês ordenou ao Exército que expulsasse da Praça de Tiananmen, em Pequim, os manifestantes que a ocupavam desde 16 de Abril. O exército usará tanques, transportes de tropas blindados, metralhadoras, gás lacrimogéneo e bastões para o conseguir matando mais de 3.000 pessoas, prendendo cerca de 1.600 manifestantes, dos quais 27 foram executados. (ver desenvolvimentos deste artigo no Legítima Mente)
Retirado do Portal da História

sábado, junho 03, 2006

Fiat Lux (Do Observatório Social)

Há críticas assim, mas ... o bom senso deve, inevitavelmente, imperar:

Há muitos motivos para protestarmos, desde há já muito tempo, pelas mais variadas razões socialmente releantes, a que vamos assistindo ou nas quais vamos participando. E esta da educação, como não pode deixar de ser, é socialmente abrangente. Isso nem merece discussão. Mas ... porque é que tanta gente protesta, tantas vezes, desde há tanto tempo, e quase não se vislumbram, por mais t+énues que sejam, medidas efectivamente implementadoras de uma melhoria na qualidade do ensino? Será assim tão difícil como equilibrar o déficit? Talvez nem seja tão crónico como a dívida pública!(?) ...
Leio com alguma satisfação, nos desabafos deste interactivo companheiro que é o Jumento, o coice que o 'animal' dá nas opiniões que se divulgam acerca desta vital questão que é a da educação! Mas ainda lhe falta mais qualquer coisa. A saber, estabeleceria um triângulo basilar desta problemática, formado apenas pelo grupo dos interessados que são os professores, por um lado, e as escolas onde estão, uns acomodados, outros presos no 'lodo' dos interesses daqueles, por outro; no vértice, como não poderia deixar de ser, está o Orgão que deverá ser o representante da sociedade, inscrito na máquina da governação que atende a estes fins, mas que, presentemente, não os tem sabido pertinentemente definir: o Ministério da Educação! Este nunca poderá deixar de ser o rpimeiro culpado do insucesso escolar que se tem verificado, porque é o primeioro responsável! Segundo, as escolas que, com ou sem a conivência tácita daquele Orgão supervisor, têm realmente tido uma preocupação maior em gerir os recursos que nunca são suficientes para as necessidades que enfrentamos, por vias frequentemente de legalidade duvidosa (lembro-me de, por exemplo, haver escolas que alugam cacifos de 'aloquete', aos os alunos que os requesitarem, mensal ou anualmente, logo no início do ano lectivo, para lá deixarem, praticamente todos os dias, livros e cadernos (entre outros haveres), e os espaços já rareiam para atender a tantas solicitações! O que é isto, pedagogicamente falando? É um autêntico atentado! Quem tem interesse nisto? Os professores? Não é minimamente plausível! Mas, a maior ignomínia, é ainda aquela de se perseguir, psocologica ou, mesmo, disciplinarmente, quem se pronuncie, dentro do mais estrito direito que lhe é reconhecido pelo exercício da profissão docente, contra este estado de coisas!!! Isto é de bradar aos céus,!!! Ajudai-nos, Senhor, porque o que estamos a passar é de fazer corar Sodoma e Gomorra!!!
E isto não pode, com certeza, ficar por aqui!!!
(Comentários de um Professor desesperadamente indignado)!!!

terça-feira, maio 30, 2006

Hoje ... de Outros Tempos

30 de Maio

- de 1662. Casamento de D. Catarina, filha de D. João IV, com Carlos II de Inglaterra.
- de 1672. Nascimento de Pedro o Grande (1672-1725), imperador da Rússia. Foi responsável pela ocidentalização da Rússia, edificando a cidade de São Petersburgo.
- de 1834. As ordens religiosas masculinas são extintas e os seus bens nacionalizados. A medida é da responsabilidade de D. Pedro, enquanto regente, e de Joaquim António de Aguiar, que passa por isso a ser conhecido por «o Mata-Frades».
- de 1926. O primeiro governo saído do golpe militar de 28 de Maio entra em funções. É presidido pelo comandante Mendes Cabeçadas, herói da Revolução de 5 de Outubro de 1910.

(Tirado do Portal da História)

Ver desenvolvimentos em Legítima Mente

Ainda sobre o 28 de Maio de 1926

Por detrás das reportagens,

Há os pormenores que só quem tem informações muito detalhadas consegue descrever, com significado muito mais profundo na alma de quem as vê, os cenários com que devem ser evocados certos factos históricos.
Sobre o tema em epígrafe, leia-se o interessante post do meu mui citado mestre JAM, em O Tempo Que Passa.

segunda-feira, maio 29, 2006

Hoje ... de Outros Tempos

29 de Maio

- de 1453. Constantinopla é conquistada pelos Turcos, que lhe dão o nome de Istambul. É o fim do Império Bizantino. Marca, na cronologia histórica, a passagem da Idade Média para a Idade Moderna.
- de 1660. A monarquia inglesa é restaurada na pessoa de Carlos II, representante da dinastia Stuart. O rei casará mais tarde com a infanta portuguesa D. Catarina de Bragança, filha de D. João IV.
- de 1848. Criação da Carbonaria Lusitânia, sociedade secreta, fundada em Coimbra, defensora do regime republicano.
- de 1915. Teófilo Braga é proclamado presidente da República, em substituição de Manuel de Arriaga, que se tinha demitido do cargo. Completará o mandato deste até 5 de Outubro de 1815.
- de 1917. Nascimento do Presidente dos Estados Unidos da América John Fritzgerald Kennedy, em Brookline, Massachusetts. Será o mais novo presidente americano.
- de 1953. Edmund Hillary e Narkey Tensing escalam, pela primeira vez, o monte Everest (tecto do Mundo com 8848 m de altitude), nos Himalaias.

Fontes: Portal da História.

(ver desenvolvimentos em Legítima Mente)

domingo, maio 28, 2006

Hoje ... de Outros Tempos

28 de Maio [1]

- de 1357. Com a idade de 66 anos, morre em Lisboa D. Afonso IV, que governou Portugal durante 32 anos.

- de 1911. Primeiras eleições legislativas do regime republicano. A legislação eleitoral é praticamente igual à da monarquia, não sendo estabelecido um sistema eleitoral democrático. Há 850.000 eleitores, dos quais só 60% votarão.
[1] Retirado do Portal da História.
- de 1926. Um golpe militar iniciado em Braga e comandado pelo general Gomes da Costa pôs fim à 1.ª República. (Este assunto tem desenvolvimento interessante em O Tempo Que Passa).
- de 1933. Membros do Partido Nacional-Sindicalista, os «camisas azuis» chefiados por Rolão Preto, surgem fardados nas comemorações do 28 de Maio realizadas em Braga.
- de 1940. A Bélgica rende-se aos alemães.

- de 1952. É inaugurado no Porto o Estádio das Antas.

- de 1961. A Amnistia Internacional é fundada em Londres pelo advogado Peter Berenson. Tendo lido que alguns estudantes tinham sido presos em Portugal, lançou uma campanha para a sua libertação com o nome Apelo à Amnistia.

- de 1975. As sedes do MRPP são ocupadas pelo Comando Operacional do Continente (COPCON), comandado por Otelo Saraiva de Carvalho, que prende alguns dos seus dirigentes.
Ver desenvolvimentos em Legítima Mente
Fontes: Portal da história; História de Portugal em Datas, Círculo de Leitores.

sábado, maio 27, 2006

Hoje ... de Outros Tempos

27 de Maio

- de 1823. Sublevação militar dirigida pelo infante D. Miguel, filho de D. João VI, conhecida pela Vila-Francada. Terminou com a primeira experiência liberal portuguesa, iniciada com a Revolução de 1820.
- de 1834. D. Pedro IV é apupado no Teatro de S. Carlos, quando assistia à representação do Il Pirata, de Belini, devido à amnistia proclamada pela Concessão de Évora-Monte. Terá um ataque de hemoptises e adoecerá. Morrerá em Setembro seguinte.
- de 1871. Antero de Quental lê o texto das Causas da Decadência dos Povos Peninsulares nos Últimos Três Séculos, no decurso das Conferências Democráticas do Casino Lisbonense, mais conhecidas por Conferências do Casino.
- de 1974. É afixado em decreto o primeiro salário mínimo nacional, Esc. 3.300$00 mensais.
- de 1980. É restabelecida, em Coimbra, a tradicional festa da Queima das Fitas. A festa tinha deixado de se realizar em 1969.
(Tirado do Portal da História)
Pode ver os desenvolvimentos no Legítima Mente

quarta-feira, maio 24, 2006

Boas Vindas ao 1º Parceiro no Publicista

Que as "Letras do Pensamento", o "Observatório Social" e os "Horizontes da Academia"

Sejam para si espaços de expressão que se dispam da 'poeira' que traz a inibição e o bloqueio pelo medo, o constrangimento de quem vive condicionado, ou a hipocrisia dos ignorantes. E assim sendo, que estes não sejam os únicos meios que aqui encontre para manifestar a criatividade que adivinho em si, e que certamente saberá 'publicitar'.
E porque de uma parceira se trata, aproveito o ensejo para também lhe dedicar este poema, simples mas muito sugestivo de quantos vivem como pensam, o que por certo será um bom exemplo de uma das músicas que aqui quero fazer reviver, porque vale a pena, em mensagem psi ... . Como veremos, este é para si 'terreno' caseiro, o de necessitarmos de traduzir as letras de músicas feitas em comunhão de sentimentos com os seus destinatários ... que bons que foram estes anos de uma musicologia com apogeu, talvez, naqueles mágicos anos 70 ... muitos vamos esperar por esses posts, Ana Márcia! Obrigado!

Three Roses

Sitting by the fireside with a book in your hand
Two lazy dogs sittin' watchin' your man
Three roses were bought with you in mind
Three roses were bought with you in mind
I gotta stop and see what I'm on about
Stop and feel what I want I gotta
Stop and see what I'm on about
Stop and feel what I want with you
Ah

Walking through a wonderland, I got you by the hand
Every move we made, just as if it were planned
Three roses were bought with you in mind
Three roses were bought with you in mind

I gotta stop and see what I'm on about
Stop and feel what I want I gotta
Stop and see what I'm on about
Stop and feel what I want with you
Ah

(album America, dos America)
America - Three Roses (America)

terça-feira, maio 23, 2006

Fiat Lux (Tiradas de Reflexão Pura)

E porque há verdades verdadeiramente platónicas ...

Já não sei como me destrinçar, no pensamento, entre as rubricas que comecei a assinar como "Cogitadelas" e estas "Tiradas de Reflexão Pura", que começaram no Fiat Lux, esse blogue para o qual me acabou o tempo que lhe poderia ter dedicado. Mas não se pode fazer tudo sozinho, e porque é demais ter blogues a mais, vamos lá a ver se mantemos "vivos" estes a que dedicamos tempo, esforço e, por que não dizê-lo, algum afecto (ou mesmo amor)!
Lembro-me de ter assistido a algumas sessões de 'esclarecimento' de seguidores do Guru Maharaji, na época em que estava em moda a filosofia oriental de raíz hindu, como por exemplo, em Lisboa, nos inícios de 70 ... Chamavam a estas sessões sat sang, que um dia me explicaram significar "proferir a palavra esclarecida, que vem de dentro de quem possui o conhecimento ...".
Sem pretender me auto-intitular de possuidor de uma tal "3ª visão", gostaria que estas minhas tiradas mais não fossem a expressão de uma pura reflexão, sem rascunho ou orientação metodológica com que podessem ser elaboradas. Isso poderá observar-se noutras rubricas que, aqui como noutros espaços de expressão, faço questão de assinar.
E porque estou para aqui a ter estas explicações? Porque tenho visto continuamente, nesta societatem portus calensis em que vamos deambulando, factos, artefactos e contrafactos ... que levam o mais simples do homo sapiens (sapiens sapiens para os mais ensinados) a ter de cogitar sobre o que vai assistindo, numa como que mera contemplação de estímulos da mais variada espécie, e que nos chegam a todos, de uma ou outra formas, mais cedo ou mais tarde. Ninguém está imune, nesta affluent society, a estas tão quotidianas infuências sociais.
Ontem vi mais um espectáculo deste estado televisionado, talvez não muito ou nada ensaiado. Mas lamentável, porque foi de fazer inveja ao famosíssimo "O Juiz Decide", de há uns anos: de um lado, JPP e RC a defenderem a comunicação social e o seu papel institucional; de outro lado, MMC e ER a quererem confirmar as teses conspiracionistas, mas a continuarem a esquecer-se do que o meu mui citado mestre já diz no seu post de hoje, isto é, "quem anda à chuva molha-se" ou, diria eu, "com ferros matas, com ferros morres".
E nesta pouco salomónica sessão "judicial" apenas me ressaltou uma plena constatação: há cidadãos, há cidadãos-ministros, e há sindicatos de cidadãos-ministros, sendo que a maioria dos que se julgam povo talvez ainda não caiba em nenhuma das categorias supra citadas (ou, contrariando Tocqueville, rege-nos uma pseudo-democracia porque, de modo cada vez mais evidente, sofremos com as bestiais investidas de uma tirania da maioria de subservientes aos interesses de uma minoria crescente, em espécie e em número).
Por tudo isto me vêm à ideia os princípios subjacentes à filosofia platónica da governação, dentro do seu conceito de polis ideal. E, por mais que o seu discípulo de Estagira (Aristóteles) o quisesse ou quisesse contradizer (como o fez em várias das oposições filosófico-conceptuais que teceu), ainda não se redefiniu melhor forma de expurgar a figura ético-valorativa do homem político (estereotipado na sua definição de rei-filósofo), no que concerne a relação entre a titularidade de cargos públicos e a respectiva detenção de bens patrimoniais ... . Se hoje ainda assim fosse, não tínhamos assistido à procissão ao descalabro de sucessivos elencos governativos, nem à construção privada para fins pseudo-públicos de um W. C. que serviu para mandar 12.000 contos pela "pia abaixo"! ... Não, aqui há grande conspiração! ...?

segunda-feira, maio 15, 2006

Divulga por favor,

PEDIDO DE SANGUE

Por motivos de doença grave, um amigo está hospitalizado à espera de ser operado. Ainda não foi porque tem um tipo de sangue raro, B- (só pode receber de B- ou O-).
Pede-se a quem tenha este tipo de sangue que contacte, com urgência, os seguintes números:
Luis de Carvalho: 931085403
Pedro Leal Ribeiro: 222041893 FAX: 222059125
Se não poderes ajudar, divulga esta mensagem. Não custa passar, hoje por ele, amanhâ por ti.
Obrigado

domingo, maio 14, 2006

Somos aquilo que temos

O que resta dos cantinhos do céu português! Quando já não se luta por um pedaço de pão, com ou sem militares, com ou sem maçons, com ou sem revolução!

Poderia ser mais um Mire On Local. Mas não chega a isso, pois apenas nos ficamos pela simples contemplação deste bocadinho de mare nostrum, já não tão nosso enquanto alguns continuarem a querer vendê-lo a troco das contínuas prebendas com que desenham o espraiar das suas evolutivas carreiras pseudo-democratistas, tão encastadas no vício da ganância rapineira quanto as mediáticas fantasias da sindicância do políticamente correcto em que tecem esta democratura.

Também poderia evocar este triste dia de 1915, marcado por "tumultos violentos em Lisboa com assalto a armazéns e a padarias de multidões à procura de comida" 1. Neste mesmo dia, republicanos com a participação de civis (enquadrados prela Maçonaria) e militares, levam a efeito um movimento revolucionário que custou centenas de mortos e feridos e levou à derrocada do Governo" 2. E proclama-se de novo a República.

O 1.º sargento Alexandre de Carvalho, com um grupode revolucionários à porta do Arsenal de Marinha.
Hoje, proclama-se ainda a democracia quando uns se fecham nos cofres em que encastam o espólio da rapina, e outros já nem tentam reclamar o que outrora não carecia!

ÓH, poeta de Coimbra, volta a cantar:

Gaivotas, que o vento norte não traz
Notícias, que tardam sem razão
Ficarei aqui à espera
Ainda que seja quimera
Teu regresso acontecer
Ficarei até morrer!
Ficarei até morrer!

E, olhando esta maré vazia, contemplando ... a razão me entoa na alma que:
La pensée du Jour: somos aquilo que temos!
(1) Portal da História.
(2) História de Portugal em Datas, Círculo de Leitores
.

domingo, maio 07, 2006

Fiat Lux (Tiradas de Reflexão Pura)

A pandemia dos vírus sociais – ou a social paranóia do parasitismo.

1. Olha para mim, Portugal! Sim, olha, porque sei como olham para ti, e penso como em ti pode acontecer o mesmo que a qualquer um, enquanto cidadão que em ti vive, pensando em nós: tenho reparado nesse “organicismo social”, que te pensa como se fosses esse corpo social em que se querem instalar os que te vêem enfraquecer mas nada fazem por ti, mas em ti querem transformar o seu sonho nessa realidade irrealizável, alimentada pelas fantasias com que em ti constroem as suas utopias. E para isso te querem fraco!
2. Olha para mim, que te quero bem. E por que em ti quero bem, também me atacam os seres da intolerância social, que se agarram às tuas como às minhas fraquezas para se poderem adaptar ao fim único que é a tua degenerescência, única via para dominarem o corpo em que se alojam e de que se alimentam.

3. Mais: na guerra das metamorfoses, em que tais seres iludem aqueles em que se apoiam, como método de descodificação do sistema social que rejeitam (uma espécie de alien social undercover), sobressai essa latente capacidade de mutação virulenta, constituindo a sua arma estratégica mais poderosa, e para a qual não há antídoto conhecido, nem social ou biologicamente eficaz, tal é a implacabilidade com que transformam o corpo que habituaram a pensar na sua regeneração.


4. É por isso que, nesta tendência de degenerescência social, não há regra que se traduza na confrontação dicotómica entre esquerdas e direitas. Não! Mas, nesta saga de lutas pelo corpo social, vejo agora com mais clareza as posições mais ou menos radicalizadas de quem se barrica pelas direitas, tentando encontrar inimizade nos que, já “enfermos” do complexo de esquerda, não conseguem discernir na propaganda da cura ilusória o mal de que se alimentam esses que lhes prometem bem.


5. São estas as consequências das mutações dos vírus, de que a sua correspondente societal também sofre: uma vez atacado o corpo (a sociedade) os anticorpos são os primeiros a agir e, por isso, os primeiros a eliminar ou a iludir pelos seres ‘alienígenas’ que se adaptarão ao alvo (corpo hospedeiro), como se disse, através de mutações necessárias à sobrevivência que, de outra forma, não atingirão. Esta adaptabilidade é, assim, condição indispensável à prossecução dos seus objectivos: sobreviver, mesmo à custa da vida alheia, estando nesta o próprio corpo em que subsiste a sua alienação, procurando finalmente controlá-lo e dominá-lo. Depois desta fase (autêntica convulsão social), o corpo hospedeiro pode atingir o caos e desaparecer. Assim, será transformado num outro ser (sociedade) propícia ao desenvolvimento das pretensões vencedoras (estado de pandemia social).


6. Não podemos deixar de abstrair desta reflexão a eventual vigência de um novo PREC. A confirmar-se será, actualmente, mais subtil do que em qualquer outro período pós-revolucionário, pelo que importará esclarecer as nossas consciências cívicas, já vivenciadas em factos e conjunturas historicamente análogos, através da sublime evocação de uma simples lição de dignidade popular, manifestada em exortações como as que aludem à coragem de enfrentar os que, aparentemente, continuam a iludir-nos:

Todos, que tendes falado por mim,
Apenas vejo o que me mentem
Será por pensarem assim
Que eu vejo o que não sentem?

7. Devo, por tudo quanto nos interessa nesta questão, reler e seguir mais aprofundadamente as lições do meu primeiro mestre na ciência política, a quem desde a leitura do Novíssimo Príncipe, tenho citado com alguma frequência para realçar a fidedignidade das fontes com que sustento as minhas conjecturas e reflexões. Mesmo as que, partindo de inspirações nascidas na inquietude da minha existência social, cedo se revêem nos infortúnios a que a sociedade vai assistindo e que nos espíritos se reflectem.


8. Vou, assim, empreender mais uma revisitação à “Luta escalonada” [1] pelo Poder, e tentar melhor perceber o comportamento desses ‘vírus sociais’ que andam por aí, sediados em tudo quanto são organismos institucionais [2], constituindo uma como que sede real do Poder [3], dado que, mesmo electiva e formalmente emergente num sistema representativo, esta força está socialmente activa em todos os domínios e com uma influência institucional muito acima do valor da sua legítima representatividade eleitoral.


[1] Moreira, Adriano JA, Ciência Política, cap. IV, §3º, Almedina, Coimbra, 1984.
[2] Assinale-se que, por coincidência ou não, é pelas lições do mesmo Professor (AJAM) que comecei a percorrer os caminhos que, na academia, levam ao entendimento e apreensão da importância social do institucionalismo. E, porque também faz parte dos conteúdos que lecciono, não deixa de ser devidamente salientado nos meus ensinamentos.
[3] Moreira, Adriano JA, ob. cit., cap. IV, § 1º.

domingo, abril 30, 2006

Hoje ... de Outros Tempos

Entre conjunturas europeias e pseudo-revoluções, o destino malfadado da portugalidade, a qual, em dias como este de 1536 do nosso D. João III, dá sinais de não voltar sem o inevitável sebastiânico nevoeiro!
Para recordar destaco, de entre as efemérides possíveis que seguem, a primeira ...

30 de Abril
- de 1536. A Inquisição é instalada em Portugal.
- de 1789. George Washington é empossado no cargo de Presidente dos Estados Unidos da América.
- de 1845. Nascimento de Oliveira Martins. Historiador autodidacta, socialista, defensor mais tarde da instauração de um regime autoritário, será um dos membros da «Geração de 70» do século XIX.
- de 1945. Adolfo Hitler suicida-se em Berlim.
- de 1948. Criação da Organização dos Estados Americanos (OEA).
- de 1975. O Brasil, os Estados Unidos da América, a Espanha e a França reconhecem o novo regime saído do golpe de estado de 25 de Abril anterior.

Vejo as notícias e as datas que a História tem marcadas para os dias deste fim de semana prolongado, ainda mais prolongado neste feudo cor de laranja-amargo-doce (…), e que me aguça o topete? Uma sobre a CGD, no JN de sexta-feira (artigo de um leitor), outra com o artigo de VPV no Público de sábado, tudo isto para servir de condimento às minhas razões, também causadas por episódios da minha vida profissional, tornando pessoais as lamentações de muitos daqueles que, noutras épocas, sofreram com perseguições inquisitoriais, das que ainda andam por aí …

"Desejo falar livre, mas não posso. Nunca se veja o que eu daqui já vejo (…) A medo vivo, a medo escrevo e falo, tenho medo do que falo só comigo; mas ainda a medo cuido, a medo calo (…)"

António Ferreira em Poemas Lusitanos

Valha-nos Deus!

Por tudo isto e o muito mais da nossa infelicidade de que vamos sendo vivos testemunhos, no meu pensamento dançam ideias sobre o bailado social que todos temos seguido, já de cor pela persistência com que insiste em nos condenar, nas garras de um qualquer Leviathan devorador dos seus próprios filhos …
Ah!, Luís Vaz, que desta praia lusitana só andamos por mares já dantes navegados …, pois este mar continental não será, certamente, dominium nostrum! …


A Inquisição

"Maria Mendes foi presa. Confessou logo. Denunciou quantos filhos tinha, netos e parentes, (…) todos quantos conhecia e lhes sabia os nomes, que se entendeu que havia denunciado mais de seiscentas pessoas. Ainda assim foi condenada a morrer queimada. E negou tudo, declarando serem tudo falsidades que haviam posto sobre si e sobre
seus próximos (…) Estando esta mulher no auto já para morrer, uma filha sua que saiu no mesmo auto, em altas vozes lhe quis lembrar alguns parentes, para que ali no auto fosse denunciá-los e não morresse (…)"

Padre António Vieira em Notícias recônditas do modo de proceder da Inquisição com os seus presos (adaptação)

(Retirado da Diciopédia 2000, Porto Editora - veja-se o desenvolvimento do artigo sobre a Inquisição)


A Inquisição era um tribunal eclesiástico destinado a defender a fé católica: vigiava, perseguia e condenava aqueles que fossem suspeitos de praticar outras religiões. Exercia também uma severa vigilância sobre o comportamento moral dos fiéis e censurava toda a produção cultural bem como resistia fortemente a todas as inovações científicas. Na verdade, a Igreja receava que as ideias inovadoras conduzissem os crentes à dúvida religiosa e à contestação da autoridade do Papa.

As novas propostas filosóficas ou científicas eram, geralmente, olhadas com desconfiança pela Inquisição que submetia a um regime de censura prévia todas as obras a publicar, criando o Index, catálogo de livros cuja leitura era proibida aos católicos, sob pena de excomunhão.

As pessoas viviam amedrontadas e sabiam que podiam ser denunciadas a qualquer momento sem que houvesse necessariamente razão para isso. Quando alguém era denunciado, levavam-no preso e, muitas vezes, era torturado até confessar. Alguns dos suspeitos chegavam a confessar-se culpados só para acabar com a tortura. No caso do acusado não se mostrar arrependido ou de ser reincidente, era condenado, em cerimónias chamadas autos-da-fé, a morrer na fogueira.


Execução de condenados pela Inquisição, no Terreiro do Paço, em Lisboa (séc. XVIII)

Defendendo a Igreja Católica as concepções geocêntricas, por as considerar mais de acordo com as Sagradas Escrituras, opôs-se totalmente à teoria heliocêntrica de Copérnico que Galileu defendeu, impondo-lhe silêncio sobre as suas opiniões.

Por isso, a publicação do livro Diálogo sobre os Dois Maiores Sistemas do Mundo custou a Galileu a instauração de um processo pela Inquisição na sequência do qual ele foi obrigado a negar as suas convicções.

"Nós, os cardeais da Santa Igreja Romana, pela graça de Deus, tendo sido nomeados inquisidores-gerais da Santa Fé Católica, verificámos que tu, Galileu, filho de Vicente Galilei, florentino, de 70 anos de idade, já no ano de 1613 foste denunciado a este tribunal do Santo Ofício, em virtude de considerares verdadeira a falsa doutrina de que o Sol é o centro do mundo; e de aceitares a ideia de que a Terra não está imóvel [...].Tendo os teólogos e doutores considerado estas teorias absurdas e erróneas [...] e tendo nós constatado que, depois de teres sido advertido, publicaste em Florença um livro intitulado Diálogo dos Dois Sistemas do Mundo, de Ptolomeu e de Copérnico, no qual continuas a defender as mesmas opiniões [...], declaramos-te, Galileu, fortemente suspeito de heresia. Deverás renegar publicamente as tuas teorias, contrárias aos ensinamentos da Igreja; e ordenamos que o referido Diálogo seja proibido e tu próprio aprisionado nos cárceres do Santo Ofício, ficando à nossa ordem." (Processo de Galileu, semelhante a muitos outros que vão acontecendo, um pouco por aí...).
(Retirado do Google)

quarta-feira, abril 26, 2006

Hoje ... de Outros Tempos

Talvez a última lição da História, neste dia holocáustico!

Que, conjuntamente com outras efemérides de hoje que não tenho de as recordar
( 26 de Abril
- de 1860. Morte do duque da Terceira, marechal do Exército, político liberal. Tinha nascido em 1792.
- de 1937. Aviões alemães, a Legião Condor, bombardeiam a cidade espanhola de Guernica, no País Basco.
- de 1946. É criado o MUD Juvenil.
- de 1986. Acidente na Central Nuclear ucraniana de Chernobyl) - retirado do Portal da História,
apesar de apontá-las, é a última marca da estupidez humana, quando sabe que a nossa capacidade para evitar os riscos da aventura em que nos lança a inteligência não é directamente proporcional à nossa capacidade para os interpretar, descodificar e, assim, instituir a aprendizagem com a qual poderemos não permitir a repetição deste tipo de erros! Não digo mais nada. Apenas reproduzo o que hoje tirei do Google. Vale a pena!

Roentgens
To begin our journey, we must learn a little something about radiation. It is really very simple, and the device we use for measuring radiation levels is called a geiger counter . If you flick it on in Kiev, it will measure about 12-16 microroentgen per hour. In a typical city of Russia and America, it will read 10-12 microroentgen per hour. In the center of many European cities are 20 microR per hour, the radioactivity of the stone.
1,000 microroentgens equal one milliroentgen and 1,000 milliroentgens equal 1 roentgen. So one roentgen is 100,000 times the average radiation of a typical city. A dose of 500 roentgens within 5 hours is fatal to humans. Interestingly, it takes about 2 1/2 times that dosage to kill a chicken and over 100 times that to kill a cockroach.
This sort of radiation level can not be found in Chernobyl now. In the first days after explosion, some places around the reactor were emitting 3,000-30,000 roentgens per hour. The firemen who were sent to put out the reactor fire were fried on the spot by gamma radiation. The remains of the reactor were entombed within an enormous steel and concrete sarcophagus, so it is now relatively safe to travel to the area - as long as we do not step off of the roadway.......

The map above shows the radiation levels in different parts of the dead zone. The map will soon be replaced with a more comprehensive one that identifies more features.

It shows various levels of radiation on asphalt - usually on the middle of road - because at edge of the road it is twice as high. If you step 1 meter off the road it is 4 or 5 times higher. Radiation sits on the soil, on the grass, in apples and mushrooms. It is not retained by asphalt, which makes rides through this area possible.

terça-feira, abril 25, 2006

25 de Abril … quando?

Hoje … já foi um grande dia, … noutros tempos. Por isso, a rubrica com que hoje evoco este dia não é tanto a efeméride, mas o que ela, hoje, ainda pode representar, ficando-me apenas, no pensamento, a razão que só o sentimento consegue recordar.

De outra forma não será possível conceber este “La Pensée du Jour”: só aqueles para quem o significado do que se esperava, em 25 de Abril de 1974, se foi perdendo (depois de algo que, realmente, se foi conquistando a partir dessa data) saberão viver este pensamento, que se manifesta, desde logo, pela recordação daquilo que não chegou a acontecer, a não ser nos corações dos que ainda acreditam na mudança.
Eu não tenho ilusões: a frustração pelo que não deveríamos ter perdido ou deixado acontecer é muito maior que os ganhos obtidos, todos eles somados, ou então dizer que há deficit democrático não passará de mais um cliché dos que gostam de fazer ver a verdade através da demagogia. E nós sabemos que, infelizmente, o deficit resultante do enorme passivo da nossa contabilidade social é enorme. Mas nunca será demais recordá-lo!
Muitos dos que hoje gritam sempre nunca foram além do que a sua cor política lhes permotiu encobrir, escondendo nela a verdadeira potência de uma vaidosa cobardia!

E, por isso, volto a publicar este poema que, como muitos, lamenta, … apenas lamenta: que alguns continuem a pensar que Abril é comunismo, ou radical-demmocratismo, ou esquerdismo, ou qualquer ouro radicalismo residente apenas nas organizações partidárias que julgam deter a propriedade da revolução, da democracia, da verdade! Não: isso nunca mais!


Abril! … Quando?

Deixa-te abrir, de novo
Abril, de ti possam trazer
Tudo o que de ti não sabem,
Mas mereces: o teu povo

Deixa-t’ abrir, sem queixume
E sem remorso, nem temor,
Sem esses lamentos de dor
Que dão em coisa nenhuma

Deixa-te abrir, agora,
Tirar de ti a semente,
Que dará fruto na gente
À espera, a vida fora!

Deixa-t’ abrir, finalmente
Voltar a pensar, que em ti
É tão bom poder sorrir,
E abraçar o que se sente

Deixa-te abrir, é hora
P’ra de novo dizer que não
Aos vis rapinas da razão
Desse ser que em nós mora

Só então, Abril, verás! Quem
Em ti, sempre viveu e amou
Te quis, te bebeu e chamou
Para chegar ao mais além!

Quem!
Abril, de novo?!

segunda-feira, abril 24, 2006

Mire On Local

Como continuo angustiadamente entediado neste burgo pseudo-aristocrático de "gente fina"!
Dei mais uma volta, como há já algum tempo não fazia, por cantinhos desta terra, onde já residi, ainda contunuo a residir e aonde já não gostaria de habitar! Sabe-se que, como aqui, muito do que observei, ouvi e concluí poderia acontecer em relação a outras urbes do nosso portugalório provinciano e rurbano, a fazer inveja aos países que se dizem em vias de desenvolvimento, de realização civilizacional duvidosa. Mas ... cada um no seu canto. E eu, aqui deste por enquanto meu recanto, em vésperas de mais um dia que começo a comemorar sem razões de encanto, tenho de dizer o que encontro, pois como os outros pelos mesmos caminhos que eles ando, respiro, como e durmo! Enquanto nos vão deixando! Nunca será demais mostrá-lo!E de que me queixo? Não de muita coisa! Mas, como noutras circunstâncias, não é o móbil da queixa que lhe traz a gravidade, mas o contexto da sua aceitabilidade social: numa terra que, ultimamente, tem visto o seu povo (com muita ou pouca razão) fabricar "abaixo assinados" em série - lembremo-nos que, dos últimos, também o do protesto contra o encerramento da sua maternidade já provocou um autêntico movimento social -, pouco admissível será o "encaixe psico-social do que clandestinamente (com ou sem autorizações buricrático normativas) se vai construindo ou facilitando - veja-se o exemplo de garagens privadas com caixas de esgoto no seu interior;

ou de autênticas lixeiras a céu aberto, a horas "de movimento",

ou a 'perenidade' de obras que deixa muito a desejar, muito mais ainda que o tempo que demoram a concluir!

Ou, ainda, que continue a fazer-se "mercado" num espaço tão bonito como o do seu Campo da Feira, com serviços hospitalares e das respectivas urgências a ser dificultado, semanalmente por causa do dito comércio

e, todos os anos pelas Festas das Cruzes, a debitar decibéis de poluição sonora para qualquer um de nós que por lá passe e, mais especialmente, para quem tem de ir ou estar no Hospital com que o vil espectáculo se confronta.

Cuidado! Amanhã, muitos dos que não querem saber do que aqui digo andarão vestidos de cravos vermelhjos, conseguindo trazer ao peito sentimentos que nunca perfilharam, pois nunca viveram, por dentro de si, a realidade que ainda não sabem ver, muito menos ser! Quem anda por aí? Será que ninguém dá uma mãozinha? Por favor, aonde fica o exílio?