quarta-feira, julho 12, 2006

Opinião ... de Outros Sítios

Que pode muito bem vir de qualquer sessão da Assembleia da República, onde se vê que a blogosfera já faz doutrina ...
Como de costume, arranco o carro com a TSF ligada (por defeito). E ... Pires de Lima para cá, Nuno Melo para lá, Ana Drago para cá (até gostei de ouvir todas estas intervenções), e ... sai-se Jerónimo de Sousa com esta, a meu ver com pertinência, relativamente ao 'affaire' Opel e 'dossier' governamental GM: "... deixamos que esses investidores estrangeiros se comportem como autènticos beduínos, que, quando já não têm o que querem nos seus horizontes, levantam a tenda e vão-se embora ..." - embora entre aspas, a citação é do conteúdo e não literal.
Bom ... chegado a casa vim ver, na blogosfera, algo sobre beduínos (sim, que esta coisa de falarmos de comportamentos ou padrões culturais diferentes dos nossos tem de ser tratada, sempre, com as devidas ressalvas, a bem do respeito pelas diferenças). E que encontrei? Esta, tirada do "Semiramis", num post de 25 de Janeiro deste ano:
janeiro 25, 2006
"OS BEDUÍNOS E OS CAMELOS
Os beduínos têm uma característica interessante. Vagueiam pelo deserto na companhia de cáfilas de camelos remoendo cardos, de beiços descaídos e baba pendente, bamboleando as suas corcovas ao ritmo das suas melopeias. Quando arribam a algum oásis prometedor, esticam as suas tendas sobre estacas de madeira, num acampamento fácil de montar e desmontar. Lá dentro estendem um tapete grosso no chão, onde ficam as selas de camelo, as cordas e as gamelas com água. E depois, recolhidos nas tendas, à luz bruxuleante de lamparinas, fazem os seus negócios com os íncolas, que os haviam acolhido com promessas de fartas transacções. Quando vêem que a colheita das tâmaras não é suficiente, que as cabras estão a ficar escanzeladas, sem dar leite nem carne, e que os poços estão em vias de secar, arrancam as estacas, dobram as tendas, enfileiram os camelos e voltam a internar-se no deserto em busca de outro oásis.
O Governo tem vindo a tentar empolgar a opinião pública com anúncios repetidos de novos investimentos estrangeiros. O frenesim comunicativo do Governo não encontra paralelo no carácter estruturante desses investimentos. A parte que se refere a investimento industrial é muito reduzida. São mais as vozes que as nozes. O Governo tem conseguido esses investimentos mercê dos incentivos, principalmente fiscais, que oferece ao investimento directo estrangeiro. Todavia, não faz o restante trabalho de casa: liquidar a burocracia paralisante da administração pública, pôr a justiça a funcionar e criar um sistema fiscal que não exija uma dualidade de critérios: ónus pesados para os íncolas, facilidades para os beduínos recém chegados.
Ao não fazer esse trabalho de casa o Governo verá (este ou um qualquer no futuro), quando a colheita das tâmaras escassear, as cabras ficarem escanzeladas, sem leite nem carne, e os poços estiverem em vias de secar, que os beduínos arrancarão as estacas, dobrarão as tendas, porão a cáfila em ordem de marcha e voltarão a internar-se no deserto em busca de outro oásis mais prometedor, entoando versículos corânicos.
Das multinacionais dos têxteis e do calçado que se instalaram entre nós no último quarto de século, quantas ainda não desmontaram a tenda? Quantas novenas Sócrates, Pinho e mais ministros não dirigiram à padroeira do país suplicando que a questão da Autoeuropa se resolvesse sem a debandada dos beduínos? Quanto sufoco vive o país sempre que se levanta a hipótese de mais uma deslocalização de alguma empresa relevante para a nossa economia?
Portugal precisa de investimento directo estrangeiro, mas também precisa de o manter cá. E para o manter cá precisa de criar uma ambiente económico favorável ao funcionamento das empresas, portuguesas ou estrangeiras.
Se não o fizer, acontece-lhe o mesmo que aos oásis perdidos na imensidão do deserto – assiste à debandada dos beduínos. Com uma pequena diferença: com tantas idas e vindas de beduínos, os camelos acabaram por ficar cá – somos nós!"

Opinião ... de Outros Sítios

Embora ficando a cogitar nos ganhos, talvez ao povo não interesse saber quanto nem como se calcula - apenas interessa perceber se é demais ou não!
Como estas novas do Jornal de Negócios continuam a cativar a minha atenção!?
Mais uma tirada de lá:
Sérgio Figueiredo
"Lucros de papel
sf@mediafin.pt

Os lucros da banca são, depois do futebol, dos temas em que qualquer português consegue ter uma opinião. E é uma opinião mesmo, porque ela é praticamente unânime: são obscenos, os resultados que os bancos apresentam constituem uma verdadeira roubalheira institucionalmente consagrada.
Como é possível, numa economia virtualmente estagnada, com sectores produtivos em depressão profunda, com falências e desemprego, ver ao mesmo tempo um sistema financeiro a respirar saúde com um crescimento de lucros da ordem dos 70%?! Não, de facto, não é possível.
Não é por ser inaceitável. É por não existirem. Pode perfeitamente continuar a indignar-se contra os lucros da banca, mas é bom que saiba que eles não cresceram 70%, como a maioria estupidamente divulgou, mas 29% como o Banco de Portugal já tinha anunciado no Relatório de Estabilidade Financeira de 2005 e a APB vem agora confirmar.
Pois é, antes de questionar sobre o «segredo» que explica aquela enorme diferença, haverá muito boa gente que continua a pensar que 30% ainda é uma taxa suficientemente grande para criar perplexidades. E, ainda assim, perguntar «onde está, afinal, a economia que alimenta tanta prosperidade neste sector e não nos outros?».
A pergunta é razoável, mas a resposta não deixa ninguém sossegado. Ela já foi dada há dois meses pelo governador Vítor Constâncio no Parlamento: se retirar os resultados obtidos pelos nossos bancos no exterior, isto é, tomando apenas em consideração a actividade doméstica da banca, os lucros de 2005 já não crescem à taxa de 71%, sequer de 29%, mas de 8,6%.
É um número que começa a aproximar-se da realidade que conhecemos. Nenhum banqueiro será insultado por apresentar aumentos destes, digamos «normais», dos seus lucros. Mas há uns quantos que, omitindo deliberadamente as mudanças profundas das regras contabilísticas provocadas pelo IAS, andaram a divulgar resultados obscenos. Não por serem demasiado altos, mas por serem virtuais.
As honrosas excepções devem servir de exemplo e, por isso, é de realçar que o Santander Totta e a CGD foram as únicas das grandes instituições que apresentaram resultados numa base comparável. Todos os outros, para impressionar jornalistas e investidores incautos, exibiram lucros de papel e deram um grandessíssimo tiro no pé.
Por três ordens de razão: lançaram combustível para os fóruns populares onde já são insultados; deixaram a opinião pública mais indisposta para aumentos futuros de taxas e comissões; e terão agora dificuldades em explicar os resultados de 2006.
A populaça trata os banqueiros como salteadores do regime. Os mais informados já tinham razões para confrontar o seu banco «se lucras tanto, porque tenho eu de pagar mais». Depois, há um terceiro grupo de pessoas, que sabe que:
a) as bolsas estão a produzir um efeito-IAS ao contrário;b) o crédito dificilmente continuará expandir-se ao ritmo de 10%;c) o rácio de eficiência tem um impacto cada vez mais reduzido;d) a subida dos juros tende a melhorar as margens financeiras, mas também, com desemprego em alta, provoca mais crédito malparado.
E não ficarão admirados se, pela primeira vez em muitos anos, a maioria dos bancos divulgar resultados que não crescem, nem muito, nem pouco, mas que caem em 2006. Problema deles? Não. Problema nosso.
O nosso modo de vida é um edifício que assenta em dívida. A maioria é financiada no exterior. Da qual 60% é assumida pela banca. Os bancos são, portanto, os intermediários entre o que gastamos e aqueles que nos emprestam.
Se a banca é rentável e isso o deixa irritado, se pensa que a crise do país já é grave, nem queira saber o que sentirá no dia em que, do exterior, desconfiarem da solidez do sistema financeiro nacional."

terça-feira, julho 11, 2006

Frescas e Boas

Se fosse no "Euronews" eu diria: "No coments". Assim, apenas me vem à memória o "deixem passar esta linda brincadeira ... o bailinho da Madeira"!
(Retirado das "Notícias Frescas" - ver rodapé)
Estela Silva/Lusa (arquivo)
João Jardim alega perda de competitividade para justificar dificuldades
"Líder madeirense pediu solidariedade de Lisboa
Teixeira dos Santos desafia João Jardim a explicar défice na Madeira
10.07.2006 - 21h46 Lusa, PÚBLICO

O ministro das Finanças considera que o presidente do governo regional da Madeira deve “dar explicações” pelo défice crescente na região autónoma, que levaram Alberto João Jardim a pedir a solidariedade de Lisboa
"Penso que quem tem de explicar o défice crescente e a perda de competitividade dessa região devem ser os responsáveis pela política e pelos sucessivos governos dessa região, não é o Governo da República", declarou Teixeira dos Santos à entrada de uma reunião dos ministros das Finanças, em Bruxelas.De acordo com a edição de hoje do PÚBLICO, Alberto João Jardim escreveu ao primeiro-ministro, José Sócrates, a “a pedir o apoio da República para a resolução da grave situação financeira que a região atravessa”. Contrariando o tom separatista usado em recentes declarações públicas, o líder madeirense apela à solidariedade nacional, invocando a perda de competitividade da região, confirmada por um estudo recente do Observatório do III Quadro Comunitário."Não comento correspondência privada entre o presidente do governo regional da Madeira e o primeiro-ministro", afirmou o ministro das Finanças quando confrontado com a notícia.No entanto, Teixeira dos Santos acabou por dizer que "em termos de legitimidade, a Madeira não tem mais legitimidade do que outras regiões do país em situações semelhantes" para reclamar um aumento das transferências do Orçamento do Estado."Se se queixam, se acham que têm problemas são eles que têm de dar as explicações. Não é o Governo da República que tem de dar essas explicações", concluiu.O Produto Interno Bruto (PIB) da Região Autónoma da Madeira ultrapassou os 75 por cento da média da União Europeia, deixando de integrar o Objectivo 1 (regiões pobres), o que a impede de aceder a partir de 2007 aos fundos de Bruxelas destinadas a estas zonas."

segunda-feira, julho 10, 2006

Opinião ... de Outros Sítios

E, sobre o impacto deste Mundial futebolês na sociedade, eu estou, ainda, a redigir ("digerir") a minha ...

Mais uma vez, o futebol e a sociedade (em sentido amplo)! Claro, que isto de mexer onde há poder, que é o mesmo que dizer onde há o poder de fazer o dinheiro dar poder, ... para fazer dinheiro ... eh pá, isto nunca mais acaba!!!(?)
Em todo o caso, por agora fico-me por mais uma que, pelo menos parcialmente, também subscrevo, vindo desta autora (recebido de Jornal de Negócios)

Luísa Bessa
Selecção internacional
lbessa@mediafin.pt

"Ninguém duvida que a carreira da selecção neste mundial merece ser celebrada. Num campeonato onde o que verdadeiramente interessa é quem ganha o título - e há algum onde seja diferente? - há sempre lugar a prémios de consolação.
Não foi a selecção de Angola recebida em delírio ao regressar a casa sem ter passado da primeira fase, pois o verdadeiro feito estava em ter conseguido a qualificação e por pouco ter passado aos oitavos de final?
Os portugueses têm legítimas razões para festejar que a sua selecção de futebol seja a quarta melhor do Mundo, mesmo que, visto de fora, tanto entusiasmo pareça estranho no dia seguinte à mais pesada derrota de todo o percurso. É tudo uma questão de objectivos. E também a demonstração de que oscilamos entre um espírito de permanente inferioridade face aos grandes e poderosos do Mundo e um orgulho patriótico, que pode assumir traços delirantes.
Serve a introdução futebolística para celebrar outro acontecimento: a ascensão de António Horta Osório a CEO de um grande banco inglês, que faz parte do grupo Santander Central Hispano. A sua chegada a presidente executivo do Abbey National aos 42 anos, além de coroar uma já brilhante carreira no sector financeiro, que por certo não acabará aqui, representa um significativo reforço da presença nacional em cargos de relevo no estrangeiro.
Desde há décadas que os portugueses têm a imagem de trabalhadores sérios e esforçados mas em funções pouco qualificadas, de que os estereótipos mais conhecidos são as porteiras em Paris e os padeiros no Brasil. É uma imagem que não se muda de um dia para o outro. Mas a verdade é que começa a mudar.
No centro dessa mudança estão as segundas e terceiras gerações de luso-descendentes, onde emergem profissionais com elevados níveis de qualificação, alguns dos quais em posições de destaque nos seus países, e a chegada de portugueses aos mais elevados cargos de instituições e empresas internacionais.
Há 13 anos António Borges foi notícia quando assumiu o cargo de deão do Insead, já então uma das mais prestigiadas escolas de negócios internacionais. Mas enquanto na altura Borges estava praticamente sozinho, agora está bem acompanhado. Como vice-chairman da Goldman Sachs, continua em lugar de destaque na nossa selecção internacional, onde avultam, entre outros, mais dois Antónios (Viana Baptista, na administração da Telefónica, e Horta Osório), cientistas e académicos como António Damásio e Sérgio Rebelo ou artistas como Paula Rego. Se a estes somarmos os políticos, cujos expoentes são Durão Barroso e António Guterres, ou os homens do desporto, com o quase lendário José Mourinho à frente, temos constituída uma verdadeira selecção internacional de luxo.
E o que é que nós ganhamos com isso?, é a pergunta tradicional dos cínicos. Prefiro correr o risco de ser ingénua e considerar que a presença de portugueses em lugares internacionais de topo não é apenas uma boa notícia para os próprios. Além de constituírem uma rede de verdadeiros «embaixadores» a nível mundial, mesmo quando as suas funções os obrigam a actuar de forma supranacional, com eles também se muda a imagem de Portugal."

domingo, julho 09, 2006

Frescas e Boas

"Dividir para reinar..."! Mas onde é que eu já vi disto ...?
Mais esta tirada das "Notícias Frescas" (ver em pé de página), relativamente ao que se está a passar em Timor-Leste. Mas mais há-de vir, com certeza, esperando também que seja para melhor! E se Xanana tiver de pedir a reforma ... que seja! Ou, pelo contrário, se for esse o caso de outros, que o façam!
Então e ... não se ouve nada do meu ex-colega Vicente Guterres? Vá lá, Vicente, eu lembro-me do que falámos por cá, relativmente ao que, na altura, se passava por aí, e a ideia que passei foi a de que ... lembras-te? Diz qualquer coisa, OK? O que é isto que eu estou, agora, a ver?:
"Timor-Leste: Oposição rejeita solução enunciada por PR Xanana Gusmão

Díli, 09 Jul (Lusa) - Os maiores partidos da oposição de Timor- Leste rejeitam a solução enunciada pelo Presidente Xanana Gusmão, a formação de um governo constitucional, defendendo em alternativa a dissolução do Parlamento e a realização de eleições antecipadas.
Fernando Araújo "Lasama", líder do segundo partido mais votado, o Partido Democrático (PD, sete deputados eleitos) disse à agência Lusa que a decisão do Presidente "não corresponde aos anseios do povo, que se manifestou durante mais de uma semana em Díli, a exigir a dissolução do Parlamento e eleições antecipadas".
"O Presidente não foi consequente com as suas palavras, quando disse que não estabeleceria qualquer compromisso com ninguém. Somente com o povo", afirmou.
"O Presidente disse que a direcção [eleita no recente congresso de Maio] da FRETILIN era ilegítima, mas afinal aceitou negociar com ela", acentuou.
O líder do PD garante que a oposição "não estava à espera disto".
"Estávamos à espera de eleições antecipadas. A solução justa era a dissolução do Parlamento e realizar eleições antecipadas, assim não há solução imediata para a crise em Timor-Leste", vincou.
Para Mário Carrascalão, presidente do Partido Social Democrata (PSD), o Presidente Xanana "fez exactamente o contrário do que anunciou que iria fazer"."
EL.
Lusa/Fim

Opinião ... de Outros Sítios

Este Jornal de Negócios vai buscar cada uma!?
Desta vez é com um nosso ex-ministro, aquele do Plano ..., penso que relacionado, também, com o totonegócio ... ? Enfim, neste país há coisas que se nos escapam da memória com uma facilidade?! ... ou então sou eu que já começo a ter brancas, também, nos meus registos mnemónicos! Mas sempre vale bem a pena ouvi-lo, quando nos diz:
"«O plano tecnológico não existe, é um powerpoint»
Augusto Mateus
Augusto Mateus afirma que «o plano tecnológico não existe». O que há «uma aposta genérica e um conjunto de acontecimentos», afirma o ex-ministro da Economia de um Governo PS ao «Semanário Económico».

Jornal de Negócios Online

negocios@mediafin.pt
Augusto Mateus

«O único plano tecnológico que Portugal teve até hoje foi o PEDIP»
Augusto Mateus afirma que «o plano tecnológico não existe». O que há «uma aposta genérica e um conjunto de acontecimentos», afirma o ex-ministro da Economia de um Governo PS, então liderado por António Guterres.
As declarações são extraídas de uma entrevista de Augusto Mateus publicada hoje no «Semanário Económico».
«O plano tecnológico não existe. Não vale a pena. Pela ideia tenho todo o apreço mas o plano tecnológico não existe. É um powepoint. Não estou a desvalorizar o trabalho das pessoas. Não estou a desvalorizar o trabalho de Carlos Zorrinho. Muitas das pessoas que trabalham no Plano tecnológico, a começar por ele, são pessoas que eu prezo e são meus amigos. Nós temos uma aposta genérica e um conjunto de acontecimentos.»
Augusto Mateus defende, aliás, que a aposta a fazer não é tanto em tecnologia mas sim conhecimento e inovação.
«É agarrar em conhecimento para produzir inovação no mercado. Não é tecnologia. Isso foi o que se fez nos primeiros quadros comunitários de apoio, em que as empresas compraram equipamentos», afirma ao «Semanário Económico»."

Opinião ... de Outros Sítios

Óh ... Senhor General! Vá lá, tire mais um cravo à "revolução"!
Para ver se a malta, de uma vez por todas, "abre mais os olhos"! OK? Seria um grande contributo para a cidadania, se desse umas "bicadas" destas, pelo menos de vez em quando!
Eu também já tenho tido processos disciplinares por bem menos do que isso, e que é preciso ter cuidado com algumas "vacas sagradas" da nossa praça pública, lá isso também subscrevo, porque também por aí já tenho "comido no corpo", que é como quem diz, temos de ter cuidado com quem usamos a nossa liberdade de expressão, produto de consumo de, apenas, alguns estratos sócio-económico mais elevados, pois a democracia que temos só se serve em pratos de "boas mesas" ...!
Mais uma tirada, da "última" do JN de Sábado, por
Paulo Martins
(eh pá, há por aí tantos Paulos Martins jornalistas!? Eu, por exemplo, tive um, colega do ISCSP ..., o "Jó-Jó"...)
"Foi uma asneira acabar com a JAE"
Garcia dos Santos General, antigo presidente da JAE
Outubro de 1998. O general Garcia dos Santos, ex-presidente da Junta Autónoma de Estradas, denuncia ao Expresso a existência de corrupção no organismo. "Quase de certeza absoluta que o Governo sabe quem são as pessoas corruptas", afirma, levantando suspeitas de financiamento partidário ilícito. Cai o Carmo e a Trindade. O ministro João Cravinho, que o nomeara para o cargo, chega a chamar-lhe "inconsequente mental". Uma sindicância posterior viria a confirmar ilegalidades. Porém, quem pagou foi Garcia dos Santos. Pagou mesmo - uma multa de 675 euros por se recusar a revelar, perante a comissão parlamentar, nomes de empreiteiros envolvidos em corrupção. O general não voltou a dirigir a palavra a Cravinho. "Reconheço que sou uma pessoa impulsiva. Não sei fingir o que não penso", diz. Do episódio, retém a convicção de que "foi uma tremenda asneira acabar com a JAE", decisão que o antigo governante socialista viria a tomar, por se perder património um valioso histórico e técnico. "Não duvido da honestidade e da competência do engenheiro Cravinho. Mas ele não teve coragem para levar em frente o que queria".Garcia dos Santos, que aos 71 anos continua a trabalhar como engenheiro civil, é co-gerente de uma empresa de geotecnia e topografia. Militar de Abril - "dos mais velhos entre os conspiradores", porque em 74 já era tenente-coronel - foi o responsável pelas transmissões, componente decisiva para o êxito do golpe. Secretário de Estado das Obras Públicas nos 2º, 3º e 4º governos provisórios, liderados por Vasco Gonçalves, voltaria ao cargo no 6º. A "diabólica" actividade - "não éramos ajudantes de ministros", ironiza, aludindo ao "estatuto" que Cavaco conferiu aos secretários de Estado - afastou-o do fervilhar político do PREC. Ainda assim, subscreveu o "Documento dos 9" e participou no 25 de Novembro.O conflito com Cravinho não foi o primeiro que travou com políticos. Em 1982, o primeiro-ministro, Mário Soares, recusou ratificar o seu nome como chefe de Estado-Maior do Exército, proposto por Eanes, com quem tinha contas a ajustar desde a exoneração do Governo PS-CDS. "Senti-me uma bola de pingue-pongue", recorda o general, que fora chefe da Casa Militar do presidente. O braço-de-ferro arrastou-se até Novembro de 1983. Por insistência sua - e para evitar uma crise política - Eanes acabou por demiti-lo.Garcia dos Santos é que não esqueceu. Mais tarde, deixou Soares de mão estendida na sessão de cumprimentos de uma cerimónia em Belém. Chegou a discutir-se se deveria ser preso, por desrespeitar o chefe de Estado.Nada que o preocupasse "Quem mas faz, paga-mas".
Paulo Martins

sábado, julho 08, 2006

Frescas e Boas

Mais um Jornal que, qualquer dia, tem jornalistas em Guantanamo (!?...)
Achei interessante este reparo do jornalista do Washington Times. Mas o rapaz não frequentou, com certeza, as aulas de Ciência Política com A. Moreira ou, entre ainda outros, António M. Bessa, J. A. Maltez, etc.. É que nesta Escola aprende-se a olhar para a realidade política precisamente de forma a não nos admirarmos com as constatações a que alude: haver países que, com crescimento económico superiores ao da Rússia sem ter assento naquele grupo, não me parece merecer reparo, conquanto os critérios que presidem à filiação se pautem, inequivocamente, nas linhas da arquitectura geo-política, muito mais que os programas estruturais das respectivas economias ou, mesmo, os seus regimes políticos. Mas que a lógica da composição deste super organismo merece ser revista, dado a realidade de hoje ser, de facto, muito diferente da de há 30 anos, lá isso também pode! Agora ... quem será que vai tomar essa decisão? A resposta não nos parece difícil.
Em todo o caso, apanhei esta da Associated Press:
Jul 8, 5:49 PM EDT
No G-8 Seat for China, Other Big Economies
By TOM RAUM
Associated Press Writer
WASHINGTON (AP) -- The G-8 summit that President Bush and seven other world leaders are attending next weekend in Russia is often billed as a gathering of the world's leading economic powers. It is not. Consider: China, now the world's fourth-largest economy and the nation with the most influence over renegade North Korea, is not a member.
Neither is India, the world's largest democracy and one of its fastest-growing economies. Nor is South Korea, Brazil, Mexico or Spain, each with a larger economy than G-8 member Russia's. In fact, Spain recently inched past member Canada as the world's No. 8 economy, according to a World Bank tabulation.
Often officials from developing nations are invited as observers to the summit but have no formal roles. Among those invited to this year's gathering is Chinese President Hu Jintao.
Critics view the annual economic summit as a Cold War relic that needs to be reconstituted. It was formed in the 1970s, but economic dynamics are far different three decades later. The astonishing growth of some Asian nations and parts of Latin America have altered the math.
Yet expanding or changing the membership is not on this year's agenda, nor is it likely to be on next year's. Few officials from member nations seem eager to talk about the subject.
White House aides insist the president is more focused on substantive issues.
Igor Shuvalov, Russian President Vladimir Putin's top summit adviser, acknowledges that Russia lags behind the other seven members in terms of current economic output. But stay tuned, he says.
"We believe the importance of Russia in our global world will change. We have very talented people and well-educated labor. We have oil and gas," said Shuvalov in a telephone interview with U.S. reporters. "We will develop very quickly as one of the major G-8 countries."
Even now, Russia is economically "stronger than some G-8 members," Shuvalov asserted without offering backup data. "I don't want to name those countries," he said.
What is now known as the G-8 was formed in 1975 as the Group of Major Industrialized Democracies. At the time, it consisted of the United States, Japan, Britain, France and Germany - undisputedly the world's five biggest economic powers at the time. Italy was added in 1976, Canada in 1977 and Russia in 1998.
The group holds annual summits. Economic themes are supposed to prevail, but often are overshadowed by events of the day and global politics.
Last year's summit in Scotland was jolted by multiple terrorist bomb blasts on London's transit system. This year's session probably will dwell on North Korea's recent barrage of missile tests and the nuclear aspirations it shares with Iran.
Robert Hormats, vice chairman of Goldman Sachs International and an expert on economic summitry, advocates expanding the G-8 to include other modern economic powers, especially China.
"When this group was formed in the 1970s, the members were the main influences on the globe. Now you've got a lot of other countries that have a lot more influence than they did 30 years ago and who are not in the process," said Hormats, who helped Presidents Carter, Ford and Reagan prepare for economic summits.
China's membership could help the G-8 this year deal with North Korea, Hormats said. He noted that last year, the summit partners called on the Organization of Petroleum Exporting Countries to produce more oil, yet neither Saudi Arabia nor any other OPEC member are participants.
This year's summit is in Putin's hometown, St. Petersburg. It is Russia's first time to hold the rotating G-8 presidency, a controversy itself given Putin's moves to restrict political and economic freedoms.
Sen. John McCain, R-Ariz., Rep. Tom Lantos, D-Calif., and former Secretary of State Madeleine Albright have said Russia should be excluded. A London-based think tank, the Foreign Policy Center, issued a report saying Putin's record makes a mockery of G-8's commitment to free markets and open societies.
But others want Russia to stay and for other nations to join, including nondemocracies that are big economies.
Johannes Linn and Colin Bradford, both former World Bank officials now with the Brookings Institution, have proposed expanding the group to 19 to 20 members.
They would add Australia, Argentina, Brazil, China, India, Indonesia, Korea, Mexico, Saudi Arabia, South Africa and Turkey. They also would add the country of the rotating presidency of the European Union if it was not already a member.
"The problem in a sense for the G-8 is that it has set itself up as a quasi-steering group for the world, but it cannot effectively and cannot legitimately deal with many of the key issues," Linn said.
And it will only get worse. "Five years from now, I cannot possibly see how a G-8 would still be relevant," he said.
Gee whiz.
But will the G-8 transform itself anytime soon? "Probably not," he said.


Graphic shows the worlds 15 wealthiest countries. (AP Graphic)

sexta-feira, julho 07, 2006

Frescas e Boas

E porque também sou Professor ...
Fui a este novo espaço de consultas noticiosas ("Notícias Frescas") que esta blogosfera produz (e que podem ver no 'rodapé' deste blogue) e dei com mais esta, referente à susceptibilidade diferencial dos cidadãos de uma polis educacionalmente muito conturbada:
"Opinião do Sindicato dos Jornalistas
Reportagem da RTP1 "Quando a violência vai à escola" respeita código deontólogico
07.07.2006 - 17h36 PUBLICO.PT

O Conselho Deontológico (CD) do Sindicato dos Jornalistas considera que a reportagem da RTP intitulada "Quando a violência vai à escola" não pode ser acusada de má-fé, de instrumentalização de menores, de violação dos preceitos deontológicos e de motivações ou induções de natureza xenófoba e racista.
Um parecer emitido hoje, em resposta a uma queixa apresentada pela Direcção Regional de Educação de Lisboa (DREL), considera ainda que a referida reportagem, "de manifesto interesse público", constitui "um documento oportuno sobre uma situação social perigosa que atinge numerosas escolas", pelo que classifica de "louvável" o trabalho do serviço público de televisão.A reportagem foi emitida na RTP1 em 30 de Maio e no dia 2 de Junho a DREL solicitou o parecer do Conselho Deontológico do sindicato, por considerar que enfermava de "desvios deontológicos, designadamente pela divulgação de imagens captadas por câmara oculta numa escola pública do ensino secundário".Os procedimentos adoptados pelos jornalistas eram acusados de "eventualmente desrespeitar a privacidade dos alunos protagonistas de actos de violência e indisciplina, além de manifestarem tratamento discriminatório em desfavor daqueles jovens, incorrendo no risco de incitamento ao ódio, ao racismo e à xenofobia", lê-se no comunicado.O CD considera no entanto que a produção da reportagem "rodeou-se dos cuidados necessários" para recolher o material-testemunho, "recorrendo à autorização do Conselho Directivo da escola e ao consentimento de professores e outros funcionários".Este cuidado"fica patente na ocultação das fisionomias dos intervenientes, no desfocado das imagens filmadas e até na recusa de identificar a escola em questão". Além disso, o CD concorda com a explicação fornecida pelos responsáveis editoriais: eles sentiam-se no dever de tornar pública a situação, mas não lhes competia denunciar os delinquentes."
Mas já há dias que tinha recebido, ainda sobre esta realidade mui susceptible, este mail do Portal da FERSAP:
"Diogo P. Aurélio escreveu: "Existe um certo pudor em pronunciar a palavra autoridade, mas ela vem irresistivelmente à memória de cada vez que se fala na situação actual das escolas. Existe um certo pudor em pronunciar a palavra autoridade, mas ela vem irresistivelmente à memória de cada vez que se fala na situação actual das escolas. Perante os exemplos de barbárie que toda gente já deve ter ouvido contar aos professores, ou a forma desabrida como as salas de aula são tomadas de assalto por pequenos delinquentes e que as televisões, ainda há bem pouco tempo, voltaram a mostrar, não há ninguém de bom senso que não reclame uma lei, uma inspecção, uma esquadra ou um ministério que ponha cobro a isto. No entanto, apesar desse consenso mais ou menos tácito, a questão da disciplina nas escolas continua a ser uma espécie de dama que toda a gente corteja mas em que ninguém toca, a não ser, eventualmente, com a costumeira flor de estilo.A autoridade tem má fama. Vulgarmente confundida com o poder autocrático, só por um acaso improvável ela permaneceria intacta em sociedades onde qualquer ordem é suspeita, enquanto não for previamente negociada e aceite por todos e cada um. A cultura em que estamos mergulhados e o que se aprende, inclusive, nas escolas já não reconhecem a autoridade como um valor. Levada ao limite das interpretações corriqueiras, a pulsão democrática ocasionaria mesmo o seu contrário, isto é, o não reconhecimento de nenhuma obrigação, a menos que haja força para a impor. Ruiu, por isso, a autoridade dos mais velhos, ruiu a autoridade da família. Imaginar que a escola poderá permanecer um oásis, no meio dessa devastação geral que assola o exercício da autoridade, é puro devaneio.Acontece que a escola não funciona sem uma réstia, mínima que seja, de autoridade. O mestre precisa de possuir a autoridade que vem do saber, da experiência e da maturidade, razão pela qual convém que ele seja regularmente avaliado. Mas, só por si, isso não basta, se a lei e os costumes não lhe oferecerem os meios para fazer vingar tal autoridade, sempre que ela seja posta em causa. Não se pode exigir uma escola tranquila e rejeitar os seus custos.De pouco adianta, a este propósito, aplaudir a coragem de alguns professores, que conseguem desenvencilhar-se, por mais hostil que o meio se apresente. É até perverso julgar que o problema se resolve com actos isolados de heroísmo, poupando os alunos e as suas famílias à evidência de que a escola, para ensinar o que quer que seja, tem de ter autoridade e dar-se ao respeito.
Diogo Pires Aurélio Professor universitárioDN 27.06.06"
No PUBLICO podemos consultar, na íntegra, o Parecer do Sindicato dos Jornalistas

Opinião ... de Outros Sítios

Fiquei a perceber, ainda mais conscientemente, o que significa terrorismo!
Dado que, ao receber um post do nosso companheiro "O Jumento",
"QUAL A DEFINIÇÃO DE TERRORISMO?
[+]
Nestes tempos conturbados em que tanto se fala de terrorismo umas das maiores dúvidas que tenho é precisamente saber o que é terrorismo, e por aquilo que se lê parece que ser terrorista é não usar uma farda de um exército. Se uma bomba rebenta depois de ter sido colocada ou transportada por alguém que traja à civil estamos perante um caso de terrorismo, mas se um obus foi disparado por um exército caindo no mesmo local e fazendo o mesmo número de vítima, é um dano colateral ou, na melhor das hipóteses, um erro que vai ser investigado.
Para mim terrorismo é toda a forma de fazer uma guerra ou combater um exército inimigo recorrendo a técnicas que visam criar terror e vítimas entre civis, para dessa forma obter vantagens militares.
É evidente que quem matou ou feriu a criança que se vê na imagem vai ser cínico ao ponto de nem falar de erro ou dano colateral, vai dizer que a criança foi mandada por terroristas, muito provavelmente o pai, para ser usada pela comunicação social. Eu não sei o que chamar a isto, mas se fosse meu filho é muito provável que também eu viesse a ser um terrorista."

me cumpre participar no debate sobre o tema com a remissão para um dos livros do noso "Politilendo", em que o meu ex-mestre na Ciência Política Prof. Doutor Adriano J A Moreira é co-autor e coordenador:
"(...) Tem interesse averiguar porque é que uma sociedade internacional submetida durante meio século a um equilíbrio pelo terror, anunciado pelas armas estratégicas à disposição dos Pactos Militares, foi abalada ao ponto de geralmente se entender que se iniciou uma nova época em 11 de Setembro de 2001, a partir de uma agressáo que horrorizou o povo americano e o mundo ocidental, mas que não tem a dimensão de Hiroshima ou Nagasaki.
(...) Aquilo que parece resultar da análise não é a diferença de efeitos procurados, é sim apenas a diferença de titulares da acção, e de diferentes objectivos, mas sempre a submissão ao temor.(...)"
[1]

[1] MOREIRA, A J Alves (Coordenador), et al., Terrorismo, Almedina, Coimbra, 2004, pág. 124.

Fiat Lux (Do Observatório Social)

Ainda a propósito de "Simplex"ficações, cá vai mais um indicador de um dos nossos três D's (o do desenvolvimento !???!):
(Retirado do PUBLICO.PT)
"Tecnologia
Portugal em 14º lugar nas oportunidades digitais entre os Quinze da UE antes do alargamento
06.07.2006 - 21h42 Lusa

Portugal está 14º lugar entre os Quinze da União Europeia (UE) anteriores ao alargamento, apenas à frente da Grécia no índice de oportunidades digitais, que pretende medir a facilidade de acesso dos cidadãos às tecnologias de informação e comunicações (TIC), tanto em disponibilidade como em preço. E fica em 25º lugar entre 40 países europeus (média de 0,55).
O índice, desenvolvido pela União Internacional de Telecomunicações (UIT), uma agência das Nações Unidas, varia entre 0 e 1, significando o nível zero que não há nenhum acesso à sociedade de informação e o 1 que as TIC são totalmente acessíveis aos cidadãos.Entre os 180 países do índice, fica em 41º lugar. O índice para Portugal é de 0,52, o que coloca o país com um razoável acesso às tecnologias da informação e comunicações.À frente de Portugal ficam também países do alargamento da UE, como a Estónia, Eslovénia, Malta, Lituânia, Hungria, Chipre, Eslováquia e Polónia (esta com um índice semelhante ao português), o que coloca Portugal em 22º lugar na UE.O índice tem um valor médio de 0,37 a nível mundial, ocupando os primeiros lugares a Coreia do Sul (0,79), Japão e Dinamarca (0,71) e Islândia, Suécia e Hong Kong (0,69). O índice para os Estados Unidos é de 0,62, o que lhe confere o 21º lugar no ranking mundial.O ranking europeu tem quatro países nórdicos entre os cinco primeiros: Dinamarca (0,71), Islândia e Suécia (0,69) e Reino Unido e Noruega (0,67).A Guiné-Bissau surge com o quarto pior lugar, com um índice 0,04. Entre os países de língua portuguesa, o segundo pior é Moçambique, no 169º lugar (índice 0,09), imediatamente abaixo de Timor-Leste (0,10), enquanto o Brasil ocupa o 71º lugar (índice 0,42), Cabo Verde 107º (0,33) e Angola 135ª posição (0,21)."

quinta-feira, julho 06, 2006

Fiat Lux (Do Observatório Social)

A fachadocracia do fado português cantado pelo estado a que chegámos!
Há quem lhe chame 'marketing político', mas eu pefiro a designação folquelórica de fachadocracia, nesta sociedade definida no calão futebolês dos lusos poderes erráticos de um regime senhorial cujos domínios se espraiam, como na medieva outrora, pelos feudos sucessores de um Império que não conseguiu suster a barbárie caciqueira!
Viva o sultanato da Madeira!? Viva!
Viva o protectorado do Algarve!? Viva!
Viva o condado do binho fino!? Viva!
Viva o a república islâmica do deserto interior!? Viva!
Viva o movimento de libertação socialista?! Viva!
Viva a liga gay internacionalista?! Viva!
Viva a república dos mouros?! Viva!
Viva a bimbalhada!? Viva!
Viva tudo o que é "pimba"!? Com certeza, é uma casa portuguesa! Não é?!!!
E tudo isto pelo complemento que "O Jumento" trouxe às minhas cogitadelas! Ora ...! Hã, falam, falam, falam ... e ... deixo-vos com mais um "coice":
"2006-07-06
AFINAL NÃO ERA SIMPLEX
Na primeira avaliação da execução do SIMPLEX o governo reconhece que um quarto das medidas está atrasado. Se considerarmos que uma boa parte delas são simbólicas, que algumas já estavam a ser desenvolvidas ainda antes de Sócrates imaginar que conseguiria chegar a secretário-geral do PS, e que outras tantas constavam nos planos de actividade dos serviços que Sócrates decidiu converter em programa pós eleitoral, podemos concluir que é muito atraso. Mesmo que sejamos optimistas e sigamos a sugestão de Vital Moreira e consideremos que o governo alcançou três quartos dos seus objectivos não deixa de ser significativo.E resta saber quais os custos do SIMPLEX pois com recursos escassos a subserviência de muitos dirigentes leva-os a fazerem de tudo para conseguira simpatia do poder, levando-os a desviar recursos para os projectos do SIMPLEX, porque mais importante do que modernizar os serviços é conquistar o coração do primeiro-ministro. Pouco importa a qualidade do que se faz (como sucedeu com a desastrosa cobrança do imposto municipal sobre os veículos), o que interessa é agradar e para isso a solução mais prática é recorrer às consultoras externas e pagar-lhes o trabalho a peso de ouro.O Estado português é um prédio velho e que solução encontrou Sócrates para o modernizar? Reduzir os residentes com a mobilidades, limpar e pintar a fachada com o SIMPLEX e alterar o interior derrubando umas paredes. E quem lá mora passou a viver com o receio de que lhe caia uma parede ou mesmo o tecto em cima.Reformar o Estado não é simples e muito menos SIMPLEX."

Opinião ... de Outros sítios

Volto a sentir a necessidade de nos acharmos orgulhosamente sós, com a vergonha hipócrita dos meandros da nomenclatura futeboleira internacional e os maus ventos de Espanha, e gritar: PORTUGAL!
Como este Jornal de Negócios tem gente que ... escreve!

Sérgio Figueiredo

sf@mediafin.pt
"O perplexo Mibel

O Mibel é complexo, o Mibel é um mistério, o Mibel é uma construção política, o Mibel é um projecto sucessivas vezes adiado, o Mibel é a sigla que significa Mercado Ibérico de Electricidade.
O Mibel é tudo isto, mas ainda lhe faltam duas coisas: ser um mercado e ser ibérico. Ou seja, o essencial. Não tem, portanto, significado algum.
O Mibel é assunto de especialistas, mas a razão da sua existência sempre foi fácil de compreender: abolir a fronteira energética entre Portugal e Espanha era o primeiro passo para destruir o monopólio português e o oligopólio espanhol.
Criando, em alternativa, um sistema de mercado efectivo, em que fornecedores e compradores de electricidade se encontravam no local mais transparente possíveis – uma bolsa de transacções. Aliás, duas: a OMIP, em Portugal, para o mercado a prazo; a OMEL, em Espanha, para as transacções diárias.
Portanto, mesmo para o mais ignorante dos leigos, não havia dúvidas de que os preços da electricidade iriam baixar para as famílias e industriais portugueses, porque a uniformização tenderia a normalizar os níveis das tarifas, incomparavelmente mais altas, em qualquer tipo de consumidor no nosso caso.
Várias declarações ministeriais podem, aliás, ser recuperadas, das várias cimeiras luso-espanholas que assinalaram o arranque do Mibel, os vários arranques que o Mibel teve, que colocavam esse desiderato de forma peremptória e inequívoca.
Pois bem, esta semana o pólo português do Mibel finalmente arrancou. Por cá, sem pompa e circunstância. Arrancou, com uma média de duas transacções diárias, mas não é nesse pífio arranque que reside o maior dos dilemas. O Mibel nasceu fraco, mas honrado. O problema é que alguém se esqueceu de avisar os espanhóis que o mercado ibérico.
Na sexta-feira, e na sequência de uma enxurrada legislativa autónoma, ditada exclusivamente por preocupações e objectivos de natureza interna, o Governo espanhol decidiu comemorar o nascimento da bolsa portuguesa de electricidade à sua maneira. E anunciou a fixação de limites aos preços dos contratos que lá são negociados. O «lá» é, bem entendido, «cá».
Na verdade, num mercado que se chama ibérico, não deveria haver «lá» nem «cá». E é um facto que, em Madrid, já ninguém faz essa distinção, porque tudo é definido lá. A Espanha tem os seus problemas e está a resolvê-los da forma que entende.
E, pela reacção do regulador nacional, está a fazê-lo ignorando olimpicamente os pacóvios que, do lado de cá, continuam a acreditar que o Mibel existe. Jorge Vasconcelos, o presidente da ERSE, revelava ao jornal «Público» a sua «maior perplexidade» pela atitude unilateral do Governo espanhol.
A declaração é obviamente diplomática. O eng. Vasconcelos será o último a ser surpreendido pelo comportamento, que não é possível adjectivar por uma questão de pudor, de «nuestros hermanos». O regulador português podia não estar prevenido para um tão flagrante descaramento. Mas a atitude não é nova.
A ERSE esteve entre os que anunciaram a morte do Mibel, em Fevereiro deste ano, quando Zapatero publicou em decreto real a mais descarada intervenção administrativa nos preços da electricidade que se transaccionava na bolsa espanhola.
Cada um tem os governos que merece e os espanhóis é que devem avaliar o seu. Da parte que nos toca, continuaremos a exigir do nosso aquilo que lhe compete fazer: uma explicação convincente. Ou muitas. Ou nenhuma, para o caso de não a ter. E, sendo esse o caso, provar que as soberanias ainda servem para alguma coisa: desejar aos espanhóis o maior dos sucessos na resolução da sua agenda, decretar o fim de uma fantasia e tratar do nosso mercado a sério. Enquanto 90% da produção nacional estiver no regime regulado, nem a brincar se deve falar de mercado."

quarta-feira, julho 05, 2006

Opinião ... de Outros Sítios

Simplex, complex, bem-me-quer, mal-me-quer, PS, PSD, PS, PSD, PS ... vira-o-disco e toca o mesmo ...!
Uma das cadeiras nucleares do curso superior ( a Ciência da Administração, da licenciatura em Gestão e Administração Pública) que me deu, formalmente, "licença para estudar sozinho", teve dois docentes: um, o Dr. Dá Mesquita Gonçalves, para a parte teórica geral; outro, a Drª Isabel Côrte-Real, para a parte prática, ligada à história e a uma possível pré-teorização da história da Administração Pública Portuguesa.
Nas aulas desta notável senhora e, pedagogicamente, desta exemplar docente universitária (que, como sabemos, nos anos finais da década de 80, era a Secretária de Estado Para a Modernização Administrativa, nos píncaros do cavaquismo) aprendemos, teoricamente, a filosofia então "reinante" naquela 'casa' ministerial: pelo menos no plano teórico, a modernização administrativa passaria, inequívoca e inevitavelmente, pela adopção de modelos de administração que, em síntese, se aproximariam, em muitos aspectos, aos das melhores empresas do sector privado, quer por questões de eficiência, quer nas respectivas políticas de gestão dos seus recursos humanos. Já na altura todos nós estudantes observávamos, com o decorrer dos tempos, que as intenções ministeriais não passavam disso mesmo, vá-se lá saber porquê, mas um dos princípios administrativos que também tínhamos aprendido com Dá Mesquita não deixava muito espaço para grandes perplexidades: o de que não há organização, no tempo ou no espaço, que não se socorra de procedimentos burocráticos, sempre que se pretende administrar com racionalidade(isto é, com eficiência mas, sobretudo, com a pertinência dos meios disponíveis relativamente aos fins pretendidos), com previsibilidade, isenção, competência, meritocracia, legitimidade, enfim, com muitas das características que têm de possuir os organismos de natureza e vocacionados para a prossecução de fins públicos. Disso, o Aparelho de Poder (na sua perspectiva estritamente técnico-administrativa) nunca se poderá livrar, sob pena de subvertermos a própria lógica da existência dos serviços públicos, que, como muitos de nós sabemos, tem a ver com os própios fins do Estado (a não ser que se queira transformar a natureza deste mesmo ...?).
Agora, vejamos mais uma das tiradas na "última" do JN do MA Pina, e que tem a ver com esta pequena historieta (como é um pouco do meu hábito) que acabei de vos contar:
"Um "Simplex"muito "complex"
Antes de mais, o óbvio o programa "Simplex" de simplificação administrativa e legislativa pode, de facto, operar uma verdadeira revolução nas relações entre Estado e cidadãos. Agora o menos óbvio, a resposta às questões com que abre o "site" oficial do "Simplex": "Será possível modernizar a Administração Pública? Facilitar a vida às pessoas? Dar às empresas a rapidez de que precisam?" O primeiro balanço da execução do programa mostra que possível é, mas não vai ser fácil. O principal problema de qualquer programa de desburocratização administrativa é que a desburocratização é entregue a burocratas. Talvez por isso, das 81 medidas previstas para os três primeiros meses, 25 ficaram já para trás, por motivos que vão da falta de formulários até ao facto de a "descomplicação" se ter revelado "complicada" de mais. E ainda há 251 outras medidas em lista de espera. Há uns anos, num dos governos de Cavaco Silva, uma crónica minha ganhou um "Prémio Desburocratização" da então Secretaria de Estado da Modernização Administrativa. Chegada a altura de o receber, a secretária de Estado estava desolada. Teria que me entregar um envelope vazio: por razões burocráticas não tinha conseguido (nem ela!) que o cheque fosse passado a tempo."

terça-feira, julho 04, 2006

Cogitadelas 17

E como esta lembrança me leva a outras cogitadelas,

“Que, na sua essência, tratam dos breves desabafos de quem, angustiado pelo isolamento nesta província bela, contemplativa e burgo-condalense, sente saudade do cosmopolitismo que o Tejo traz e leva, com cheiro a rio e maresia, onde a mente tenta sempre ser o que aqui ainda não foi e, por isso, quando for já não é!
Dia de matrícula do meu mais velho dos dois mais novos, que é dizer do meu terceiro filho, na Escola onde lecciono. A preencher as datas do registo, verifico que a minha memória me ‘pisca’ o lembrete cerebral que os humanos que vivem como pensam trazem, constantemente, on-line, e … hã!?, hoje é … hã, o dia dos EUA, não é, o famoso dia de fogo de artifício na América, o tal da Declaração de Independência?!

E depois, que mais é que isto tem de especial? Nada, a não ser que estes espaços blogueiros, nesta blogosfera das construções discursivas mais democráticas que a história da humanidade conheceu, têm destas coisas singulares de permitirem aos cidadãos funcionarem, socialmente, como enciclopédias abertas à constante afirmação e confirmação do conhecimento que passeamos nesta “romaria” de intercâmbios intelectuais, genuinamente elaborados a partir da vontade com que cada um de nós entende, mais ou menos subjectivamente, construir o seu modelo de comunicação, isto é, exprimir uma personalidade! Assim, ao abrir de um clique, como quem quer dizer, num dado momento, aquilo que entende que, nesse momento, precisa ser dito, sem censura ou condição prévia, tão natural como a nossa sede de afirmação pessoal e social! Não há nada tão genuinamente prometedor para a construção de uma nova maneira de viver a cidadania do que esta blogosfera do ciber-conhecimento! Tenho cogitado! Disse.

Hoje ... de Outros Tempos

4 de Julho [1]

- de 1336. A Rainha Isabel de Aragão, viúva de D. Dinis, morre em Estremoz, sendo o seu corpo transladado para o Convento de Santa Clara de Coimbra. Será canonizada em 25 de Maio de 1625 no pontificado de Urbano VIII

- de 1776. A Declaração de Independência dos Estados Unidos da América é aprovada pelo Congresso Continental. A data tornou-se o Dia Nacional dos Estados Unidos.

Declaração de Independência dos Estados Unidos da América
DECLARAÇÃO DE INDEPENDÊNCIA
Determinação do Segundo Congresso Continental, 4 de Julho de 1776

Declaração unânime dos treze Estados Unidos da América

Quando, no decurso da História do Homem,


se torna necessário a um povo quebrar os elos políticos que o ligavam a um outro e assumir, de entre os poderes terrenos, um estatuto de diferenciação e igualdade ao qual as Leis da Natureza e do Deus da Natureza lhe conferem direito, o respeito que é devido perante as opiniões da Humanidade exige que esse povo declare as razões que o impelem à separação.
Consideramos estas verdades por si mesmo evidentes, que todos os homens são criados iguais, sendo-lhes conferidos pelo seu Criador certos Direitos inalienáveis, entre os quais se contam a Vida, a Liberdade e a busca da Felicidade. Que para garantir estes Direitos, são instituídos Governos entre os Homens, derivando os seus justos poderes do consentimento dos governados. Que sempre que qualquer Forma de Governo se torne destruidora de tais propósitos, o Povo tem Direito a alterá-la ou aboli-la, bem como a instituir um novo Governo, assentando os seus fundamentos nesses princípios e organizando os seus poderes do modo que lhe pareça mais adequado à promoção da sua Segurança e Felicidade. É verdade que a sensatez aconselha que não se substituam Governos há muito estabelecidos por razões levianas e momentâneas; e de facto a experiência mostra-nos que, enquanto lhe for possível suportar as contrariedades, a Humanidade está mais disposta a sofrer do que a reparar os erros abolindo as formas a que se habituaram. Mas quando um extenso rol de abusos e usurpações, invariavelmente com um mesmo Objectivo, evidencia a intenção de o enfraquecer sob um Despotismo absoluto, é seu direito, é seu dever, destituir tal Governo e nomear novos Guardas para a sua segurança futura. Tal tem sido o paciente sofrimento destas Colónias; e tal é agora a necessidade que as obriga a alterar os seus anteriores Sistemas de Governo. A história do actual Rei da Grã-Bretanha é uma história de sucessivas injúrias e usurpações, todas com o Objectivo último de estabelecer um regime absoluto de Tirania sobre estes Estados. Para provar tudo isto, que se apresentem os factos perante o Mundo honesto.
Ele recusou a Aprovação de Leis, as mais favoráveis e necessárias ao bem comum.
Proibiu os seus Governadores de aprovar Leis de importância imediata e premente, suspendendo a sua aplicação até que estas obtivessem a sua aprovação; e ao suspendê-las deste modo, negligenciou claramente a atenção que lhes era devida.
Recusou aprovar outras Leis para a fixação de grandes áreas populacionais, excepto no caso dessas pessoas prescindirem do direito de Representação nos Corpos Legislativos, um direito inestimável para elas e terrível apenas para os Tiranos.
Convocou os Corpos Legislativos para lugares invulgares, desconfortáveis e distantes do arquivo dos Registos públicos, com o intento único de, vencidos pelo cansaço, os induzir a aceitar as suas disposições.
Dissolveu repetidamente as Câmaras dos Representantes por estas se oporem com grande determinação às suas investidas sobre os direitos do povo.
Após tais dissoluções, recusou durante muito tempo a eleição de novas Câmaras; por essa razão, os Poderes Legislativos, insusceptíveis de extinção, regressaram ao Povo para que este os exercesse; entretanto, o Estado permanecia vulnerável a todos os perigos de invasão exterior, bem como de convulsões internas.
Fez o possível para impedir o povoamento destes Estados; com essa finalidade, embargou as Leis de Naturalização de Estrangeiros; recusou aprovar outras leis que estimulassem a migração para o nosso território e agravou as condições para novas Apropriações de Terras.
Obstruiu a Aplicação da Justiça, recusando a Aprovação de Leis que estabelecessem Poderes Judiciais.
Fez depender os Juízes apenas e só da sua Vontade para o exercício dos seus cargos públicos, assim como para o valor e pagamento dos seus salários.
Instituiu uma multiplicidade de Novos Cargos Públicos, tendo enviado um batalhão de Funcionários para atormentar o nosso povo e sorver a sua substância.
Manteve no nosso seio, em tempo de paz, Exércitos Permanentes, sem o Consentimento dos nossos Corpos Legislativos.
Tornou a Força Militar independente e superior ao Poder Civil.
Aliou-se a terceiros para nos submeter a uma jurisdição que não se enquadra na nossa Constituição e que não é reconhecida pelas nossas Leis, tendo dado a sua Aprovação às supostas Leis daí resultantes, as quais:
Autorizam o aquartelamento grandes corporações de forças armadas entre nós;
As eximem, por meio de simulacros de julgamentos, do castigo por quaisquer Assassínios que venham a cometer sobre os Habitantes destes Estados;
Asfixiam as nossas Relações Comerciais com todas as partes do mundo;
Impõem-nos Impostos sem o nosso Consentimento;
Privam-nos, em muitos casos, das vantagens de um Julgamento com Jurados;
Permitem que nos levem para além-mar, onde somos julgados por supostos delitos;
Abolem o livre Sistema das Leis Inglesas numa Província vizinha, estabelecendo ali um Governo Arbitrário, e alargando as suas fronteiras, por forma a utilizá-la prontamente como um exemplo e um óptimo instrumento para a introdução das mesmas regras despóticas nestas Colónias;
Anulam as nossas concessões de privilégios, abolindo as nossas Leis mais valiosas e alterando profundamente a Forma dos nossos Governos;
Suspendem os nossos próprios Corpos Legislativos, permitindo que outros se declararem investidos com o poder de legislar em nosso nome, em toda e qualquer circunstância.
Ele abdicou do Governo neste território, tendo-nos declarado fora da sua Protecção e fazendo Guerra contra nós.
Saqueou os nossos mares, pilhou as nossas Costas, queimou as nossas cidades e destruiu as vidas do nosso povo.
Encontra-se neste momento a transportar grandes Exércitos de Mercenários estrangeiros para completar a obra de morte, desolação e tirania já anteriormente iniciada, com requintes de Crueldade e Perfídia sem paralelo mesmo nas Eras mais bárbaras, sendo absolutamente indigno de exercer o cargo de Chefe de uma nação civilizada.
Obrigou os nossos Concidadãos que foram levados como Prisioneiros para alto mar a pegar em Armas contra o seu País, a tornarem-se os carrascos dos seus amigos e irmãos, ou a sucumbirem eles próprios nas suas mãos.
Instigou insurreições internas entre nós, tendo procurado provocar os habitantes das nossas fronteiras, os impiedosos Selvagens Índios, cujo conhecido permanente estado de guerra, representa a destruição indiscriminada das pessoas de quaisquer idades, sexo e condições.
Enquanto suportávamos tais Opressões, nos mais humildes termos lançámos Apelos para que reconsiderasse. Aos nossos sucessivos Apelos respondeu apenas com injúrias acrescidas. Um Soberano cujo carácter fica assim marcado pelo modo de acção que define um Tirano, não serve como governante de um povo livre.
Não deixámos de dar a devida atenção aos nossos irmãos britânicos. De tempos a tempos, avisámo-los das tentativas por parte dos seus corpos legislativos para estender uma jurisdição injustificável sobre nós. Lembrámo-lhes as circunstâncias da nossa emigração e colonização deste território. Apelámos à sua justiça e magnanimidade inerentes, rogando-lhes que, face à origem comum que nos une, negassem estas usurpações, pois estas haveriam inevitavelmente de conduzir à extinção das nossas relações e ligação. Não deram igualmente ouvidos à voz da justiça e da consanguinidade. Temos pois que reconhecer a necessidade da nossa separação, pelo que os consideraremos, tal como o resto da Humidade, Inimigos na Guerra, Amigos na Paz.
Assim sendo, nós, Representantes dos ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA, reunidos em Congresso Geral, suplicando ao Juiz Supremo do mundo pela rectidão das nossas intenções, em nome e com a autoridade que o nobre Povo destas Colónias nos conferiu, anunciamos e declaramos solenemente que estas Colónias Unidas são e devem ser por direito ESTADOS LIVRES E INDEPENDENTES; que ficam exoneradas de toda a Fidelidade perante a Coroa Britânica e que qualquer vínculo político entre elas e o Estado da Grã-Bretanha é e deve ser totalmente dissolvido; e que, na qualidade de ESTADOS LIVRES E INDEPENDENTES, assiste-lhes toda a competência para declarar Guerra, assinar a Paz, contrair Alianças, estabelecer Relações Comerciais e levar a cabo quaisquer decisões ou acções, tal como compete aos ESTADOS INDEPENDENTES. E para sustentação desta Declaração, confiando plenamente na protecção da Divina Providência, empenhamos mutuamente as nossas Vidas, os nossos Bens e a nossa Honra sagrada.
[2]

- de 1821. D. João VI regressa a Portugal, chamado pelas Cortes Constituintes, reunidas em virtude da revolução de 1820.

“Após diversos adiamentos, a família real acaba por regressar definitivamente a Portugal. Com ela veio um séquito de cerca de 4.000 indivíduos: ministros, oficiais, diplomatas e as suas famílias, além de deputados às Cortes pelo Rio de Janeiro. Depois do desembarque, na Praça do Comércio, o rei deslocou-se para a Sala das Cortes, no convento das Necessidades, onde novamente jurou as bases da Constituição. Inicia-se, assim, em Portugal o exercício efectivo da monarquia constitucional, onde o rei é chamado a desempenhar um novo papel e os cidadãos passa a poder intervir mais activamente,através dos seus representantes nas Cortes.”
[3]

“Corte larga do Brasil - D.João VI, o corpo diplomático e a Corte, cerca de três mil pessoas, partem do rio de Janeiro para Lisboa (26 de Abril). Depois de cerca de cinco semanas de viagem, em 3 de Julho, chegam ao Tejo. Antes de largar, o rei terá dito a D. Pedro:
se o Brasil se separar, antes seja para ti que me hás-de respeitar do que para algum desses aventureiros.
Regresso do Rei – Os chamados áulicos, integrados nessa excursão do aparelho central do Estado, até então reproduzido no Brasil, fundeiam no Tejo em 3 de Julho. No dia seguinte, depois do desembarque, o rei segue para a Ajuda, onde jura as bases da Constituição, lendo-se um discurso elaborado por Silvestre Pinheiro Ferreira, Palmela é, então, impedido de vir para terra, sendo mandado recolher a Borba, mas d. Carlota Joaquina ainda é muito saudada por aqueles regeneradores que sabem fascinar, insinuando poder governar mesmo contra a vontade do rei.”
[4]

[1] Retirado do Portal da História.
[2] Retirado do Google (http://213.63.132.233/epe/his_geo_julho.cfm)
[3] História de Portugal em Datas, Círculo de Leitores, pág. 203.
[4] MALTEZ, JÁ, Tradição e Revolução, vol. 1, Tribuna da História, Lisboa, 2004, pág. 180.

domingo, julho 02, 2006

Cogitadelas 16

"Que Saudades do Futuro"
Lembro muito. Lembro, como o compositor da letra desta muito popular música, que há sempre sonhos fiéis aos nossos horizontes de vida, quando a apreendemos em valores tão seguros que, por mais voltas, precalços ou meandros por que ela passe, nada faz esbater aqueles sonhos que são os nossos ideais. Tal é a marca deixada pela ânsia de poder qualquer dia, um dia, se possível não muito longe, contemplar a felicidade que atingem os homens como recompensa pelo empenho nas lutas em que acreditam.
E depois ... também há, entre muitas outras peripécias que a vida traz e leva, entre alegrias e tristezas, entre o muito e o pouco, ... também há a desilusão e o descrédito. Não é neste espaço vácuo, nesse grande vazio de vida onde impera uma inevitável anomia, que eu espero reencontrar um antigo companheiro das lutas levadas a peito pela geração daquele lindo período (do "desabrochar da flor") como a que a nossa passou, no nascer da década de 1970, quando na nossa adolescência vivemos, de corpo e alma, a plena esperança da tansformação social por todos assumida.
Não. Nesse vazio não! Já tenho visto nalguns programas televisivos esse antigo companheiro que é o António Costa Pinto (o "Tony"), que já evoquei quando o meu mui citado mestre JA Maltez se lembrou de assinalar, em efeméride 'postada', a morte do César de Oliveira, também companheiro académico do António. Eu próprio revi os dois na apresentação da dissertação de doutoramento em História dos Factos Sociais do César, na Sala Magna do 'meu' ISCSP, e já tinham passado, depois de 1972, mais de quinze anos em que não vi o António ... . Após um breve cumprimento, pelas felicitações que todos davam ao César (envolto em lágrimas de tão incontida emoção) pela brilhante tese ali defendida, não tornei a ver mais um destes meus companheiros de então ... (como me lembro das reuniões inter-associações estudantis, em profunda clandestinidade subversiva 'contra a ordem da nação', das noites de trabalho redactorial na AEIST com o Rui Gomes, o "Espadinha", o "Laranjinha", entre outros dos elementos da direcção do MAEESL, aquele movimento estudantil que muito marcou a história das lutas anti-regime vividas nas escolas, no início dos anos 70).
Vejo agora, em mais uma das minhas visitações pela imprensa nacional, que o Dr. António da Costa Pinto, distinto Professor universitário, também escreve no DN. Espero 'encontrá-lo' em algumas das suas publicações. Porque me lembro de um companheiro que, para além de ser, hoje, docente como eu também sou, ou de ter sido, ontem, um aliado nas tentativas de concretização de sonhos que ainda hoje não são, infelizmente, realidade, lembro-me de uma pessoa característicamente moderada em temperamento, suave no trato com os seus mais próximos, esguio na atenção às 'derrapagens' a que na altura todos estávamos sujeitos, enfim, um ser, pelo menos aparentemente, com uma persistente calma de espírito, como ainda hoje parece transparecer na sua postura mediatizada.
É bom rever-te, Tony, e vou estar atento às tuas 'tiradas', de que agora trato nesta minha "Cogitadela". A propósito, espero ler o livro que aqui sugeres para as férias, mas não te prometo que não irei estar atento às incursões dos tanques israelitas em Gaza. Não! Isso, só ... enquanto estiver a 'dormir'!
Então, aqui vai a primeira tirada do DN de Sábado, 1 de Julho de 2006:
António Costa Pinto
Professor universitário
acpinto53@hotmail.com
"Democratas
De vez em quando, a exagerada propensão para o debate gera antagonismos curiosos. Uma explicação pare eles é o clássico problema da notoriedade mediática: se não radicalizares, ninguém te liga nenhuma. Os meios de comunicação social, sobretudo a televisão, gostam da clareza antagónica e, na falta do especialista do tema, surgem os excitados de serviço que apelam imediatamente à fogueira redentora. A cada documentário com alunos a desrespeitar os professores ou um deputado a dormir no Parlamento, uma pequena plateia de comentadores apela à prisão dos menores ou à dissolução. Para quem está em casa e sabe alguma coisa do que vê, a sensação é de desrespeito mínimo pela regra de estudar primeiro e falar depois, sobretudo quando muitos deles utilizam com arma de arremesso o passado, onde quase tudo seria melhor. Um debate que às vezes confunde mais do que esclarece é o de quem era democrata nos anos finais da Ditadura e durante os anos quentes da nossa transição. Seriam os comunistas democratas no final dos anos 60 em Portugal? E o prof. Freitas do Amaral e os fundadores do CDS? Nos últimos tempos, até o PS do dr. Mário Soares não defenderia a democracia, porque era socialista. O debate faz pouco sentido, pois a grande maioria das democracias são produto de elites, instituições e cidadãos, por vezes longe de expressar esses valores que tantos prezam hoje. Alguns partidos comunistas da Europa do Leste reconverteram-se à democracia, com sucesso, e poucos se atreverão a dizer que a elite franquista era constituída por genuínos democratas. Se a História fosse assim tão fácil, desaparecia uma profissão consagrada. O aparecimento da chamada "ala liberal" com o marcelismo protagonizou a emergência de uma "semioposição" que caminhou rapidamente para um programa político democrático sob a direcção de Sá Carneiro. A rápida exclusão desta por Marcello Caetano e o 25 de Abril acabou por ser uma conjuntura feliz. Pelo menos aqui existia um pequeno núcleo de centro-direita com legitimidade democrática. É esta a história que nos conta Tiago Fernandes no seu livro, Nem Ditadura, nem Revolução (D. Quixote, 2006). Se já está de férias e não quer passar a vida a ver a desgraça dos tanques israelitas de volta a Gaza, aproveite para ler."

sábado, julho 01, 2006

Opinião ... de Outros Sítios

Porque será que ninguém gosta de Sócrates?


Ainda virá o dia em que ouvirei alguém dizer bem do nosso Primeiro! Será que o homem não acerta uma? Não creio! E nalgumas das suas tiradas de política governativa, creio, é preciso ter muita coragem. Sim, também para se ser político de alta craveira é preciso ter coragem, estômago, fígado, coração, pernas ... emfim, cabeça ... .É preciso ter muita saúde, física e mental, porque a pressão fisiológica nestas andanças é tremenda! E, ainda por cima, não gostarem de nós, ... não! Isso não é bom para a nossa saúde, sobretudo para a nossa 'psique'! Eu, de momento, saúdo-o com uma máxima muito lusa: o que é Sócrates é bom! Mas que não tenha de beber o cálice da cicuta!
Não. Para isso já bastou o que foi injustamente acusado de degenerar a juventude ateniense, há mais de vinte séculos atrás! E também o nosso Primeiro não anda a corromper ninguém, não é? Nem a degenerar a sociedade portuguesa! Nem a transformar a nossa estrutura social! Nem a seduzir a nossa juventude com cheques tecnológicos, não é? Nem, simplesmente, a convencer as Forças Armadas para ... nem a Polícia de ... nem os professores como ... nem os funcionários públicos se ... nem os médicos nas ... nem os farmacêuticos pelas ... nem os empresários até ... nem as universidades com ... ou será que estamos perante uma autêntica revolução silenciosa? Subtil! Mas ... de que género ou matriz? Será que os portugueses nunca ouviram falar de revolução socrática? Fico-me com mais uma opinião do ... hã ... Jornal de Negócios:


"Greves de Verão
Sérgio Figueiredo
José Sócrates gosta de aquecer o Verão. O ano passado, foi a «guerra aos regimes especiais» da função pública. Um rastilho que acabou por incendiar militares, polícias, juízes, professores e enfermeiros. O Verão entretanto passou, a temperatura baixou e, com acertos, aqui ou ali, meros retoques, o facto é que o essencial resistiu à contestação.Os sindicatos, com as deslocalizações de fábricas, deixaram de lutar contra o grande capital por uma razão simples: quando lá chegam, já o capitalismo zarpou para a China ou Índia. Por isso, pela falta de comparência do inimigo ideológico, andam os sindicalistas todos em cima do Estado - afinal, o maior patrão do país.Não era um braço-de-ferro difícil. Aliás, raramente era um braço-de-ferro: como podem os políticos do momento resistir à tentação de realizar a despesa hoje, quando ela será paga pelos impostos de amanhã?Sempre foi fácil governar assim. E foi assim que o descalabro das contas públicas chegou onde chegou. E, por conseguinte, a carga fiscal perdeu a capacidade de comportar mais e mais despesa.Seja a mobilidade da função pública, seja a extinção de organismos da Administração Central, seja o Simplex que irrita burocratas, seja os «regimes especiais» que, como se está a ver no Metropolitano de Lisboa, ainda proliferam intactos nas empresas de capitais públicos, seja por tudo o que de impopular está a ser feito, o resultado de todas as greves vai ser um. Nenhum!Nas greves que decorrem, nas greves que se anunciam e nas greves que se adivinham. O Estado não vai pagar, o Governo não vai ceder. Não por causa da tão propagada coragem do primeiro-ministro. Dava no mesmo, fosse Sócrates um covardolas. Não há cedências, porque não há dinheiro.A razão é tão simples quanto esta: o Ministério das Finanças está teso - e ainda bem que assim é, porque só assim a reforma da Administração Pública sairá finalmente do papel. E isso é uma boa notícia para a economia, portanto, para a nossa prosperidade futura.Ninguém sabe se Sócrates está a fazer mais reformas porque é mais corajoso que Barroso, mais persistente e mais consistente que Santana, mais consciente que Guterres ou por ter a maioria absoluta que não teve nenhum daqueles que o antecederam. Mas restam poucas dúvidas de que estas reformas, e as medidas difíceis associadas, existem porque não há alternativa e não chegam porque são insuficientes.Por isso, por não ter alternativas nem aliados, este é um daqueles momentos em que um Governo deve ser apoiado. Não contra os sindicatos, menos ainda contra os funcionários públicos. Mas porque Portugal.Como nos anos decisivos de adesão à moeda única, a oposição viabiliza, com um silêncio significativo, as reformas no Estado, os empresários fazem a sua parte, acabam com a choraminguice, e a comunicação social faz a pedagogia da solução, abandona a crítica ao problema, a crítica inconsequente.O Simplex é propaganda? Mas é uma boa ideia? Então passa a ser nossa obrigação não deixar que fique por um anúncio de intenções. O PRACE é um embuste? Mas é inevitável? Então há que cobrar, há que exigir, há que pressionar a realização.É normal, é até compreensível, que os visados olhem para Sócrates e vejam novamente um pirómano à solta. Na verdade, é um bombeiro de serviço. Se for consequente, ao serviço até daqueles que hoje pensam dele o pior possível."

sexta-feira, junho 30, 2006

Política da Idade da Pedra

Se a Ciência Política fosse, puramente, uma ciência teórica-abstracta … a democracia era, literalmente, uma utopia!

Hoje dei comigo mesmo a revisitar o sítio do Ministério da Educação para me actualizar sobre a evolução dos Programas que estão para ser homologados. Feitas as minhas contas, sem consulta prévia às informações que, eventualmente, o Conselho Executivo da minha Escola tenha para me dar, a disciplina opcional de Ciência Política, transversal a todos os cursos científico-humanísticos do Ensino Secundário (creio que com uma excepção, vá-se lá saber porquê) deveria começar este ano lectivo. A não ser que esteja enganado. Inadvertidamente enganado. Mas que estava a contar com esta Disciplina para, no meu grupo disciplinar, preencher o meu horário, lá isso estava! E, por isso, tenho estado atento à homologação dos Programas que o Ministério vai fazendo. E, assim, vi que na Proposta de Programa desta Disciplina ainda são preocupações da didáctica dos respectivos autores, entre outras, a dicotomia esquerda/ direita, e o respectivo enquadramento histórico-conceptual.

Mais à frente nas horas do dia dou comigo, mais uma vez, com a coluna do MA Pina, na “última do JN”, ainda referente ao caso Ruas. E vejo que, com este episódio factual a constar nos anais da ciência que tem por objecto nuclear de estudo os fenómenos sociais que se desenrolam na sociedade enquanto polis (nas suas relações de Poder entre governantes e governados), mais uma vez aquela dicotomia me parece um dos “complexos de Zenão”, pois não há como classificar, politologicamente, este mediatizado evento. Sei que, tipologicamente, é característico, nos dias que correm, dos países terceiro-mundistas, com esquivas tendências para tiranias mais ou menos encapotadas pelos interesses da dominação geo-estratégica dos pretensos donos da globalização … mas isso já é outra história. Por mim, não quero pensar que, quando chegarem os ditos manuais de Ciência Política para o Ensino Secundário, já tenha que pensar na sua reformulação, tendo que, empiricamente, demonstrar aos meus alunos que, afinal … a democracia não existe! Não sabemos se já alguma vez existiu! Ou se, mais uma vez, estamos perante uma Utopia!

Fico-me com mais uma tirada, destas últimas que tenho evocado!



"A Idade da Pedra
Os incitamentos de Fernando Ruas à populaça para que se organize em "grupos" e "corra à pedrada" os funcionários do Ministério do Ambiente (felizmente o Governo já assegurou "mobilidade" aos funcionários públicos) que tentem fazer cumprir as leis do país em Viseu recebeu o entusiástico apoio de Alberto João Jardim. A "força de expressão vernácula do social-democrata Fernando Ruas" terá - noticia o Portugal Diário - levado ao rubro o vernaculista da Madeira, que, de social-democrata para social-democrata, lhe ofereceu a sua inflamada solidariedade contra o "regime". E ainda, supõe-se, não só o seu próprio dicionário de impropérios, afrontas, injúrias, provocações, insultos e ameaças, mas também os calhaus madeirenses de que a social-democracia venha a precisar em Viseu (e que sobrarem depois de Jardim ter "corrido à pedrada" da Madeira a Oposição, o Tribunal de Contas, o ministro da República, a PJ, etc.). Fernando Ruas não está, pois, sozinho. Além de Jardim, esperam-se nos próximos dias outras "vernáculas" manifestações de apoio, agora dos "No Name Boys", dos "Super Dragões", da "Torcida Verde", do PRD e da Associação Cultural "Grunhos Unidos Jamais Serão Vencidos". O país (e as estações de serviço) que se cuidem."

As "Ruas" da Democracia

Se a Ciência Política fosse, puramente, uma ciência teórica-abstracta … a democracia era, literalmente, uma utopia!

Hoje dei comigo mesmo a revisitar o sítio do Ministério da Educação para me actualizar sobre a evolução dos Programas que estão para ser homologados. Feitas as minhas contas, sem consulta prévia às informações que, eventualmente, o Conselho Executivo da minha Escola tenha para me dar, a disciplina opcional de Ciência Política, transversal a todos os cursos científico-humanísticos do Ensino Secundário (creio que com uma excepção, vá-se lá saber porquê) deveria começar este ano lectivo. A não ser que esteja enganado. Inadvertidamente enganado. Mas que estava a contar com esta Disciplina para, no meu grupo disciplinar, preencher o meu horário, lá isso estava! E, por isso, tenho estado atento à homologação dos Programas que o Ministério vai fazendo. E, assim, vi que na Proposta de Programa desta Disciplina ainda são preocupações da didáctica dos respectivos autores, entre outras, a dicotomia esquerda/ direita, e o respectivo enquadramento histórico-conceptual.

Mais à frente nas horas do dia dou comigo, mais uma vez, com a coluna do MA Pina, na “última do JN”, ainda referente ao caso Ruas. E vejo que, com este episódio factual a constar nos anais da ciência que tem por objecto nuclear de estudo os fenómenos sociais que se desenrolam na sociedade enquanto polis (nas suas relações de Poder entre governantes e governados), mais uma vez aquela dicotomia me parece um dos “complexos de Zenão”, pois não há como classificar, politologicamente, este mediatizado evento. Sei que, tipologicamente, é característico, nos dias que correm, dos países terceiro-mundistas, com esquivas tendências para tiranias mais ou menos encapotadas pelos interesses da dominação geo-estratégica dos pretensos donos da globalização … mas isso já é outra história. Por mim, não quero pensar que, quando chegarem os ditos manuais de Ciência Política para o Ensino Secundário, já tenha que pensar na sua reformulação, tendo que, empiricamente, demonstrar aos meus alunos que, afinal … a democracia não existe! Não sabemos se já alguma vez existiu! Ou se, mais uma vez, estamos perante uma Utopia!

Fico-me com mais uma tirada, destas últimas que tenho evocado!



"A Idade da Pedra
Os incitamentos de Fernando Ruas à populaça para que se organize em "grupos" e "corra à pedrada" os funcionários do Ministério do Ambiente (felizmente o Governo já assegurou "mobilidade" aos funcionários públicos) que tentem fazer cumprir as leis do país em Viseu recebeu o entusiástico apoio de Alberto João Jardim. A "força de expressão vernácula do social-democrata Fernando Ruas" terá - noticia o Portugal Diário - levado ao rubro o vernaculista da Madeira, que, de social-democrata para social-democrata, lhe ofereceu a sua inflamada solidariedade contra o "regime". E ainda, supõe-se, não só o seu próprio dicionário de impropérios, afrontas, injúrias, provocações, insultos e ameaças, mas também os calhaus madeirenses de que a social-democracia venha a precisar em Viseu (e que sobrarem depois de Jardim ter "corrido à pedrada" da Madeira a Oposição, o Tribunal de Contas, o ministro da República, a PJ, etc.). Fernando Ruas não está, pois, sozinho. Além de Jardim, esperam-se nos próximos dias outras "vernáculas" manifestações de apoio, agora dos "No Name Boys", dos "Super Dragões", da "Torcida Verde", do PRD e da Associação Cultural "Grunhos Unidos Jamais Serão Vencidos". O país (e as estações de serviço) que se cuidem."