sexta-feira, janeiro 05, 2007

Ainda vale a pena ser professor?

Como não estou em sede de gestão dos silêncios, posso fazer minhas (com a devida vénia ao Educare.pt e à autora do respectivo artigo) as palavras desta colega, ainda que as considere uma crítica oportuna, construtiva e absolutamente pertinente mas em versão soft.
Porque também não quero adiantar mais nada, apenas me resta a consolação de ter mais este eco das situações que alguns dos ditos gostariam que me provocassem paranóia (e, admito-o, é difícil resistir a tais investidas da besta, que perfidamente tece a razão com que os poderes tutelares nos presenteiam sempre que pretendem melhorar a imagem do sistema inútil em que os primeiros mergularam a frustração de não serem Poder, apenas o contra-poder dos fracos e falhados, num imaginário de fantasias transportadas para a educação que eles nunca pretenderam democratizar ...):
"Com uma classe docente desvalorizada e maltratada, longe vão os tempos em que os professores "brilhavam" e em que a escola era considerada uma "fonte sagrada".
A escola é fonte sagrada
De sacrossanta bebida
Bebei todos desta fonte
Na primavera da vida
Nas Horas Vagas, Joaquim Moreira da Silva
Assim valorizava a escola e a profissão docente o poeta popular Joaquim Moreira da Silva, nascido em 1886 e falecido em 1960. Não tendo podido ir à escola em criança, por precisar de trabalhar desde pequeno, frequentou um curso nocturno aos 18 anos, após o que leu avidamente e adquiriu uma vasta e diversificada cultura. A leitura merecia-lhe uma grande admiração e proclamava que:
As letras do alfabeto
Sabendo nós compreendê-las
Dão-nos luz, muito mais luz
Do que todas as estrelas.
Nas Horas Vagas
Sobre os professores, que distinguia como profissionais de grande importância, afirmava que eles "Brilham à luz da razão".
Longe parece terem ficado os tempos em que aos professores era reconhecido grande mérito social. A desvalorização social da profissão docente tem vindo a agravar-se e o ano que recentemente terminou marcou fortemente a degradação da sua imagem.
Preguiça, incompetência, oportunismo, falta de profissionalismo, fuga ao trabalho são algumas das características que as mensagens provenientes do Ministério da Educação foram deixando passar para a opinião pública. Das várias ideias que foram lançadas ou reforçadas, retomarei duas: os professores trabalham poucas horas, os professores são os responsáveis pelo abandono escolar dos alunos. Deixarei de parte, por agora, a ideia gravíssima e incorrecta de que os professores são os únicos responsáveis pelo insucesso escolar.
Omitindo que os professores precisam de preparar as suas aulas, de estudar continuamente para aprofundar os seus conhecimentos da matéria que ensinam e de outras áreas fundamentais ao exercício da sua profissão, de corrigir trabalhos e de realizar um sem-número de outras tarefas fora das aulas, o Ministério da Educação foi reforçando a ideia, previamente existente na opinião pública, de que os professores trabalham pouco, limitando-se a "dar umas horitas" de aulas. Assim surgiram as aulas de substituição, bem mais desgastantes do que uma normal, no tempo de redução da componente lectiva que, devido à idade, ia sendo atribuída por reconhecimento do desgaste que a profissão acarreta. Assim se vão já levantando vozes sobre a ocupação dos professores nas interrupções lectivas do Natal, do Carnaval e da Páscoa (como se não estivessem sobejamente ocupados na preparação e realização de reuniões de avaliação e na preparação do período escolar seguinte).
Quanto às aulas de substituição, elas padecem de uma indefinição terminológica. Quando se fala com pais e encarregados de educação, trata-se efectivamente de aulas, para que saibam que os seus filhos estão ocupados com aulas sempre que estão na escola. Quando se fala com professores, não existem aulas de substituição que, por artes mágicas, se transformam em actividades de substituição, para poderem fazer parte da componente não lectiva. Não questiono as vantagens da ocupação plena dos alunos, mas tão-só a forma como ela se tem vindo a efectuar e a desvalorização da imagem dos professores - pouco trabalhadores - que ela traz implícita.
Quanto ao abandono escolar, a responsabilidade exclusiva dos professores neste grave problema é afirmada pelo Ministério da Educação ao apontá-lo como critério a ter em conta na avaliação dos docentes. A minha experiência mostra-me que o facto de o abandono escolar não ser maior deve-se à intervenção de professores e de outros profissionais, como, por exemplo, os psicólogos escolares, que ultrapassam as suas funções e desdobram-se em esforços para conseguirem levar muitos alunos à escola, realizando, por vezes, verdadeiros "milagres". Deparam-se esses profissionais com famílias completamente desestruturadas pela miséria, pelo desemprego, pela doença, pela prisão de pais e/ou irmãos, pela droga e por outros flagelos e lutam contra a falta de apoios institucionais e sociais. Noutros países, existem medidas de apoio às famílias e os pais são responsabilizados pela assiduidade dos filhos, sendo tomadas medidas para que exerçam as suas funções parentais. No nosso país, essa responsabilidade sobra para os professores.
Estes são alguns dos aspectos da desvalorização da profissão docente que marcou o ano de 2007. Outros, bem mais graves, caracterizam o estatuto da carreira docente que o Ministério da Educação aprovou solitariamente, contra todos os sindicatos e contra os milhares de professores que se manifestaram das mais diversas formas. O ano de 2007 começa de uma forma nada auspiciosa para a educação em Portugal. Com uma classe docente desvalorizada e maltratada, longe vão os tempos em que os professores "brilhavam" e em que a escola era considerada uma "fonte sagrada".
Ainda vale a pena ser professor? Mesmo para quem gosta muito da profissão (como é o meu caso), vai sendo cada vez mais difícil conseguir encontrar argumentos positivos para colocar no prato "sim" da balança em contraponto aos sucessivos e rudes golpes que a profissão tem vindo a sofrer e que a fazem inclinar para o prato do "não". Por mim, ainda consigo incliná-la para o "sim", mas... por quanto tempo?"
Por Armanda Zenhas 2007-01-03, retirado do Portal da Educação

quarta-feira, janeiro 03, 2007

Mensagem

Corroboro,inteiramente, a essência da "mensagem de ano novo" de mestre JAM, que infelizmente não é única. Depois da sua, encontrei a que se segue do ano transacto, e que muito espelha, reveladoramente para mim, o fundo probatário daquele enredo que alguns gostariam que eu apenas considerasse paranóia minha!
"Contra a intolerância, o fanatismo e a ignorância
O meu primeiro postal de 2007 começa triste, embora não tenha ouvido ou lido as mensagens ditas de natal ano novo de Cavaco, sem "dom", e de Policarpo, ainda com "D.". Bastaram-me as palavras do supremo bispo de Roma e o borbulhar dos fanáticos dos movimentos ditos pelo "sim" e pelo "não", para saber que não tenho lugar neste debate. Porque vou votar "sim", pensando e praticando, dentro de mim, aquilo que proclamam, por fora e para fora, os propagandistas do "não".
Quando o supremo general universal das tropas do "não" me compara a um "terrorista", recobrindo-me com o adjectivo de "laicista", que integra o "eixo do mal", percebo como o estúpido binário maniqueísta pode entupir a propaganda da fé e quase me obrigam a recordar as histórias que me contou o Carlos Antunes, sobre os momentos genéticos do PRP, quando tudo estava preparado para que algumas freiras policárpicas assaltassem uns banquitos de massa, que não de capelinha do monte. Maniqueístas são também as "nãozonas" do "direito ao corpo" e do "politicamente correcto" feminista, aqui traduzido em calão.
Não haverá por aí nenhum publicitário esclarecido que traduza a verdade da maioria sociológica do meu povo? Alguém que ponha gente que é contra o aborto, mas que foi obrigada à interrupção voluntária da gravidez e que, com isso, continua a sofrer? Mas que, por causa disso, não quer que o Estado desperdice os seus escassos recursos penais, mantendo na lei o que nenhum agente punidor da mesma, em consciência, pratica? Porque mantendo uma lei distanciada da vida, estamos a destruir os fundamentos do próprio Estado de Direito.
Porque, fingindo que temos uma lei dependente da nossa restrita soberania, estamos a esquecer que não há fronteiras no espaço de 500 milhões de pessoas do espaço da União Europeia e que é difícil darmos saltos de Schengen da soberania portuguesa para a soberania da Irlanda e desta para a soberania da Polónia, até porque o Estado do Vaticano não faz parte deste grande espaço. De outra maneira, para respeitarmos este valor supremo, lá teremos que obrigar todas as mulheres que passem a nossa Direcção-geral das Alfândegas a fazer um simples teste de gravidez...
Maniqueísmo por maniqueísmo, apenas quero comunicar aos mandadores e "mails" insultuosos que me deixem em paz. Vossos insultos pela manifestação da minha liberdade de votar "sim" à pergunta recente sobre a "IVG", coisa que tenho coerentemente manifestado, até neste blogue, desde que votei "sim" no anterior referendo, são equivalentes ao inverso, mas igualmente insultuoso, epíteto de sinal contrário que tenho recebido.
Ainda noutro dia me contavam que um ministro de Salazar, ainda vivo, dizia a ministros actuais que eu era um perigoso "fascista". Curiosamente, esse mesmo ministro salazarento do mesmo Salazar, chegou comunicar a um presidente da república anterior, que eu era um mais perigoso membro do "Opus Dei". Sei agora que alguns serviçais das multicárpicas seitas me colam qualificativos de idêntico ódio, quando me põem ao serviço de forças ocultas que citam Marco Aurélio, Erasmo e Kant e militante das ideias que levaram à abolição da pena de morte em 1867, só porque sigo as ideias anticlericais do meu mestre que se assumiu contra o milagre de Ourique, mas que, nem por isso, advoga a expulsão das quinas do nosso símbolo nacional.
Por esta e por outras é que tenho andado a estudar os evangelhos de Judas. Para confirmar a distância que vai do esotérico ao exotérico e para compreender que os verdadeiros mestres são os que falam de um deus íntimo que está no supremo segredo da nossa autonomia. Coisa que escapa aos que pensam que a verdade apenas se atinge pela pertença ao rebanho de uma qualquer seita ou ao exibicionismo do falso esotérico. Apenas desejo ano novo para tudo poder nascer de novo, contra a intolerância, o fanatismo e a ignorância.
posted by JAM 1/02/2007
"É preciso denunciar terrorismo psicológico a professores
É preciso denunciar terrorismo psicológico a professores. Passa-se em Vila Nova de Paiva, na Escola Secundária, pela mão do presidente do conselho directivo - Fernando Eduardo Braz. Há professores nesta escola que são vítimas de autêntico terrorismo psicológico, são coagidos emocionalmente, são ameaçados na sua dignidade profissional, pessoal e na sua liberdade de expressão, pelo simples facto de se manifestarem contra os métodos de trabalho do presidente do conselho directivo. Métodos de gestão autocráticos, anti-pedagógicos e da mais pura anti-ética profissional, contra a missão da escola, contra os alunos, contra a educação, e fundamentalmente contra os professores que, se preocupam e se interessam e se envolvem e o confrontam com a sua incompetência.
Estes professores são vilmente perseguidos por este indivíduo - fernando eduardo braz - e pelos lacaios que criteriosamente seleccionou ao seu serviço. Estes professores são arbitrariamente penalizados até conseguirem colocá-los fora da escola, para que não incomodem, ou até adecerem, vítimas da agressividade emocional a que são submetidos diariamente.
Muitos destes professores conseguiram mudar de quadro escola, já conseguem trabalhar com alguma serenidade, mas ainda hoje se calam com medo, a grande maioria não tendo hipótese de mudar, ou alinha ou é submetido à penalização de não o fazer. São expressamente convidados a "ficar calados para seu bem" sob a pena de serem tramados, são coagidos a omitir informação de documentos de trabalho, caso contrário são perseguidos e humilhados até à exaustão emocional e fisica.
A DREC tem conhecimento, alguns foram mesmo denunciar a situação, Mas Não Faz Nada, remete o assunto para resolução interna. Diz-se que o indivíduo tem as costas Bem Quentes na DREC, e de facto, depois de tantos anos, histórias e estórias, depois de tanto esforço de quem por lá trabalha, não deve ter só as costas quentes, mas sim todo o corpo a ferver de aquecido.
Quando tanto se fala de Chqoe Tecnológico, a Ignorância continua a ser para nós, portugueses, o mais certo dos choques.
Neste mísero País, a incompetência é princepescamente recompensada, os ignorantes tidos ao mais alto nível do poder, e a competência e honestidade vilmente repudiadas. A questão é: quem foi formado no respeito pelo próximo, na boa moral e bons costumes, no respeito pela ética profissional, Como È Que Consegue Viver Nesta Espelunca????????????????????????Eu não sou professora, mas muito do que sei e do que sou devo-o aos professores que encontrei na minha caminhada, homens e mulheres extraordinários como poucos, que pautaram e coloriram a minha vida de saberes e de viveres e nortearam alguns dos meus passos. Hoje ainda aprendo, tenho 42 anos, neste processo de ensino-partilha-aprendizagem que é a vida e a ciência e não posso deixar de elevar a minha voz de indignação com o que se passa nesta escola. Isto passa-se com professsores que se interessam, que se envolvem, que respeitam os alunos, que trabalham 8 horas por dia na escola e outras 8 horas por dia em casa, a preparar aulas, a fazer frequências, a corrigir trabalhos, a desenvolver estratégias motivacionais para alunos, e ainda arranjam tempo para pensar no que fazer com aquele aluno que passa fome, com o que come sopas de cavalo cansado ao pequeno-almoço, com aquele que não tem livros para estudar e com o outro que é agredido fisicamente pelo pai. É Preciso Denunciar Este Vilão. É Preciso Fazer Alguma Coisa.
Autor: luisa figueiredo <artes-e-letras@hotmail.com>
Data: 18-11-2006"
Retirado do Google

quinta-feira, dezembro 28, 2006

Já não há mais Lisboa?

Cada vez que volto, quero ver-te, Lisboa!!!
Já não tenho a pachorra de me atormentar com aquilo que cada vez menos vejo, cada vez que volto a esta minha querida Lisboa. Que tenho, cada vez mais, de dizer de outros tempos, tal é o estado a que estes tempos deste Estado chegou! Valha-nos Deus, que o demónio é ateu, e os sacerdotes andam todos de barriga cheia!
Mas, naquele tipo de atitude que sempre marcou os que sempre perceberam, desde tenra idade, o valor da nossa armilaridade (e, no meu caso, não tem obrigatoriamente que ver com o D. Afonso da minha Vimara terra natal), ainda podemos dizer, ao jeito do meu "La Pensée du Jour", que:
Enquanto houver Céu, Sol e Estrelas a abraçar-nos o horizonte, haverá este nosso lar que é Portugal!

domingo, dezembro 24, 2006

Hino à Galáxia Lusa

Revejo-me a contemplar a velocidade do TGV a 'correr' atrás do Hino à 7ª Galáxia, do Chick Corea e os Return to Forever, mas o que aqui reproduzo é o meu deslumbramento pela capacidade do nosso "Zezito" (designativo bastante afectuoso que alguém, escrevendo-o numa revista portuguesa semanal, se lembrou de rebuscar nas suas origens societais), ou melhor do nosso PM , correr à frente da vaga neo-lib, com todas as seduções, repulsas e contradições que têm norteado a semi-consciente "política de cose-casacas" para a pobretança.
Por isso, lembrei-me de um excelente senhor compositor neo-melancólico, com uma riqueza de sonoridades instrumentais que, tenho a certeza, se o nosso Zez... PM a ouvir, ficará mais descansado quanto à sacralidade da sua moral, que é como quem diz, em paz consigo mesmo, já que a tarefa é árdua ... lá isso é! E, de um modo geral, tenho de lhe 'tirar o chapéu', já que tem tido coragens que merecem alguma admiração. Mas ... aqui fica este trecho "Inocente", para apaziguamento das almas ... . Neste época natalícia, sobretudo, não fica mal a ninguém!!!
Keith Jarrett with Jan Garbarek (Innocence - Personal Mountains)

A pobre Educação dos pobres!

Busco mais umas notícias. E que vejo, em relação ao sítio onde há novas do mundo da Educação? Mais um episódio que, a meu ver, tem mais de sócio-educacional do que público-financeiro: que me interessa se se pagam mais ou menos umas horas de trabalho, ou se cada hora extra tem de ser mais ou menos emunerada, se em tudo isto há um denominador comum - o Regulador não presta, que é como quem diz que o Estado, hoje, não é uma entidade tipo ideal weberiano, norteada por kantianas definições de dever e obediência, mas tão só e apenas por hobbesianas ambições geridas por interesses de grupos pseudoelitistas. Se não, nada do que se observa teria lugar para acontecer! Valha-nos ainda as pontas de um braço da Justiça, ela própria enebriada com tanta influência do vício ...!!!

Aulas de substituição pagas como horas extras
Marta Rangel 2006-12-21
Os tribunais administrativos e fiscais de Castelo Branco e de Leiria deram razão a dois professores que exigiram o pagamento das aulas de substituição como trabalho extraordinário.
Segundo noticia a edição de hoje do jornal Público, as duas sentenças contrariam o entendimento do Ministério da Educação (ME) sobre as aulas de substituição. Segundo a tutela, a substituição dos professores que faltam não tem de ser remunerada de forma extraordinária.
A controvérsia começou em 2005, quando o ME aprovou um despacho que obrigava as escolas a organizar os horários dos docentes para que, em caso de falta, imediatamente outros professores assegurassem a ocupação dos alunos. Para isso, as instituições deviam ter em cada hora uma espécie de bolsa de docentes disponíveis.
A questão é que as aulas de substituição previstas no Estatuto da Carreira Docente (ECD), em vigor, são consideradas "serviço docente extraordinário". No entanto, o ME só considera que as substituições sejam pagas como horas extraordinárias quando são asseguradas por docentes da mesma disciplina do colega que falta e desde que sigam o mesmo plano de aulas.
O Público adianta que, por todo o País, vários docentes exigiram o pagamento destas horas e, alguns destes processos estão em tribunal, contaram com o apoio dos sindicatos afectos à FENPROF. No entanto, segundo Mário Nogueira, dirigente do Sindicato dos Professores da Região Centro, estas são as duas primeiras sentenças que se conhecem, uma das quais "já transitou em julgado, pelo que é definitiva". O jornal acrescenta ainda que, de acordo com o Código de Processo nos Tribunais Administrativos, se houver mais três decisões no mesmo sentido sobre casos "perfeitamente idênticos", todos os professores que tiverem feito substituições poderão requerer a extensão da sentença, ou seja, exigir ao ME o pagamento de horas extraordinárias.
Segundo o Público, os dois docentes em causa apresentaram a primeira reclamação, junto dos conselhos executivos das escolas, no início do passado ano lectivo e interpuseram recurso hierárquico para o ME. Perante o indeferimento, num dos casos, do secretário de Estado Válter Lemos e a ausência de resposta noutro, ambos recorreram aos tribunais, invocando o que está escrito no Estatuto da Carreira Docente.
O Tribunal Administrativo e Fiscal de Leiria foi ao encontro do que está definido no ECD: "A substituição de docentes pela ausência de curta duração é expressamente prevista como "serviço docente extraordinário". "E serviço docente" não se resume e confina ao conceito de leccionar", lê-se em parte sentença citada pelo jornal.
O Tribunal Administrativo e Fiscal de Leiria rebate ainda outro argumento da tutela, que considerou que o trabalho só pode ser considerado extraordinário e pago como tal, se for um "serviço ocasional e praticado de forma esporádica".
Segundo o ME, se o cumprimento das aulas de substituição está integrado na componente não lectiva e faz parte das 35 horas de trabalho semanais a que todos os professores estão obrigados, sendo comunicado no início do ano lectivo, então não pode ser pago como serviço extraordinário. Mas, de acordo com o Tribunal de Leiria, a substituição só acontece quando falta um professor, pelo que é "sempre ocasional e esporádica". E que não é o facto de estar inscrita no horário dos professores que muda o que determina o Estatuto da Carreira Docente.
As sentenças obrigam o Ministério a pagar 87 euros num caso (relativo a duas substituições) e 67 euros noutro (por quatro substituições).

terça-feira, dezembro 12, 2006

Escolas públicas ... espelhos sociais!?

"Sistema de ensino português discrimina alunos
Marta Rangel 2006-12-11

O sistema de ensino português agrava a desigualdade social, discriminando os alunos por escolas, turmas e vias de ensino. A conclusão é de vários estudos apresentados pelo Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa.

No âmbito do Fórum de Pesquisa CIES 2006 (Centro de Investigação e Estudos de Sociologia), este ano dedicado às temáticas da "Sociedade do Conhecimento, Jovens e Educação", investigadores do Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa (ISCTE) apresentaram os resultados mais relevantes da investigação feita nesta área nos últimos anos.
Nas suas pesquisas, os investigadores identificaram aspectos que consideram contribuir para o aumento da "guetização" social como a divisão dos alunos por turmas segundo o desempenho escolar e a origem social, assim como a selecção dos alunos para uma determinada escola com base nestes mesmos critérios.
No estudo "Políticas de Educação Básica, Desigualdades Sociais e Trajectórias Escolares", realizado durante o ano passado, foram analisadas quatro escolas públicas que apresentavam grandes diferenças a nível da origem social e desempenho escolar dos alunos e da qualidade dos equipamentos, apesar de estarem situadas a pouca distância umas das outras (na zona norte de Lisboa, entre o Lumiar, Carnide e Telheiras).
Numa das escolas do 2.º e 3.º ciclos analisadas, os estudantes pertencem, sobretudo, a classes sociais elevadas, apresentam um bom desempenho escolar e usufruem de equipamentos novos. Em contrapartida, na outra escola, quase todos os alunos são oriundos de classes sociais desfavorecidas, têm altas taxas de reprovação e dispõem de equipamentos escolares em mau estado.
Na primeira escola, apenas 7% dos alunos chumbaram mais do que uma vez, enquanto na segunda, 49% dos estudantes já tinham repetido o ano várias vezes. Quanto aos que nunca chumbaram, na primeira escola chegam aos 82%, enquanto na segunda são, apenas, 33%.
"Sendo todas públicas e situadas na mesma zona, há escolas de elite e outras de crianças quase marginalizadas. Toda a gente quer pôr os filhos nas escolas com melhores alunos e essas acabam por ter mais candidatos do que vagas, o que lhes permite seleccionar os estudantes e excluir os repetentes ou os provenientes de um bairro social, por exemplo", esclareceu Pedro Abrantes, um dos investigadores responsáveis do painel "Diversidade e Desigualdade nas Escolas", em declarações à agência Lusa.
Outra pesquisa realizada em 2001 analisou a constituição de turmas na mesma escola, situada num bairro desfavorecido no concelho da Amadora, e identificou os mesmos factores de desigualdade. Alunos provenientes da classe média com bons percursos escolares eram todos agrupados nas mesmas turmas, enquanto as outras turmas eram constituídas por estudantes oriundos de um bairro social e com um fraco desempenho escolar.
"Até aos anos 70/80 a maioria dos jovens não frequentava a escola a partir do 1.º ciclo, à excepção dos pertencentes a classes sociais elevadas. Hoje a escola pública acolhe todos, mas de forma muito diferenciada", frisou o investigador, referindo que "os estudos apontam claramente para uma evolução da ‘exclusão da escola' para a ‘exclusão na escola'".
Segundo as pesquisas, as diferenças na origem social dos alunos deixam de ser significativas no que toca à violência escolar, uma vez que "o fenómeno não ocorre em mais quantidade nas escolas onde existe mais insucesso escolar ou com mais diversidade cultural e étnica".
"Os estudos relativos a essa matéria ainda não estão terminados, mas permitem já concluir que há factores como a qualidade dos equipamentos e a estabilidade do corpo docente e do conselho executivo que são mais determinantes a nível da violência", concluiu o responsável do CIES."
Retirado do Portal da Educação, em 11.12.2006

sábado, dezembro 09, 2006

Questões de Pedagogia

Ouvindo outras vozes que, mesmo de outros sítios, soam sempre com aquele toque a ... Portugalidade!
Por vezes é bom ouvirmos a música das palavras. Outras, porém, dispensam a música, tal é a melodia da sua própria sonoridade ou significância, quer dizer do seu eco na subjectividade de quem as entende.
Por isso me lembro, sem precisar de evocar as sábias recomendações agostinianas sobre pedagogia, que nas minhas ditas férias de verão (em que mergulhei mais na procura dos materiais de base com que construirei as minhas lições de Ciência Política para os alunos do Ensino Secundário do que nas ondas da Costa da Caparica), ao passar os olhos no catálogo da Gulbenkian (que jardins frescos, como sempre, sabem tão bem nos dias em que as calendas pegam fogo a Portugal ...) não pude deixar de reparar num dos volumes da Obra Completa de Joaquim de Carvalho (Vol. VI - História das Instituições e Pensamento Político) onde, entre outras coisas, nos faz um "Esboço de Uma História da Educação", nele se podendo ler muito sobre o que, como no artigo abaixo reproduzido, falta a muitos desses novos construtores do futuro, mais preocupados com a paranóia das tentativas de neo-colonização escolar por parte dos extremos dextros (talvez revelador de um como que ciúme dos cultivadores do neo-jacobinismo super-esquerdista insatalado em todo o sistema educativo português) do que com a pertinência do discurso a que qualquer professor deve atender, quando se assume como um autêntico educador!

"Questões de Pedagogia - I
por Albano Estrela
O Poder da Palavra
Não sei com precisão quando comecei a interessar-me pelas coisas da Educação, mas creio que foi na minha adolescência, ao ouvir duas pregações em igreja do Porto. Autor das pregações: o Padre Américo. A força das suas palavras alertou-me para dois problemas: a obrigação que todos temos de participar na educação do nosso semelhante e as enormes potencialidades que existem em cada criança, em cada jovem, potencialidades que cumpre ao educador fazer emergir.

O fulgor do discurso do Padre Américo foi uma centelha de luz que não voltou a brilhar ao longo do tempo que frequentei o ensino secundário. Foi só na universidade, na Universidade de Coimbra, que encontrei dois professores de Filosofia, cuja palavra nos prendia do primeiro ao último momento da aula: Joaquim de Carvalho e Miranda Barbosa. Joaquim de Carvalho, o patriarca da História da Filosofia, quando nos falava de Descartes, era Descartes, quando nos iniciava na vida e na obra de Espinosa, era Espinosa. E que Espinosa, Deus meu! A sua capacidade de tornar vivos e actuais os grandes pensadores da Filosofia moderna era algo de notável - e raro.

Diferente, totalmente diferente, era o discurso de Miranda Barbosa, mas não menos notável. Com uma locução extremamente baixa, em tom de voz em que agudos e graves mal se distinguiam, o seu discurso (discurso frequentemente entrecortado pelo estribilho "não é?"), o seu discurso, dizia eu, era de uma lógica, de uma claridade, de um rigor, que nos levava - sempre - a concluir que a filosofia era algo de belo... e acessível a quem quisesse utilizar o mais poderoso instrumento que foi dado ao Homem: a inteligência. Miranda Barbosa, que morreu relativamente novo, ensinou algumas gerações de jovens académicos a pensar, a amar a Filosofia. A análise que nos fazia da "Crítica da Razão Pura", de Kant, era um modelo de interpretação textual e constituía um autêntico método de abordagem do que é essencial em Filosofia.

Se dez anos mediaram entre o Padre Américo e os meus professores de Coimbra, perto de vinte tive eu de esperar para ouvir uma outra palavra, que não me marcou menos. Estou a referir-me ao professor Gaston Mialaret, da Universidade de Caen, lá no extremo norte da Normandia, onde ele exercia um dos magistérios mais importantes para a criação das Ciências da Educação, tanto em França como em outros países da Europa e da América. Mialaret aliava a uma inteligência superior um verbo fluente e brilhante, que transformava a mais árida das experiências científicas numa aventura apaixonante. A ele fiquei eu a dever o gosto pela experimentação, pelo controlo rigoroso dos fenómenos empíricos.

Este meu texto de hoje pretende ser, tão-só, uma pequena apologia da palavra na sua expressão mais lídima: a expressão oral. Mas terá o discurso do mestre, do professor, razão de ser no contexto pedagógico dos nossos dias? Estou convicto que sim, embora a sua eficácia dependa de vários factores: de quem o faz, de como o faz, da situação em que for feito.Reconheço, no entanto, que este é um assunto controverso e, por isso, muito gostaria de saber a sua opinião, leitor benevolente, que me tem acompanhado ao longo destas crónicas. E se a sua opinião decorrer da sua experiência, então, melhor seria..."

sábado, dezembro 02, 2006

Talvez sempre é melhor do que nim!

E por que sim? E por que não? Talvez sempre é melhor do que nim!!!

Vejo, "porque hoje é sábado", que meu mui citado mestre JAM insiste na sua costelite monárquica, e que a sua revolta anti-situacionista o leva a dizer sim à IVG!
Para quem já percorreu muitas das linhas escritas pelo Professor, ou ainda, já tenha gasto milhas a ler o quanto obriga o seu entendimento (e, acreditem, tem de se ler muito), fácil será dizer, assim, que não deve ter chegado àquelas resoluções 'de ânimo leve', pois se há característica na sua personalidade (pelo menos a academicamente conhecida) é a do seu idiossincrasismo, ou a eclética postura de quem nunca se deixa levar pelos racional-reducionismos do facilitismo balofo, tipo complexo intelectualoidismo de esquerdas ou direitas.
Isto é, porque hoje é sábado, se quisermos assumir o armilar desígnio da portugalidade, livremente escolheremos a forma de Estado que mais convém ao povo, essencialmente traduzida nos poderes confluentes da sua organicidade histórica, nessa visão agostiniana da federalicidade intuída por cada "homem, mais o seu cão e o seu chão", qua assim forma aquela que é a primeira república, tendo apenas como soberano de quem é súbdito o seu Deus ...!
E, porque amanhã é Domingo, apenas tenho a dizer, numa postura nada misógina, que cada mulher deve saber, melhor do que ninguém, o que lhe vai dentro do ventre! Mas, acima de tudo, que essa como as muitas outras questões que se levantam quando quer matar o que, seja por que motivos forem, traz gerado dentro de si, sejam respondidas, monárquica ou republicanamente, depois de esgotadas todas as possíveis resoluções das ditas: acima de tudo, pela dignidade da mulher, que a IVG seja realizada em condições física e psicologicamente condizentes com a realidade do que se trata, que é a de praticar uma assistência moral, clínica, e socialmente eficaz, quando a responsabilidade de quem pratica o acto (a activa do agente interventor e daquela em quem o acto é praticado por sua vontade, e a passiva, em quem o acto é praticado, quando, por razões de força maior, alheias à sua vontade, tenha de o fazer) esteja salvaguardada! Ou seja, quando se torne admissível tal acto, que seja praticado nas condições condignas da consciência social a que as espectativas do cidadão do século XXI conduzem! Amen!!!
PS: Não sei se teria uma atitude equivalente, se tivesse realizado um Curso de Defesa Nacional. No entanto, porque já concretizei muitos cursos, posso avaliar que as minhas opiniões têm fundamentos sólidos, não apenas por que são de quem lê muito, mas porque vêm de experiências que também vivi, com ou sem as respectivas traduções teóricas, e enriqueceram o entendimento que tenho das minhas atitudes! Parafraseando mestre JAM, que também cita por quem alinha o pensamento, tento "viver como penso", embora esta como outras atitudes que nos demandam me obriguem, também, a pensar como e porque vivo! 
Quanto ao como, vou aprendendo, de dia para dia, de ano para ano! e há já muito que entendi porquê minha mãe me quis dar vida! Porque, podendo não querer ser mãe, quis! Porque, tendo razões para olhar para a sua vida, entendeu que já nela havia outra, à qual atendeu! Contra todas as adversidades! E que razões teria para o não ter feito?! Ou houve outras pelas quais entendeu dever fazê-lo? Claro, apenas porque preferiu ser mãe! Porque preferiu dar vida!
Eternamente obrigado, minha mãe, por seres fonte de vida!!!
Por isso, e nem que fosse só por isso, serás para mim o ser mais lindo do universo!

quarta-feira, novembro 29, 2006

Destaques do dia

Estes Opinionistas São Um Sério ‘Nêgócio’!
(Destaques do dia no Jornal de Negócios)

Guerra aos genes
Quarta, 29 Nov 2006 13:59
Leonel Moura
____________________
Negociar na China
Terça, 28 Nov 2006
Virgínia Trigo

Heranças corporativistas?

Sobre esta multidão pseudo-anónima, residente em ... Bolonha (?), o que noz diz o Prof. JAM
Vejo que, sobre o que provavelmente como outros, não consigo ver e/ ou identificar nas tiradas audio-visuais e outros meios comunicacionais, mestre JAM ilumina e descodifica certas mensagens da já muitas e repetidas vezes dita scientialogiae traduzida em calão, encomendada para a chouriçada de muitas pós-graduações de inteligência artificial e não só, assim como para muitos doutoramentos de pouca honorabilidade académica, complutensamente administrados aos pretensos aristocráticos formados na democratura.
É o sentimento que permanece em mim, e a imaginação daqui não cresce mais, ao confrontar-me com a leitura de JAM do programa das celebridades que, às segundas-feiras, serve de banho refrescante na socialmente necessária escapatória neurodemocrática, tal é o estado de adiantada e, assim, agravada anomia social que se adivinha, por esta como por outras reacções possíveis às grandes questões nacionais que ali se lidam.
Deixo aqui, por isso, o conteúdo do post de mestre JAM na íntegra, para cada um dos leitores deste blogue perceber porquê esta 'fonte' é de uma 'água de muito bom beber'. Até se recomenda para alguns que necessitem de tratamento 'hidrotermal', não vá chegarem à conclusão que andam a beber em 'fontes de má qualidade' e, consequentemente, a estragarem o seu tubo digestico, com as necessárias sequelas psicossomáticas ...
"Viva Guerra Junqueiro, mais uma vez! Viva a imaginação contra o neocorporativismo!
Ontem, depois da telenovela da Maria Laurinda, em vez da habitual escolha do "Jogo Falado", passei, por dever de ofício, para o "Prós e Contras", onde iriam discutir ciência e tecnologia, subsídios e politiqueirices, dado estar esperançado que falassem de universidade. O ministro científico, e sub-secretário de Estado do ministro do orçamento para as Universidades, distinto físico, tendo ao seu lado um catedrático de inteligência artificial, enfrentava o reitor-primaz, ilustre químico, e o reitor da clássica de Lisboa, ilustre catedrático de psicologia, ramo esse que o ministro, ontem, incluiu nas teológicas e metafísicas humanidades, talvez aflito porque a árvore das nosssas especialidades já vai em 1 600 cursos ditos superiores, naquela fragmentação típica da ciência exacta do laxismo que nos desgoverna.

Na plateia da Casa do Artista, estava toda a oficiosa inteligência nacional, com a maioria dos reitores públicos e privados, à excepção do concordatário, bem como vice-reitores, adjuntos de reitores, presidentes de politécnicos, associativos-mores da estudantada, avaliólogos, ornitólogos e e outras espécies. Poucos eram os ex-ministros e secretários de Estado da democracia, mas, muito aposentadamente, notei dois membros do governo do salazarismo e um ilustre deputado da antiga senhora, entre os manda-chuvas do actual "sistema".Mais uma vez dei razão a Guerra Junqueiro: isto só poderá dar à luz quando arder. Porque não pode continuar como está uma instituição que perdeu a ideia, que não cumpre as regras do processo nem gera manifestações de comunhão entre os seus membros. Sem ideia de obra ou de empresa, resta o arremedo de retórica, a voz forte da propaganda e o decadentismo do rei ir nu, onde todos ralham e ninguém tem razão.

Isto preciso de um baralhar e dar de novo, não pela revolução, mas pela reforma. E, sobretudo, pela reforma cultural das mentalidades, um pouco à maneira do ovo de Colombo. O reitor-primaz não pode concluir o seu discurso defendendo o seu pequeno e excelentíssimamente centro de investigação de química, reclamando que os respectivos bolseiros devem passar a funcionários públicos. O ex-ministro de Salazar não pode continuar a repetir o discurso que faz há cinquenta anos, dizendo que não temos conceito estratégico desde 1974, quando o primeiro discurso que fez com estes termos foi para criticar a revisão constitucional levada a cabo por Marcello Caetano. E paradigma por paradigma, sempre prefiro o Kuhn e os pós-modernos antimodernos que o glosam e comentam.

Os reitores deveriam ser eleitos como noutros países da Europa: por sufrágio universal e não pelos oligarcas. Os professores deveriam professar e investigar e não gerir, deixando essa tarefa a quem está vocacionado para tal. A vertente empresarial, ou de gestão pública das universidades, deveria caber a gestores profissionais e ninguém deveria ir além da sua chinela. A decisão global, das policies, deveria caber a quem lhes paga: ao povo, através dos seus representantes eleitos, eliminando-se o que ontem foi patente. Fomos assaltados pela fragmentação neocorporativa, pelos grupos de pressão e pelos grupos de interesse, das pequeninas pressões e dos restritos interesses que discutem ramos de árvore e não vislumbram a floresta.

O espírito de Saint-Simon e de Auguste Comte, mesmo com vestimentas e cabelóides da "fashion" pós-moderna dominou ontem um debate de um Portugal dos Pequeninos com muita mania das grandezas e alguns mortos-vivos. Discutiram razões finalísticas dos calculismos dos merceeeiros e voluntarismos politiqueiros. Raros repararam na chamada terceira dimensão da alma humana: a imaginação. Com tanto vocabulário dos pró-activos e dos ex-activistas, poucos compreenderam coisas que neste momento estão a ser dinamizadas por novas formas científicas, como a criatividade e outras loisas que os físicos atómicos ainda consideram humanidades ou simples cultura geral. Com esta clique, vamos todos ao fundo da nossa depressão.É natural que perante esta decadência, chegue um qualquer marquês de Pombal que trate de expulsar os jesuítas, salgar a casa dos Távoras e incendiar a Trafaria.

É natural que muitos clamem: volta marquês, que eles já cá estão outra vez. Eles os neo-escolásticos que nunca leram São Tomás de Aquino, os marxistas que perderam a consciência de classe e os cientistas que só fazem discursos de humanidades sem nada investigarem.

A universidade, desde que Platão fundou a Academia e desde que, nos finais do século XIII, inventámos a Europa, o comércio, as autonomias das reinos e a primitiva Bolonha sempre foi uma instituição dita universitas scientiarum, universalidade das ciências, especializada na observação daquela dignidade da pessoa humana onde cada homem é sempre um ser que nunca se repete e onde a descoberta sempre passou por problemas que só podem ser superados por novos problema, através da clássica ars inveniendi. Falar de cima para baixo, nessa comteana révolution d'en haut , a que muitos chamam catedratismo, apenas merece a nossa gargalhada. Aliás, ontem, até foi o funeral de Mário Cesariny de Vasconcelos...

Infelizmente, tenho de reconhecer que o vencedor do debate de ontem foi, mais uma vez, a Fátima Campos Ferreira: pô-los todos em bicha atrás de dois minutos de tempo de antena, com muitos ensaios levados a cabo previamente pelos assessores de comunicação e imagem. Em segundo lugar, ficou o Mariano Gago que, apesar de tudo, ainda se recorda da retórica aprendida na sua militância de extrema-esquerda. Em terceiro lugar, ficou naturalmente, o salazarismo, não por causa da avaliologia, mas antes porque demonstrou como ainda tem dinamismo empresarial e longevidade de gestão de salamaleques entre as privadas. Que o padroeiro das humanidades, São Sigmundo Freud, nos valha! E a Senhora de Fátima os acolha em música celestial! Só sei que nada sei! A imaginação ao poder, já!"

posted by JAM

Heranças corporativistas?

Sobre esta multidão pseudo-anónima, residente em ... Bolonha (?), o que noz diz o Prof. JAM
Vejo que, sobre o que provavelmente como outros, não consigo ver e/ ou identificar nas tiradas audio-visuais e outros meios comunicacionais, mestre JAM ilumina e descodifica certas mensagens da já muitas e repetidas vezes dita scientialogiae traduzida em calão, encomendada para a chouriçada de muitas pós-graduações de inteligência artificial e não só, assim como para muitos doutoramentos de pouca honorabilidade académica, complutensamente administrados aos pretensos aristocráticos formados na democratura.
É o sentimento que permanece em mim, e a imaginação daqui não cresce mais, ao confrontar-me com a leitura de JAM do programa das celebridades que, às segundas-feiras, serve de banho refrescante na socialmente necessária escapatória neurodemocrática, tal é o estado de adiantada e, assim, agravada anomia social que se adivinha, por esta como por outras reacções possíveis às grandes questões nacionais que ali se lidam.
Deixo aqui, por isso, o conteúdo do post de mestre JAM na íntegra, para cada um dos leitores deste blogue perceber porquê esta 'fonte' é de uma 'água de muito bom beber'. Até se recomenda para alguns que necessitem de tratamento 'hidrotermal', não vá chegarem à conclusão que andam a beber em 'fontes de má qualidade' e, consequentemente, a estragarem o seu tubo digestico, com as necessárias sequelas psicossomáticas ...
"Viva Guerra Junqueiro, mais uma vez! Viva a imaginação contra o neocorporativismo!
Ontem, depois da telenovela da Maria Laurinda, em vez da habitual escolha do "Jogo Falado", passei, por dever de ofício, para o "Prós e Contras", onde iriam discutir ciência e tecnologia, subsídios e politiqueirices, dado estar esperançado que falassem de universidade. O ministro científico, e sub-secretário de Estado do ministro do orçamento para as Universidades, distinto físico, tendo ao seu lado um catedrático de inteligência artificial, enfrentava o reitor-primaz, ilustre químico, e o reitor da clássica de Lisboa, ilustre catedrático de psicologia, ramo esse que o ministro, ontem, incluiu nas teológicas e metafísicas humanidades, talvez aflito porque a árvore das nosssas especialidades já vai em 1 600 cursos ditos superiores, naquela fragmentação típica da ciência exacta do laxismo que nos desgoverna.

Na plateia da Casa do Artista, estava toda a oficiosa inteligência nacional, com a maioria dos reitores públicos e privados, à excepção do concordatário, bem como vice-reitores, adjuntos de reitores, presidentes de politécnicos, associativos-mores da estudantada, avaliólogos, ornitólogos e e outras espécies. Poucos eram os ex-ministros e secretários de Estado da democracia, mas, muito aposentadamente, notei dois membros do governo do salazarismo e um ilustre deputado da antiga senhora, entre os manda-chuvas do actual "sistema".Mais uma vez dei razão a Guerra Junqueiro: isto só poderá dar à luz quando arder. Porque não pode continuar como está uma instituição que perdeu a ideia, que não cumpre as regras do processo nem gera manifestações de comunhão entre os seus membros. Sem ideia de obra ou de empresa, resta o arremedo de retórica, a voz forte da propaganda e o decadentismo do rei ir nu, onde todos ralham e ninguém tem razão.

Isto preciso de um baralhar e dar de novo, não pela revolução, mas pela reforma. E, sobretudo, pela reforma cultural das mentalidades, um pouco à maneira do ovo de Colombo. O reitor-primaz não pode concluir o seu discurso defendendo o seu pequeno e excelentíssimamente centro de investigação de química, reclamando que os respectivos bolseiros devem passar a funcionários públicos. O ex-ministro de Salazar não pode continuar a repetir o discurso que faz há cinquenta anos, dizendo que não temos conceito estratégico desde 1974, quando o primeiro discurso que fez com estes termos foi para criticar a revisão constitucional levada a cabo por Marcello Caetano. E paradigma por paradigma, sempre prefiro o Kuhn e os pós-modernos antimodernos que o glosam e comentam.

Os reitores deveriam ser eleitos como noutros países da Europa: por sufrágio universal e não pelos oligarcas. Os professores deveriam professar e investigar e não gerir, deixando essa tarefa a quem está vocacionado para tal. A vertente empresarial, ou de gestão pública das universidades, deveria caber a gestores profissionais e ninguém deveria ir além da sua chinela. A decisão global, das policies, deveria caber a quem lhes paga: ao povo, através dos seus representantes eleitos, eliminando-se o que ontem foi patente. Fomos assaltados pela fragmentação neocorporativa, pelos grupos de pressão e pelos grupos de interesse, das pequeninas pressões e dos restritos interesses que discutem ramos de árvore e não vislumbram a floresta.

O espírito de Saint-Simon e de Auguste Comte, mesmo com vestimentas e cabelóides da "fashion" pós-moderna dominou ontem um debate de um Portugal dos Pequeninos com muita mania das grandezas e alguns mortos-vivos. Discutiram razões finalísticas dos calculismos dos merceeeiros e voluntarismos politiqueiros. Raros repararam na chamada terceira dimensão da alma humana: a imaginação. Com tanto vocabulário dos pró-activos e dos ex-activistas, poucos compreenderam coisas que neste momento estão a ser dinamizadas por novas formas científicas, como a criatividade e outras loisas que os físicos atómicos ainda consideram humanidades ou simples cultura geral. Com esta clique, vamos todos ao fundo da nossa depressão.É natural que perante esta decadência, chegue um qualquer marquês de Pombal que trate de expulsar os jesuítas, salgar a casa dos Távoras e incendiar a Trafaria.

É natural que muitos clamem: volta marquês, que eles já cá estão outra vez. Eles os neo-escolásticos que nunca leram São Tomás de Aquino, os marxistas que perderam a consciência de classe e os cientistas que só fazem discursos de humanidades sem nada investigarem.

A universidade, desde que Platão fundou a Academia e desde que, nos finais do século XIII, inventámos a Europa, o comércio, as autonomias das reinos e a primitiva Bolonha sempre foi uma instituição dita universitas scientiarum, universalidade das ciências, especializada na observação daquela dignidade da pessoa humana onde cada homem é sempre um ser que nunca se repete e onde a descoberta sempre passou por problemas que só podem ser superados por novos problema, através da clássica ars inveniendi. Falar de cima para baixo, nessa comteana révolution d'en haut , a que muitos chamam catedratismo, apenas merece a nossa gargalhada. Aliás, ontem, até foi o funeral de Mário Cesariny de Vasconcelos...

Infelizmente, tenho de reconhecer que o vencedor do debate de ontem foi, mais uma vez, a Fátima Campos Ferreira: pô-los todos em bicha atrás de dois minutos de tempo de antena, com muitos ensaios levados a cabo previamente pelos assessores de comunicação e imagem. Em segundo lugar, ficou o Mariano Gago que, apesar de tudo, ainda se recorda da retórica aprendida na sua militância de extrema-esquerda. Em terceiro lugar, ficou naturalmente, o salazarismo, não por causa da avaliologia, mas antes porque demonstrou como ainda tem dinamismo empresarial e longevidade de gestão de salamaleques entre as privadas. Que o padroeiro das humanidades, São Sigmundo Freud, nos valha! E a Senhora de Fátima os acolha em música celestial! Só sei que nada sei! A imaginação ao poder, já!"

posted by JAM

sexta-feira, novembro 24, 2006

Destaques do Dia

Estes Opinionistas São Um Sério ‘Nêgócio’!
(Destaques do dia no Jornal de Negócios)
Durão, colheita 2014
Sexta, 24 Nov 2006
Raul Vaz
_____________________________
Franquelim Alves

In Memoriam ...

A todos os meus alunos me apetece dizer, agora após alguns dias que passámos por esses momentos de profundo pesar, pela perda da Cristiana (Deus a tenha em paz), que estes acontecimentos, sempre arrebatadores de alguma parte de nós, também trazem sentidos gestos de coesão, solidariedade e fortalecimento dos laços que, em princípio, também no espaço escolar sempre nos deveriam unir.
Também neste espaço de trabalho que é este blogue consultado por, pelo menos, alguns dos meus alunos tem lugar esta manifestaçáo pública de pesar, e de expressão da saudade que, certamente, por muito tempo terá lugar no nosso sentimento. Sem as homilias sacerdotais que, como muitos de nós ouviram, apenas devem ter cabimento no lugar próprio que é a ecclesiam e por quem tem essa função, com legitimidade reconhecida para o fazer, que é o sacerdote.
Assim, livre de qualquer inclinação que não seja, tão somente, a intenção de levar a partilha destes sentimentos de solidariedade escolar a outros que gostem de comungar o mesmo tipo de experiências societárias, faço também aqui uso público de uma montagem fotográfica que os alunos da turma em questão, desde logo como colegas muito bem manifestaram, em memória desta sua companheira que nos deixou.
Por isso, um grande abraço de solidariedade e de amizade a todos estes meus alunos, que por bem me mostraram que, afinal, podemos estar todos do mesmo lado, como devemos. Em especial, um beijo sentido muito grande para a Marisa, e um abraço muito apertado para o Paulo. E que regressem ao nosso convívio e colaboração o mais depressa que puderem, para todos juntos empreendermos a tal caminhada que é a procura maior da nossa vida escolar: prepararmos os nossos amanhãs!
O vosso Prof. JRC

quarta-feira, novembro 22, 2006

Take Action for Missing Tibetans!

On September 30, a group of over 70 Tibetans were attempting to cross the Nangpa Pass into Nepal from Tibet when they were fired upon by China's People's Armed Police. Eyewitness reports confirm the death of Kelsang Namtso, a 17 year old Tibetan nun who was shot in the back. Video footage of the shooting shows that at least two other Tibetans were shot during the incident, but the injuries do not appear to have been fatal.
While 43 Tibetans from the group made it to Nepal, the whereabouts of the others remains unknown, including at least 10 children aged 6 to 10 who were taken into custody at the site of the shooting by Chinese police.
You can voice your concern for the missing by signing this online petition to the UN High Commissioner for Human Rights, calling on her to investigate and confirm the status and well being of the missing Tibetan children and adults.
Children and other Tibetans captured by the PAP
after the shooting are led away from advance base
camp.
Dangerous Crossing
Teams of international climbers witnessed the incident, occurring near Mount Cho Oyu on the Tibet-Nepal border. Photos and eyewitness accounts confirm that at least three Tibetans were shot and an unknown number taken into custody, including at least 10 children as young as six.

One of the climbers, British police officer Steve Lawes, was among a group of climbers and Sherpas at Cho Oyu's base camp who witnessed both the shooting and the subsequent capture of the Tibetan children who were marched into advance base camp by three soldiers with assault rifles. Mr Lawes said: "The children were in single file, about six feet away from me. They didn't see us - they weren't looking around the way kids normally would, they were too frightened. By that time, advance base camp was crawling with soldiers. They had pretty much taken over, and the atmosphere was very intimidating. We were doing our best not to do anything that might spark off more violence."

China's False Claims
Last month, China's state-run Xinhua news agency reported that a group of Tibetan "stowaways" ignored requests to turn around and "attacked the soldiers", who were then "forced to defend themselves". The statement also claimed that only one Tibetan died, resulting from "altitude sickness."

Despite eyewitness accounts and photographic evidence, the Chinese Government has refused to acknowledge what really happened at Nangpa La, leaving the missing Tibetans in serious danger if their situation is not raised by the international community. Therefore, ICT calls upon the Office of the High Commissioner for Human Rights to open an investigation leading to the confirmation of the whereabouts and wellbeing of the Tibetans who are missing or have been detained as a result of the Nangpa La shooting.
Take Action!
Join ICT in supporting the missing Nangpa La refugees by signing this online petition calling on the UN High Commissioner for Human Rights, Ms. Louise Arbour, to confirm the whereabouts and wellbeing of the missing Tibetans.
In solidarity,
International Campaign for Tibet
International Campaign for Tibet 1825 Jefferson Place NW Washington, DC 20036 United States of America
Phone: (202) 785-1515 Fax: (202) 785-4343 info@savetibet.org
ICT Europe Vijzelstraat 77 1017HG Amsterdam The Netherlands
Phone: +31 (0)20 3308265 Fax: +31 (0)20 3308266 icteurope@savetibet.org
ICT Deutschland e.V. Marienstr. 30 10117 Berlin Germany
Phone: +49 (0)30 27879086 Fax: +49 (0)30 27879087 ict-d@savetibet.org

terça-feira, novembro 21, 2006

Falso Amanhecer

Em momentos de criatividade, consternação, boas e más novas, ... a vida continua!
Vejo que Mestre JAM já teve ecos das suas novas iniciativas blogueiras, com notórios valor e utilidade académica, social e politicamente pertinentes, vistos nestes momentos de um tempo que vai passando ...!
E, nestes dias de um nevoeiro que o tempo não engana, pois dele não se vislumbra qualquer sinal, mesmo que melancólico, que acalente esperanças sebastiânicas, converso sobre assuntos tidos e achados como de grande risco para a saúde (diga-se integridade física e/ ou mental) dos respectivos, explícitos e implícitos, interlocutores, vou alegando sobre a redescoberta da racionalidade económica salazareira (vista à lupa do respectivo contexto sócio-histórico) nos "condicionamentos" que o regime decretou! E muitos há que já repetem em coro o "sim senhor, pois quem disse que não havia razão para isso?".
Lembro-me, por exemplo (e, alusivamente, ao jeito de referência de catecismo), que os manuais escolares de Introdução à Economia (leia-se Economia Portuguesa) há já longos anos ensinam a mediocridade das políticas económicas do Estado Novo, no que respeita os baixos salários, que não conferindo poder de compra ao nível interno, não fomentavam o consumo indutor de uma mobilização sustentada do aparelho produtivo. E hoje!? Será que não nos podemos e devemos interrogar, num contexto de referências comparativas ao nível da internacionalização e de uma globalização, que estrutura produtiva temos? Em que termos poderemos parametrizar a comparação das variáveis de análise económica? E como contextualizamos a relação superestrutural do poder económico face ao poder político (leia-se, como e quais as referências ideológicas em que nos definem)? Mesmo que o façamos nesta era de pequenas nacionalidades, a unidade de referência analítica básica será a variável nacional. E, aí, o presente situacionismo fica historicamente enfraquecido, se fizermos o devido enquadramento histórico-conceptual (vivam os conceitos operacionalizados)!!!
É assim que remeto as atenções dos leitores deste humilde blogue para a leitura de uma obra interessante, que não seja apenas pela pertinência da contextualização histórico-política do presente, nesta era de pseudo-globalização, que não vislumbra o alcance de amanhãs porque nem sabe de que ontens vai sendo feita. Que o digamos nós, portugueses, que vamos sempre sabendo e relembrando a épica de Camões, a coragem e visão de Magalhães, a cosmogonia do Príncipe Perfeito, o labor de Pedro Nunes, e a celestialidade deste pequenino "jardim à breira-mar plantado"! No tal abraço armilar da nossa universalidade!!! Sem complexos nem reflexos redutores, ideológicos, psicológicos, sociológicos, ou de outras lógicas quaisqueres!!!
"FALSO AMANHECER
John Gray lança em Falso Amanhecer um ataque vigoroso à ideia, hoje convencional, dos mercados livres globais. As suas teses correspondem a uma verdadeira apostasia, pois o autor foi um prestigioso pensador da Nova Direita inglesa e exerceu grande influência nas políticas de Margaret Thatcher.

Gray argumenta convincentemente que o capitalismo global, decalcado do modelo anglo-americano e promovido obstinadamente pelas organizações económicas transnacionais, é devastador. Os valores individualistas e liberal-democráticos herdados do iluminismo europeu não estão ajustados ao multiculturalismo do mundo moderno global.

Gray não crê em qualquer mão invisível que possa regular os mercados livres globais. A desintegração social nos Estados Unidos e os colapsos económicos da Rússia, do México e da Ásia (que Gray previu na primeira edição deste livro) provam a perversidade dos mercados livres desregulados e aculturais, que minam a coesão social, ao mesmo tempo que exibem produtividades assombrosas.

Neste livro polémico, John Gray oferece-nos uma visão fervorosa, por vezes pessimista, do processo de globalização económica que hoje testemunhamos e, ao mostrar a intrínseca instabilidade do capitalismo global, suscita questões e inquietações de enorme importância e actualidade.

«Necessitávamos de um desafio poderoso para os cegos defensores da globalização. Agora temos um. Um livro entusiasmante, importantíssimo e original.»
- Will Hutton"

sábado, novembro 11, 2006

Revisionismos dos novos tempos

Prof. JP dos Santos v Durão Barroso, Kautsky v Bernstein, Sócrates v classe média (?), Congresso do PS … “Tudo Isto é Fado”!

Começa a ter algum interesse espreitar sobre a comunicacionologia (à maneira discreta de JJ Gonçalves), que nos últimos dias vamos vendo entrar pelas janelas dos nossos sentidos, uma vez descodificadas as mensagens da dita: o rei mundial dos cyberdólares (B Gates) fala a Barroso, depois de uma lição dada por outro português sobre as nossas potencialidades económico-empresariais − de aposta “naquilo em que sempre somos bons”, mostrando assim Durão, bom aluno que é, que:

«Durão Barroso

“É dramaticamente urgente” a internacionalização das empresas portuguesas

Carlos Filipe Mendonça
carlosmendonca@mediafin.pt
O presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso afirmou hoje que "é dramaticamente urgente que as empresas portuguesas compreendam que só com o mercado nacional não vão lá".

À chegada ao Conselho para a Globalização, promovido pelo Presidente da República, Cavaco Silva, que está a decorrer em Sintra, Durão Barroso disse que "neste momento somos 500 milhões de consumidores na União Europeia mais do que americanos e russos juntos".
O presidente da Comissão diz ter vindo "explicar o que estamos a fazer na Europa em matéria globalização e sublinhar que este processo não é uma ameaça mas sim um desafio".»
, diz mais este artigo do J Negócios.
Ao mesmo tempo, e ainda em terras lusas, vamos assistindo, televisivamente, a mais um Congresso do Partido da Rosa (sem a Luxemburgo, pois com essa estaria Kautsky contra o bernsteinianismo actual desta força partidária, a atestar pelo acerto das palavras do actual nº dois da hierarquia estatal quanto a um socialismo “moderno” versus esse “socialismo obsoleto”), onde Sócrates, sozinho porque com mais ninguém, vai compreendendo a nossa classe média, mas ainda no pressuposto de que “o socialismo só seria possível se fosse ele o herdeiro de um capitalismo inteiramente desenvolvido. (…) Assim, a Social Democracia não deveria atacar os liberais. Os liberais seriam os seus melhores aliados, porque a Social Democracia só teria êxito se fosse o sucessor cronológico e intelectual do liberalismo. Daqui uma tese reformista ou gradualista — baseada na análise da própria realidade: "o socialismo está já, actualmente, sendo realizado aos poucos." [1]
Que me resta dizer, então?
O fado de Amália!!!
Tudo Isto É Fado

Perguntaste-me outro dia
se eu sabia o que era o fado.
Eu disse que não sabia,
tu ficaste admirado.
Sem saber o que dizia,
eu menti naquela hora.
E disse que não sabia,
mas vou-te dizer agora.
Almas vencidas,
noites perdidas,
sombras bizarras.
Na mouraria,
canta um rufia,
choram guitarras.
Amor, ciúme,
cinzas e lume,
dor e pecado.
Tudo isto existe.
Tudo isto é triste.
Tudo isto é fado!
Se queres ser o meu senhor
e teres-me sempre a teu lado,
não me fales só de amor
fala-me também do fado.
Que o fado, que é meu castigo,
só nasceu p'ra me perder.
O fado é tudo o que eu digo
mais o que eu não sei dizer.


Amália Rodrigues, "Abbey Road 1952"

[1] Freitas do Amaral, Diogo, História das Ideias Políticas, vol. II, Lisboa, 1998, pp. 236-237.