Observatório da nossa Polis à luz das memórias contínuas do pensamento filosófico português. Inspirado nos «Modernos Publicistas», segue o mesmo espírito crítico e de indignação:«De feito. Ardeu-me de todo o topete». Porque nunca calaremos no descampado onde reina a verdade que nos traz glória, repetiremos sempre a vontade de mestre Herculano: "é que não costumo calar nem attenuar as proprias opiniões onde e quando, por dever moral ou juridico, tenho de manifestá-las" ...!
sexta-feira, julho 13, 2007
Só Agora! (5)
2º Acto
Primeiro Sentir
Logo uma brisa
natureza
que nos desperta
o mundo que temos!
Óh, reflexo em mim
decide
que há-de ser
para te seguir!
Todo o corpo
agora
reage em onda
pela vida fora!
Ainda sem ver
quem sou!
apenas quero, isso
que é de mim!
SA (Ini 2, Ab.)
JRC
quinta-feira, julho 05, 2007
Nesta 'viagem' presidencial europeia ... "alegre eu vou, eu vou" ...!?
Por mim, neste contínuo atestado médico de interregno passado a uma saúde que teve de se prostrar, quando somos “inconvenientes”, perante as evidências do Estado Espectáculo” a que chegámos, com proliferação de ‘papa-figos’ e respectivos ‘lambe-botas”, ainda prefiro manter aquele vai-vém de tarefas de leitura que o Estado que me paga não me encomendou, nem precisa para que tal eu continue praticando, no dia-a-dia, acções dignas da minha profissão e condignas para os destinatários que com tudo isso se identificam (há-os sempre, esses seres curiosos que ainda sabem ser designados de Estudantes).
Vítor Bento

CONTEÚDO
Bibliografia Citada
Retirado do site da Livraria Almedina
Só Agora! (4)
1º Acto
Nasce o ser
É por todo o céu
sem ver
que mora a luz
que há-de chegar!
Por quem, dizes tu
onde
nós não chegamos
para saber, o quê?!
Que nos resta ter
senão
afastar do nada
o que a Vida dá!
Certo, e estará aqui
contigo
comigo, e sempre
como foi e será!
(SA, Ini 1, Ab.)
JRC
sábado, junho 30, 2007
Os Khmeres cor-de-rosa
Naquele postal se lê, a dada passagem:
"(...) Se os subsolo ideológico de justificação do poder que marca alguns destes desvarios do regime de chefes de repartição pegar de estaca não tarda que se exija a identificação de todos os blogueiros de cada serviço público, bem como a listagem de dos funcionários que militam em partidos e associações cívicas que criticam o governo e o situacionismo.
Aliás, também seria útil que todos os programas de ensino fossem submetidos à mãozinha censória e, a nível do ensino, em cada aula deveria existir um vigilante que fizesse um adequado relatório a ser remetido para uma adequada central de registo dos não formatados pelo conceito de modernidade vigente. (...)"
Mesmo com todos os choques electrológicos, financiológicos e psicológicos, não tenho dúvidas de que os 'khmeres cor-de-rosa' andam aí!!! Para ficar?
Imagem retirada do Google
sexta-feira, junho 29, 2007
Repensar a Política - Ciência & Ideologia
Depois de ter recomeçado a minha procura de um mais além nos horizontes da literatura politológica, dei de caras com este já anunciado "Repensar a Política - Ciência & Ideologia", do meu caro companheiro de algumas 'andanças' neste "sujar as mãos" na militância partidária, Professor Doutor Paulo Ferreira da Cunha.ESTRUTURA
Capítulo Primeiro - Saberes
Capítulo Primeiro - Instituições
quarta-feira, junho 27, 2007
Só Agora! (3)
Encontro de limites
primeiro
são para saíres
da náusea dimensão!
Procura em ti
verás que não és
aqueles
que por ti pensam!
Em breve acharás os
que somos
quem nada tem
que querer de ti?
Por aí se revelarão,
fraternos
no instante dos teu
olhar, intemporal!...
(SA, Ini 1, 3)
JRC
domingo, junho 24, 2007
Só Agora! (2)
Não temas por continuar
amanhã
só existe na imaginação
que tens do futuro!
Por isso vai, longe
até te sentires chegar
onde
a pressa já não há!
Então contemplarás
o momento
em que tudo se revela
eterna continuação!
Que vês tu, então?
Apenas o que existe
és tu
e o teu lugar!
(SA, Ini 1, 2)
JRC
domingo, junho 17, 2007
Só Agora! (1)
Basta ver com a alma
o que sem rima
combina
esse olhar com sentir!
Deixa-te ser, mesmo
sem corpo
que pese nesse imenso
vazio por ti preenchido!
Não mais hesitarás
em ter na mão as regras
com que
abres a tua liberdade!
Então?, vislumbra,
absorve a magnitude e
amarás
tudo a que pertences!
(SA, Ini 1, 1)
JRC
terça-feira, junho 05, 2007
Contemplando raízes de futuro, com saudade!

sábado, junho 02, 2007
Primeiro somos Nós, depois Europa, e Bolonha se Deus quiser ...!?
segunda-feira, maio 28, 2007
Neste andar de saudade cansado!
Vejo-me, neste dia que começou a terminar mal com a derrota do meu "Os Belenenses", em pleno C. C. Colombo. Parei, um pouco ao de leve entre vistas curtas (que a depresão é medonha, parece que nos lança o diabo atás da alma), e dei de caras com uma imagem que, neste colombano cair de tarde, me fez recordar viagens que a mente nunca cansa, para reposição das energias que, com tudo o que nos envolve, as "mãos invisíveis" nos vão filhando!
Por isso, nada melhor que recordar, uma vez mais, esse ecos do mais além pessoano, que neste caso rimou, bem colombano, numa imagem que reti. E que aqui partilho, com evocação daquele poema:

Mar Português
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!
Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma nao é pequena.
Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu.
Os Colombos
Outros haverão de ter
O que houvermos de perder.

quinta-feira, maio 24, 2007
Insulto ou delação
terça-feira, maio 22, 2007
Que concerto desconcertante!
sábado, maio 19, 2007
O My Lord of Beauty

segunda-feira, maio 14, 2007
O Poder dos Sonhos

sexta-feira, maio 11, 2007
Proclamação de liberdade

Com tradições potestativas
1. Tenho lido nos jornais algo que me despertou uma como que necessidade de criação de um novo conceito na Ciência Política: o de governo potestativo, a sistematizar nas tipologias dos regimes políticos (formas de governo, strictu sensu).
Ainda tendo presente o genuíno desabafo de LMC (um “biqueiro” local), em Jornal de Barcelos de 08 de Junho deste ano, tenho de admitir que, ao jeito das verificações possíveis em JAM, também eu confesso que “as mais das iguarias com que vos convido são alheias, mas o guisamento delas é de minha casa” [1]. É que isto de escrever o que se sente, que é o que se vive conforme o que se pensa, também tem as suas raízes num mais além sócio-histórico. Aristóteles continuará, com a espécie humana, a ter razão. Condição sine qua non, ninguém realizará essa específica existência vivendo sozinho. E eu sempre gostei muito de aprender, sobretudo quando, com os outros, confirmo aquilo que, isolado em mim, acho não ser possível resolver. E, acima de tudo, nestes casos não crio invejas ou ciúmes existenciais. Recrio-me nas mais variadas formas de reconhecimentos. Estes meus escritos, como tendes visto, são uma fiel expressão desses meus sentimentos de agraciamento: a montante, pelos largos contributos de todos aqueles com quem aprendo; a jusante, com o interesse que muitos já me têm manifestado pela leitura dos meus escritos publicados. O que comprova a máxima cientificista de que, em ciência, o conhecimento também obedece a essa qualidade participativa e sistémica: tudo, ou todos, concorremos para o mais geral, o mais além, o mais nós, que é nosso, o mais ser. Para se ser mais, para o bem ser melhor, para a VERDADE poder ser mais. Numa palavra, para alcançarmos o poder ser da verdade.
Também por tudo isso gosto de partilhar o que sinto e penso, e vivo-o, neste caso, escrevendo-o! Já o disse! Para que o poder da verdade seja possível com a partilha do esforço de todos para todos, que assim construímos essa procura vivendo o que pensamos.
2. “A expressão portuguesa poder tanto recobre um verbo equivalente a ser capaz, como um polissémico substantivo. Ambas as formas vêm do mesmo verbo, potere ... . Foi ... dessa raiz que ... surgiram as expressões potestas e potentia, ... A potestas, enquanto capacidade de produzir as coisas, tem a ver com o potencial, o poder-ser, o poder vir a exercer um concreto acto de poder. Por seu lado, a potentia quer dizer a força que produz as coisas em acto ... cada coisa teria em si uma potestas que apenas se concretizaria através de uma determinada potentia ... entendendo-se o potente como aquele que é capaz de exercer a potestas, como o poderoso, como aquele que pode possuir, como o possante, o que é capaz de possança (...) A primeira pode ter-se, a segunda apenas pode exercer-se.” [2]
É assim que eu vejo este actual governo como potestativo, e não potente; com potencial, mas não possante nos actos. Apenas exerce o que não pode, mesmo que lhe tenham confiado a republicana potestas, a 20 de Fevereiro. É um governo tradicionalmente potestativo.
3. Não é por acaso que devemos falar em contradições (com tradição), já históricas na imagem do Poder em Portugal (e não só). A imagem que nos projectam de uma modernidade cheia de antiguidades, mas bolorentas. Nem boas imitações são, tão maus têm sido os discípulos que querem, apenas, poder imitar os mestres que, de facto, não toleram.
Exemplos de genuína democraticidade têmo-los mais que incontáveis. Com as seculares manifestas preocupações de defesa dessa inatingível aspiração social. Bem cravadas no ADN lusíada. Veja-se a referência à carta do Padre Casimiro José Vieira, escrita a D. Maria II (1846) [3], que, depois de a ter lido ao povo para saber se o que nela se dizia era a vontade de todos, “considera o novo governo como uma farsa e combinação das seitas para tudo ficar como até ali, com a mudança apenas de pessoas.
Fala d’opressões injustas que têm feito ao povo, tratando-o até agora como se fossem negros e escravos. Pede à Rainha que nomeie para toda a parte homens da maior integridade e desinteresse (...) homens escolhidos à vontade do povo; que se baixem os impostos; nomeadamente a abolição das portagens; que as magistraturas locais possam ser exercidas gratuitamente; que aos deputados se lhes façam os gastos da comida e transportes à custa do povo, mas que não embolsem dinheiro nenhum, para que depois não haja nas eleições tanto suborno, e o povo atine com a boa escolha. (...)”. E, não deixando de defender a instituição do sufrágio universal, com “eleições para toda a espécie de justiça e autoridade”, apenas admite a excepção dos que “não lêem, nem escrevem, para evitar enganos e despertar a instrução, porque só assim se pode exprimir a vontade geral dos povos, que é a verdadeira lei” [4]
4. E por que dizemos com tradições? Veja-se a tradicional contradição do caso de um médico de província tipicamente português (sim, porque esta figura sócio-histórica não foi invenção estrangeira), ainda há dias passado num jornal noticioso das 13:00, na televisão em Portugal (talvez em evocação desta linda data que é o 10/06). Com 84 anos, ainda trabalha, dando muitas consultas gratuitamente, o que fez durante toda a sua vida. António Calapatez Garcia, de seu nome, o “João Semana” do Alentejo. Já foi deputado à Assembleia Nacional, mas “a política só (o) fascina quando cura os males da sociedade”. Promoveu o cooperativismo e o associativismo (ainda não se perguntaram, como eu o fiz, ainda há dias, em Lisboa, com alguns amigos da adolescência, na sede da ‘nossa’ Sociedade Filarmónica Recordação d’Apolo, por que razões estes dois institutos sobreviveram ao salazarismo e pereceram perante o pseudo democratismo neo-liberal?).
O que pode ser revelador de que o futuro nem sempre é melhor. Contra a nossa vontade. Se também acontecer sem a nossa consciência, transforma o devir sócio-humano numa aventura sem rumo, sem sentido, sem ser. E, como disse, queremos o ser! Para poder ser o poder de fazer!
[1] MALTEZ, JA, Princípios de Ciência Política, CEPP, ISCSP – U. T. L., 1996, evocação introdutória de uma exortação de Frei Amador Arrais, pág. 6.
[2] Idem, (... Questões terminológicas), pp. 117-118.
[3] PADRE CASIMIRO JOSÉ VIEIRA, Apontamentos Para a História da Revolução do Minho ou da Maria da Fonte, Braga, Typhographia Lusitana, 1883, p. 84, in MALTEZ, JA, ob. cit. pp.278-279.
[4] Idem, (... As sementes consensualistas), pág. 279.
quarta-feira, maio 09, 2007
Invitation
Percebendo o quanto estas esferas oriundas da democracia cristã se afastaram da matriz anti-liberalista que lhes serviu de substracto (veja-se o carácter marcadamente anti-liberal da Doutrina Social da Igreja, a única linha de orientação sócio-política, se se puder assim designar, dos estatutos do CDS anteriores à era monteirsta PP), prefiro ficar-me pelo "convite" a mais uma meditação, para elevação do espírito, com mais um Poem of the Day:

With wind and the weather beating round me
Up to the hill and the moorland I go.
I sport with solitude here in my regions,
I am the Lord of tempest and mountain,
domingo, maio 06, 2007
Pelo 1º centenário do Dia da Mãe

Leisure

WHAT is this life if, full of care,
We have no time to stand and stare?—
And stare as long as sheep and cows:
No time to see, when woods we pass,
Where squirrels hide their nuts in grass:
No time to see, in broad daylight,
Streams full of stars, like skies at night:
No time to turn at Beauty's glance,
And watch her feet, how they can dance:
No time to wait till her mouth can
Enrich that smile her eyes began?
A poor life this if, full of care,
We have no time to stand and stare.
Photo by Pranlobha: Sri Chinmoy Centre Galleries
sexta-feira, maio 04, 2007
RAM - Os Senhores da Guerra
Nada disso se pode comparar à esmagadora maioria dos países do Mundo de hoje, muito menos aos países alegadamente democráticos, e muito menos àqueles que, como Portugal, são Estados Unitários Regionais. Mas não foi isso o que se viu desta última reportagem sobre as eleições na RAM (Região Autónoma da Madeira): a aferir ainda alguma sanidade mental ao respectivo Presidente, estamos perante um caso de ofensa à integridade do Estado, tendo presente que os "insultos" ao Estado português constituem um autêntico golpe constitucional, por violação, sobretudo, do seu artº 225 (e em especial dos eu nº 3):
- 1. O regime político-administrativo próprio dos arquipélagos dos Açores e da Madeira fundamenta-senas suas características geográficas, económicas, sociais e culturais e nas históricas aspiraçõesautonomistas das populações insulares.
- 2. A autonomia das regiões visa a participação democrática dos cidadãos, o desenvolvimentoeconómico-social e a promoção e defesa dos interesses regionais, bem como o reforço da unidadenacional e dos laços de solidariedade entre todos os portugueses.
- 3. A autonomia político-administrativa regional não afecta a integridade da soberania do Estado e exerce-se no quadro da Constituição.
Ora, Sr. Presidente da República, está à espera de quê? Intervenha, por amor de Deus e à Pátria, que V. Exª sabe tão bem e melhor do que muitos que não há "povo madeirense", mas somente povo português, esteja ele em que parte do Mundo estiver. Senão, amanhã o Algarve pede a autonomia, a favor de protectorado anglo-germânico, o Minho anexa-se à Galiza, e o resto do território que se amanhe.
O Sr. Presidente do Governo da RAM, de quem já tenho admirado alguma coragem para enfrentar alguns dos vícios político-administrativos da pretensa casta democraturista, perdeu o Norte, de modo que já não sabe virar-se para ... leste. Deve, por isso, revisitar alguns dos conhecimentos a readquirir sobre a História do país a que pertence. Senão fique-se pelos sítios que, hoje em dia, estão disponíveis a qualquer um para isso. Basta ver, por exemplo, aqui.

