quinta-feira, maio 27, 2010

quarta-feira, maio 26, 2010

Da felicidade interior nos discursos contemplativos ...

Como sempre, vou acompanhando e lendo, com alguma atenção, as "bicadas" de meu mui citado mestre JAM.

Esta é mais uma, que poderia inscrever-se, também, nos artigos de opinião da "Escola de C. P.". Mas tem lugar aqui, dentro do espírito com que criámos este "Publicista".

Eu sei que o seu autor também por aqui "anda":

"Das vacas magras, sagradas ou gordinhas...

Os economistas mais escutados fazem prognóstico depois da crise e já reconhecem o óbvio da imposição externa e da falta de margem de manobra dos factores nacionais de poder. Nenhum sabe conjugar a palavra pátria e esta pode ser aprisionada pela música celestial de Pilatos e de outros que lavam as culpas com discursos.

Os discursos contra os especuladores são pássaros que voam na ilha da utopia. Preferia ter passarinhos na mão. O preço pode ser o máximo de sagrado na religião da economia. E não há mercado para quem não assume a liturgia da confiança no outro e na palavra do outro.

Foi o capitalismo especulador que nos permitiu a ascensão ao clube dos mais ricos do mundo, sem que a nossa sabedoria e a nossa produtividade efectivamente o merecessem. Foi uma escolha geopolítica que nos permitiu esse máximo de prazer com o mínimo de dor que foi a descolonização e a integração na CEE...

As vacas sagradas foram dois terços de remediados, entre papa-reformas e a protecção do bom e velho Estado, com um terço de excluídos que, apesar de tudo, votaram as maiorias do especulativo, como as de Cavaco, Guterres e Sócrates...

Neste momento de encruzilhada, quando muitos visionam o tremendismo das vacas magras, há quem, como eu, profetize que a geopolítica pode ainda livrar-nos do preço que, se houvesse justiça nas relações internacionais, deveríamos pagar por causa de pecados cometidos por omissão com justa causa...

Os erros de um aparelho de Estado, com muita banha, pouco músculo e quase ausência de nervo e cérebro, podem também aplicar-se ao mundo empresarial, feito à imagem e semelhança do primeiro, e ao colaboracionismo da chamada autonomia da sociedade civil com a partidocracia dominante.

Ao contrário do que proclamam certos criadores de cenários, apocalípticos, economicistas ou politiqueiros, o que temos é de dar estratégia ao nosso tradicional desenrascanço, nesse misto de aventura e pragmatismo que sempre nos deu identidade, permitindo sucessivas refundações de Portugal. Basta cultivarmos a ciência da criatividade, com os pés na dívida...

Os donos do poder interno, calculando cenários até pensam que se aviam com o pantagruel de um bloco central que deu limitados frutos há mais de um quarto de séculos, antes da CEE e do euro... Portugal já não é esse país dos engenheiros macromonetários e que agora dão aulas de saudosismo, pensando que tal é macro-economia...

Os donos do poder continuam encantados pelos velhos do restolho, do partido dos fidalgos, esses que temem o risco de navegar e preferem segurar-se entre as querelas do professor pardal e do professor manitu...

A reforma da ciência e da universidade, a que levou o cheque tecnológico ao ministério da economia, bem pode amar e odiar, colaborar ou sanear os ausentes-presentes e os caçadores de comendas e honrarias que geraram o presente neofeudalismo do sindicato das citações mútuas desta sociedade de corte...

Ficou o permanecente das viradeiras, este arquipélago de gestores endogâmicos que, em nome da autonomia financeira e do "outsourcing", controlam a mesa do orçamento através do clientelismo, do carreirismo e do cacete, típicos dos micro-atoritarismos sub-estatais que poluem a democracia...

O aparelho de Estado, da administração directa e indirecta, bem como os mecanismos contratualizados pelas políticas públicas são bens escassos que devem ser tratados sem o folclore do exibicionismo dos pequenos teatros de estadão, com beberete, croquete e outros rituais despesistas que ofendem a ética republicana, enquanto sinónimo de serviço público, com saúde e fraternidade, a bem da nação."

posted by JAM | 5/26/2010

sexta-feira, maio 14, 2010

Que saudades ... de futuro que já foi presente (!?...)

Depois de já tantas notícias que fazem correr tinta na imprensa e, talvez, sangue em muitos corações, sobretudo os dos mais desamparados, não posso deixar de exortar este sentimento, simultaneamente de solidariedade e de revolta, por este Estado a que chegámos.

Em dias de visita papal, com os nossos corações ao alto e as almas tão cabisbaixamente contemplando a desgraça em que estas águas da desdita nos mergulharam, com muitas carpideiras a aproveitarem as gotas de chuva com que o Céu, connosco, também chorou.

Em que se nota que, mesmo acorrentados a esta miséria que nos ensinaram a cultivar o egoísmo de todos e as ambições desmesuradas de muitos, saberemos aguentar muitos "cabos de tormentas", pois esta terra de Santa Maria deu-nos um ADN sócio-humano com que cada um de nós sabe reconhecer-se, resistir e defender. Por isso, todos esses saberão dizer Pátria querida, e relembrar que, em Fátima, se proclamava:

"Ó glória da nossa terra,
Que tens salvado mil vezes,
Enquanto houver Portugueses,
Tu serás o seu amor." (1)

Também me lembro, por tudo isto, daquele outro cântico de exortação colectiva, em que, sem vergonha, sentíamos orgulho de ser portugueses:

" (...)
Cale-se a voz que, turbada,
De si mesma se espanta,
Cesse dos ventos a insânia,
Ante a clara madrugada,
Em nossas almas nascida.
E, por nós, oh! Lusitânia,
-- Corpo de Amor, terra santa --
Pátria! Serás celebrada,
E por nós serás erguida,
Erguida ao alto da Vida!

(...)" (2)
_____________________
Foto picada aqui
(1) Retirado daqui
(2) Retirado daqui

quinta-feira, fevereiro 11, 2010

Vamos educar o País para não merecermos governos assim!

Afinal o "Zézito" é maroto, ah?!

Um tanto a contragosto, mas lá vou seguindo a posição do A. Lobo Xavier, na qual me revi e, pasme-se, até me fez relembrar o que já aqui disse, quanto ao golpe constitucional de que o Governo de PSL foi "vítima". Exactamente para permitir o acesso ao Poder destar nova democratura, presidida, executivamente, por uma espécie de pseudo-dirigente que, juntamente com a sua nomenclatura, adopta métodos de sustentabilidade da sua política governativa que já não enganam ninguém. É por estas e por outras equivalentes que, muito socialmente, defendo a extensividade e, ainda mais, o alargamento e a profundidade de uma efectiva CULTURA DEMOCRÁTICA, que começa, institucionalmente, nas instâncias da EDUCAÇÃO.

A. L. Xavier relembrou-me, no quadrado das conversas semanais de hoje, um muito discreto e muito mais ainda grave atentado contra a liberdade de imprensa, com linchamento (ou tentativa de) pessoal e profissional (e quem não sou eu para saber como é!?), presumivelmente tramado pelos alvos (V. I. pessoas) expostos num dos últimos números da então extinta revista mensal "Kapa" (K): após a edição desse número, a revista teve, salvo erro da minha memória, apenas mais alguns números editados. Do ME Cardoso nunca mais emergiram sinais de crítica sócio-política que, diga-se de forma imparcial, tinha algum carisma, sem qualquer prejuízo dos valores e/ ou ideias por ele manifestadas, mas com as quais, subjectivamente, muitos podemos não concordar.

Pessoalmente, desde que tive, pela primeira vez, conversa entre convivas de café (numa terra social e territorialmente pequena) sobre o assunto daquele número em apreço, nunca mais tive descanso no à vontade com que, naturalmente, me relaciono no meio a que pertenço! Nem nunca mais deixei de, profissionalmente, ser perseguido por isso, até à exaustão!!!

Sobre isso, apenas recortei, desse número da revista "K", esta passagem:

(...)

"Aí é que está. A minha geração, o Cesariny, o Virgílio Martinho, o António Luís Forte, eu, o Manuel de Lima, o Manuel de Castro…
.
K: O Gonzalez…
.
Não. Isso já é miséria… Não é por ser mais novo, o Gonzalez é mesmo uma miséria. Não, a nossa geração era muito agressiva, mazinha. Não havia panelinhas… E tanto que nos zangávamos todos uns com os outros. O Cesariny e o Lima de repente detestavam-se. E o António Maria Lisboa zangou-se, o Mário Henrique Leiria zangou-se… Porque essa geração, a do Café Gelo, éramos muito maus uns para os outros. Dizíamos nas caras uns dos outros, escrevíamos coisa uns contra os outros…
.
K: Mas essa geração não teve poder. O Cesariny é hoje consagrado porque tem uma editora que o suporta muito…
.
Não, mas ele tem público.
.
K: Mas não tem poder.
.
Não quer. Ele fez aquelas pinturas, mas isso é para poder gastar umas coroas ali com os meninos do Rossio. Também deve pagar muito caro porque ele está com uma cara!... Outro dia vi o gajo no Tal & Qual com o Mário Soares… Ele já não tinha os dentes desde muito novo, mas agora tirou a dentadura e está com um queixinho de velha, aquilo vai-lhe até ao nariz, coitado… O Mário teve aqui um problema chato por causa de um magala. Depois foi para Paris, onde havia tudo especializado: boites especializadas, tabelas, pensões… E o Cesariny era um poeta dos urinóis. Chegou a Paris, ia com esse hábito e botou a mão à sarda de um homem que estava a mijar – resultado, foi parar à cadeia. O chefe da esquadra perguntou-lhe: «Então como é isso la-bas? E ele disse: «É como cá»; mas não era, porque o chefe da esquadra disse: «Então você tinha para aí tantas pensões para fazer isso, era preciso ir para o urinol deitar a mão à gaita do outro?"

Que conste das minhas memórias, nenhum procedimento jurídico teve lugar contra aquela extinta revista! Possivelmente, qualquer semelhança entre a essência política de episódios desta natureza e o actual cenário político mediatizado não será, certamente, mera coincidência!

Citação retirada aqui (artigo integral aqui referido; para quem nunca o leu, não perca a oportunidade).

sexta-feira, fevereiro 05, 2010

Continuamos com Raúl Brandão, evocando a justiça aristotélica ...!?

Lembro-me de uma sessão de aulas minhas, assistidas pelo Prof. Doutor Joaquim Gomes Dias, coordenador do meu “Projecto de Profissionalização em Serviço”, na Universidade do Minho, correspondente ao 2º Ano do Estágio em Ciências da Educação que, muito bem, a norma impõe (impunha?) a quem entrava para o Quadro de Nomeação Provisória de docência numa escola pública (onde só adquiria o título de Professor quem obtivesse aprovação no dito Estágio, passando então a ser Professor do Quadro de Nomeação Definitiva).

E porque é que, agora, me vem à memória esta sessão lectiva? Certamente não quero, aqui, repeti-la. Nem, tão pouco, esta referência específica à meritocrática titularização docente (a fazer, também, recordar aos actuais pactuadores do regime avalienígena a pertinência de então) vai mais além da simples evocação contextual da questão que, aqui, pretendo parabolizar.

Tão pouco, talvez, queira mostrar algum ressentimento pelas consequências negativas que, subjectivamente, muitos de nós sofremos com este devir de uma carreira profissional que já não o é, pois deixou de ter “carraria”, percurso ou sequência previsional. É das tais estatuições legais que, pouco legalmente (leia-se pouco cobertas pela conformidade à Lei Fundamental que as sustenta), se vêem alteradas pelas conjunturas de interesses que, longe de serem os superiores onde, ainda, achariam alguma sustentação, apenas convergem para a remediação dos males de que alguns se alimentaram, para proveito próprio, mesmo que com isso declarassem estar ao serviço de todos ...!?

E, aqui sim, estamos então no cerne ou núcleo da questão em apreço, e que foi, exactamente, o capítulo da matéria de Introdução à Economia que escolhi, sobre a qual teria de apresentar uma planificação didáctica e pedagogicamente conforme os cânones das ditas Ciências da Educação: o da “Repartição dos Resultados da Produção”, onde, entre outros conceitos, os alunos deveriam aprender os de repartição funcional (salários, juros, lucros e rendas) e repartição pessoal dos rendimentos (equacionalizando as rúbricas componentes do Rendimento Líquido Disponível das famílias), salário directo e indirecto (repartição primária e secundária) ...

Uma das primeiras afirmações que proferi, frente ao referido Professor (para os que não têm uma imagem da cena, está um sujeito, sentado numa das cadeiras do fundo de uma sala de aula, muito discretamente, a tirar apontamentos sobre a forma como um Professor “dá a sua aula”, para a sua posterior avaliação ...), foi esta: “Sabem porque escolhi este tema do vosso Programa? Porque, como já viram no capítulo inicial, esta é uma Disciplina em que, também, se aprende a interpretar e compreender a sociedade (é uma Ciência Social), como não poderia deixar de ser, nesta função educativa da Escola! Neste capítulo, vocês vão poder compreender a razão de fundo de, praticamente, todos os conflitos sociais por que a Humanidade tem passado, independentemente do tempo ou lugar em que ocorrem! É, directa ou indirectamente, o móbil da determinação dos regimes políticos e dos fenómenos que os caracterizam: como e por quem repartir aquilo que a todos diz respeito!?" E, mesmo à margem das indicações programáticas, lá lhes esquematizei, com algum jeito de síntese, um quadro com as concepções aristotélicas de justiça: comutativa (ou particular), distributiva, e social ou legal (ambas públicas ou comuns), apenas para introduzir alguma orientação axiológica aos conceitos programáticos em apreço, já que a sua implicação pedagógica ultrapassa, por natureza e como já referi, o estrito âmbito das obrigações da Disciplina (naquela tal acepção da pedagogia da função docente, não estritamente disciplinar ...)!

Se fosse hoje, levaria para as ditas aulas alguns dos títulos dos jornais, sobre a questão que todos conhecemos, mas talvez convidando, para as mesmas, o Cardeal cá da terra, um Ayatolla, um Íman , o Dalai Lama, o Ministro do Erário Público português e o seu homólogo do Mercado Comum, e dir-lhes-ia estas palavras [1]:

“Torna a vida simples e serás feliz. A tua vida não custará gritos; o teu pão não será furtado a bocas famintas. Por cada homem que amontoa oiro, há cem criaturas morrendo no desespero e na aflição.” (Cap. XXII – A Filosofia do Gabiru)

“Os pobres são como os rios. Estancam a sede da terra, fazem inchar as raízes e crescer as árvores; acarretam; moem o pão nos moinhos. Ei-la a vida da terra. Todas as catedrais se construíram da sua dor; sem eles a vida pararia.” (…) “Os pobres pensam que existem seres ainda mais pobres, lares desamparados, onde nem o lume se acende; cuidam numa velhinha, que, a essa mesma hora, cisma, abandonada, e sozinha, ao pé de brasas extintas no filho doente, no filho ausente... Há cabanas nuas, lares rotos, almas mais gélidas que o nevão.

As lágrimas que se choram e se não vêem são as melhores: caem sobre a alma.” (Cap. XXV – Natal dos Pobres)” –.



[1] Retiradas de Os Pobres, de Raúl Brandão

sábado, janeiro 09, 2010

Da visão actual sobre a natureza humana

Continuando, ainda, com Ortega y Gasset

Vejo, revejo-me, desvio-me e ... evito simplesmente! Mas não são muitos os temas da vida social que me provocam tantos reparos contraditórios, tal é a confusão gerada pela 'public opinion' formada pelos mecanismos do pensamento correcto, hoje (com mais rigor) já não tão "dominante", mas "homogeneizante", a atestar pela docilidade com que se angariam legitimidades fictícias e virtuais para as pseudo-institucionalizações da reforma dos costumes (?).

Gostei de ouvir o Dr. Garcia Pereira (podendo não concordar em tudo), com um sentido histórico-realista que já não me espanta, ao qualificar o oportunismo com que politicamente se tem apresentado o tema 'fracturante' do "casamento homossexual" e o seu 'derivado' da adopção pelos ditos "casais".

Por mim, apenas digo o que, no essencial, já testemunhei perante alguns dos interlocutores que, há dias, se prestaram a um diálogo aberto, profundo e rigoroso, daí que imparcial e desinteressado sobre este tema actual. Não subscrevo, por outro lado, algumas das teses 'constitucionalistas' da Drª Isabel Moreira, pois com isso se estará a circunscrever um direito natural apriorístico, logo anterior a qualquer constitucionalidade, aos preceitos nesta inscritos, por mais louvável e virtuosa que seja a sua estatuição de direitos aí fundamentais.

Não! Mais uma vez digo não, ao instrumentalizar-se novamente uma questão tão basicamente humana como esta para fins particularistas de eventuais políticas governativas. A questão é, em si mesma, apenas remissível ao bom senso comum a pessoas civilizadas, à sua adequação e integração na consciência cívica de cidadãos livres, e cuja importância não se pode medir pelo poder decretino (a favor ou contra) de quem não vê que, com isso, se usurpa o absoluto natural, que é o da suprema liberdade interior de cada indivíduo.

Remeto-me por isso, mais uma vez, ao que estou há já umas semanas a preparar da obra de Ortega y Gasset, em termos que em muito ultrapassam a esfera da mera recensão. Talvez (mas não só) pelo facto de muito se ter falado do termo "casamento"(1) (que eu acho ser um handicap para os defensores deste novo instituto, eventualmente preferindo aqui a proposta laranja ou, ainda melhor, uma qualquer outra que defina e se ajuste mais pertinentemente à realidade concreta que se pretende defender). E pelo facto de, quer se trate de uma minoria ou não (?...), não se poder remeter a força de uma realidade natural ao poder das opiniões, dos gostos ou ao poder dos decretos:

"(...) A tendência dos homens, quer como soberanos quer como concidadãos, a imporem aos outros como regra de conduta a sua opinião e os seus gostos, está tão energicamente sustentada por alguns dos melhores e alguns dos piores sentimentos inerentes à natureza humana que quase nunca se detém a não ser por lhe faltar poder."(2)

"(...) O latim vulgar está aí nos arquivos, qual petrefacto arrepiante, testemunho de que uma vez a história agonizou sob o império homogéneo da vulgaridade por ter desaparecido a fértil 'variedade de situações' ".(3)
__________________________
(1) Veja-se, por todos os sentidos inscritos nos significados do termo "casamento", o que pode ser antropologicamente entendido como abrangente e pertinente à sua discussão pública.
(2) Gasset, José Ortega y, Rebelião das Massas, Relógio d'Água, pág. 23, Lisboa (citando Stuart Mill, La Liberté).
(3) Idem, pág. 25.

segunda-feira, janeiro 04, 2010

Mirando o Destino, em mais um início de calendário civil ...

Encontros da Música com o Cinema, mediados por vozes celestiais ...!

Mas o que é que a Barbara Streisand terá a ver com o Bill Evans ou o Buster Williams Trio ("Tokudo"), o Miles Davies e ... a "Branca de Neve" do Walt Disney ...?

Nesta procura global na rede mundial de informação ao nosso dispor podemos encontrar destas (pequenas ?) "coincidências". Por aqui serão sempre abençoadas, tanto quanto possam contribuir para o enriquecimento do nosso conhecimento. Sobretudo aquelas coisas que, pelo menos aparentemente, se nos deparam como (semi)encobertas, ou como algo que, por diversas e múltiplas razões (...?), podem ser inconvenientes para muitos dos que não convivem muito bem com a felicidade alheia (...).

No que toca a conhecer algo mais sobre este já antigo tema, veja-se, pelo menos, o título aqui e, para algumas das versões musicais, entre tantas, Dave Brubeck, Bill Evans Trio, ou o próprio Miles Davies.

As escolhas devem preencher todos os gostos. Eu prefiro (talvez) a primeira.

Divirtam-se ... enquanto "ele" (?) não chega!

sábado, janeiro 02, 2010

Volta o dia dois, e depois mais um, e ... sempre assim!...

Recordações que não moram no tempo ...! Recordando este vulto tão pouco falado às gerações de hoje. Mas em que eu faço sempre questão de insistir! è já de mim, do meu próprio ADN, ou da tal "mistura do fundo do saco" com que Deus criou a portugalidade! Afinal, FADO não é só em português, é mesmo bem universal!!!

Avec le temps...

Avec le temps...

Avec le temps, va, tout s'en va

On oublie le visage et l'on oublie la voix

Le coeur, quand ça bat plus, c'est pas la peine d'aller

Chercher plus loin, faut laisser faire et c'est très bien

Avec le temps...

Avec le temps, va, tout s'en va

L'autre qu'on adorait, qu'on cherchait sous la pluie

L'autre qu'on devinait au détour d'un regard

Entre les mots, entre les lignes et sous le fard

D'un serment maquillé qui s'en va faire sa nuit

Avec le temps tout s'évanouit

Avec le temps...

Avec le temps, va, tout s'en va

Mêm' les plus chouett's souv'nirs ça t'as un' de ces gueules

A la Gal'rie j'farfouille dans les rayons d'la mort

Le samedi soir quand la tendresse s'en va tout seule

Avec le temps...

Avec le temps, va, tout s'en va

L'autre à qui l'on croyait pour un rhume, pour un rien

L'autre à qui l'on donnait du vent et des bijoux

Pour qui l'on eût vendu son âme pour quelques sous

Devant quoi l'on s'traînait comme traînent les chiens

Avec le temps, va, tout va bien

Avec le temps...

Avec le temps, va, tout s'en va

On oublie les passions et l'on oublie les voix

Qui vous disaient tout bas les mots des pauvres gens

Ne rentre pas trop tard, surtout ne prends pas froid

Avec le temps...

Avec le temps, va, tout s'en va

Et l'on se sent blanchi comme un cheval fourbu

Et l'on se sent glacé dans un lit de hasard

Et l'on se sent tout seul peut-être mais peinard

Et l'on se sent floué par les années perdues

Alors vraiment

Avec le temps on n'aime plus.

Léo Ferré

quinta-feira, dezembro 31, 2009

Dia 1, por ser o primeiro dos primeiros

Comecemos por aqui! E agora! Porque é tempo pensado para recomeços anunciados, para novos anseios e expectativas, com a especial esperança de que, mais uma vez, se possa alcançar ou realizar algo novo, melhor, ou já há muito prometido!

Aqui me auto revejo, neste diário de bordo, a antecipar projectos a partir desta "nau", que falarão do que, no meu "diário de bordo", penso de mim a observar e criticar o mundo, e dos outros que nele também acontecem!

Daqui sairão outros "cadernos do pensamento", sem raíz obrigatória em qualquer canonização ou dogma que os condicione! Serão, pois, pura contemplação e especulação contemplativa, dando a liberdade ao espírito que, frequentemente, a razão aprisiona!

O Mestre costeiro

domingo, dezembro 06, 2009

Continuando com Ortega y Gasset


Não critico nem comento. Apenas assinalo. Ao jeito, mesmo muito ao jeito das "bicadas" de meu mui citado mestre JAM. Enquanto leio mais uns apontamentos, revejo algumas obras e referências bibliográficas de autores sobre o tema, agora talvez interessante como nunca, da "revolução".

Por isso deixo aqui mais uma exortação (éssayant de saisir l'ésprit de nos jours):

"A função de mandar e obedecer é a decisiva em toda a sociedade. Como ande nesta turvação a questão de quem manda e quem obedece, tudo o mais marchará impura e torpemente. Até a mais íntima intimidade de cada indivíduo, salvas geniais excepções, ficará perturbada e falsificada.

(...) O acanalhamento não é outra coisa senão a aceitação como estado habitual e constituído de uma irregularidade, de algo que enquanto se aceita continua a parecer indevido. Como não é possível converter em sã normalidade o que na sua essência é criminoso e anormal, o indivíduo opta por adaptar-se ao indevido, fazendo-se totalmente homogéneo com o crime ou irregularidade que arrasta. Num mecanismo parecido ao que o adágio popular enuncia quando diz: “Uma mentira faz cento”. Todas as nações atravessaram jornadas em que aspirou a mandar sobre elas quem não devia mandar; mas um forte instinto fez-lhes concentrar no ponto as suas energias e expelir aquela irregular pretensão de mando. Rechaçaram a irregularidade transitória e reconstituíram assim a sua moral pública. Mas o espanhol fez o contrário: em vez de opor-se a ser imperado por quem a sua íntima consciência rechaçava, preferiu falsificar todo o resto do seu ser para o acomodar àquela fraude inicial. Enquanto isso persistir no nosso país, é vão esperar nada dos homens da nossa raça. Não pode ter vigor elástico para a difícil faina de sustentar-se com decoro na história uma sociedade cujo Estado, cujo império ou mando, é constitutivamente fraudulento.

(...)Não se manda em seco. O mando consiste numa pressão que se exerce sobre os demais. Mas não consiste só nisso. Se fosse isto só, seria violência. Não se esqueça que mandar tem duplo efeito: manda-se em alguém, mas manda-se-lhe algo. E o que se lhe manda é, no final das contas, que participe numa empresa, num grande destino histórico.

(...) A vida criadora supõe um regime de alta higiene, de grande decoro, de constantes estímulos, que excitam a consciência da dignidade. A vida criadora é vida enérgica, e esta só é possível numa destas situações: ou sendo quem manda ou achando-se alojado num mundo onde manda alguém a quem reconhecemos pleno direito para tal função; ou mando ou obedeço. Mas obedecer não é aguentar – aguentar é envilecer-se – mas, pelo contrário, estimar quem manda e acompanhá-lo, solidarizando-se com ele, situando-se com fervor sob o drapejar da sua bandeira." (1)

________________
(1) José Ortega y Gasset, A Rebelião das Massas, Segunda Parte, XIV-IV, ebooksdobrasil.com, pp. 66-68.

domingo, novembro 22, 2009

Adeus a um companheiro

Sinto, como companheiro de algumas lutas em que todos entramos, a amizade que em muitos deixas, e que por ti, e com eles, fará com que te recordemos para sempre.

"Das lutas políticas travadas no Liceu Gil Vicente, em Lisboa, após o 25 de Abril, até à fundação do Partido da Nova Democracia (PND), em 2003, e, mais recentemente, ao activismo espelhado no seu blogue (tomarpartido.blogs.sapo.pt), Jorge Ferreira manteve intocável uma das faculdades que mais o distinguiram na vida político-partidária: a frontalidade. É essa a qualidade mais evidenciada por quem acompanhou a sua vida política, ao seu lado e no campo adversário." (1)














Adeus, companheiro Jorge!

Que Deus de tenha, como um "Trazedor de Paz"!!!




(1) Jornal Público

domingo, novembro 08, 2009

Voltar, de novo, ao futuro!


Obrigado, mestre, por mais uma vez me lembrar das tuas bicadas, e rever nelas muitas das situações com que, frequentemente, evocas clássicas troadas que muitos de agora pensam como novas descobertas e luzes de glória! Mais valeria, realmente, renascer do nada!!!

É (talvez) por isso que só agora volto a escrever algumas notas dignas de publicitar. Por duas razões principais, apenas: primeiro, porque me deste novo alento ao saberes que volto a tentar fugir das garras do sempiterno senhor medo das trevas, ou melhor, medo dos sombrios vultos da cobardia institucionalizada, estatizada q.b. para que ninguém se sinta livre de uma qualquer persiganga a uma qualquer virtude não identificada pelo rolo compressor e unidimensionador do comportamento politicamente correcto. "Hiperdemocratizante" (agora escrevo a palavra com aspas). Serodiamente progressista.
Segundo, porque ao tratar de uma tradução de Ortega y Gasset, me relembro de quantas vezes não terei eu (e outros) lido nas tuas bicadas o que este ilustre filósofo do século passado com raízes no futuro também me está, também ele novamente, a ensinar.

Por isso, aqui deixo algumas das notas com que retrato esta evocação. Com saudades do tal futuro que sempre queremos trilhar, desbravar, perseguir como a uma estrela que nos indica o caminho ...!

"Há sobretudo épocas em que a realidade humana, sempre instável, se precipita em velocidade vertiginosa. A nossa época é dessa classe porque é de descidas e quedas."

"A mentira seria impossível se o falar primário e normal não fosse sincero. A moeda falsa circula apoiada na verdadeira. No final das contas, o engano vem a ser um humilde parasita da ingenuidade."

"Outrora podia ventilar-se a atmosfera confinada de um país abrindo-se as janelas que dão para outro. Mas agora esse expediente não serve de nada, porque em outro país a atmosfera é tão irrespirável como no próprio. Daí a sensação opressora de asfixia."

"...até a extravagante ideia do século XVIII, segundo a qual todos os povos hão de ter uma constituição idêntica, produz o efeito de despertar romanticamente a consciência diferencial das nacionalidades, que vem a ser como estimular em cada um a sua vocação particular."

"... há costumes europeus, usos europeus, opinião pública europeia, direito europeu, poder público europeu. Mas todos esses fenómenos sociais dão-se na forma adequada ao estado de evolução em que se encontra a sociedade europeia, que não é, evidentemente, tão avançado como o dos seus membros componentes, as nações."

"Onde quer que tenha surgido o homem-massa de que este volume se ocupa, um tipo de homem feito de pressa, montado tão somente numas quantas e pobres abstracções e que, por isso mesmo, é idêntico em qualquer parte da Europa. A ele se deve o triste aspecto de asfixiante monotonia que vai tomando a vida em todo o continente. Esse homem-massa é o homem previamente despojado de sua própria história, sem entranhas de passado e, por isso mesmo, dócil a todas as disciplinas chamadas “internacionais”. Mais do que um homem, é apenas uma carcaça de homem constituído por meros idola fori; carece de um “dentro”, de uma intimidade sua, inexorável e inalienável, de um eu que não se possa revogar. Daí estar sempre em disponibilidade para fingir ser qualquer coisa. Tem só apetites, crê que só tem direitos e não crê que tem obrigações: é o homem sem nobreza que obriga – sine nobilitate – snob."

"A velha democracia vivia temperada por uma dose abundante de liberalismo e de entusiasmo pela lei. Ao servir a estes princípios o indivíduo obrigava-se a sustentar em si mesmo uma disciplina difícil. Ao amparo do princípio liberal e da norma jurídica podiam aguar e viver as minorias. Democracia e Lei, convivência legal, eram sinónimos. Hoje assistimos ao triunfo de uma hiperdemocracia em que a massa actua directamente sem lei, por meio de pressões materiais, impondo as suas aspirações e os seus gostos."

"A missão do chamado “intelectual” é, em certo modo, oposta à do político. A obra intelectual aspira, com frequência baldada, a esclarecer um pouco as coisas, enquanto a do político só pode, pelo contrário, consistir em confundi-las mais do que estavam. Ser da esquerda é, como ser da direita, uma das infinitas maneiras que o homem pode escolher para ser imbecil: ambas, com efeito, são formas da hemiplegia moral. Ademais, a persistência destes qualificativos contribui não pouco para falsificar mais ainda a “realidade” do presente, que já fala de per si, porque se encrespou o crespo das experiências políticas a que respondem, como o demonstra o facto de que hoje as direitas prometem revoluções e as esquerdas propõem tiranias."

"Esse costume de falar para a Humanidade, que é a forma mais sublime, e, portanto, a mais desprezível da demagogia, foi adoptada até 1750 por intelectuais desajustados, ignorantes dos seus próprios limites e que sendo, por seu ofício, os homens do dizer, do logos, usaram dele sem respeito e precauções, sem perceberem que a palavra é um sacramento de mui delicada administração."

Por tudo isto evoco essa muito pertinente afirmação de que "só é moda o que passa de moda" - estes excertos são, repare-se, da obra de José Ortega y Gasset "A Rebelião das Massas", 1928.

PS: qualquer semelhança entre as proposições aqui citadas e apresentadas e qualquer das realidades por nós vivenciadas é mera semelhança do acaso, nestes tempos de conturbados determinismos, que a todos nos incomodam.

quarta-feira, abril 01, 2009

Nova era de MEDO

E, porque tudo se perfila com a "Anatomia do Terror", então eu digo:

Tenho estado a reflectir, também, sobre as razões quase subconscientes que me têm levado a não ser regular nas minhas postagens, neste ou noutros blogues que já criei. Sei de algumas dessas razões. Muito provavelmente, há outros ícones da subserviência pública e estatal, q. b., que o saberão melhor que eu, o próprio.

Tenho estado, mesmo debaixo de um período de descanso médico-compulsivo (dita baixa médica, derivado dessas circunstâncias de que os acima mencionados são bastante conhecedores e em que são exímios especialistas), a contribuir, directa ou indirectamente, para a retribuição a que a sociedade que me dá o vencimento mensal julgo ter sempre esse direito. E então lá vou escrevendo, criando ou repensando sobre tudo o que se reporta com a minha actividade académica e profissional. Aqui, neste burgo pseudo-condalense em que Deus quis que eu constituísse lar e mais família; e em Lisboa, onde, entre idas à Costa com a minha querida Mãe e os momentos que lhe roubo à sua solidão, não deixo de visitar e participar no que de mais vivo e notório emana da minha querida Escola que é o ISCSP, sempre em contacto com aqueles Professores que me dão o alento necessário para sentir e amar esta actividade que conquistou a minha paixão desde tenra idade. (Quanto já coloquei no prelo sobre este assunto, que um dia virá a lume, brando, brandinho, qu'é p'ra não haver ninguém que se possa dizer queimado ...!?).

Por tudo isto, e porque talvez não seja mera coincidência o facto de já ter começado a reler e a aprofundar leituras sobre o fenómeno, vêem-me à ideia a "Anatomia do Terror", de Andrew Sinclair, "Os Homens do Terror", de Hans Magnus Enzensberger, "Globalização, Democracia e Terrorismo", de Eric Hobsbawm, ou "Os Demónios", de Fiódor Dostoiévski. Não posso deixar de aconselhar, também, a abrangente antologia, com direcção do meu primeiro grande mestre em C. Política que foi o Prof. Doutor Adriano Moreira, Terrorismo, de que já fiz uma pequena recensão oral.

Reporto-me, por tudo isto, a mais uma das "opinadelas" deste já por mim mui citado colunista, cujo teor se encaixa, historicamente, neste tipo de fenómeno (as)social:

"POR OUTRAS PALAVRAS

"Perfilados de medo"

A memória é de geometria infinitamente variável e, sempre que os propósitos não se compadecem com escrúpulos, como acontece na guerra, a História pode ser escrita, reescrita e apagada à medida das conveniências. Foi assim que a Orquestra Juvenil Palestiniana "Cordas de Liberdade" (bonito nome…) foi agora dissolvida pelas autoridades de Jenin, na Cisjordânia, por ter tocado para um grupo de sobreviventes do Holocausto.

Compreende-se: para quem, como certos movimentos islâmicos e seus simpatizantes na extrema-esquerda e extrema-direita europeias, o Holocausto nunca existiu, ou foi um "pormenor", também não podem existir sobreviventes do Holocausto. Ora tocar para inexistências é impróprio de uma orquestra juvenil, pelo que também ela deve passar a não existir. Se o próprio Estado de Israel ainda existe é porque o longo braço da ontologia islâmica lá não chega. Chega já, porém, ao Reino Unido, onde o Holocausto e as Cruzadas foram retirados dos programas de História com medo (o medo, esse mestre mudo, sempre foi o grande educador dos infiéis) de ferir a "sensibilidade" da comunidade islâmica."

quarta-feira, janeiro 21, 2009

Novas 'roupas' de uma elite circulante?

Sobre o discurso da reformulação do Poder da elite dominante!

Será que estamos, finalmente, perante o virar da página do "white man's burden"? Será que esta presidência constituirá o precedente originário da superação das diferenciações raciais? Terá o desempenho desta Administração o reflexo exemplar que constituirá o modelo com que poderemos visualisar a próxima etapa da consciencialização cívica dos cidadãos do Mundo?

Assisti, mais uma vez, em directo e em diferido, a um ritual de investidura do Poder, actualmente a mais mediatizada do Planeta! Afinal, trata-se da imagem pública do representante da nação mais influente na cena internacional dos nossos dias.

Mas subscrevo, pelo menos quase na íntegra, esta nota (bicada) Sobre o Tempo Que Passa, de meu mui citado mestre JA Maltez.

sábado, janeiro 10, 2009

Mais umas buscas, possíveis surpresas, na mediocracia ... banal

Mais um balde de água fria, desta feita ... "à moda do Porto"!

Leio com alguma atenção mais esta  notícia "de cartaz", cujo conteúdo nos traz mensagem de alguma esperança. Mais uma! Para quê? No final de 'contas', todas feitas com a ética, a estética e dentro da actual oportunidade política, apenas nos resta a consolação de ficarmos, nós os pobres de carteira, a conhecer esta realização de tão prestimoso evento, iniciativa ainda levada a efeito por uma Fundação com alusiva e emblemática denominação encíclica. Cristo, creio (sem qualquer pretensão ou pejoração), ter-se-ia revoltado e derrubado as cadeiras e mesas de tão plutocrático empreendimento!

"O alicerce das coisas

Ética e política

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A saída da crise actual exige profunda reflexão ética, requer discernimento, sensibilidade, percepção espiritual, autocrítica, análise descodificada da realidade, abertura estética.

 Para analisar a actualidade importa convocar valores intemporais, escapar à idolatria da acção, do pragmatismo sem princípios. Aos seguidores de Jesus falta muito uma contestação e uma indignação proféticas, porque a espiritualidade cristã encarna no ser humano, na cultura, na estrutura, na conjuntura... As bem-aventuranças do Evangelho constituem apelo à transformação radical da sociedade para que não impeça os irmãos de serem irmãos. Homens e mulheres contemplativos do Deus de Jesus levam a solidariedade até às últimas consequências, necessariamente políticas. Jesus não teve apenas compaixão, viveu a paixão e deu a vida na cruz. Aproximou-se com a lucidez de Filho de Deus, caminhou com os pobres, experimentou a cruz da privação, da renúncia, do risco e até da conflitualidade, se necessário.

Ajudar as pessoas a não entrar em desespero, a não ficar na pura indignação sem sentido, requer grande capacidade de esperança com base ética e mesmo profética e utópica.

Com o tema ‘Ética e Política’, tem início, no próximo dia 12, em Lisboa, e no dia 13, no Porto, um curso livre em doze sessões, organizado pela Fundação Spes (www.fspes.pt). Esta Fundação foi criada pelo bispo do Porto, D. António Ferreira Gomes (1906-1989), exemplo claro da força das incidências éticas na vida cívica. Não é apenas o contexto dos cinquenta anos da sua ‘Carta a Salazar’ a conduzir o evento, mas a escolha da temática tem particular acuidade e será abordada por especialistas de diversos quadrantes, em ambiente de debate.

A oportunidade da iniciativa, no actual contexto mundial e nacional, merece especial atenção. A valorização da ética na política, na economia e na educação é caminho essencial, evidenciado no presente momento histórico. Mas o percurso tem pouco a ver com moralismos retóricos e tem tudo a ganhar com estilos inovadores de viver e de organizar a economia, a política e a educação. Seria fundamental que o ano de 2009 fosse de Inovação, nestes domínios e não apenas nas novas tecnologias.

É para contribuir neste sentido e preocupada em formar uma nova geração, capaz de romper com oligarquias de mais do mesmo, que a Fundação Spes promove o referido Curso de Ética e Política. Conto participar nas sessões de Lisboa, disposto a analisar as perspectivas lançadas pelos professores convidados. Aqui farei eco, quando oportuno.

D. Carlos Azevedo, Bispo Auxiliar de Lisboa"

Agora, olhando para os encargos  por quem quiser participar  nesta tão nobre e enriquecedora iniciativa (apenas os da inscrição, não contando com outras despesas adicionais, sobretudo as inerentes a quem tem de deslocar-se do seu local de residência), como se presume , mesmos para os mais baixos, ficamos a perceber quem nela poderá tomar parte!

Haja Deus!!!

Amen

sexta-feira, janeiro 02, 2009

Marxismo de casino e maoismo 'high tech'!

Depois da 'tempestade' do annus horribilis (leia-se a na futurologia para 2009), vem a hipócrita bonança do "Bom Ano Novo"! "... e o Tejo, está sempre novo"!!!

Vejo que do nevoeiro continua a não sair D. Sebastião algum, nem do Tejo nem do mar ...! Apenas reparo que D. José Policarpo descobriu que a pobreza também é uma consequência dos sistemas económicos, e que em tempos de crise há que ser mais exigente (...)?!!! Ainda me resta alguma memória do que se sabe que a Igreja é capaz, em tempos de solidariedade necessária, apesar da Companhia de Jesus (e eventualmente outras entidades de merecido destaque) ter outros reparos a fazer a tão sacra organização ...!

Também me recordo dos tempos em que, segundo o que me contavam os da minha geração mas nascidos e criados em Lisboa, se tomava banho nas docas de Alcântara, que eu apenas conheci já com a primeira Ponte sobre o Tejo, então dita de Salazar, onde alguns dos dejectos avistados nas correntes do rio eram os primeiros cúmplices dos sinais da emancipação da mulher ...! O que eu ainda não posso explicar aos meus filhos, acabados de fazer a Comunhão Solene!


Porquê? Porque também me lembro de ter alinhado (já aqui o disse), muito convictamente, no movimento estudantil de então (MAEESL), que contestava muito do que por esses tempos se vivia - sobretudo o capitalismo (leia-se holigárquico-financeiro e não, ainda na altura, selvático-devoreiro, que é como quem diz, da institucionalização da plutocracia banco-burocratizada dos comunistas reciclados q.b. e dos maoistas do voyeurismo repressivo 'high tech', outrora vozes afinadas da pretendida oclocracia) e o absurdo sócio-económico da política que sustentava a guerra colonial ...!!!

Assim, se o que de então contado aos jovens de hoje pode parecer surrealista, ou cómico-trágico, já os presentes factos que temos a obrigação histórica e social de registar serão os melhores recursos pedagógicos para a sua aprendizagem sócio-cultural! Isto é, a realidade presente afigura-se-nos como a melhor das evidências empíricas para que os futuros adultos não tenham de embarcar tanto em sonhos como nós tivemos, pois pelo menos muitos de nós passaram a travessia do deserto, navegaram na utopia, alimentaram alguma (pouca ou muita) fantasia, mesmo que, depois, tenham regressado pelo Tejo (...!?).

E deste modo chegados ao presente, que temos para comprovar o mérito dos sacrifícios então assumidos?
- Que mais vale continuar a sonhar com a realidade talvez possível de, um dia, se atingir, por ora ainda pura fantasia!
- Que a nova geração tem de recuperar alguma da aprendizagem da contestação socialmente imprescindível, se ainda quiserem ter, um qualquer dia, condições de dignidade sócio-humana mais condizentes com as expectativas que os seus progenitores lhes projectaram nos afectos dos respectivos lares!
- Que, por tudo isso, lutar é preciso, erguendo a voz contra aqueles que, dizendo que fazem, apenas dizem aquilo que qualquer um de nós pode dizer melhor! Porque o sabe melhor!

Por isso, volto a repetir mais uma das 'oh pinadelas' do articulista do J Notícias, para quem, estou certo (como em muitos outros ...) Marx não era marxista (embora não jogasse às cartas em casinos, nem andava de táxi) e Mao não exportava revoluções culturais (por si, seria só para consumo interno)! De Cuba, só os 'havanos' se fumavam!