quarta-feira, junho 14, 2006

Hoje ... de Outros Tempos

Revoluções maçónicas, carbonárias, republicanas, laicas, socialistas, elitistas, social-democráticas, ... e este Portugal eternamente adiado!
14 de Junho

- de 1910. A Maçonaria decide nomear uma «comissão de resistência» encarregada de colaborar de forma mais activa com a Carbonária.
“A Maçonaria decide, em assembleia geral, nomear uma «comissão de resistência» encarregada de colaborar de forma mais activa com a Carbonária (ver nota de desenvolvimento). Dessa comissão fariam parte, José de Castro, Miguel Bombarda, Machado Santos, Francisco Grandela entre outros. António José de Almeida e Cândido dos Reis são os representantes do Directório republicano, nesta comissão”
[1]
“Conspiração republicana – Juiz de instrução Almeida Azevedo em informação confidencial dirigida a d. Manuel II, reconhece que os republicanos preparam-se activamente para a revolução (9 de Junho). Machado Santos reúne cerca de mil carbonários, criando-se uma comissão de resistência para entrar em acção quando saísse a revolução para a rua, estrutura que não dependia do directório do PRP (14 de Junho). (…)” [2]
O que foi a Carbonária ?
“Como em quase toda a parte, também em Portugal a Carbonária foi muitas vezes uma associação paralela à Maçonaria (embora nem todos os maçons fossem carbonários). "Sociedade secreta essencialmente política", adversa do clericalismo e das congregações religiosas, tendo por objectivo as conquistas da liberdade e a perfectabilidade humana, impunha aos seus filiados "possuirem ocultamente uma arma com os competentes cartuchos". Contribuía directa e indirectamente para a educação popular e assistência aos desvalidos. "Tinha uma hierarquia própria, em certos aspectos semelhante à maçonaria, tratando os filiados por "primos". Os centros de reunião e aglomerações de associados chamavam-se, por ordem crescente de importância, "choças", "barracas" e "vendas". A Carbonária Portuguesa, à qual pertenceram pessoas da mais elevada categoria social, parece ter sido estabelecida em 1822 (ou 1823) "por oficiais italianos que procuravam, por meio de sociedades secretas, revolucionar toda a Europa Meridional". Até 1864 a sua intervenção fez-se sentir em muitos momentos críticos da vida nacional, pois todos os partidários políticos possuíam a sua carbonária. Depois de longo marasmo, desaparecem completamente. A indignação nacional suscitada pelo afrontoso ultimato da Inglaterra (1890) e as desastrosas consequências da revolta de 31 de Janeiro de 1891, com o seu cortejo de prisões, deportações e perseguições de toda a espécie, arrastaram a mocidade académica para as sociedades secretas. Mas foi em 1896 que surgiu a última Carbonária portuguesa, sendo completamente diferente das anteriores : diferente organização, ritual e até processos de combater. Foi seu fundador o grão-mestre Artur Duarte Luz de Almeida. A sua influência exerceu-se de maneira intensiva em quase todos os acontecimentos de carácter político e social ocorridos no País, nomeadamente naqueles que tinham em vista defender as liberdades públicas ameaçadas e combater o congreganismo e os abusos do clero. Tendo participado grandemente nos preparativos do movimento revolucionário de 28 de Janeiro de 1908, que abortou, a sua acção tornou-se depois decisiva para a queda da Mornaquia, mais acentuadamente a partir de 14 de Junho de 1910, quando, a propósito de apressar a revolução, em perigo pelo número crescente de civis presos e militares transferidos, a Maçonaria nomeou uma comissão de resistência encarregada de coadjuvar a implantação da República por uma colaboração mais activa com a Carbonária. A fragmentação do Partido Republicano, sobrevinda ao advento do novo regime político nacional, tornou inevitável a extinção da Carbonária portuguesa, tendo depois, até 1926, resultado infrutíferas todas as tentativas feitas para o seu ressurgimento.

(Dicionário de História de Portugal, 4 volumes, SERRÃO, Joel (ed. lit.), 1ªedição, Lisboa, Iniciativas Editoriais, volume I, 1963-1971, pp. 481-2 )” [3]

- de 1940. O exército alemão entra em Paris, previamente tornada cidade livre.

[1] História de Portugal em Datas, Círculo de Leitores, pág. 260
[2] MALTEZ, José A. E., Tradição e Revolução, Vol. 1, Tribuna da História, Lisboa, 2004, pág. 561.
[3] Retirado do Google.pt.

terça-feira, junho 13, 2006

Hoje ... de Outros Tempos

A "Alegria no Trabalho" e "Pessoa", em tempos de coexistências que sempre comemoraram o dia da morte santoantoniana.

13 de Junho

- de 1231. Morre Stº António, a caminho de Pádua.

SANTO ANTÓNIO
RETALHOS DA VIDA DE UM PREGADOR

Por Maria Luísa V. Paiva Boléo

Texto publicado na revista Público Magazine do jornal Público de 12-06-1994.
Revisto pela autora em 12-06-2005 para o site www.leme.pt

Lisboa está cheia de testemunhos de Santo António – o seu santo mais querido e popular. Os museus e bibliotecas portuguesas possuem quase tudo o que um erudito pode querer saber sobre este português fora do vulgar, que viveu nos primórdios da nacionalidade. Porém para a maioria dos lisboetas que não vão às bibliotecas e raramente aos museus, o dia 13 de Junho não passa de um agradável feriado em honra de Santo António, onde se aproveita para ir comer caldo verde e sardinhas assadas, de preferência junto aos bairros da Sé e ver as marchas populares.As crianças já não pedem umas moedas para enfeitar o trono do Santo e as meninas solteiras provavelmente já não lhe pedem um namorado. Tanta popularidade, oitocentos e dez anos depois do seu nascimento, leva-nos a recordar aspectos da vida deste santo, passada entre Lisboa, Coimbra e Pádua.

Desde 1140 que D. Afonso Henriques, o nosso primeiro rei, tentava a conquista de Lisboa aos Mouros, feito que só teve êxito sete anos depois, em 1147, depois de prolongado cerco imposto aos aguerridos Almóadas e com o oportuno apoio dos Cruzados, em número treze mil (grande exército de homens cristãos que vieram do Norte da Europa, rumo à Terra Santa, para expulsarem os Muçulmanos. Usavam uma cruz de pano como insígnia, daí o seu nome. Houve oito Cruzadas desde 1096 a 1270). Lisboa era pois uma cidade recém-cristã, quando na sua catedral foi a baptizar o menino Fernando Martins de Bulhões – Santo António, filho da fidalga D. Teresa Tavera, descendente de Fruela, rei das Astúrias e de seu marido Martinho ou Martins de Bulhões. Há dúvidas quanto ao apelido do pai, bem como se era ou não descendentes de cavaleiros celtas. Sabe-se sim que D. Teresa nascera em Castelo de Paiva e o marido numa terra próxima. Viviam em casa própria no bairro da Sé quando o recém-nascido veio a este mundo, no ano de 1145, embora alguns apontem como data de nascimento 1190 ou 1191.
Fernando frequentou a escola da Sé e até aos 15 anos viveu com os pais e com uma irmã de nome Maria. Aos 20 anos professou nos Cónegos Regrantes de Santo Agostinho em Lisboa, no Mosteiro de São Vicente de Fora. Nesta ordem monástica prosseguirá os seus estudos teológicos.
Rumou a Coimbra ao mosteiro de Santa Cruz, onde tinha à sua disposição a melhor biblioteca monacal do País. Nesse tempo era a abadia de Cluny, em França, que possuía uma das maiores bibliotecas da Europa, com um total de 570 volumes manuscritos, porque ainda não tinha sido inventada a imprensa. Aqui em Coimbra, sendo já sacerdote toma o hábito de franciscano, em 1220. Segundo os seus biógrafos, Santo António terá lido muito, e não foi por acaso que se tornaria pregador.
O mundo cristão vivia intensamente a época das Cruzadas. A chamada «guerra santa» desencadeada contra o Islão. E da parte dos Muçulmanos dava-se a inversa, luta contra os cristãos. Ambos acreditavam que a fé os levaria à vitória. De Oriente a Ocidente os exércitos batalham, e neste turbilhão surgem novas formas de espiritualidade. Em 1209 Francisco de Assis (S. Francisco) abandona o conforto e luxo da casa paterna, para, com outros companheiros, se recolher numa pequena comunidade, dando origem a uma nova reflexão sobre a vivência do Evangelho. É a aproximação à Natureza, à vida simples e à redescoberta da dignidade da pobreza preconizada pelos primeiros cristãos. Em poucos anos, homens e mulheres, alguns ainda bem jovens e filhos de famílias abastadas e poderosas sentem-se atraídos por esta vida de despojamento e sacrifício, com os olhos postos no exemplo de Cristo. A Portugal também chegaram ecos deste novo misticismo.Em Janeiro de 1220 são degolados em Marrocos, pelos muçulmanos, cindo frades menores (franciscanos) e todo o mundo cristão sofre um enorme abalado. A própria Clara de Assis (Santa Clara), praticamente da mesma idade que Santo António (nasceu em 1193 ou 1194) vai querer partir para Marrocos para converter os sarracenos, mas Francisco de Assis seu amigo de infância e seu orientador espiritual não lho permite.
Por cá o nosso futuro Santo António, já ordenado padre, decide mudar de Ordem religiosa e também ele passa a envergar o hábito dos franciscanos. È nesta ocasião que muda o nome de baptismo de Fernando para António e vai viver com outros frades no ermitério de Santo Antão (ou António) dos Olivais, na altura um pouco afastado de Coimbra, nuns terrenos doados por D. Urraca, mulher do rei D. Afonso II.
Em meados de 1220 chegam, com grande pompa religiosa, ao convento de Santa Cruz de Coimbra, as relíquias dos mártires de Marrocos e esse acontecimento vai ser decisivo no rumo da vida de Santo António. Parte para Marrocos, sentindo também ele que é chamado a participar na conversão dos chamados infiéis. Porém adoece gravemente e não podendo cumprir aquilo a que se propunha, teve de embarcar de regresso a Lisboa. Só que o barco é apanhado numa tempestade e o Santo vê o seu itinerário alterado ao sabor de uma vontade superior. Acaba por aportar à Sicília num período de grandes conflitos armados entre o Papa Gregório IX e o rei da Sicília, Frederico II. Relembra-se que várias regiões do que é hoje a Itália unificada eram reinos independentes e este ambiente de guerras geradoras de insegurança e perigos.
Em Maio de 1221 os franciscanos vão reunir-se no chamado Capítulo Geral da Ordem, onde Santo António está presente. No final os frades regressam às suas comunidades de Montepaolo, perto de Bolonha, onde, a par da vida contemplativa e de oração, cabe também tratarem das tarefas domésticas do convento. Aqui os outros frades reparam na grande modéstia daquele estrangeiro (Santo António) e jamais suspeitaram dos seus profundos conhecimentos teológicos. Findo aquele período de reflexão, como que um noviciado, os frades franciscanos são chamados à cidade de Forlì para serem ordenados e Santo António é escolhido para fazer a conferência espiritual. E começa a falar. Ninguém até ali percebera até que ponto ele era conhecedor das Escrituras e como a sua fé e os seus dotes oratórios eram invulgares.
Pelo que se sabe quando começou a falar imediatamente cativou os outros frades e a sua vida seria a partir daquele dia de pragador da palavra de Cristo. Percorrerá diversas regiões da actual Itália, entre 1223 e 1225. Por sugestão do próprio São Francisco vai ser mestre de Teologia em Bolonha, Montpelier e Toulouse.
Quando S. Francisco morre, em 1226, Santo António vai viver para Pádua. Aqui vai começar por fazer sermões dominicais, mas as suas palavras tão cheias de alegorias eram de tal modo acessíveis ao povo mais ou menos crente, que passam palavra e casa vez mais se junta gente nas igrejas para o ouvir. Da igreja passa para os adros para conter as multidões que não param de engrossar. Dos adros passa a falar em campo aberto e é escutado por mais de 30 mil pessoas. É um caso raro de popularidade. A multidão segue-o e começa a fama de que faz milagres. Os rapazes de Pádua têm mesmo que fazer de guarda-costas do Santo português tal a multidão à sua volta. As mulheres tentam aproximar-se dele para cortarem uma pontinha do seu hábito de frade como uma relíquia.
O bispo de Óstia, mais tarde papa com o nome de Alexandre IV, pede-lhe que escreva sermões para os dias das principais festas religiosas que eram já muitas na época. Mais tarde seria este papa a canonizá-lo. Santo António assim faz. São hoje importantíssimos esses documentos escritos, porque Santo António com pregador escreveu pouco. Apenas lhe são atribuídos Sermones per Annum Dominicales (1227-1228) e In Festivitatibus Sanctorum Sermones (1230) .
Sentindo-se doente, o santo pediu que o levassem para Pádua onde queria morrer, mas foi na trajectória, num pequeno convento de Clarissas, em Arcela, que Santo António «emigrou felizmente para as mansões dos espíritos celestes». Era o dia 13 de Junho de 1231.Depois, como é sabido, foi canonizado, em 1232, ainda se não completara um ano sobre a sua morte. Caso único na história da Igreja Católica. Já que nem São Francisco de Assis teve tal privilégio.
Os santos como Santo António, há muito que desceram dos altares para conviverem connosco, os simples mortais, que tomamos como nosso protector e amigo. O seu sumptuoso sepulcro, em mármore verde em Pádua, na igreja de Santo António é o tributo do povo que o amou e é muito mais do que um lugar de peregrinação e de oração. Através dos séculos, a sua fama espalhou-se por todos os continentes. No dia 13 de Junho de cada ano, Lisboa e Pádua comemoram igualmente a passagem por este mundo de um português que pregou a fé e morreu em Pádua. Como todos os santos é universal.
(Retirado do Google.pt)

- de 1645. Início da Insurreição Pernambucana, que levará à expulsão dos holandeses do Brasil.

UM POUCO DE HISTÓRIA DO RECIFE
“Quando Duarte Coelho aqui chegou, em 1535, batizou a sua capitania de Nova Lusitânia, em homenagem à sua pátria - o nome que não permaneceria por muito tempo, talvez como um sinal de que esta viria a ser a capitania mais rebelde ao domínio português. Ficaria conhecida por Pernambuco que significa "Mar Furado".
Duarte Coelho não deu muita importância àquela terra enlameada, cheia de manguezais, foz de não sei quantos rios e riachos. Preferiu fincar sua corte na alta e ladeirosa Olinda, de onde se podia apreciar melhor o litoral (e os invasores). Bom, pelo menos aquela barreira de arrecifes proporcionava um bom porto natural, e foi assim que surgiu a povoação dos Arrecifes, em 1548.A cultura açucareira na capitania desenvolvia-se depressa; a riqueza instalava-se em Olinda.
Tanta fartura chamou a atenção dos Holandeses, que nos séculos XVI e XVII se dedicavam a práticas variadas tais como comércio, pirataria e invasões em geral. Assim, em 1630, 70 navios, 7000 homens e 200 canhões desembarcaram na costa pernambucana, na praia de Pau Amarelo, ao norte de Olinda. Como primeira providência para enfraquecer os portugueses, incendiaram Olinda, em 1631.
Com a capital destruída, onde se estabelecer? Para os holandeses, certamente nada lembrava mais a terra natal que o povoadozinho do porto, já rebatizado de Recife. Naturalmente, para acomodar a nova corte, mais espaço teria de ser ganho às aguas. E assim drenaram-se rios, aterraram-se mangues, construíram-se pontes. O principal artífice desta transformação chegaria ao Brasil em 1637: o Príncipe Johann Mauritius van Nassau-Siegen (em bom português, Maurício de Nassau), comandante das tropas holandesas e governador-geral da província.
Tomado de amores pelo lugar, lá decidiu construir o seu sonho pessoal de cidade: a Cidade Maurícia, projetada pelo arquiteto Pieter Post, irmão do pintor Frans Post. A primeira ponte foi construída em 1643, chamada de Ponte Nassau. A ela seguiram-se outras pontes (hoje há 39, só no centro) dois palácios, igrejas e ruas. Só que a idéia da Companhia das Índias Ocidentais não era bem transformar Recife numa metrópole, e sim conseguir lucros com as plantações de cana-de-açúcar. Daí uma certa irritação com Maurício de Nassau, que resultou no seu chamado de volta à Holanda, em 1644. Sem Maurício de Nassau, cessaram as festas, os saraus e os empréstimos, e começaram as cobranças de dívidas. Os portugueses acharam então que chegara a hora de expulsar os invasores.
A resistência dos portugueses à invasão holandesa foi tênue. Do litoral, apenas o porto era protegido por dois fortes (de São Jorge e de São Francisco) e ofereceu certa resistência. Daí os membros da resistência se refugiarem no interior, construindo o Arraial do Bom Jesus. Nesse local, onde hoje fica o sítio da Trindade, no bairro de Casa Amarela, os portugueses resistiram por cinco anos, até o dia 8 de Junho de 1635. A partir daí, e durante a presença de Maurício de Nassau, a resistência portuguesa foi pouca ou nula.
Com o retorno de Maurício de Nassau à Holanda e a cobrança de dívidas dos senhores de engenho por parte da Companhia das Índias Ocidentais, a elite pernambucana decidiu pegar em armas para expulsar os invasores, através de um movimento chamado Insurreição Pernambucana. É interessante o facto de que o movimento não teve apoio formal da Coroa portuguesa, cujos diplomatas na época encontravam-se ocupados tentando vender o Nordeste brasileiro à Holanda!
Tendo como líder o senhor de engenho João Fernandes Vieira, o movimento conseguiu importantes vitórias frente aos Holandeses em 1645, no Monte das Tabocas (na cidade de Vitória de Santo Antão, a 45Km de Recife) e no Engenho de Casa Forte (no bairro de mesmo nome). Mas a vitória definitiva viria após as duas batalhas do Morro dos Guararapes (na vizinha cidade de Jaboatão), em 1648 e 1649. Este local é hoje considerado o berço do exército brasileiro. A retirada completa das tropas holandesas ainda seria demorada: somente a 27 de Janeiro de 1654 os portugueses retomariam o controle do Recife. Em 6 de Agosto de 1661, em troca de uma indenização de oito milhões de florins, os holandeses assinariam acordo em Portugal renunciando a qualquer pretensão sobre terras brasileiras.
A semente de desenvolvimento plantada pelos holandeses germinou em Recife. Pouco a pouco a cidade, lar de comerciantes e pequenos burgueses, chamados mascates, suplantaria a capital Olinda, lar dos tradicionais senhores de engenho. O ciúme entre as cidades irmãs culminou com a guerra dos mascates, em 1710.
O espírito revolucionário contaminou o sangue dos Recifenses. A capital pernambucana seria palco de várias revoltas, como a Revolução de 1817 e a Confederação do Equador, de 1824. Nelas se destacaria a figura de Frei Caneca, religioso fuzilado pelos seus ideais libertários. Recentemente, os mesmos ideais norteariam o trabalho de D. Hélder Câmara à frente da Arquidiocese de Olinda e Recife: a sua voz calma e mansa foi o instrumento mais poderoso de combate às atrocidades cometidas pela ditadura militar no Brasil nos anos sessenta e setenta.
Em resposta ao Texto acima, o Miguel Monteiro faz um complemento:
Os Portugueses nunca procuraram vender o Nordeste Brasileiro. Apenas negociaram a indeminização que os holandeses, aproveitando-se da situação débil de Portugal, exigiram pelos prejuízos da expulsão, em troca do reconhecimento da Restauração da Independência de Portugal face a Espanha.

Ainda que talvez pouco importante para si, não se deve ignorar essa época (triste) da História de Portugal, até mesmo para entender a invasão "holandesa" no Brasil, à luz de alguns factos pouco divulgados;

1. As relações próximas de António Prior do Crato (único pretendente/oponente de Filipe de Espanha ao trono de Portugal em 1580) com Maurício de Nassau, um dos seus apoiantes no exílio que se seguiria.

2. Os judeus dos Países Baixos como impulsionadores da Companhia das Índias Ocidentais.
Sendo que boa parte desses judeus eram à época, originários de Portugal.

3. Manuel de Portugal, filho do Prior do Crato, que acompanhou o pai no exílio, casou em 1597 com Emília de Nassau - princesa de Orange (irmã de Maurício de Nassau).

Coincidências???”
(Retirado do Google.pt)

- de 1888. Nasce Fernando Pessoa, em Lisboa.
Cronologia da Vida e Obra de Fernando Pessoa
1888 Nasce, a 13 de Junho, o poeta Fernando António Nogueira Pessoa, no 4º andar esquerdo do nº 4 do Largo de São Carlos em Lisboa, filho de Maria magdalena pinheiro Nogueira e de Joaquim de Seabra Pessoa.
1889 Data do nascimento de Alberto Caeiro
1890 Data do nascimento Álvaro de Campos
1893 Em janeiro, nasce Jorge, irmão do poeta. A 13 de Julho, morre, tuberculoso, Joaquim de Seabra Pessoa, pai de Fernado Pessoa, com 43 anos de idade.
1894 Em Janeiro, morre o irmão Jorge. A mãe do poeta, D. Maria Magdalena Pinheiro Nogueira Pessoa, conhece o comandante João Miguel Rosa.
Criação do primeiro heterónimo: Chevalier de Pas.João Miguel Rosa é nomeado cônsul interino em Durban, África do Sul.
1895 Fernando Pessoa escreve, em Julho, a sua primeira poesia: À minha querida mamã.
A 30 de Dezembro, casa, por procuração, D. Maria Magdalena, com o comandante João Miguel Rosa.
1896 Partida para a África do Sul de D. Maria Madalena e o filho, no início do mês de Janeiro.
Nasce Henriqueta Madalena, irmã do poeta
1897 Fernando Pessoa inicia a instrução primária na escola da West Street, e em três anos alcançaria a equivalência de 5 anos.
1898 Nasce, em Outubro, a 2ª filha do casal Miguel Rosa, Madalena Henriqueta.
1899 Em Abril, Fernando Pessoa matricula-se na High Scholl, Form II-B. Em Junho passa para a Form II-A. Em Dezembro ganha o Form Prize na Form II-A. Neste ano cria o heterónimo Alexandre Search, em nome do qual, escreve cartas para si mesmo.
1900 Em Janeiro, nasce o 3ª filho do casal, Luís Miguel. Em Junho, Fernando Pessoa passa para a Form III e é premiado em Francês
1901 Fernando Pessoa faz, em Junho, o exame da Cape Scholl High Examination. Falece Madalena Henriqueta.
Em Agosto, Fernando Pessoa vem de visita, com a família, a Portugal.
1902 Nascimento do 4º filho do casal Miguel Rosa, João Rosa. Regresso da família a Durban, em Setembro. Fernando Pessoa matricula-se na Commercial School, em Durban.
1903 Faz exame de admissão à Universidade do Cabo da Boa Esperança. Lê Shakespeare, Milton, Byron, Poe, Keats, Shelley, Tennyson. Escreve poemas em inglês assinados por Alexandre Search.
Surgem os heterónimos Charles Robert Anon e H.M.F. Lecher.
1904 Regressa novamente à High Scholl, e entra na Form IV. Ganha o Prémio Rainha Vitória, concedido ao seu ensaio de inglês, prova de exame de admissão à Universidade do Cabo. Nascimento de outra filha do casal, Maria Clara. Em Dezembro, faz a Intermediate Examination em Artes, da Universidade do Cabo. Terminam os seus estudos na África do Sul.
1905 Parte sozinho para Lisboa e vai viver com a avó Dionísia e as duas tias, na Rua da Bela Vista,17.
1906 Matricula-se no Curso Superior de Letras de Lisboa. A família volta, de férias a Lisboa. Morre, durante esta estadia, a irmã Maria Clara.
1907 Abandona o curso, sem concluir o primeiro ano. Monta, com o dinheiro herdado da avó Dionísia, uma Tipografia a que dá o nome de Empresa Ibis - Tipografia Editora - Oficinas a Vapor, que mal chega a funcionar.
1908 Entra no comércio como «correspondente estrangeiro», profissão que desempenhará ao longo de toda a vida
1910 Funda-se no Porto a revista A Águia, 1ªfase.
1911 Pessoa é encarregado de traduzir para português uma Antologia de Autores Universais, dirigida por um editor americano.
1912 Funda-se, em janeiro, a Renascença Portuguesa, no Porto. A Águia, dirigida por Teixeira de Pascoaes, torna-se o órgão desse movimento. Em Abril, publica em A Águia, órgão da Renascença Portuguesa, o seu primeiro artigo, A nova Poesia Portuguesa Sociologicamente Considerada, onde profetiza o surgimento de um «Supra-Camões». Inicia a sua correspondência com Mário de Sá-Carneiro o qual, de Paris, o põe ao corrente das novas correntes como o cubismo e o Futurismo. Nasce na mente do poeta Ricardo Reis. Após viver algum tempo num rés-do-chão da Rua da Glória, muda-se para a Rua do Carmo, 18-1º, e depois vai morar com a sua tia, D.Ana Luísa Nogueira de Freitas, na Rua Passos Manuel, 24-3ºEsq.
1913 Escreve a poesia Pauis, que iria dar origem ao paúlismo. Contacta com Almada Negreiros e Mário de Sá-Carneiro. Escreve O marinheiro, drama estático.
Colabora no semanário teatro e prossegue a sua colaboração com A Águia. Escreve Epithalamium e Hora Absurda.
1914 Surge Alberto Caeiro e o texto O Guardador de Rebanhos. Escreve a Ode Triunfal e Opiário, atribuídas a Álvaro de Campos. Escreve Chuva Oblíqua, texto-chave do Interseccionismo. Muda-se para a Rua Pascoal de Melo, para casa da tia Anica Em Junho, escreve a 1ª poesia de Ricardo Reis. Em carta a Sá-Carneiro, datada de Julho, declara ter atingido o período completo da sua maturidade literária. Rompimento com os poetas de A Águia.
1915 Vive algum tempo na Leitaria Alentejana, devido à partida da tia Anica para a Suiça. Sai, em Abril, o primeiro número do Orpheu. Sai, em Julho, o segundo número do Orpheu. Mário de Sá-Carneiro parte para Paris. Período de intensa produção literária de Fernando Pessoa e dos heterónimos. Data possível da morte de Alberto Caeiro.
1916 Em Abril, suicida-se, em Paris no Hotel de Nice, Mário de Sá-Carneiro. Almada Negreiros publica o Manifesto Anti-Dantas. Em Setembro, anuncia-se a saída do 3º número do Orpheu, que não chega a aparecer. Colabora em revistas como Centauro e Exílio.
1917 Sai o primeiro e único número de Portugal Futurista, revista publicada por Almada Negreiros e Santa-Rita Pintor onde Álvaro de Campos colabora com a insercção de Ultimatum. Reside na Rua Bernardim Ribeiro, 11, 1º.
1918 Morrem Santa-Rita Pintor e Amadeo de Sousa Cardoso. Pessoa publica os seus poemas ingleses Antinous e 35 Sonnets.
1919 Apesar de o ter dado como morto, escreve nesta data, uma série de poemas (Poemas Inconjuntos) em nome de Alberto Caeiro. Ricardo Reis exila-se no Brasil. Morre, em Pretória, o comandante João Miguel Rosa, padrasto do poeta.
1920 Escreve a 1ª carta de amor e inicia-se o namoro com Ophélia Queirós. Muda-se para a Rua Coelho da rocha, onde vai habitar com a mãe e os irmãos.
1921 Publica os seus English Poems (I, II e II) por uma casa de edições criada pelo próprio (Olisipo).
1922 Colabora com assiduidade na revista Comtemporânea.
1924 Início do surrealismo em França. Sai em Outubro o primeiro número da revista Athena, que Fernando Pessoa dirige com o pintor Ruy Vaz.
1925 Morte da mãe do poeta. Athena cessa a sua publicação.
1926 Pessoa dirige com o cunhado, coronel Caetano Dias, a Revista de Comércio de contabilidade, cujo primeiro número sai em Janeiro desse ano, e na qual publica artigos sobre temas sócio-económicos.
1927 Publica-se em Coimbra o primeiro número da «folha de arte e crítica» - Presença.
1929 Recomeça o namoro com Ophélia Queirós. Empreende com António Botto, a publicação de uma antologia de Poetas Portugueses Modernos.
1930 Entra em correspondência com o do mago inglês Aleister Crowley e recebe a sua visita em Setembro. O mago desaparece, nesse mês, misteriosamente na Boca do Inferno, em Cascais, desaparecimento no qual Fernando Pessoa participa. Período fecundo de criação poética heterónima e ortónima.
Prossegue a sua colaboração com a Presença.
1931 Publica na Presença a tradução do Hino a Pã, de Aleister Crowley.
1932 Candidata-se, sem sucesso, a um lugar de conservador de um Museu bibliográfico, em Cascais. Colabora com a Presença, onde publica Iniciação bem como fragmentos do Livro do Desassossego.
1933 Atravessa uma grave crise de neurastenia.
1934 Aparece, em Dezembro, a Mensagem. É-lhe atribuída, nesse mesmo mês, pela publicação da Mensagem, a segunda categoria do prémio Antero de Quental, do Secretariado de Propaganda Nacional.
1935 É internado, em 28 de Novembro, com uma cólica hepática, no Hospital de S.Luís, em Lisboa, onde morre a 30 de Novembro..
Quadro cronológico resultante da adaptação e do resumo da cronologia da vida e obra do poeta apresentada por João Gaspar Simões (in Fernando Pessoa - breve história da sua vida e da sua obra, Lisboa, Difel, 1983), por José Augusto Seabra (in Fernando Pessoa ou o Poetodrama, Imprensa Nacional da Casa da Moeda) e por Maria José de Lencastre (in Fernando Pessoa uma fotobiografia, Lisboa, Quetzal Editores, 1996)."
(Retirado do Google.pt)

- de 1935. É criada a FNAT - Federação Nacional para a Alegria no Trabalho, que imita a organização nazi Força pela Alegria e a fascista Doppo Lavoro.
(retirado do Portal da História)

“Através do Decreto-Lei nº 25 495, o governo de Salazar cria a Federação Nacional para a Alegria no Trabalho (FNAT).
À semelhança das actividades de Doppo Lavoro desenvolvidas pelo regfime fascista italiano, a FNAT procurará, em colaboração com o SPN, enquadrar os tempos livres dos trabalhadores de forma a promover e a reforçar uma imagem positiva do Estado Novo.
Concretiza, quer actividades de «mera diversão», quer iniciativas de cariz político-ideológico explícito.” [1]
[1] História de Portugal em Datas, Círculo de Leitores, pág. 327.

segunda-feira, junho 12, 2006

Letras do Pensamento

Continuando nas raízes orientais do nosso pensamento, em vésperas de mais uma comemoração de Stº António de Lisboa:

Para este nome já intemporal da nossa cultura, “Deus surge como o Fundamento de todo o sistema, Princípio dos princípios, Causa das causas, Ser, Bem, Verdade e Beleza absolutas. (…)”Se os Sermões antonianos se centram essencialmente numa mensagem de salvação e reflectem uma espiritualidade, o entendimento do Homem a quem se dirige ocupa neles um lugar fulcral. Daí que possa afirmar-se que encontramos dispersos pelos textos os elementos fundamentais para a construção de uma antropologia marcada, naturalmente, pela vivência cristã, mas contendo significativos elementos racionalizantes que a estruturam em síntese lúcida.
Para António o homem surge claramente como ser cósmico, inserido na natureza pelo seu corpo que é formado pelos mesmos elementos: terra, ar, fogo e água.
A analogia macrocosmos/microcosmos é, assim, uma das linhas dominantes do pensamento antoniano que a utiliza como primeira definição da situação do homem para o analisar exaustivamente, o entender na sua possibilidade relacional com outras realidades ─ o mundo, a comunidade humana, Deus ─ e abrir as suas possibilidades até ao infinito. (…)” [1]

E por que não irmos novamente ao reencontro das nossas raízes filosóficas do Islão Ocidental? Revejo-me, por exemplo, no ideário deste grande vulto da cultura andaluza do século XI que foi Abu Muhammad Ali ibn Hazm (Ibn Hazm): “poeta, historiador, jurista, filósofo e teólogo defensor da doutrina zahirita … dá conta da alta qualidade do ensino que então se ministrava no Andaluz.
(…) Num dos seus livros mais célebres, o Fisal, Ibn Hazm estabelece uma espécie de enciclopédia dos conhecimentos das diferentes religiões com quem o Islão estava em contacto. Para pôr em evidência os dogmas do Islão, analisa os limites do conhecimento, as concepções da eternidade ou da criação do mundo, expondo o que considera os seus erros, até chegar à verdade do monoteísmo.
(…) No seu livro O Colar da Pomba escreve: o amor «consiste na união entre partes de almas que neste mundo criado andam divididas». Ligadas a esta causa cósmica universal, há uma série de causas segundas que determinam cada amor concreto. A concepção platónica do amor acompanha todo o escrito.

Pertences ao mundo dos anjos ou ao dos homens?
Diz-me porque a confusão zomba do meu entendimento.
Vejo uma figura humana mas se uso da minha razão
acho que o teu corpo é um corpo celeste.
Bendito seja O que equilibrou o modo de ser das suas criaturas
e fez que por natureza fosses maravilhosa luz.
Não posso duvidar que és um puro espírito atraído a nós
por uma semelhança que enlaça as almas.
Não há mais prova que ateste a tua encarnação corporal
nem outro argumento de que eras visível.
Se os nossos olhos não contemplassem o teu ser, diríamos
que eras a Sublime Razão Verdadeira
[2]


O amor udri é o que buscamos mas não alcançamos, como o da escava que desapareceu na Porta dos Dragoeiros e o apaixonado todos os dias procura em vão. (…)” [3]

[1] Pacheco, Maria Cândida, História do Pensamento Filosófico Português, Círculo de Leitores, Vol I, 2ª Parte: O ciclo franciscano, Stº António de Lisboa, 2002, pp. 185 e ss.
[2] Ibn Hazm, El Colar de la Paloma, tradução espanhola de Emílio Garcia Gomez, Madrid, Alianza Editorial, 1971, p. 107, citado na História do Pensamento Filosófico Português, ob. cit., pp. 163-164.
[3] Idem.

domingo, junho 11, 2006

Hoje ... de Outros Tempos

Já depois das "medalhasoens", e porque já foi dia da raça, este

10 de Junho

que, então do ano de 1580, assinala a data provável da morte de Luís Vaz de Camões (o primeiro grande evocador do universalismo lusíada, também por isso tornado ainda hoje como o dia de Portugal e das Comunidades Portuguesas), ano este em que também morreu o Cardeal D. Henrique, ou em que D. António, prior do Crato, é aclamado Rei em Santarém, quando se preparava a invasão de Portugal pelo exército espanhol, com entrada de Felipe II, surge a peste, Nagasáqui era doada aos jesuítas e Fernão Mendes Pinto concluía a sua Peregrinação. [1]

- de 1580. Morte de Luís de Camões (data provável). Terá nascido provavelmente em 1525.

- de 1880. Comemorações do tricentenário da morte de Luís de Camões, aproveitadas pelos republicanos que o associam ao renascimento da Pátria.

- de 1911. Cortejo cívico em Lisboa, em homenagem a Luís de Camões.

- de 1926. O arquitecto catalão Antoni Gaudi morre devido a atropelamento, em Barcelona.

- de 1942. Na vila checa de Lidice, todos os 172 homens e rapazes com mais de 16 anos são mortos, em retaliação pela morte do chefe das SS e governador do Protectorado alemão da Boémia-Moravia, actual território da República Checa, Reinhard Heydrich. As mulheres foram enviadas para o campo de concentração de Ravensbruck onde a maior parte morreu. Noventa crianças foram enviadas para o campo de Gneisau. A vila foi completamente arrasada.

- de 1944. O Estádio Nacional é inaugurado oficialmente no decorrer das comemorações do «Dia da Raça». [2]

“Integrado nas comemorações do «Dia da Raça» e contando com a participação de milhares de jovens filiados da MP/MPF e da FNAT («desfilando marcialmente» em fato de ginástica ou com farda de gala), realiza-se em Lisboa , com a presença de Óscar Carmona e Oliveira Salazar, a cerimónia oficial de inauguração do Estádio Nacional.
Construído no âmbito de um programa de obras públicas lançado pelo Estado Novo na fase preparatória das «Comemorações do duplo Centenário», visou afirmar, também no campo desportivo, a grandeza e a superioridade do Portugal «regenerado» devido à acção dos líderes da «Revolução Nacional».
A adopção de uma linguagem arquitectónica «ultra» neo-clássica resulta, no essencial, da reprodução das concepções estéticas monumentalistas e teatrais do III Reich nacional-socialista” [3]

quero precisar, no entanto, a importância sociológica e política que tem para a cidadania, que só se entende livre de "inclinações" conceptuais, a necessiade de revisitarmos o que entendemos por raça, porque da raça muitas vezes poucos são o que sabem do que estão a falar, sobretudo quando a querem inscrever em qualquer intenção nacionalista ou pseudo-nacionalista. Para tal não tenho aqui melhor do que a remissão para mais uma excelente aula de politologia (com um tratamento conceptual muito iscspiano) que é a exortação antropagógica que o meu mui citado mestre JA Maltez faz do tema, no seu Novas e velhas reflexões sobre a nação, em dia que já foi da raça, contra racistas e ideologias pretensamente científicas.

[1] Adaptado da História de Portugal em Datas, Círculo de Leitores, pág. 106.
[2] Retirado do Portal da História.
[3] História de Portugal em Datas, ob. cit., pág. 341.

sábado, junho 10, 2006

Letras do Pensamento

O Fim da Incerteza
Porque escrevo este título com maiúsculas? Porque, ao estar a tentar ver um filme que me faça passar a ligeira insónia, depois de um serão ao ar pouco livre na atmosfera de mais uma feira de vaidades que também se fazem nas escolas públicas portuguesas, com rituais de hipocrisia (apenas encoberta com o esforço daqueles que, institucionalmente, ainda merecem a admiração da res publicae que servem - como é o caso dos que efectivamente da concretização de mais um número anual desta Revista Avenida do Minho
que se faz nesta Escola Pública onde sirvo a comunidade), dou comigo em casa a pegar no portátil, a ligá-lo ao blogger e a "retaliar" o filme que a TV pública passava a esta hora, "O Princípio da Incerteza". E, ao jeito de mais uma das minhas Cogitadelas, dou comigo a constatar que, mais uma vez, os ditos "agentes de socialização" nos induzem no atrasadismo, tal é a distância que medeia entre o significado deste título que agora contemporizo na realidade que passa e a certeza cada vez maior do que nos deveriam, muito democraticamente, confessar os que sabem que o povo se vai consciencializando, cada vez mais, da canalhocracia lusitana que nos domina! A começar pelas escolas de Portugal, sobretudo (como será lícito esperar) as do Ensino Público, onde se esconderão, muito provavelmente, as mais vis subversões do Estado português!!!
E porquê este apontamento na rubrica Letras do Pensamento, que é dedicada à interpretação dos factos sociais, que vamos testemunhando, mas naquela perspectiva de uma crítica social que já tem referência e enquadramento na literatura sobre o pensamento filosófico de cariz portuguesa? Porque, como quis referir com o título deste artigo, chegamos ao fim de um ciclo, certamente, tantos são os dados concretos que retiramos daquilo a que vamos assistindo no nosso quotidiano social, em que não devemos ter mais dúvidas sobre quem nos tem dirigido, como temos sido governados e porquê as coisas (sobretudo os assuntos públicos) têm seguido o rumo dirigido a este estado em que nos encontramos! Com ênfase especial para o facto de, historicamente falando, não estarmos a assistir a algo de novo, mas sim a uma espécie de repetição ou reformulação de cíclicos episódios históricos!
Estamos, com a certeza que terão os princípios que possam definir uma nova interpretação realista dos factos (portanto isentos de qualquer carga ideológico-partidária ou, mesmo, teórico conceptual) perante uma espécie de tiranocracia (em que o tirano, por mais que queira assumir-se como legítimo, nunca poderá conseguir esse estatuto jurídico-político, dado tratar-se de um princeps não conformado com os reais interesses dos súbditos, mas tão somente com os daqueles que constituem o próprio corpo orgânico que é esse gigantesco domínio absoluto dos meios de controlo socializante das instituições que ele próprio cria)! E nova interpretação, sim, mas a partir de princípios que, não tendo forçosamente de ser novos, continuem a corresponder aos valores que mais e melhor sublimem as aspirações da polis, que não pode ser sem cidadãos, mas apenas com eles! Assim sendo, convém dizê-lo, há autoritarismos mais democráticos que alguns democratismos tirânicos, quando transformam a maioria dos interessados numa autêntica hipocrisia com que se apresenta a governação atenta aos maiores interesses de uma minoria cada vez maior.
Agora, que as certezas começam a clarificar a nossa memória à medida que se confirmam no nosso colectivo cepticismo dos "brandos costumes", mais certo ainda está a metodologia dos escalonadores do Poder, dentro d o funcionalismo subserviente dos politicamente correctos à esquerda e à direita do Poder cada vez mais clandestino, à revelia dos mecanoismos legitimadores de uma democracia que apenas se vende em campamnhas eleitorais, nunca se cumpre no campo das realizações existenciais dos seus mais legítimos destinatários.
Mas estas "Letras do Pensamento" ainda irão buscar as raízes do que na nossa cultura filosófica para a educação tem para lembrar, contrariando muitas das expectativas educacionesas dos que hoje, de nada se lembrando porque certamente pouco aprenderam, cairam no esquecimento do papel que cabe aos mais activos intervenientes agentes da Educação em Portugal.
Fica para breve nesta rubrica.

quarta-feira, junho 07, 2006

Hoje ... de Outros Tempos

Maomé, Portugal e ... o resto do Mundo!
7 de Junho

- de 632. Morte do profeta Mahomet, em Medina.

por Guilherme Pereira (Jornalista)
Maomé

"Oportunamente casado com uma viúva rica, 15 anos mais velha, alguns dos elementos biográficos do profeta Maomé equiparam-no a outros líderes religiosos. Para o bem e a desgraça.

Diante do choque cultural e político entre o islamismo e o Ocidente verificado desde a Revolução Iraniana promovida pelo ayatola Khomeini em 1979, talvez convenha reflectir sobre os fundamentos da religião islâmica e a sua relação com as classes políticas.


Maomé (Mohamed, em árabe) nasceu em Meca por volta de 570, filho de Abdallah e Amina, do clã dos Beni Hashemi, um ramo pobre da tribo dos coraixitas, a tribo que dominava Meca durante o século VII.

Naquela época, a tribo constituía a célula social básica em toda a Arábia, algo que já ocorrera cerca de 1500 anos antes entre os israelitas. O pai de Maomé morreu antes do futuro profeta nascer. A mãe faleceu quando o petiz tinha apenas seis anos.

Aos 25 anos, Maomé passou a trabalhar para uma viúva rica, Cadija, 15 anos mais velha do que ele, com quem se casou. Teve quatro filhas, das quais apenas uma, Fátima (que depois se tornaria nome de santa católica) teve descendentes com Ali, filho de Abu Talib.
A chamada iluminação de Maomé é também um mistério, sendo comum as tradições religiosas apresentarem quinquilharias equiparadas para seus grandes profetas ou presuntivos messias, desde Moisés a Buda, Jesus, Constantino, Shabetai Zvi e outros.
Segundo a tradição, o profeta meditava numa das grutas do Monte Hira, quando ouviu a voz do anjo Gabriel mandando-o recitar a shahada, que se tornaria a profissão de fé do islamismo. Foi Cadija quem o encorajou a revelar a sua visão. Maomé continuou, ao que a propaganda berra, recebendo as suas revelações, mas frequentemente hostilizado ao pregar em Meca. Apenas alguns (poucos) pobres se dispuseram a levar a criatura a sério, posto que a humanidade é sempre feita dos seus cépticos encartados, pouco dispostos a crer em charlatães.
Mas, pouco a pouco, foram aumentando os seguidores, incluindo gente da nobreza, como Abu Bakr, seu primeiro sucessor.

Aumentaram, também, as hostilidades contra a nova religião. Maomé deu à sola para a Abissínia, entre 615 e 616. Em 619 morreram os seus protectores, Abu Talib e Cadija e, em 622, depois de sofrer um atentado, decidiu abandonar Meca definitivamente. O homem não se tratava mal - mudou-se para Iatrib, um rico oásis a 400 quilómetros ao norte de Meca. Esta transferência ficou conhecida como a hégira e marca o início do calendário islâmico.
Medina era habitada por uma maioria de pagãos e por judeus, organizados em torno da sua vida comunitária, com escolas, rabinos e um sistema jurídico próprio. Em pouco tempo, Maomé conseguiu converter a maioria dos pagãos e obrigou, nem sempre por métodos pacíficos, muitos judeus a aceitar a sua fé. A partir desta "república islâmica" que se tornou Medina é que o profeta iniciou sua jihad contra Meca. No ano 632, Maomé fez nova peregrinação a Meca, acompanhado por 80 mil seguidores. Foi durante esta peregrinação que o profeta removeu os ídolos da Caaba - templo em forma cúbica, situado na mesquita central de Meca, onde se encontra a famigerada Pedra Negra, que segundo a tradição foi dada pelo anjo Gabriel a Ismael (filho de Abraão) para selar a aliança de Deus com os homens, reservando o templo apenas a Alá. Pouco depois de regressar a Medina, neste mesmo ano, Maomé morreu, ao que se sabe de morta macaca.
Após a sua morte, o islamismo conquistou (quase sempre pela violência)crescentes adeptos, inicialmente em todo o mundo de fala árabe e, posteriormente, entre outros povos. As duas fontes do islamismo são o Alcorão e a suna, que está sintetizada no hadiz.
Ao contrário da propaganda oficial, o Alcorão não foi escrito directamente por Maomé. A sua versão actual corresponde a uma compilação feita em 652 pelo terceiro sucessor do profeta, o califa Otman, embora o assunto seja tudo menos pacífico. O livro tem 6.226 versículos agrupados em 114 capítulos (suras), que não estão organizados por ordem cronológica, mas segundo a dimensão. Os ulemás dividem o Alcorão em quatro grandes temas: as crenças da fé (al ágida), os cultos (al ibáda), a moralidade (al ajilág) e as relações sociais entre os homens (al muamalát).
Com respeito às duas outras religiões monoteístas do planeta, o islão critica os judeus por serem considerados, conforme a Bíblia, o "povo escolhido de Deus" e por não admitirem que o Alcorão siga a tradição da Torá. Os cristãos são criticados por afirmarem que Cristo seja o filho de Deus. Ainda assim, o islão garante (ao menos teoricamente) protecção (dhimma) aos judeus e cristãos, desde que mantenham seu culto restrito aos locais adequados (sinagogas e igrejas) e não causem distúrbios na comunidade islâmica.
Com o passar do tempo, o islão viu-se dividido entre três correntes básicas: os xiítas, sunitas e sufistas. A origem da divisão entre sunitas e xiítas é uma questão sucessória. Ali Ibn Abu Talib, genro de Maomé (casado com sua filha, Fátima), era o preferido do profeta na função de seguir a sua obra como chefe islâmico. Mas em função de uma série de factos, geralmente mal explicados, Ali foi empossado como quarto califa somente em 655. Em 661, foi assassinado e o cargo passou às mãos do governador da Síria, Mowiya, que conquistou o apoio da maioria islâmica.
A minoria, os xiítas, simpatizante de Ali, não aceitou esta situação, preiteando que o califado passasse para as mãos de Hassan e Hussein, filhos de Ali. Mas ambos acabaram também sendo assassinados, iniciando uma sangrenta tradição de sangue na religião do deserto.
A seita dos sunitas, que hoje constitui cerca de 90% dos muçulmanos, originou-se dos primeiros apoiantes de Moawiya. O seu nome deriva de suna, e tendem a agir de forma mais pragmática quanto às coisas terrenas.
O terceiro grupo são os sufistas, uma corrente exotérica islâmica. Estão mais preocupados com as questões espirituais da mensagem de Maomé, de que com as questões de natureza ortodoxa.
Espero não ser metralhado pela simples revelação de factos iniludíveis, onde borbulham traições, controvérsia e o sangue que jorra, quantas vezes com uma brutalidade inqualificável, em nome de disputas ferozes e caseiras em partes iguais.

Todas as religiões – a Católica infelizmente incluída - têm dezenas de milhões de esqueletos cinicamente arquivados nos armários de milénios.

Mistérios, omissões ou trapaças, são mais que muitos. Já agora: em que texto bíblico ou evangelho se explica por que paragens andou Jesus Cristo entre os 12 os 30 aos?

Os evangelhos aludem a Cristo, aos 12 anos, no templo. Depois, retomam a discursata oficiosa quando ele tem 30 anos, no Rio Jordão. Quem explica 18 anos de uma das mais fantásticas figuras do nosso misticismo colectivo – admiro Jesus Cristo, embora seja ateu, graças a Deus - seguramente a mais investigada, antes de Che Guevara?

No fundo, o Zé Pagode, de Bagdad, Nova Deli ou Madrid, paga a factura de hediondas zangas de comadres s edentas de poder que, hoje, municiam a pauta ideológica de genocídios ao arrepio da Humanidade, da Paz e dos homens bons.

Francamente, não dou para esse peditório, brindado pelas generosas contradições de Bush, Bin Laden e sus muchachos."
(Retirado do Google.pt, em)

- de 1494. Assinatura do Tratado de Tordesilhas.

- de 1755. Criação da Companhia Geral do Grão-Pará e Maranhão, que será estabelecida pelo Alvará de 30 de Outubro de 1756.

- de 1801. Assinatura do Tratado de Badajoz, que é antedatado para 6 de Junho, por conveniência do embaixador francês. Portugal perde a cidade e o termo de Olivença.
(Retirado do Portal da História)

terça-feira, junho 06, 2006

Fiat Lux (Do Observatório Social)

E, para complementar a visão que tem sido apresentada sobre esta artificial mas tão crucial polémica, aqui vai mais esta do Portal da Fersap:

Opinião dos pais será consequente
Enviado por Domingo, Junho 04 @ 12:55:26 WEST por Amaral
Hoje Público escreveu: "A apresentação da proposta ministerial para a revisão do estatuto da carreira docente valeu à ministra da Educação uma das semanas em que mais críticas recebeu. A 14 de Junho, Maria de Lurdes Rodrigues enfrentará mais uma greve de professores, convocada pela Fenprof [Federação Nacional dos Professores]. Lamenta que o debate esteja a ser tão extremado e "com grande exagero na argumentação" e apela aos críticos para que façam propostas mais construtivas.Entrevista em Leia Mais...(Entrevista à ministra da Educação pelo PÚBLICO e Rádio Renascença)Que nota dá aos professores portugueses?Não se podem dar notas aos professores portugueses em abstracto. Cada um deverá ser avaliado, poderá ter direito à sua nota, mas não será dada por mim. Será dada pelos seus pares, pela escola onde exerce funções e eu defendo que é também indispensável uma componente de avaliação externa. A proposta do Governo agora em discussão é que sejam os pais a participar nessa avaliação. Penso que, entre os diversos agentes com intervenção exterior à escola, os que têm melhores condições para perceber o desempenho dos professores, sobretudo nas matérias relativas à capacidade de relação e comunicação, são os pais.Que peso terá essa classificação na avaliação global do professor?Essa é uma matéria que está em discussão. As questões da avaliação são muito difíceis e não há modelos perfeitos. Mas isso não nos deve impedir de os ter. Todos os sistemas sujeitos a avaliação melhoram com ela. É isso que pretendemos com o sistema de ensino. Espero ainda que possamos avançar para a avaliação das escolas em paralelo com a dos professores. Porque eu não vejo o trabalho dos professores de forma isolada do contexto em que ele se exerce. Há escolas em que o trabalho é mais exigente e mais difícil. A avaliação dos docentes tem de ter em consideração a dificuldade do contexto em que se insere.Voltando à questão da participação dos pais. Acha exequível que numa família com três ou quatro filhos um dos pais esteja em condições de avaliar 18 ou 20 professores?Esse é um exemplo muito concreto. Os pais são muito diferentes, como diferentes são os alunos, os professores, as escolas. A desigualdade económica e social é uma das características do nosso sistema. De novo, isso não pode ser um obstáculo, mas uma variável que temos de considerar, estudar e ultrapassar. Há pais que participam, pais que não participam, que estão envolvidos na escola com diferentes motivações. De uma coisa ninguém tem dúvida: quanto mais qualificada e empenhada a intervenção dos pais, melhor as condições de aprendizagem das crianças. Então temos de criar condições para que esta participação seja possível, de qualidade e consequente.Por mais diferentes que os pais sejam, têm em comum o facto de ter uma visão muito subjectiva e, eventualmente, faltar-lhes a capacidade técnica para fazer uma avaliação rigorosa do professor.Não está em causa avaliar a capacidade técnica do professor. A avaliação de desempenho tem muitas dimensões: científica, pedagógica, relacional, de participação na organização. Tudo isto deve ser segmentado e devem ser chamados a participar na avaliação diferentes actores.Essa participação traduzir-se-á numa percentagem?Uma percentagem que pode ser mínima. A nossa proposta é uma proposta minimalista. Eu não aceito críticas como os pais não têm condições, os pais são analfabetos. Alguns serão, mas mesmo assim terão muita competência.A ideia é tentar levar os pais à escola, pelo menos?Melhorar a qualidade da participação dos pais nas escolas é um dos objectivos que se podem conseguir. Neste momento é difícil porque as escolas têm tendência para se fechar aos pais. E em muitos casos os pais sentem que não têm uma participação efectiva e consequente. O seu testemunho pode ajudar a despistar casos extremos de desempenho deficiente, porque os pais são os primeiros a perceber as dificuldades de alguns professores no acompanhamento das crianças.A participação pode ser minimalista mas tem de ser consequente. E os riscos podem ser minimizados. Não precisa de ser uma avaliação directa, a nossa proposta é que seja filtrada pelo conselho executivo. Podemos exigir que, para haver avaliação, os pais participem em todas as reuniões, que façam um acompanhamento regular dos seus filhos na escola. Desta forma podemos dar passos significativos na melhoria das escolas e na participação dos pais.Outros dos factores que serão tidos em conta são as notas dos alunos. Não poderá haver uma subversão do sistema, com os docentes a darem boas notas aos alunos que não merecem?O que está apontado na proposta é que serão considerados os resultados. Podem ser as provas de aferição, os exames, ou seja, elementos que não resultam da avaliação interna da escola. O risco que vejo é que seja posta uma ênfase excessiva na orientação dos professores para esses resultados. Como disse no início, não há modelos perfeitos de avaliação. A proposta requer uma participação efectiva dos sindicatos e está aberta à discussão pública. O que tenho percebido é que o debate tem sido muito extremado, com grande exagero na argumentação. Perante uma proposta é preciso ter uma opinião mais construtiva. Tem-se discutido muito, por exemplo, a lista de funções para a profissão docente, mas faltam sugestões concretas sobre o que falta ou o que está a mais.04.06.2006

Fiat Lux (Do Observatório Social)

Agora sim! Para que conste: já tive processos disciplinares por dizer muito menos (por apontar culpas à liderança da minha Escola, entre outas acusações cabalísticas promovidas pelos visados, já sofri um mês de suspensão com perda de vencimento)! E agora, vão processar a Srª Ministra?

Ministra da Educação culpa docentes pelo insucesso escolarEnviado por Terça, Maio 30 @ 14:40:40 WEST por Amaral
Um Pai escreveu: "A ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, responsabilizou os professores pelo insucesso escolar e a falta de qualificação dos alunos e criticou o funcionamento dos estabelecimentos de ensino, noticia hoje a imprensa. Leia Mais e ComenteNa abertura de uma série de seminários, promovidos pelo Conselho Nacional de Educação, no Fórum da Maia, Maria de Lurdes Rodrigues disse que o trabalho dos professores «não se encontra aos serviço dos resultados e das aprendizagens».Maria de Lurdes Rodrigues lamentou também que a escola não esteja a combater as desigualdades sociais.A título de exemplo, refere o Jornal de Notícias, a ministra referiu-se à organização dos horários escolares que, segundo sublinhou, privilegia os alunos melhores, assim como os filhos de funcionários das escolas.«No conjunto de regras de funcionamento da escola tem de se lhe inscrever a preocupação com os resultados dos alunos, medidos quer nas provas de aferição, quer pela qualidade dos diplomas e das competências adquiridas pelos alunos», realçou.Os professores não ficaram incólumes no discurso da ministra da Educação, que considerou ser uma classe com uma cultura profissional (que comparou com os médicos) que não têm como objectivo o sucesso educativo dos alunos, escreve o Diário de Notícias na sua edição de hoje.«[Os docentes] Não são orientados para os casos mais difíceis. Os melhores professores ficam com os melhores alunos e os docentes com pior estatuto na casa levam com as turmas difíceis», afirmou a ministra, garantindo ainda não haver trabalho em equipa nas escolas.Alguns docentes presentes no evento não gostaram das palavras da ministra e protestaram, exortando a governante a adoptar um discurso que respeite a sua dignidade profissional.A governante já apontou várias vezes a falta de mobilização da escola para os resultados dos alunos.No início do mês, em Oliveira de Azeméis, Maria de Lurdes Rodrigues disse que o Ensino Secundário não pode continuar «a preparar alunos apenas para o acesso à universidade».O cenário traçado segunda-feira pela ministra da Educação veio agravar o descontentamento dos professores, gerado pela apresentação das propostas de alteração ao Estatuto da Carreira de Docente, no fim-de-semana passado.Para os sindicatos do sector, as declarações de Maria de Lurdes Rodrigues são «lamentáveis» e «perigosas».Paulo Sucena, da Federação Nacional de Professores (Fenprof), assegurou ao DN que as acusações da ministra - dizendo que as escolas e os docentes não estão orientados para os resultados - «não correspondem à verdade pois, se assim fosse, «não haveria professores a leccionar no interior ou nas áreas urbanas mais marcadas pela indisciplina dos alunos».Já João Dias da Silva, da Federação Nacional de Educação (FNE), disse ao DN que «as generalizações são sempre perigosas e dão mau resultado».Apesar de admitir que possa haver falhas em certos serviços, o responsável lembra todas as escolas que se preocupam com os resultados e até vão mudando a sua actuação em função deles, escreve o DN.Diário Digital / Lusa 30-05-2006 "
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Fiat Lux (Do Observatório Social)

A célebre ''avaliação'' e o que diz a proposta
Enviado por Domingo, Junho 04 @ 13:46:16 WEST por Amaral


Eu até já tinha avisado que isto ia dar que falar ... "Tomem lá, que é democrático"!

Artigos de opinião antonioamaral escreveu: "Diz o ditado que não se nasce ensinado, pois se pode desculpar a a ignorância. Mas o que dizer de tantos comentadores que opinam sobre tudo e mais alguma coisa, do "ouvi dizer", do "li a notícia", mas não se dão ao trabalho de irem às fontes, de lerem os documentos?

Se esses "iluminados", geralmente pagos para debitarem o seu discurso, em vez de dizerem "eu sobre isso não sei, mas acho que...", fizessem o que lhes compete, ou seja, de se documentarem, prestavam um serviço útil, em vez de alimentarem a confusão e a ignorância.

No caso, bastava lerem a proposta de alteração ao Estatuto da Carreira Docente. Assim, nos Itens de classificação, Artigo 46.º, na alínea h) do ponto 2, lê-se: "Apreciação realizada pelos pais e encarregados dos alunos que integram a turma leccionada, em relação à actividade lectiva dos docentes".
E, no ponto 3 do mesmo Artigo: "A apreciação dos pais e encarregados de educação é promovida no final de cada ano escolar, pelo director de turma, e traduz-se no preenchimento de uma ficha de modelo a aprovar nos termos do n.º 5 do artigo 44.º". E, este Art. 44.º "Intervenientes no processo de avaliação", p. 5, diz: "Junto de cada escola ou agrupamento de escolas funciona a comissão de coordenação da avaliação que integra três membros do conselho pedagógico, um dos quais o seu presidente, que coordenará, bem como os vice-presidentes ou adjuntos da direcção executiva da escola". E, uma das competências desta comissão é "Garantir o rigor do sistema de avaliação, através da validação ou confirmação dos dados constantes das fichas de avaliação".

Afinal de contas, o DL 115-A/98, não consagra a escola como inserida numa "Comunidade Educativa" representada por docentes, pais e encarregados de educação, alunos e pessoal não docente?

Para quê, tanto barulho!?"


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Hoje ... de Outros Tempos

Dia D, ou o começo da concretização da invasão americana da Europa, ainda sem MacDonald's!

6 de Junho

- de 1714. Nasce D. José, filho de D. João V e de D. Maria Ana de Áustria, futuro rei de Portugal.

- de 1755. Lei que restitui aos Índios do estado do Grão-Pará e Maranhão a liberdade das suas pessoas e bens.

- de 1784. Bocage, oficial de marinha, é considerado desertor.

- de 1861. Cavour, ministro do rei da Sardenha, artífice da unidade italiana em torno da casa real de Sáboia, morre.

- de 1926. Gomes da Costa entra triunfalmente em Lisboa, afirmando a vitória militar da «Revolução Nacional».

“Uma vez concluída a concentração de tropas em Santarém, afirmando a vitória militar da «Revolução Nacional» ─ bem como a sua própria supremacia política ─, Gomes da Costa entra triunfalmente em Lisboa à frente de cerca de 15 000 homens provenientes de unidades militares do Norte, Centro e Centro-Sul do país.” [1]

- de 1944. Dia D. Desembarque das tropas aliadas na Normandia.


“Na alvorada de mais um dia 6 de Junho, o Dia D é relembrado na Normandia. Hoje, como então, a maré está baixa. Hoje, como então, a areia endurece debaixo dos pés. Toco com a mão numa viga ferrugenta enterrada na areia, um vestígio das barreiras que revestiam esta praia em 1944. Esta manhã, o céu está carregado. Hoje, como então, vai ser um dia cinzento.


Este é um excerto da reportagem que pode encontrar na edição impressa da NGM – Portugal.

Todos os anos, em Junho, chegam a esta praia grupos de homens silenciosos, que por aqui passeiam, acompanhados pelos familiares e pelas recordações. Um deles é Joseph Vaghi, um enérgico e caloroso oficial veterano da Marinha, responsável pela orientação das manobras de desembarque durante o Dia D num sector sangrento da praia de "Omaha" baptizado com o código de "Easy Red". "Era uma espécie de polícia de trânsito", recorda. Encontro-me com ele no alto das falésias ventosas que se debruçam sobre aquelas areias cinzentas, hoje tão vazias e serenas.
Ali perto fica o cemitério americano, com 9.387 sepulturas, 23 das quais pertencentes a membros da unidade de Joe, o Sexto Batalhão Naval das Praias. Cabia-lhes desactivar minas, marcar corredores no mar para os navios de desembarque, tratar dos feridos atingidos a tiro na posição adiantada da praia e carregá-los para os navios de evacuação através do mar ensanguentado. No dia em que nos encontramos, Vaghi participa na inauguração de um monumento tardio à memória dos camaradas caídos em combate. Segundo afirma, rindo-se, a unidade militar a que pertenciam era tão discreta que as forças armadas dos EUA - e até a própria Marinha - se esqueceram deles durante quase 60 anos. Foi para conhecer homens como Joe Vaghi e ouvir as suas histórias que viajei até à Normandia no Verão passado. Queria descobrir os pedaços fascinantes de história e de heroísmo que, durante décadas, ficaram em grande parte por contar. Muitas destas histórias perderam-se porque o mar se fechou sobre elas, selando bocas para sempre.

(Texto de Thomas B. Allen)
Leia a história completa nas páginas da National Geographic Magazine.”
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[1] História de Portugal em Datas, Círculo de Leitores, pág. 308.

domingo, junho 04, 2006

Hoje ... de Outros Tempos

4 de Junho

E de como nesta data de 1989 ainda se acham sangrentas ditaduras ditas repúblicas populares.

- de 1624. Carta régia que permite a expulsão de Lisboa de pessoas «inquietas e escandalosas».

- de 1738. Nascimento do futuro rei inglês Jorge III (1738-1820). Foi considerado inapto para governar devido a loucura em 1812.

- de 1941. O antigo imperador alemão Guilherme II morre na Holanda, local de exílio desde 1918, ocupada pelo exército alemão.

- de 1989. O governo chinês ordenou ao Exército que expulsasse da Praça de Tiananmen, em Pequim, os manifestantes que a ocupavam desde 16 de Abril. O exército usará tanques, transportes de tropas blindados, metralhadoras, gás lacrimogéneo e bastões para o conseguir matando mais de 3.000 pessoas, prendendo cerca de 1.600 manifestantes, dos quais 27 foram executados. (ver desenvolvimentos deste artigo no Legítima Mente)
Retirado do Portal da História

sábado, junho 03, 2006

Fiat Lux (Do Observatório Social)

Há críticas assim, mas ... o bom senso deve, inevitavelmente, imperar:

Há muitos motivos para protestarmos, desde há já muito tempo, pelas mais variadas razões socialmente releantes, a que vamos assistindo ou nas quais vamos participando. E esta da educação, como não pode deixar de ser, é socialmente abrangente. Isso nem merece discussão. Mas ... porque é que tanta gente protesta, tantas vezes, desde há tanto tempo, e quase não se vislumbram, por mais t+énues que sejam, medidas efectivamente implementadoras de uma melhoria na qualidade do ensino? Será assim tão difícil como equilibrar o déficit? Talvez nem seja tão crónico como a dívida pública!(?) ...
Leio com alguma satisfação, nos desabafos deste interactivo companheiro que é o Jumento, o coice que o 'animal' dá nas opiniões que se divulgam acerca desta vital questão que é a da educação! Mas ainda lhe falta mais qualquer coisa. A saber, estabeleceria um triângulo basilar desta problemática, formado apenas pelo grupo dos interessados que são os professores, por um lado, e as escolas onde estão, uns acomodados, outros presos no 'lodo' dos interesses daqueles, por outro; no vértice, como não poderia deixar de ser, está o Orgão que deverá ser o representante da sociedade, inscrito na máquina da governação que atende a estes fins, mas que, presentemente, não os tem sabido pertinentemente definir: o Ministério da Educação! Este nunca poderá deixar de ser o rpimeiro culpado do insucesso escolar que se tem verificado, porque é o primeioro responsável! Segundo, as escolas que, com ou sem a conivência tácita daquele Orgão supervisor, têm realmente tido uma preocupação maior em gerir os recursos que nunca são suficientes para as necessidades que enfrentamos, por vias frequentemente de legalidade duvidosa (lembro-me de, por exemplo, haver escolas que alugam cacifos de 'aloquete', aos os alunos que os requesitarem, mensal ou anualmente, logo no início do ano lectivo, para lá deixarem, praticamente todos os dias, livros e cadernos (entre outros haveres), e os espaços já rareiam para atender a tantas solicitações! O que é isto, pedagogicamente falando? É um autêntico atentado! Quem tem interesse nisto? Os professores? Não é minimamente plausível! Mas, a maior ignomínia, é ainda aquela de se perseguir, psocologica ou, mesmo, disciplinarmente, quem se pronuncie, dentro do mais estrito direito que lhe é reconhecido pelo exercício da profissão docente, contra este estado de coisas!!! Isto é de bradar aos céus,!!! Ajudai-nos, Senhor, porque o que estamos a passar é de fazer corar Sodoma e Gomorra!!!
E isto não pode, com certeza, ficar por aqui!!!
(Comentários de um Professor desesperadamente indignado)!!!

terça-feira, maio 30, 2006

Hoje ... de Outros Tempos

30 de Maio

- de 1662. Casamento de D. Catarina, filha de D. João IV, com Carlos II de Inglaterra.
- de 1672. Nascimento de Pedro o Grande (1672-1725), imperador da Rússia. Foi responsável pela ocidentalização da Rússia, edificando a cidade de São Petersburgo.
- de 1834. As ordens religiosas masculinas são extintas e os seus bens nacionalizados. A medida é da responsabilidade de D. Pedro, enquanto regente, e de Joaquim António de Aguiar, que passa por isso a ser conhecido por «o Mata-Frades».
- de 1926. O primeiro governo saído do golpe militar de 28 de Maio entra em funções. É presidido pelo comandante Mendes Cabeçadas, herói da Revolução de 5 de Outubro de 1910.

(Tirado do Portal da História)

Ver desenvolvimentos em Legítima Mente

Ainda sobre o 28 de Maio de 1926

Por detrás das reportagens,

Há os pormenores que só quem tem informações muito detalhadas consegue descrever, com significado muito mais profundo na alma de quem as vê, os cenários com que devem ser evocados certos factos históricos.
Sobre o tema em epígrafe, leia-se o interessante post do meu mui citado mestre JAM, em O Tempo Que Passa.

segunda-feira, maio 29, 2006

Hoje ... de Outros Tempos

29 de Maio

- de 1453. Constantinopla é conquistada pelos Turcos, que lhe dão o nome de Istambul. É o fim do Império Bizantino. Marca, na cronologia histórica, a passagem da Idade Média para a Idade Moderna.
- de 1660. A monarquia inglesa é restaurada na pessoa de Carlos II, representante da dinastia Stuart. O rei casará mais tarde com a infanta portuguesa D. Catarina de Bragança, filha de D. João IV.
- de 1848. Criação da Carbonaria Lusitânia, sociedade secreta, fundada em Coimbra, defensora do regime republicano.
- de 1915. Teófilo Braga é proclamado presidente da República, em substituição de Manuel de Arriaga, que se tinha demitido do cargo. Completará o mandato deste até 5 de Outubro de 1815.
- de 1917. Nascimento do Presidente dos Estados Unidos da América John Fritzgerald Kennedy, em Brookline, Massachusetts. Será o mais novo presidente americano.
- de 1953. Edmund Hillary e Narkey Tensing escalam, pela primeira vez, o monte Everest (tecto do Mundo com 8848 m de altitude), nos Himalaias.

Fontes: Portal da História.

(ver desenvolvimentos em Legítima Mente)

domingo, maio 28, 2006

Hoje ... de Outros Tempos

28 de Maio [1]

- de 1357. Com a idade de 66 anos, morre em Lisboa D. Afonso IV, que governou Portugal durante 32 anos.

- de 1911. Primeiras eleições legislativas do regime republicano. A legislação eleitoral é praticamente igual à da monarquia, não sendo estabelecido um sistema eleitoral democrático. Há 850.000 eleitores, dos quais só 60% votarão.
[1] Retirado do Portal da História.
- de 1926. Um golpe militar iniciado em Braga e comandado pelo general Gomes da Costa pôs fim à 1.ª República. (Este assunto tem desenvolvimento interessante em O Tempo Que Passa).
- de 1933. Membros do Partido Nacional-Sindicalista, os «camisas azuis» chefiados por Rolão Preto, surgem fardados nas comemorações do 28 de Maio realizadas em Braga.
- de 1940. A Bélgica rende-se aos alemães.

- de 1952. É inaugurado no Porto o Estádio das Antas.

- de 1961. A Amnistia Internacional é fundada em Londres pelo advogado Peter Berenson. Tendo lido que alguns estudantes tinham sido presos em Portugal, lançou uma campanha para a sua libertação com o nome Apelo à Amnistia.

- de 1975. As sedes do MRPP são ocupadas pelo Comando Operacional do Continente (COPCON), comandado por Otelo Saraiva de Carvalho, que prende alguns dos seus dirigentes.
Ver desenvolvimentos em Legítima Mente
Fontes: Portal da história; História de Portugal em Datas, Círculo de Leitores.

sábado, maio 27, 2006

Hoje ... de Outros Tempos

27 de Maio

- de 1823. Sublevação militar dirigida pelo infante D. Miguel, filho de D. João VI, conhecida pela Vila-Francada. Terminou com a primeira experiência liberal portuguesa, iniciada com a Revolução de 1820.
- de 1834. D. Pedro IV é apupado no Teatro de S. Carlos, quando assistia à representação do Il Pirata, de Belini, devido à amnistia proclamada pela Concessão de Évora-Monte. Terá um ataque de hemoptises e adoecerá. Morrerá em Setembro seguinte.
- de 1871. Antero de Quental lê o texto das Causas da Decadência dos Povos Peninsulares nos Últimos Três Séculos, no decurso das Conferências Democráticas do Casino Lisbonense, mais conhecidas por Conferências do Casino.
- de 1974. É afixado em decreto o primeiro salário mínimo nacional, Esc. 3.300$00 mensais.
- de 1980. É restabelecida, em Coimbra, a tradicional festa da Queima das Fitas. A festa tinha deixado de se realizar em 1969.
(Tirado do Portal da História)
Pode ver os desenvolvimentos no Legítima Mente

quarta-feira, maio 24, 2006

Boas Vindas ao 1º Parceiro no Publicista

Que as "Letras do Pensamento", o "Observatório Social" e os "Horizontes da Academia"

Sejam para si espaços de expressão que se dispam da 'poeira' que traz a inibição e o bloqueio pelo medo, o constrangimento de quem vive condicionado, ou a hipocrisia dos ignorantes. E assim sendo, que estes não sejam os únicos meios que aqui encontre para manifestar a criatividade que adivinho em si, e que certamente saberá 'publicitar'.
E porque de uma parceira se trata, aproveito o ensejo para também lhe dedicar este poema, simples mas muito sugestivo de quantos vivem como pensam, o que por certo será um bom exemplo de uma das músicas que aqui quero fazer reviver, porque vale a pena, em mensagem psi ... . Como veremos, este é para si 'terreno' caseiro, o de necessitarmos de traduzir as letras de músicas feitas em comunhão de sentimentos com os seus destinatários ... que bons que foram estes anos de uma musicologia com apogeu, talvez, naqueles mágicos anos 70 ... muitos vamos esperar por esses posts, Ana Márcia! Obrigado!

Three Roses

Sitting by the fireside with a book in your hand
Two lazy dogs sittin' watchin' your man
Three roses were bought with you in mind
Three roses were bought with you in mind
I gotta stop and see what I'm on about
Stop and feel what I want I gotta
Stop and see what I'm on about
Stop and feel what I want with you
Ah

Walking through a wonderland, I got you by the hand
Every move we made, just as if it were planned
Three roses were bought with you in mind
Three roses were bought with you in mind

I gotta stop and see what I'm on about
Stop and feel what I want I gotta
Stop and see what I'm on about
Stop and feel what I want with you
Ah

(album America, dos America)
America - Three Roses (America)

terça-feira, maio 23, 2006

Fiat Lux (Tiradas de Reflexão Pura)

E porque há verdades verdadeiramente platónicas ...

Já não sei como me destrinçar, no pensamento, entre as rubricas que comecei a assinar como "Cogitadelas" e estas "Tiradas de Reflexão Pura", que começaram no Fiat Lux, esse blogue para o qual me acabou o tempo que lhe poderia ter dedicado. Mas não se pode fazer tudo sozinho, e porque é demais ter blogues a mais, vamos lá a ver se mantemos "vivos" estes a que dedicamos tempo, esforço e, por que não dizê-lo, algum afecto (ou mesmo amor)!
Lembro-me de ter assistido a algumas sessões de 'esclarecimento' de seguidores do Guru Maharaji, na época em que estava em moda a filosofia oriental de raíz hindu, como por exemplo, em Lisboa, nos inícios de 70 ... Chamavam a estas sessões sat sang, que um dia me explicaram significar "proferir a palavra esclarecida, que vem de dentro de quem possui o conhecimento ...".
Sem pretender me auto-intitular de possuidor de uma tal "3ª visão", gostaria que estas minhas tiradas mais não fossem a expressão de uma pura reflexão, sem rascunho ou orientação metodológica com que podessem ser elaboradas. Isso poderá observar-se noutras rubricas que, aqui como noutros espaços de expressão, faço questão de assinar.
E porque estou para aqui a ter estas explicações? Porque tenho visto continuamente, nesta societatem portus calensis em que vamos deambulando, factos, artefactos e contrafactos ... que levam o mais simples do homo sapiens (sapiens sapiens para os mais ensinados) a ter de cogitar sobre o que vai assistindo, numa como que mera contemplação de estímulos da mais variada espécie, e que nos chegam a todos, de uma ou outra formas, mais cedo ou mais tarde. Ninguém está imune, nesta affluent society, a estas tão quotidianas infuências sociais.
Ontem vi mais um espectáculo deste estado televisionado, talvez não muito ou nada ensaiado. Mas lamentável, porque foi de fazer inveja ao famosíssimo "O Juiz Decide", de há uns anos: de um lado, JPP e RC a defenderem a comunicação social e o seu papel institucional; de outro lado, MMC e ER a quererem confirmar as teses conspiracionistas, mas a continuarem a esquecer-se do que o meu mui citado mestre já diz no seu post de hoje, isto é, "quem anda à chuva molha-se" ou, diria eu, "com ferros matas, com ferros morres".
E nesta pouco salomónica sessão "judicial" apenas me ressaltou uma plena constatação: há cidadãos, há cidadãos-ministros, e há sindicatos de cidadãos-ministros, sendo que a maioria dos que se julgam povo talvez ainda não caiba em nenhuma das categorias supra citadas (ou, contrariando Tocqueville, rege-nos uma pseudo-democracia porque, de modo cada vez mais evidente, sofremos com as bestiais investidas de uma tirania da maioria de subservientes aos interesses de uma minoria crescente, em espécie e em número).
Por tudo isto me vêm à ideia os princípios subjacentes à filosofia platónica da governação, dentro do seu conceito de polis ideal. E, por mais que o seu discípulo de Estagira (Aristóteles) o quisesse ou quisesse contradizer (como o fez em várias das oposições filosófico-conceptuais que teceu), ainda não se redefiniu melhor forma de expurgar a figura ético-valorativa do homem político (estereotipado na sua definição de rei-filósofo), no que concerne a relação entre a titularidade de cargos públicos e a respectiva detenção de bens patrimoniais ... . Se hoje ainda assim fosse, não tínhamos assistido à procissão ao descalabro de sucessivos elencos governativos, nem à construção privada para fins pseudo-públicos de um W. C. que serviu para mandar 12.000 contos pela "pia abaixo"! ... Não, aqui há grande conspiração! ...?

segunda-feira, maio 15, 2006

Divulga por favor,

PEDIDO DE SANGUE

Por motivos de doença grave, um amigo está hospitalizado à espera de ser operado. Ainda não foi porque tem um tipo de sangue raro, B- (só pode receber de B- ou O-).
Pede-se a quem tenha este tipo de sangue que contacte, com urgência, os seguintes números:
Luis de Carvalho: 931085403
Pedro Leal Ribeiro: 222041893 FAX: 222059125
Se não poderes ajudar, divulga esta mensagem. Não custa passar, hoje por ele, amanhâ por ti.
Obrigado