
Observatório da nossa Polis à luz das memórias contínuas do pensamento filosófico português. Inspirado nos «Modernos Publicistas», segue o mesmo espírito crítico e de indignação:«De feito. Ardeu-me de todo o topete». Porque nunca calaremos no descampado onde reina a verdade que nos traz glória, repetiremos sempre a vontade de mestre Herculano: "é que não costumo calar nem attenuar as proprias opiniões onde e quando, por dever moral ou juridico, tenho de manifestá-las" ...!
sábado, julho 01, 2006
Opinião ... de Outros Sítios

sexta-feira, junho 30, 2006
Política da Idade da Pedra
Hoje dei comigo mesmo a revisitar o sítio do Ministério da Educação para me actualizar sobre a evolução dos Programas que estão para ser homologados. Feitas as minhas contas, sem consulta prévia às informações que, eventualmente, o Conselho Executivo da minha Escola tenha para me dar, a disciplina opcional de Ciência Política, transversal a todos os cursos científico-humanísticos do Ensino Secundário (creio que com uma excepção, vá-se lá saber porquê) deveria começar este ano lectivo. A não ser que esteja enganado. Inadvertidamente enganado. Mas que estava a contar com esta Disciplina para, no meu grupo disciplinar, preencher o meu horário, lá isso estava! E, por isso, tenho estado atento à homologação dos Programas que o Ministério vai fazendo. E, assim, vi que na Proposta de Programa desta Disciplina ainda são preocupações da didáctica dos respectivos autores, entre outras, a dicotomia esquerda/ direita, e o respectivo enquadramento histórico-conceptual.
Mais à frente nas horas do dia dou comigo, mais uma vez, com a coluna do MA Pina, na “última do JN”, ainda referente ao caso Ruas. E vejo que, com este episódio factual a constar nos anais da ciência que tem por objecto nuclear de estudo os fenómenos sociais que se desenrolam na sociedade enquanto polis (nas suas relações de Poder entre governantes e governados), mais uma vez aquela dicotomia me parece um dos “complexos de Zenão”, pois não há como classificar, politologicamente, este mediatizado evento. Sei que, tipologicamente, é característico, nos dias que correm, dos países terceiro-mundistas, com esquivas tendências para tiranias mais ou menos encapotadas pelos interesses da dominação geo-estratégica dos pretensos donos da globalização … mas isso já é outra história. Por mim, não quero pensar que, quando chegarem os ditos manuais de Ciência Política para o Ensino Secundário, já tenha que pensar na sua reformulação, tendo que, empiricamente, demonstrar aos meus alunos que, afinal … a democracia não existe! Não sabemos se já alguma vez existiu! Ou se, mais uma vez, estamos perante uma Utopia!
Fico-me com mais uma tirada, destas últimas que tenho evocado!

"A Idade da Pedra
As "Ruas" da Democracia
Hoje dei comigo mesmo a revisitar o sítio do Ministério da Educação para me actualizar sobre a evolução dos Programas que estão para ser homologados. Feitas as minhas contas, sem consulta prévia às informações que, eventualmente, o Conselho Executivo da minha Escola tenha para me dar, a disciplina opcional de Ciência Política, transversal a todos os cursos científico-humanísticos do Ensino Secundário (creio que com uma excepção, vá-se lá saber porquê) deveria começar este ano lectivo. A não ser que esteja enganado. Inadvertidamente enganado. Mas que estava a contar com esta Disciplina para, no meu grupo disciplinar, preencher o meu horário, lá isso estava! E, por isso, tenho estado atento à homologação dos Programas que o Ministério vai fazendo. E, assim, vi que na Proposta de Programa desta Disciplina ainda são preocupações da didáctica dos respectivos autores, entre outras, a dicotomia esquerda/ direita, e o respectivo enquadramento histórico-conceptual.
Mais à frente nas horas do dia dou comigo, mais uma vez, com a coluna do MA Pina, na “última do JN”, ainda referente ao caso Ruas. E vejo que, com este episódio factual a constar nos anais da ciência que tem por objecto nuclear de estudo os fenómenos sociais que se desenrolam na sociedade enquanto polis (nas suas relações de Poder entre governantes e governados), mais uma vez aquela dicotomia me parece um dos “complexos de Zenão”, pois não há como classificar, politologicamente, este mediatizado evento. Sei que, tipologicamente, é característico, nos dias que correm, dos países terceiro-mundistas, com esquivas tendências para tiranias mais ou menos encapotadas pelos interesses da dominação geo-estratégica dos pretensos donos da globalização … mas isso já é outra história. Por mim, não quero pensar que, quando chegarem os ditos manuais de Ciência Política para o Ensino Secundário, já tenha que pensar na sua reformulação, tendo que, empiricamente, demonstrar aos meus alunos que, afinal … a democracia não existe! Não sabemos se já alguma vez existiu! Ou se, mais uma vez, estamos perante uma Utopia!
Fico-me com mais uma tirada, destas últimas que tenho evocado!

"A Idade da Pedra
quinta-feira, junho 29, 2006
Se os Municípios fossem, apenas bairros (?) ...
Eu próprio, há uns anos, fui suspenso por um mês com perda de vencimento, por ter defendido critérios objectivos de avaliação dos alunos, e não baseado no seu estrato sócio-económico ou grupo sociológico de pertença! Ou por ter evocado o papel pedagógico da Escola na definição científica de valores democráticos como o são a liberdade e a justiça social, frequentemente prostituídos por muitos que, tendo responsabilidades sócio-estruturantes na sociedade, apenas usam o poder que lhes é conferido em conformidade para defesa de causas que lhes são, frequentemente, próximas! Não há república que resista a tamanha demagogia! Nem a cabalas, alcavalas e a trogloditices da arrogância brejeira! Arre, mais uma vez?!
E agora? Que fazer desta afronta do representante superior das instituições que, na História de Portugal, são a referência mor do poder democrático, os Municípios?
A atestar pela indignação em mais um artigo de opinião do MA Pina, entre outros que também se podem ler na última do JN de hoje, não há lugar para desculpas esfarrapadas como as que já se viram por parte daquele edílico, mesmo que alguma razão circunstancial, originariamente, lhe assistisse!
Fernando Ruas, presidente da República do Cavaquistão, incitou os súbditos a "correrem à pedrada" os funcionários da República Portuguesa que tentem impor no seu território o cumprimento das leis desta última (a distante, a estrangeira, a "colonial" - como diz o presidente da República Atlântica das Bananas - República Portuguesa). "Corram-nos à pedrada, a sério. Arranjem lá um grupo e corram-nos à pedrada. Eu estou a medir muito bem aquilo que digo", assegurou, no meio dos "urrahs!" dos chefes de clã, o presidente cavaquistanês, que é igualmente presidente dos presidentes de todos os cavaquistões. Após a surtida, desbaratadas as hostes invasoras, no caso dois funcionários do Ministério do Ambiente, Viriato retirou estrategicamente para o inextrincável e hermínio "maquis" da semântica portuguesa. Que, afinal, o "a sério" não era a sério, era a brincar, que as "pedras" eram "figuradas" e mais manobras evasivas capazes de reescrever toda a arte da guerra de libertação de Giap, Mao, Che, Marighela & Alberto João Jardim. Um dia destes haveremos de o ver descer das montanhas e marchar sobre a capital do Império, o Braveheart de Viseu, exigindo subsídios já não só para rotundas e pavilhões multiuso mas também para mocas e calhaus."
A Opinião dos Outros
Nada de que não se estivesse à espera. À semelhança do que aconteceu em 2004, dá a sensação de que o país partiu prematuramente para férias. Entre pontes, feriados e santos populares, houve um adeus colectivo até Setembro.
Como acontece sempre que a matéria é futebol, desenvolvem-se opiniões apaixonadas. Alguns intelectuais, quais irredutíveis gauleses, lastimam a incorrigível propensão da malta para vibrar com os passes e as peripécias de dois grupos de 11 rapazes num campo relvado, o efeito distractivo e o aproveitamento que dessa pulsão é feito por quem nos governa; os outros, a enorme maioria, embarca no furor das multidões.
Por estas alturas mesmo os mais indiferentes ao futebol têm dificuldade em resistir ao contágio. Valha a verdade que um Mundial de futebol é um mega-evento desportivo que tem, entre outras, a virtude de trocar as voltas aos dados adquiridos da ordem internacional, o que lhe confere um carácter exótico. A principal potência futebolística, o Brasil, não faz parte do grupo de poderosos do Mundo; os Estados Unidos estão longe de integrar a primeira liga, como ainda recentemente se viu; a Europa, que está em perda na frente da globalização, resiste no futebol com alguns dos principais «players»; e a nível dos países emergentes vão os africanos à frente dos asiáticos, exactamente o inverso do que se passa na realidade económica mundial.
Com Portugal em jogo e com a imprevisibilidade própria do desporto rei a dominarem as atenções, nem se percebe por que não aproveita o Governo este «vacatio» para anunciar medidas polémicas. Com a ordem informativa nacional completamente dominada pela agenda do Mundial, numa lógica que ultrapassa muitas vezes os limites do bom senso, teria garantido a menor repercussão possível. Imagine-se, por exemplo, o impacto que teriam os encerramentos das maternidades se não tivessem coincidido com o primado da futebolândia.
Mas a agenda de comunicação de José Sócrates prossegue implacável. Depois da banda larga na segunda-feira, ontem o feito do dia foi o lançamento da caixa postal electrónica, a concretização de uma medida aprovada em Conselho de Ministros em Abril passado. Apesar do diploma referir explicitamente a garantia de concorrência entre todos os operadores, o Governo associou-se ao mais alto nível à apresentação da ViaCTT, um caixa postal electrónica a que todos os portugueses poderão aceder gratuitamente, e que será utilizada para a comunicação entre os cidadãos, a administração pública e as empresas aderentes (12 por agora, entre as quais a EDP e a PT).
ViaCTT é um inovador serviço dos Correios de Portugal e representa o cumprimento de uma promessa governamental. Mas embora não sejam muito evidentes as vantagens que proporciona em relação a outra caixa de correio electrónico teve direito a uma apresentação presidida pelo próprio primeiro--ministro, como medida emblemática do Simplex e do Plano Tecnológico. Mais um caso de desproporção entre o acto e o seu significado."
Fiat Lux (Do Observatório Social)
"Uma escola alternativa
Umarú está muito concentrado a instalar um intercomunicador de porta num painel de madeira. Os vários fios de cores diferentes são um desafio para o jovem guineense de 18 anos, que veio para Portugal aos 11 anos, sem nunca ter frequentado uma escola. "O mais difícil é perceber os esquemas", diz enquanto coça a cabeça. "Gosto deste curso, mas é muito complicado, pensei que era mais fácil", continua, enquanto vai passando os fios de um lado para o outro. Começar o 1.º ano de escolaridade aos 11 anos num país diferente do seu não foi propriamente fácil, mas Umarú conseguiu prosseguir até ao 8.º ano, na Escola Pedro Santarém, em Benfica. Quando já considerava a hipótese de abandonar os estudos, a psicóloga da escola aconselhou-o a ingressar num dos cursos de educação e formação da Escola Secundária Marquês de Pombal, em Lisboa. Hoje, Umarú está a fazer um dos últimos trabalhos do curso de Electricista de Instalações, que lhe dará equivalência ao 9.º ano, antes de prosseguir para um estágio de 240 horas numa empresa. Se tudo correr bem, tenciona ficar a trabalhar como electricista durante o dia e continuar a estudar à noite para completar o 12.º ano.
Rui, colega de Umarú, está a construir um automatismo para fazer o arranque directo de um motor, mas tem uma história diferente. Até tinha boas notas na escola que frequentava, mas preferiu procurar um curso mais prático e tecnológico, "porque é mesmo isto que quero fazer", conta.
Ruben, de 17 anos, diz que veio para a Escola Marquês de Pombal porque chumbou várias vezes por faltas: "Queria era treinar futebol, jogava no Belenenses e agora jogo nos Olivais". Confessa que acabou por gostar do curso de electricista e que pretende continuar a estudar até ao 12.º ano, "em princípio desporto ou administração de empresas".
Quando não fica em último lugar, a Escola Secundária Marquês de Pombal não se afasta muito da cauda do ranking de escolas nacionais, elaborado a partir das médias obtidas dos alunos nos exames nacionais de 12.º ano. É, no entanto, um estabelecimento de ensino exemplar no que respeita à recuperação de alunos que estiveram muito perto do abandono escolar. Cerca de 250 jovens frequentam actualmente os cursos diurnos de educação e formação profissional existentes, principalmente nas áreas de mecânica, construção civil, electricidade e informática. Quase todos são alunos que estiveram à beira de desistir da escola, com historiais de insucesso em vários estabelecimentos de ensino, mas que encontraram aqui uma última oportunidade para a sua escolarização.
Um modelo de sucesso
A Escola Secundária Marquês de Pombal começou por ser uma escola de desenho industrial, fundada em 1884 em Alcântara, e passou a funcionar, alguns anos mais tarde, como escola industrial de carisma tecnológico.
Foi uma escola muito conceituada na área de Lisboa até aos anos 70, a partir de 1975 passou a ser uma escola secundária de ensino normal, mantendo, porém, o seu cariz tecnológico. As óptimas instalações, com 32 mil metros quadrados de área, dos quais 8 mil de área coberta e cerca de 5 mil em oficinas e laboratórios, permitiam-lhe continuar a ser uma escola de renome no ensino tecnológico, chegando a ter mais de 3 mil alunos diurnos nos seus tempos áureos. Hoje em dia, o número de estudantes que a frequentam mal chega aos 250 e parte das instalações da escola foram cedidas ao centro de formação do sector terciário do Instituto do Emprego e da Formação Profissional. Filipe Baptista, director do Conselho Executivo, diz que tudo aconteceu há cerca de 20 anos, quando várias outras escolas foram sendo criadas na capital.
"À medida que a escola foi reduzindo o número de alunos, tentámos segurar o barco, apresentando ofertas de formação muito diversas. Deixámos praticamente de ter alunos do ensino regular, que actualmente são muito poucos, mas temos outros que procuram a escola para um tipo de formação alternativa, nomeadamente cursos de educação e formação e cursos profissionais", explica o responsável.
Actualmente, a escola oferece formação em áreas como construção e reparação de veículos a motor, electricidade e energia, mecânica, construção e engenharia civil, metalurgia e metalomecânica, bem como arquivo e documentação, higiene e segurança no trabalho e ciências informáticas.
São áreas onde se regista uma grande falta de pessoal qualificado e que asseguram a integração dos alunos no mercado de trabalho. Tem sido esse o segredo do sucesso desta escola. "Todos os anos, quando fazemos a entrega dos diplomas e cedemos os alunos às empresas para o estágio, os empresários presentes pedem-nos sempre para formarmos mais alunos, porque precisam destes profissionais com formação".
A Escola Marquês de Pombal tem ido buscar alunos com escolaridade muito irregular, alguns em situação de abandono, mais rapazes do que raparigas, devido ao cariz tipicamente masculino da maioria dos cursos. Muitos deles acabam mesmo por preferir continuar os estudos, pelo menos até ao 12.º ano, porque sentem que estão a aprender e sentem-se motivados a fazer algo que gostam.
A taxa de sucesso dos cursos ronda os 50%, uma taxa que corresponde à taxa de empregabilidade, como sublinha Vítor Rosa, coordenador dos directores de turma da Escola Secundária Marquês de Pombal.Os alunos que não conseguem concluir os cursos de formação acabam por ser encaminhados para o Centro de Emprego. Na maioria dos casos, segundo o responsável, o insucesso resulta de hábitos mal adquiridos, falta de auto-estima, motivação e apoio familiar. A escola também sente dificuldade em dar resposta a estas situações, nomeadamente ao nível dos serviços de psicologia e orientação. "Temos muitos alunos a necessitarem desses serviços e só temos um profissional, quer ao nível do comportamento e da orientação vocacional, quer a nível da própria reorientação, para os casos que não tiveram sucesso nestes cursos. E aí a falha não é interna, mas sim do Ministério da Educação, porque a escola está carenciada ao nível de pessoal especializado".
"Não valorizamos o ranking das escolas"
Com um número muito reduzido de alunos do ensino regular, dos quais apenas 30 no 12.º ano, a escola não valoriza as classificações do ranking das escolas. "Na nossa escola não tem significado, porque não representa a realidade. É mais valorizado o sucesso relativo que temos com estes alunos, temos consciência que estar em último não se adequa à nossa realidade".
Mas nem por isso Filipe Baptista desvaloriza esta alternativa. "Estes alunos vêm para cá porque esta é uma última oportunidade que o Estado lhes está a dar. Além disso, sentem que nesta escola lhes é dado um grande apoio. Muitos deles nem sequer sabem sentar-se numa cadeira quando chegam, mas depois de dois anos de curso nós sentimos que eles estão formados em todos os aspectos, incluindo os comportamentais. No momento em que fazemos a entrega dos alunos à empresa eles apresentam-se de fato e gravata, acompanhados dos pais, e a saberem comportar-se devidamente", refere o responsável.
Mas não são só os cursos que fazem da Marquês de Pombal uma escola diferente. Ali também existe um centro de reconhecimento de competências, que acolhe adultos maiores de 18 anos que não obtiveram qualificação escolar e que pretendem ficar com equivalência ao 9.º ano de escolaridade. Este processo de reconhecimento também vai passar a abranger o 12.º ano, sendo que actualmente a escola trabalha com cerca de 600 adultos, muitos deles oriundos de protocolos com empresas que procuram formação para os seus activos. E exactamente por isso, os responsáveis da Marquês de Pombal são a favor da constituição de um órgão no qual participem os empresários, de modo a auxiliarem os estabelecimentos de ensino a organizar os seus currículos e a investirem mais nas escolas.
Mas apesar de estes cursos serem praticamente garantia de emprego para quem os conclui com sucesso, Filipe Baptista e Vítor Rosa lamentam que a formação tecnológica não seja devidamente valorizada. "O ensino tecnológico nunca foi muito dignificado, nem muito bem visto em termos sociais, porque hoje em dia toda a gente quer tirar um curso superior. Nunca houve uma aposta forte em cursos alternativos e só agora é que acontece, mas nós já trabalhamos nisto há muitos anos, sem grande ajuda e acompanhamento do Ministério", desabafam."Quer os cursos de educação e formação quer os cursos profissionais são vistos como sendo para combater o insucesso e o abandono escolar e isso é um erro enorme logo à partida. São outros percursos, ponto final. Um aluno que não está interessado ou que tem problemas de aprendizagem devia ser triado para este tipo de cursos. Além de nunca lhes ficar vedado o acesso ao ensino Superior, têm a grande vantagem de acabar a escolaridade ao nível do 12.º ano com uma qualificação profissional", explica Vítor Rosa.
No entanto, Filipe Baptista e Vítor Rosa mostram-se bastante orgulhosos da sua escola. "Duvido que exista uma outra escola que ofereça este número de cursos profissionais e com estas variantes todas. Em termos de condições, temos bons espaços desportivos, uma boa biblioteca, dois ginásios, um campo de ténis, um centro de aprendizagens, vários campos de futebol e basquetebol… Mas estes são cursos caros, que exigem muito material, de desgaste diário, e nós não temos grande orçamento, estamos relativamente limitados em termos financeiros. Queixamo-nos basicamente que esta escola pode ser muito melhor aproveitada, porque temos recursos, espaço e instalações. Tem que ser o Ministério a centralizar esta oferta, porque actualmente temos um número de alunos muito baixo, 250 alunos diurnos e perto de 600 nocturnos, numa escola que já teve mais de três mil", lamenta Filipe.
Os cursos profissionais são agora a nova esperança da Escola Marquês de Pombal. O anúncio que a ministra da Educação fez recentemente sobre a criação de mais 450 cursos profissionais no próximo ano lectivo foi considerado uma óptima notícia para o presidente do Conselho Executivo. Talvez seja a oportunidade tão esperada para modernizar a escola ao nível dos equipamentos, aumentar o número de cursos e de alunos e revitalizar uma escola onde hoje os corredores e o recreio são imensos, mas estão praticamente vazios.
quarta-feira, junho 28, 2006
Opiniões ... de Outros Sítios

É o resultado de quatro décadas de cobardia, oportunismo e incompetência política quatro décadas em que os decisores decidiram mal porque estiveram mais preocupados com o seu próprio futuro político do que o futuro do país. Investiu-se mais em função do voto do que a pensar no mundo de que a economia portuguesa sempre dependeu.
Inventámos desenvolvimentos regionais imaginários, explorações agrícolas modelo, universidades e pólos universitários por todos os cantos a proporcionar licenciaturas desde o direito ao violoncelo, ganharam-se eleições, formaram-se maiorias absolutas, criámos um oásis económico brincando na Praia dos Tomates e até nos auto designámos com a democracia de sucesso.
Pois fizemos isso tudo mas a verdade que se estivéssemos no tempo do Infante D. Henrique com tais políticas as caravelas nem teriam dobrado o Cabo Carvoeiro, e o facto é que estamos metidos num cabo de trabalhos.
Nada fizemos para modernizar portos e aeroportos infra-estruturas fundamentais a um país que depende do comércio externo, construímos um sistema fiscal especializado e conseguir receita sem olhar aos meios, transformamos o ensino numa imensa escola de cultura geral, em suma, não fizemos nada.
Resta-nos ir à Betandwin e tentar acertar na próxima indústria a partir.”
A Opinião dos Outros
Um leitor faz-me chegar a notícia de mais um sucesso de um português no estrangeiro, no caso o presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, que acaba de ganhar o Prémio Tuvalu, atribuído por três organizações ecologistas internacionais, "Agir pour l'environnement", "Action Climat" e "Transport & Environnment". O problema é que se trata de um antiprémio, destinado a denunciar os que se evidenciam por um especial contributo para o desregramento climático. Durão Barroso foi galardoado pelo facto de se passear diariamente em Bruxelas num 4X4 todo-o-terreno (!) que produz mais de 265g de dióxido de carbono (CO2) por quilómetro (sem contar com a climatização), isto é, cerca de 60 toneladas de CO2 ao longo da sua vida útil, além de consumir qualquer coisa como 13,2 litros aos 100 Km. O júri achou-o particularmente merecedor do desonroso galardão porque o próprio Durão Barroso lançou uma campanha europeia contra o aquecimento global, fixando aos automóveis o limite máximo de 120g de emissões de CO2, ou seja, menos de metade dos 265g que ele despeja diariamente no ambiente pavoneando-se no seu mini-camião VW Touareg. É sempre bom para a nossa auto-estima ver um português notabilizar-se lá fora. Nem que seja pelas piores razões."
segunda-feira, junho 26, 2006
Fiat Lux (Do Observatório Social)
sábado, junho 24, 2006
Hoje ... de Outros Tempos
- Então o de 1128?
Por que será que muitas pessoas se perguntam pela razão de ser da comemoração do dia de Portugal a 10 de Junho e não a 24 do mesmo mês? Continuaria o 10 a ser dia de Camões e das Comunidades Portuguesas, relevando a evocação universalista da nossa epopeia mundial. Mas, assim como cada ser comemora o seu aniversário no dia do seu nascimento, Portugal deveria comemorar o seu a 24 de Junho.
Tenho dito.
Ateste-se pelas efemérides que na minha querida cidade berço se comemoram e pelo que se diz no ‘sítio’ da respectiva edilidade (www.cm-guimaraes.pt)
Comemorações da Batalha de São Mamede Dia Um de Portugal
Em 24 de Junho celebra-se em Guimarães, uma efeméride muito especial: 24 de Junho de 1128, o alvor da Nacionalidade. Na Batalha de S. Mamede concretizou-se o propósito, com D. Afonso Henriques, de levar por diante o projecto de uma Nação livre e independente. O Município de Guimarães tem assinalado condignamente esta data, cujo carácter deveria interessar todo o País.

- de 1819. Nasce em Londres a futura rainha Vitória.
- de 1833. Desembarque das tropas constitucionais, comandadas pelo duque da Terceira no Algarve, na praia da Alagoa. Atravessando o Alentejo, chegarão a Lisboa em 24 de Julho.
Fiat Lux (Do Observatório Social)
Bruno pires
Educação ou armadilha pedagógica?, Uma interogação bem sugestiva, que deixa em aberto o debate sobre o sistema de Ensino, ao qual Manuel Madaleno aponta deficiências, num livro apresentado em Cantanhede.

sexta-feira, junho 23, 2006
Opiniões de Outros Sítios
2. A gestão seria exercida por um gestores especializados, que poderia ou não ser recrutado entre os professores, mas com aptidões para gerir todas as vertentes da instituição. A gestão financeira e material bem como dos recursos humanos caberia a este órgão de gestão que deveria criar as condições para corresponder aos objectivos e metas escolares definidas por um órgão de gestão pedagógica assegurado por professores, que estariam igualmente representados no órgão de gestão administrativa.
3. O corpo de professores seria contratado preferencialmente pela escola, obedecendo a rigorosos critérios de igualdade de acesso, para desta forma contratar os professores mais disponíveis para ensinar nessa escola e com o perfil mais adequado às suas necessidades. Os contratos seriam de longa duração e a avaliação teria em consideração as características das turmas e as metas realizáveis. Os vencimentos dos professores contemplariam uma componente de prémio determinado em função dos resultados das suas turmas e da escola. Os concursos de colocação de professores seriam a excepção, e não a regra.
4. A preparação de cada ano lectivo seria antecedida pela avaliação dos resultados do ano anterior, pela identificação dos pontos negativos a corrigir e as suas causas e pela definição de metas para os anos seguintes. Antes de iniciar o ano lectivo cada professor analisaria os alunos das suas turmas, o seu percurso anterior, o seu enquadramento sócio-cultural, identificando os mais problemáticos, reunindo com encarregados de educação para discutir estratégias conjuntas, obtendo uma informação preciosa para poder adequar as suas estratégias pedagógicas à realidade das suas turmas.
5. A escola contaria com assessorias, asseguradas por elas próprias ou em colaboração com as autarquias ou serviços da administração central, em domínios como os da psicologia, da assistência social, da segurança da justiça. Desta forma muitos dos problemas que afectam as escolas e o comportamento ou o rendimento dos alunos seriam tratados em sede própria. Poderia até ser criado um órgão envolvendo várias entidades (Ministério Público, forças de segurança, segurança social, autarquias, ministério da Saúde e associações de pais) que asseguraria o envolvimento de todas as entidades envolvidas.
6. Os pais e encarregados de educação seriam responsabilizados pelos comportamentos dos alunos e no caso dos agregados familiares que beneficiam de ajudas sociais a concessão destas ajudas dependeriam também do rendimento e comportamento escolar dos filhos.
7. As escolas do ensino secundário contemplariam saídas profissionais para os alunos que pelas aptidões ou vocação optassem por uma carreira profissional que não tivesse a universidade como objectivo. Estas vias profissionalizantes contariam com o apoio de sindicatos e associações profissionais no planeamento das opções profissionais e na programação curricular.
8. Os professores são reconhecidos socialmente pelo seu trabalho e os ministros da educação referem-se ao seu trabalho com respeito e consideração, sabendo distinguir os comportamentos que são excepção, evitando ofender toda uma classe profissional."
quinta-feira, junho 22, 2006
Letras do Pensamento
Fiat Lux (Do Observatório Social)
É preciso legislar as reformas anunciadas na Função Pública
Bruxelas vai continuar a «acompanhar atentamente» a situação orçamental portuguesa
O comissário do euro, Joaquin Almunia, elogiou hoje os esforços que estão a ser desenvolvidos pelo Governo português para sanear as finanças públicas, considerando que as medidas que estão a ser tomadas são as "adequadas".
Mas – precisou – persistem riscos significativos: é preciso manter o rigor, este ano e nos anos seguintes, e traduzir rapidamente em legislação muitas das reformas anunciadas, designadamente na Função Pública, pelo que Bruxelas vai continuar a acompanhar «atentamente» a situação orçamental portuguesa.
«Portugal adoptou, desde meados de 2005, um extenso e corajoso pacote de medidas destinado a reduzir o défice excessivo, mas subsistem ainda incertezas e riscos significativos, especialmente devido ao facto de algumas medidas importantes ainda terem de ser aplicadas», afirmou o comissário.
Numa declaração escrita, que acompanha o relatório divulgado esta manhã em que Bruxelas avalia as medidas de correcção adoptadas pelo Governo, Almunia sublinha que «é necessário intensificar os esforços de consolidação, particularmente no que diz respeito às despesas, a fim de permitir o restabelecimento da solidez e rigor das finanças públicas como uma condição prévia para um maior e mais importante crescimento económico e para a criação de emprego».
O relatório, onde Bruxelas dispensa, por ora, o Governo de tomar medidas adicionais de contenção, refere que «embora subsistam incertezas quanto à eficácia das medidas e aos mecanismos de contenção das despesas, os dados preliminares sobre a execução orçamental sugerem que, até à data, os planos têm sido largamente cumpridos este ano».
Por outras palavras, o objectivo do Governo de chegar ao fim do ano com o défice em 4,6% do PIB é credível, ainda que há pouco mais de um mês Bruxelas tenha avançado com uma previsão de 5%.
«Em consequência, a Comissão considera que, neste momento, não é necessária a adopção de outras medidas no âmbito do procedimento relativo ao défice excessivo».
Simultaneamente, acrescenta a Comissão, salienta-se a «existência de incertezas e riscos significativos quanto à realização do objectivo de correcção do défice excessivo até 2008 – sendo a principal condicionante que os resultados orçamentais apenas poderão ser atingidos caso todas as medidas correctivas anunciadas sejam efectivamente implementadas».
Em face dos riscos, a Comissão lembra que, caso as medidas previstas se revelem ineficazes, serão necessárias outras medidas correctivas com vista à realização dos objectivos orçamentais e que, por tal, continuará a «acompanhar atentamente a evolução orçamental em Portugal, tendo designadamente em conta a fragilidade das suas finanças públicas».
A questão não deve ser colocada no plano do ego. E muito menos da consciência. É política. Não é partidária. É técnica, mas não é inocente.
Constâncio decidiu patrocionar mais uma comissão «independente» para corrigir as contas públicas herdadas por um novo Governo. O resultado foi desastroso. Se a intenção era avalizar as tais «medidas difíceis», a consequência foi a que toda a gente viu: a política orçamental do primeiro ano de Sócrates foi um desastre completo.
A coberto de um défice virtual, a Comissão Constâncio deu a cobertura técnica para um desastre político: Sócrates viu ali o fiador de um ano fiscal que agravou o défice estrutural, em vez de o melhorar; que deu um sentido expansionista aos gastos, na vez de os cortar.
Mas, sobretudo, permitiu que o Governo apresentasse o maior desequilíbrio financeiro dos últimos anos, 6 por cento do PIB, quase a cantar vitória. Estava, assim, absolutamente desperdiçado o primeiro ano de consolidação das finanças públicas. Com maioria absoluta no Parlamento e a oposição manietada.
Sócrates não tinha desculpas. Constâncio deu-lhe o pretexto.
Não foi inédito. Cinco anos antes, vimos o então ministro Pina Moura sair do mesmo Salão Nobre com o sorriso de alívio de quem encontrara um argumentário sólido para se defender da onda de alertas, críticas, avisos sobre a insustentabilidade do «milagre económico» que o país então vivia.
Inúmeros economistas, incluindo aquele que entretanto se elegeu Presidente da República, andavam apavorados com o agravamento do défice externo. Com aquilo que o originava. Com o custo implícito à sua correcção.
Numa mesma cerimónia, com o mesmo governador, algo de parecido aconteceu: Vítor Constâncio encarou o assunto, comparou Portugal a uma região, evocou outros países com crónicos desequilíbrios externos, tudo correcto, tudo óbvio, para passar uma mensagem errada. Sobretudo perigosa: o problema haveria de se resolver.
Não foi inocente então, como não foi inocente agora. Este aval «às corajosas medidas» do Governo, que «indiciam uma verdadeira consolidação orçamental».
Podia ser um estímulo, igual a tantos outros que Constâncio não deixou de dar a Manuela Ferreira Leite. Não vivesse Constâncio com o prestígio abalado. Não tivesse Constâncio a independência sob escrutínio. Não precisasse Constâncio de explicar tanto aquilo que disse e fez no passado.
Como carrega este lastro do último ano, que não lhe é favorável, devia o governador evitar públicos actos de fé. Sobretudo num Governo que anuncia, anuncia, anuncia, mas que ainda não mostra resultados. O mais difícil está para vir e isso é um problema - que, novamente, o governador do Banco de Portugal decidiu aderir de forma voluntária.
Quem faz parte do problema dificilmente pode ajudar na solução. Ou será que Constâncio vê na «verdadeira consolidação orçamental» um TGV, uma Ota e todos os outros motivos que levaram Campos e Cunha abandonar o Governo?
quarta-feira, junho 21, 2006
Fiat Lux (Do Observatório Social)
terça-feira, junho 20, 2006
Fiat Lux (Do Observatório Social)


Sem retrogadismos nem saudosismos que não têm cabime nto em nenhuma sociedade civilizada, há princípios deontológicos que ainda não se reinventaram, o mesmo será dizer que, por mim, enquanto esta Casa me quiser como professor, estarei ao serviço da República que me paga, para fazer algo que é o dever de todos para com cada um de nós. Disso ninguém me tira, nem que "a voz me doa" de tanto gritar:
quarta-feira, junho 14, 2006
Hoje ... de Outros Tempos
- de 1910. A Maçonaria decide nomear uma «comissão de resistência» encarregada de colaborar de forma mais activa com a Carbonária.
- de 1940. O exército alemão entra em Paris, previamente tornada cidade livre.
Hoje ... de Outros Tempos
- de 1910. A Maçonaria decide nomear uma «comissão de resistência» encarregada de colaborar de forma mais activa com a Carbonária.
“A Maçonaria decide, em assembleia geral, nomear uma «comissão de resistência» encarregada de colaborar de forma mais activa com a Carbonária (ver nota de desenvolvimento). Dessa comissão fariam parte, José de Castro, Miguel Bombarda, Machado Santos, Francisco Grandela entre outros. António José de Almeida e Cândido dos Reis são os representantes do Directório republicano, nesta comissão” [1]
“Conspiração republicana – Juiz de instrução Almeida Azevedo em informação confidencial dirigida a d. Manuel II, reconhece que os republicanos preparam-se activamente para a revolução (9 de Junho). Machado Santos reúne cerca de mil carbonários, criando-se uma comissão de resistência para entrar em acção quando saísse a revolução para a rua, estrutura que não dependia do directório do PRP (14 de Junho). (…)” [2]
(Dicionário de História de Portugal, 4 volumes, SERRÃO, Joel (ed. lit.), 1ªedição, Lisboa, Iniciativas Editoriais, volume I, 1963-1971, pp. 481-2 )” [3]
- de 1940. O exército alemão entra em Paris, previamente tornada cidade livre.
[1] História de Portugal em Datas, Círculo de Leitores, pág. 260
[2] MALTEZ, José A. E., Tradição e Revolução, Vol. 1, Tribuna da História, Lisboa, 2004, pág. 561.
[3] Retirado do Google.pt.
terça-feira, junho 13, 2006
Hoje ... de Outros Tempos
- de 1231. Morre Stº António, a caminho de Pádua.
SANTO ANTÓNIO
RETALHOS DA VIDA DE UM PREGADOR
Por Maria Luísa V. Paiva Boléo
Texto publicado na revista Público Magazine do jornal Público de 12-06-1994.
Revisto pela autora em 12-06-2005 para o site www.leme.pt
Lisboa está cheia de testemunhos de Santo António – o seu santo mais querido e popular. Os museus e bibliotecas portuguesas possuem quase tudo o que um erudito pode querer saber sobre este português fora do vulgar, que viveu nos primórdios da nacionalidade. Porém para a maioria dos lisboetas que não vão às bibliotecas e raramente aos museus, o dia 13 de Junho não passa de um agradável feriado em honra de Santo António, onde se aproveita para ir comer caldo verde e sardinhas assadas, de preferência junto aos bairros da Sé e ver as marchas populares.As crianças já não pedem umas moedas para enfeitar o trono do Santo e as meninas solteiras provavelmente já não lhe pedem um namorado. Tanta popularidade, oitocentos e dez anos depois do seu nascimento, leva-nos a recordar aspectos da vida deste santo, passada entre Lisboa, Coimbra e Pádua.
Desde 1140 que D. Afonso Henriques, o nosso primeiro rei, tentava a conquista de Lisboa aos Mouros, feito que só teve êxito sete anos depois, em 1147, depois de prolongado cerco imposto aos aguerridos Almóadas e com o oportuno apoio dos Cruzados, em número treze mil (grande exército de homens cristãos que vieram do Norte da Europa, rumo à Terra Santa, para expulsarem os Muçulmanos. Usavam uma cruz de pano como insígnia, daí o seu nome. Houve oito Cruzadas desde 1096 a 1270). Lisboa era pois uma cidade recém-cristã, quando na sua catedral foi a baptizar o menino Fernando Martins de Bulhões – Santo António, filho da fidalga D. Teresa Tavera, descendente de Fruela, rei das Astúrias e de seu marido Martinho ou Martins de Bulhões. Há dúvidas quanto ao apelido do pai, bem como se era ou não descendentes de cavaleiros celtas. Sabe-se sim que D. Teresa nascera em Castelo de Paiva e o marido numa terra próxima. Viviam em casa própria no bairro da Sé quando o recém-nascido veio a este mundo, no ano de 1145, embora alguns apontem como data de nascimento 1190 ou 1191.
Fernando frequentou a escola da Sé e até aos 15 anos viveu com os pais e com uma irmã de nome Maria. Aos 20 anos professou nos Cónegos Regrantes de Santo Agostinho em Lisboa, no Mosteiro de São Vicente de Fora. Nesta ordem monástica prosseguirá os seus estudos teológicos.
Rumou a Coimbra ao mosteiro de Santa Cruz, onde tinha à sua disposição a melhor biblioteca monacal do País. Nesse tempo era a abadia de Cluny, em França, que possuía uma das maiores bibliotecas da Europa, com um total de 570 volumes manuscritos, porque ainda não tinha sido inventada a imprensa. Aqui em Coimbra, sendo já sacerdote toma o hábito de franciscano, em 1220. Segundo os seus biógrafos, Santo António terá lido muito, e não foi por acaso que se tornaria pregador.
O mundo cristão vivia intensamente a época das Cruzadas. A chamada «guerra santa» desencadeada contra o Islão. E da parte dos Muçulmanos dava-se a inversa, luta contra os cristãos. Ambos acreditavam que a fé os levaria à vitória. De Oriente a Ocidente os exércitos batalham, e neste turbilhão surgem novas formas de espiritualidade. Em 1209 Francisco de Assis (S. Francisco) abandona o conforto e luxo da casa paterna, para, com outros companheiros, se recolher numa pequena comunidade, dando origem a uma nova reflexão sobre a vivência do Evangelho. É a aproximação à Natureza, à vida simples e à redescoberta da dignidade da pobreza preconizada pelos primeiros cristãos. Em poucos anos, homens e mulheres, alguns ainda bem jovens e filhos de famílias abastadas e poderosas sentem-se atraídos por esta vida de despojamento e sacrifício, com os olhos postos no exemplo de Cristo. A Portugal também chegaram ecos deste novo misticismo.Em Janeiro de 1220 são degolados em Marrocos, pelos muçulmanos, cindo frades menores (franciscanos) e todo o mundo cristão sofre um enorme abalado. A própria Clara de Assis (Santa Clara), praticamente da mesma idade que Santo António (nasceu em 1193 ou 1194) vai querer partir para Marrocos para converter os sarracenos, mas Francisco de Assis seu amigo de infância e seu orientador espiritual não lho permite.
Por cá o nosso futuro Santo António, já ordenado padre, decide mudar de Ordem religiosa e também ele passa a envergar o hábito dos franciscanos. È nesta ocasião que muda o nome de baptismo de Fernando para António e vai viver com outros frades no ermitério de Santo Antão (ou António) dos Olivais, na altura um pouco afastado de Coimbra, nuns terrenos doados por D. Urraca, mulher do rei D. Afonso II.
Em meados de 1220 chegam, com grande pompa religiosa, ao convento de Santa Cruz de Coimbra, as relíquias dos mártires de Marrocos e esse acontecimento vai ser decisivo no rumo da vida de Santo António. Parte para Marrocos, sentindo também ele que é chamado a participar na conversão dos chamados infiéis. Porém adoece gravemente e não podendo cumprir aquilo a que se propunha, teve de embarcar de regresso a Lisboa. Só que o barco é apanhado numa tempestade e o Santo vê o seu itinerário alterado ao sabor de uma vontade superior. Acaba por aportar à Sicília num período de grandes conflitos armados entre o Papa Gregório IX e o rei da Sicília, Frederico II. Relembra-se que várias regiões do que é hoje a Itália unificada eram reinos independentes e este ambiente de guerras geradoras de insegurança e perigos.
Em Maio de 1221 os franciscanos vão reunir-se no chamado Capítulo Geral da Ordem, onde Santo António está presente. No final os frades regressam às suas comunidades de Montepaolo, perto de Bolonha, onde, a par da vida contemplativa e de oração, cabe também tratarem das tarefas domésticas do convento. Aqui os outros frades reparam na grande modéstia daquele estrangeiro (Santo António) e jamais suspeitaram dos seus profundos conhecimentos teológicos. Findo aquele período de reflexão, como que um noviciado, os frades franciscanos são chamados à cidade de Forlì para serem ordenados e Santo António é escolhido para fazer a conferência espiritual. E começa a falar. Ninguém até ali percebera até que ponto ele era conhecedor das Escrituras e como a sua fé e os seus dotes oratórios eram invulgares.
Pelo que se sabe quando começou a falar imediatamente cativou os outros frades e a sua vida seria a partir daquele dia de pragador da palavra de Cristo. Percorrerá diversas regiões da actual Itália, entre 1223 e 1225. Por sugestão do próprio São Francisco vai ser mestre de Teologia em Bolonha, Montpelier e Toulouse.
Quando S. Francisco morre, em 1226, Santo António vai viver para Pádua. Aqui vai começar por fazer sermões dominicais, mas as suas palavras tão cheias de alegorias eram de tal modo acessíveis ao povo mais ou menos crente, que passam palavra e casa vez mais se junta gente nas igrejas para o ouvir. Da igreja passa para os adros para conter as multidões que não param de engrossar. Dos adros passa a falar em campo aberto e é escutado por mais de 30 mil pessoas. É um caso raro de popularidade. A multidão segue-o e começa a fama de que faz milagres. Os rapazes de Pádua têm mesmo que fazer de guarda-costas do Santo português tal a multidão à sua volta. As mulheres tentam aproximar-se dele para cortarem uma pontinha do seu hábito de frade como uma relíquia.
O bispo de Óstia, mais tarde papa com o nome de Alexandre IV, pede-lhe que escreva sermões para os dias das principais festas religiosas que eram já muitas na época. Mais tarde seria este papa a canonizá-lo. Santo António assim faz. São hoje importantíssimos esses documentos escritos, porque Santo António com pregador escreveu pouco. Apenas lhe são atribuídos Sermones per Annum Dominicales (1227-1228) e In Festivitatibus Sanctorum Sermones (1230) .
Sentindo-se doente, o santo pediu que o levassem para Pádua onde queria morrer, mas foi na trajectória, num pequeno convento de Clarissas, em Arcela, que Santo António «emigrou felizmente para as mansões dos espíritos celestes». Era o dia 13 de Junho de 1231.Depois, como é sabido, foi canonizado, em 1232, ainda se não completara um ano sobre a sua morte. Caso único na história da Igreja Católica. Já que nem São Francisco de Assis teve tal privilégio.
Os santos como Santo António, há muito que desceram dos altares para conviverem connosco, os simples mortais, que tomamos como nosso protector e amigo. O seu sumptuoso sepulcro, em mármore verde em Pádua, na igreja de Santo António é o tributo do povo que o amou e é muito mais do que um lugar de peregrinação e de oração. Através dos séculos, a sua fama espalhou-se por todos os continentes. No dia 13 de Junho de cada ano, Lisboa e Pádua comemoram igualmente a passagem por este mundo de um português que pregou a fé e morreu em Pádua. Como todos os santos é universal.
(Retirado do Google.pt)
- de 1645. Início da Insurreição Pernambucana, que levará à expulsão dos holandeses do Brasil.
UM POUCO DE HISTÓRIA DO RECIFE
Duarte Coelho não deu muita importância àquela terra enlameada, cheia de manguezais, foz de não sei quantos rios e riachos. Preferiu fincar sua corte na alta e ladeirosa Olinda, de onde se podia apreciar melhor o litoral (e os invasores). Bom, pelo menos aquela barreira de arrecifes proporcionava um bom porto natural, e foi assim que surgiu a povoação dos Arrecifes, em 1548.A cultura açucareira na capitania desenvolvia-se depressa; a riqueza instalava-se em Olinda.
Tanta fartura chamou a atenção dos Holandeses, que nos séculos XVI e XVII se dedicavam a práticas variadas tais como comércio, pirataria e invasões em geral. Assim, em 1630, 70 navios, 7000 homens e 200 canhões desembarcaram na costa pernambucana, na praia de Pau Amarelo, ao norte de Olinda. Como primeira providência para enfraquecer os portugueses, incendiaram Olinda, em 1631.
Com a capital destruída, onde se estabelecer? Para os holandeses, certamente nada lembrava mais a terra natal que o povoadozinho do porto, já rebatizado de Recife. Naturalmente, para acomodar a nova corte, mais espaço teria de ser ganho às aguas. E assim drenaram-se rios, aterraram-se mangues, construíram-se pontes. O principal artífice desta transformação chegaria ao Brasil em 1637: o Príncipe Johann Mauritius van Nassau-Siegen (em bom português, Maurício de Nassau), comandante das tropas holandesas e governador-geral da província.
Tomado de amores pelo lugar, lá decidiu construir o seu sonho pessoal de cidade: a Cidade Maurícia, projetada pelo arquiteto Pieter Post, irmão do pintor Frans Post. A primeira ponte foi construída em 1643, chamada de Ponte Nassau. A ela seguiram-se outras pontes (hoje há 39, só no centro) dois palácios, igrejas e ruas. Só que a idéia da Companhia das Índias Ocidentais não era bem transformar Recife numa metrópole, e sim conseguir lucros com as plantações de cana-de-açúcar. Daí uma certa irritação com Maurício de Nassau, que resultou no seu chamado de volta à Holanda, em 1644. Sem Maurício de Nassau, cessaram as festas, os saraus e os empréstimos, e começaram as cobranças de dívidas. Os portugueses acharam então que chegara a hora de expulsar os invasores.
A resistência dos portugueses à invasão holandesa foi tênue. Do litoral, apenas o porto era protegido por dois fortes (de São Jorge e de São Francisco) e ofereceu certa resistência. Daí os membros da resistência se refugiarem no interior, construindo o Arraial do Bom Jesus. Nesse local, onde hoje fica o sítio da Trindade, no bairro de Casa Amarela, os portugueses resistiram por cinco anos, até o dia 8 de Junho de 1635. A partir daí, e durante a presença de Maurício de Nassau, a resistência portuguesa foi pouca ou nula.
Com o retorno de Maurício de Nassau à Holanda e a cobrança de dívidas dos senhores de engenho por parte da Companhia das Índias Ocidentais, a elite pernambucana decidiu pegar em armas para expulsar os invasores, através de um movimento chamado Insurreição Pernambucana. É interessante o facto de que o movimento não teve apoio formal da Coroa portuguesa, cujos diplomatas na época encontravam-se ocupados tentando vender o Nordeste brasileiro à Holanda!
Tendo como líder o senhor de engenho João Fernandes Vieira, o movimento conseguiu importantes vitórias frente aos Holandeses em 1645, no Monte das Tabocas (na cidade de Vitória de Santo Antão, a 45Km de Recife) e no Engenho de Casa Forte (no bairro de mesmo nome). Mas a vitória definitiva viria após as duas batalhas do Morro dos Guararapes (na vizinha cidade de Jaboatão), em 1648 e 1649. Este local é hoje considerado o berço do exército brasileiro. A retirada completa das tropas holandesas ainda seria demorada: somente a 27 de Janeiro de 1654 os portugueses retomariam o controle do Recife. Em 6 de Agosto de 1661, em troca de uma indenização de oito milhões de florins, os holandeses assinariam acordo em Portugal renunciando a qualquer pretensão sobre terras brasileiras.
A semente de desenvolvimento plantada pelos holandeses germinou em Recife. Pouco a pouco a cidade, lar de comerciantes e pequenos burgueses, chamados mascates, suplantaria a capital Olinda, lar dos tradicionais senhores de engenho. O ciúme entre as cidades irmãs culminou com a guerra dos mascates, em 1710.
O espírito revolucionário contaminou o sangue dos Recifenses. A capital pernambucana seria palco de várias revoltas, como a Revolução de 1817 e a Confederação do Equador, de 1824. Nelas se destacaria a figura de Frei Caneca, religioso fuzilado pelos seus ideais libertários. Recentemente, os mesmos ideais norteariam o trabalho de D. Hélder Câmara à frente da Arquidiocese de Olinda e Recife: a sua voz calma e mansa foi o instrumento mais poderoso de combate às atrocidades cometidas pela ditadura militar no Brasil nos anos sessenta e setenta.
Ainda que talvez pouco importante para si, não se deve ignorar essa época (triste) da História de Portugal, até mesmo para entender a invasão "holandesa" no Brasil, à luz de alguns factos pouco divulgados;
1. As relações próximas de António Prior do Crato (único pretendente/oponente de Filipe de Espanha ao trono de Portugal em 1580) com Maurício de Nassau, um dos seus apoiantes no exílio que se seguiria.
2. Os judeus dos Países Baixos como impulsionadores da Companhia das Índias Ocidentais.
Sendo que boa parte desses judeus eram à época, originários de Portugal.
3. Manuel de Portugal, filho do Prior do Crato, que acompanhou o pai no exílio, casou em 1597 com Emília de Nassau - princesa de Orange (irmã de Maurício de Nassau).
Coincidências???”
(Retirado do Google.pt)
- de 1888. Nasce Fernando Pessoa, em Lisboa.
1888 Nasce, a 13 de Junho, o poeta Fernando António Nogueira Pessoa, no 4º andar esquerdo do nº 4 do Largo de São Carlos em Lisboa, filho de Maria magdalena pinheiro Nogueira e de Joaquim de Seabra Pessoa.
Criação do primeiro heterónimo: Chevalier de Pas.João Miguel Rosa é nomeado cônsul interino em Durban, África do Sul.
A 30 de Dezembro, casa, por procuração, D. Maria Magdalena, com o comandante João Miguel Rosa.
Nasce Henriqueta Madalena, irmã do poeta
Em Agosto, Fernando Pessoa vem de visita, com a família, a Portugal.
Surgem os heterónimos Charles Robert Anon e H.M.F. Lecher.
Colabora no semanário teatro e prossegue a sua colaboração com A Águia. Escreve Epithalamium e Hora Absurda.
Prossegue a sua colaboração com a Presença.
- de 1935. É criada a FNAT - Federação Nacional para a Alegria no Trabalho, que imita a organização nazi Força pela Alegria e a fascista Doppo Lavoro.
(retirado do Portal da História)
“Através do Decreto-Lei nº 25 495, o governo de Salazar cria a Federação Nacional para a Alegria no Trabalho (FNAT).
À semelhança das actividades de Doppo Lavoro desenvolvidas pelo regfime fascista italiano, a FNAT procurará, em colaboração com o SPN, enquadrar os tempos livres dos trabalhadores de forma a promover e a reforçar uma imagem positiva do Estado Novo.
Concretiza, quer actividades de «mera diversão», quer iniciativas de cariz político-ideológico explícito.” [1]
[1] História de Portugal em Datas, Círculo de Leitores, pág. 327.


