


Observatório da nossa Polis à luz das memórias contínuas do pensamento filosófico português. Inspirado nos «Modernos Publicistas», segue o mesmo espírito crítico e de indignação:«De feito. Ardeu-me de todo o topete». Porque nunca calaremos no descampado onde reina a verdade que nos traz glória, repetiremos sempre a vontade de mestre Herculano: "é que não costumo calar nem attenuar as proprias opiniões onde e quando, por dever moral ou juridico, tenho de manifestá-las" ...!



Não quero seguir outro caminho que não seja o da "academia", só de pensar que, por vezes, sou obrigado a pensar como vivo! Não há lastro psicológico que aguente tais investidas da besta, tão animalesca atravessa as avenidas do quotidiano político a nossa aviltada cidadania! Dá que pensar ver todos os dias, sobretudo em lugares que a Douta Mãe continua tentando preservar na sua aconchegante proximidade com os homens, a acutilante pestilência mental do provincianismo serôdio que, não acredito, possa ter algo a ver com a mensagem dita (por muitas formas, eruditas ou leigas) cristã! Chega a ser clinicamente angustiante e a dar vómitos de inconformidades que o corpo rejeita e a mente dilui, não aceitando cair em "getos" ideológicos só porque a razão é superior ao corpo (ou então ainda comíamos de quatro "patas")! Só assim se evitam as pútridas angústias de quem tem que ser subserviente, combatendo, interiormente e à nossa volta, a lenguice de quem nos quer comprar a virtude por empréstimo do alheio, que é como quem diz, não te deixes hipotecar!

Eu também quero participar e fazer a escola que nos falta! Na Ideia, nos actos, na Ciência e na paixão, no Amor e na vida, eu também quero ir mais além da estúpida montonia do nada que nos absorve de cada vez que respiramos a hipócrita atmosfera do devir que não vem, do Homem que não se faz, do sebastião que não aparece, do ser que não existe! Basta! Deixem-nos respirar a essência do estar para aprendermos a olhar, a sentir e a ver quem somos, ontem, hoje e amanhã!
Faça-se escola! E todos poderemos ser mais e melhor futuro presente!






. Há já uns bons anos que li, pela primeira vez, a “Era do Vazio”, de Gilles Lipovetsky, esse professor de filosofia que Adriano Moreira também quis ler, apresentada a obra pela minha mão no final de uma das suas aulas de Ciência Política.
. Mas dificilmente será uma colectividade humanamente socializada, porquanto muitos dos objectivos e interesses institucionalizados têm origem em fontes que transcendem a consciência dos destinatários, quando não se apresentam como as verdadeiras origens de uma clandestinidade não marginalizada e, por isso, de ilegítima usurpação do poder, porque não participada. Assim sendo, antidemocrática.








Como já em 50 dizia o Prof. Luís Cabral de Moncada, na sua Filosofia do Direito e do Estado, quando um povo não tem instrução (entenda-se latu sensu) basta que veja satisfeitas as suas necessidades básicas (alimentação e habitação) para não mais se interessar pelos assuntos públicos, deixados a resolver por quem, sucessivamente, os vai gerindo de mote próprio. Por outras palavras, o aforismo anti-salazarista do “governar melhor mantendo ignorantes os governados” é, antes, uma realidade constante no portugalório privinciânico. É uma realidade supra-partidária, extra-partidária, anti-partidária, irrealisticamente democrática, realisticamente anti-democrática porque, pelos fins, é anti-popular.

Extra-partidariamente, supra-ideologicamente, mas democraticamente dizendo, as realidades pintadas pela revolução que nunca aconteceu (este presente nunca pode ser o futuro do ontem prometido) são, todavia, um grito do real com que o cenário social nos presenteia no dia-a-dia. Hoje, como ontem, pouco vemos que foi mudado, nada do que seria essencial se alcançou. Transformaram-se as fórmulas que visam angariar o consentimento popular, decretam-se medidas que visam alcançar os objectivos de quem governa, mesmo sem legitimidade, num quotidiano sem razão que os suporte, para bem do ‘stress’ social, ou da psique colectiva que molda os interesses dos que nela têm de abrigar-se.

Até o sol parece ficar envergonhado, tal é a nossa apatia perante os detritos de que nos queremos alhear! Nem a profilaxia do domínio público soubemos definir, tal o estado da nossa higiene social, gerida nos interesses subterrâneos das poderosas famílias privadas! Por isso, quem esperar por higiene, saúde, e outros bens ditos públicos, o melhor é contar, num futuro aparentemente muito próximo, com S. A.'s de capitais públicos, o mesmo será dizer, de entidades pseudo-públicas porque privadas , dado que se vestem e alimentam à custa do que o erário público nos absorve, oficial mas clandestinamente, com o aval das mais altas esferas de controlo constitucional.

A este nível, nem a já publicitada campanha presidencial para 2006 nos promete nada de novo, tal é o conformismo sistémico dos intervenientes! De todos eles! Sem excepção, aceitando-se que, para alguns quase nunca ouvidos porque "inconvenientes", isso não tenha que ser,. obrigatoriamente, assim. Mas se até Louçã, oriundo de formação partidária inscrita na LCI, não se apresenta, politicamente, nesse quadro (apesar das quotas de tempo de antena que lhe têm sido atribuídas serem muitíssimo mais que proporcionais às atribuídas ao nível da sua representatividade parlamentar), não admira que dificilmente alguém se possa apresentar a votos sem a conivência do situacionismo sistémico.
Para ver sempre as mesmas histórias, com outras roupagens de actores hereditários, mais vale a dignidade circense, onde as feras e outros ícones da natureza, genuinamente, merecem sempre o respeito devido a quem trabalha seriamente para a comunidade, mesmo quando o número mais esperado é o dos palhaços!
Sem cair na auto-flagelação, talvez já não nos reste, sequer, a vã esperança de encontrarmos uma caixa de Pandora, sem surpresas de mercearia, orelhadas de porco ou outras burlas de feira que já são tradição, sem academia que as institucionalize! Nesse aspecto, façamos figas para que não atinja o ceptro de escola, deixando então que ainda possamos esperar, da dita caixa de ilusórias surpresas, uma pequena "luz ao fundo do túnel". Será isto poesia? Mas "V" de quem?!







1. Uma dessas ofensas (por acção) à nossa Lei Fundamental consistiu, em nosso entender, no enigmático acto de, por sua própria iniciativa, o PR dissolver a AR sem fundamentação jurídico-constitucional: à luz da nossa CRP, não existiu qualquer situação relacionada com os pressupostos previstos na alínea e) do seu artº 134, não sendo “evidente o alcance do poder do PR de se pronunciar sobre as emergências graves para a vida da República… um conceito vago como é o de emergências graves para a vida da República suscita grandes dificuldades … existe, porém, uma larga margem de discricionariedade política do PR, quer para decidir quanto à existência de «emergências graves» que justifiquem pronunciar-se para individualizar os pressupostos objectivos da sua tomada de posição (problemas de anormalidade constitucional, situações económicas excepcionais, etc.), quer para escolher o momento e a forma de se pronunciar” [i]; nem nenhuma das situações previstas nos dois números do artº 195º, pelo que convém salientar que a dissolução da AR “tem lugar, quase sempre, justamente para possibilitar novas soluções de governo”. É que há “claramente um nexo orgânico necessário entre o Governo e a AR à sombra da qual foi constituído, pelo que a renovação da AR implica necessariamente a substituição do governo” [ii].
Entendemos, por isso, que possam ter estado na origem do tal acto discricionário as vantagens dos imperativos decorrentes da articulação automática dos preceitos orgânico-constitucionais, enquadrando politicamente a “mira” do PR, já que “a dissolução da AR é um acto da exclusiva competência do PR. Não depende de proposta de qualquer outro órgão, nem de autorização ou parecer favorável, já que o parecer do Conselho de Estado não é vinculativo. Finalmente, o acto de dissolução não está ligado a nenhum pressuposto objectivo (crise governamental, por exemplo). O PR goza assim de uma grande margem de liberdade na dissolução da AR, sendo este um dos traços característicos do sistema do Governo. De resto, … a dissolução da AR transforma-se no principal instrumento de intervenção institucional do PR” [iii]. Mas este seu poder-dever de intervenção não pode invadir a esfera estritamente governativa, pois “a função de governo ou de direcção política pertence principalmente ao Governo (artº 182º)”, apesar da responsabilidade política do PM e do Governo perante aquele (artºs 190º e 191, nº 1), e mais ainda, “os Ministros não são individualmente responsáveis perante o PR (artº 191, nº 2)” [iv], quadro de expectativas que conformam o que, através dos órgãos da comunicação social, ficou interiorizado na mente da opinião pública em geral.

Mantendo a fidelidade científico-conceptual ao meu mui citado mestre J.A. Maltez, aproveito a oportunidade de uma das suas alusões a esta temática, quando metaforicamente declara: ”Afinal, continuamos a preferir o decretino nomeativo à velha justiça da igualdade de oportunidades e não parece que sejamos capaz de decepar o atavismo inquisitorial das irresponsáveis denunciações de ouvida que, ainda no século XX, se reanimaram com a versão ministerialista da bufaria pidesca. “ [v]










Amem!!!


