terça-feira, março 14, 2006

Construindo modestamente esta Página ...

Vale a pena trabalhar um pouco para melhorar, também, a estética desta Pàgina. E assim ..., esperando, ... até lá ..., até logo!
Esta coisa de construir blogues, para quem não possui conhecimentos específicos na matéria torna-se um empreendimento enfadonho, relativamente imperfeito, constantemente problemático e, pior que tudo, quando disfunciona, é uma potencial frustação!
Por isso, "deixem-me trabalhar", para meu regozijo e proveito de todos. Assim que estiver em condições de se apresentar como gostaríamos de aparecer.
Assim, parando um pouco, ... !

segunda-feira, março 13, 2006

Começar Um Jornal de Ideias

Apresentação

Começo esta apresentação com uma evocação à data de hoje (relativamente a 10 de Março), que é a do aparecimento, em Coimbra de 1927, dessa "folha de arte e crítica" chamada Presença, de José Régio e outros. E, porque também nela se expressaram autores de uma pluralidade de correntes de pensamento, que tentaram acompanhar "o tempo que passa" na sua época, igualmente se pretende que este espaço bloguista se traduza numa dessas pluralidades de expressões, numa como que convergência de esforços que marquem uma atitude intelectual que não se reveja na "autoflagelação, ou na ironia perfurante dos que se excluem da censura das coisas pátrias, como se lhes fossem estranhos" [1].






Porque também é espaço para outros que, como nós, sabem articular "o seu labor intelectual às exigências históricas e sociais da sua época, traduzindo um sentimento de responsabilidade quanto à reforma do país, nessa postura que enlaça as ideias com os dramas da existência, relativamente aos indivíduos em particular ou à comunidade em que se integram, implicando análises tanto dos imperativos de ordem lógica como dos condicionalismos de ordem sociológica" [2].


É neste contexto de referência histórico-bilbiográfica que auto-reclamo a identificação do nome deste espaço de trabalho com aquele grupo dos nossos filósofos de vertente publicista, como foram António Sérgio, Raul Proença, Leonardo Coimbra e, sobretudo, Sampaio Bruno. Com eles "a filosofia «desce» aos jornais e às revistas culturais e, portanto, à intervenção mais directa, no âmbito do que se considera serem as exigências políticas e sociais da época" [3], sempre numa perspectiva da acção orientada pela interculturalidade e, por isso, assente na abertura aos valores universais.



Não podendo deixar de me referir ao autor de cuja obra retiro esta nota, concluo, com ele, que "o que deve preocupar-nos numa primeira instância é a exigência de conhecimento, comprometida com a análise tão criteriosa quanto possível do pensamento filosófico dos que estiveram, estão e estarão ligados a Portugal, sendo então possível falar de identidade, numa linha de autognose" [4].





[1] CALAFATE, Pedro, História do Pensamento Filosófico Português (dir.), cap. de Apresentação da obra, vol. I, ed. Círculo de Leitores, 2002, pp. 11-15.
[2] Idem, ob. cit., com adaptações ao texto da pág. 12.
[3] Idem, pág. 14.
[4] Idem, pãg. 15.

sexta-feira, março 10, 2006


Cogitadelas 14

E porque esta estrada é larga,

As vias são várias e a ânima não é pequena, talves seja altura de clarificar estas "águas blogueiras", que é como quem diz "vamos lá a separar a trigo do joio", para se poder perceber melhor o que é do pensamento sobre o que se vai vivendo, em si mesmo

(as "Cogitadelas"), ficando com os Cogitando

o que é da razão crítica e do pensamento sistematizado,

("Fiat Lux"), para onde transitam as Tiradas de Reflexão Pura

o que é da expressão "liberdadeira" e plural da cidadania, a começar pelos mais jovens,
("Novo Arco Íris"), para onde transitam as La Pensée du Jour

e, mais recentemente, esse desejo de criar um espaço de participação na crítica social à luz do pensamento filosófico , tanto quanto possível, caracteristicamente português,

(o "Publicista"), para onde transita O Republicanário

Mas certamente que, porque não se advogam, em princípio, quaisquer exclusivismos, também nestes espaços haverá lugar à interpenetração de ideias e expressões. Só assim se conseguirá, cremos, uma abrangência na integralidade da utilização que fazemos deste meio tão profícuo que é o da blogosfera e, acima de tudo, das vontades efectivas de participação civilizante.
Vamos, para tanto, cogitando um pouco mais profundamente!
(Já revogado, por todos os títulos terem transitado para o "Publicista")

Fiat Lux (tiradas de Reflexão Pura)

As letras de Deus

(Reedição de Fiat Lux) Sexta-feira, Março 10, 2006

E porque hoje, depois de um memorial dirigido ao aparecimento do heterónimo Alberto Caeiro, é dia de recordarmos uma das publicações de uma geração notável de pensadores da nossa res publicae, a Presença, já em vésperas de e durante a sua convivência com a era autoritarista salazareira, vem-me à ideia, inspirada num momento de conselho paternal a um dos meus rapazes, que a liberdade natural não coindide com a da nossa razão, sendo a primeira resultado de uma lógica infinitamente superior à nossa, mas que esta, mesmo assim, a alcança. E apercebemo-nos nesse momento que esse inatingível se entende através de uma sujeição, primeiramente pela disciplina orgânica do corpo que nos transporta a mente, depois pela ratificação que os benefícios dessa sujeição capitalizam, que é dizer a confirmação, pela razão, que a liberdade primeira começa pela nossa submissão a um dever de obediência, ou então não estaremos em condições existenciais de podermos usufruir da liberdade que a Natureza (Deus) suporta.





Emanuel (primeiro o de Nazaré, depois o Kant) tem razão, e por isso Jesus não é só Cristo, nem só nosso, Buda também é de todos, Maomé "foi à montanha" e Khrishna poderia ter sido um dos principais mestres de Fernando Pessoa, ao lermos "Há Metafísica Bastante Em Não Pensar Em Nada".


E, porque não pretendo ser metafísico necessário, deixo o pensamento suficiente para alcançarmos o estado de alma que não pensa, a não ser pelo sentimento que se tem quando não a temos no pensamento!

quinta-feira, março 09, 2006

'Blogues' de outros tempos

Assim se divulgava, em 1927, o pensamento e a crítica (ou os blogues de outras eras).
(Reeditado do "Novo Arco Íris"))

10 de Março de 1927. Aparecimento da revista Presença, "folha de arte e crítica" fundada, em Coimbra, por José Régio, João Gaspar Simões, Branquinho da Fonseca e Edmundo de Bettencourt.


A Revista «Presença»
A revista «Presença» foi lançada em Coimbra em 1927. Dela saíram 54 números. José Régio foi um dos principais fundadores e permaneceu à frente do projecto até à sua extinção, em 1940. Este movimento, habitualmente designado por 2.º Modernismo, divulgou nas páginas da sua revista os autores do 1.º Modernismo: Fernando Pessoa, Mário de Sá-Carneiro e Almada Negreiros. Muitos nomes de diferentes quadrantes estético-literários colaboraram com a «Presença», nomeadamente Miguel Torga, Vitorino Nemésio, João Gaspar Simões (entre outros). Contudo, as ideias que prevaleceram na literatura (e na arte em geral) valorizaram a dimensão psicológica.É interessante saber que a poesia de alguns presencistas esteve na base dos textos e das composições do Fado de Coimbra e do Fado cantado por Amália Rodrigues.
(retirado de Google.pt e do Portal da história)

Letras do Pensamento

Quinta-feira, Março 09, 2006
(Reedição de Fiat Lux)


+ 1 evocação do mestre Caeiro

Alberto Caeiro


V - Há Metafísica Bastante em Não Pensar em Nada

Há metafísica bastante em não pensar em nada.

O que penso eu do mundo? Sei lá o que penso do mundo! Se eu adoecesse pensaria nisso.Que idéia tenho eu das cousas? Que opinião tenho sobre as causas e os efeitos? Que tenho eu meditado sobre Deus e a alma E sobre a criação do Mundo?Não sei. Para mim pensar nisso é fechar os olhos E não pensar. É correr as cortinas Da minha janela (mas ela não tem cortinas).O mistério das cousas? Sei lá o que é mistério! O único mistério é haver quem pense no mistério. Quem está ao sol e fecha os olhos, Começa a não saber o que é o sol E a pensar muitas cousas cheias de calor. Mas abre os olhos e vê o sol, E já não pode pensar em nada, Porque a luz do sol vale mais que os pensamentos De todos os filósofos e de todos os poetas. A luz do sol não sabe o que faz E por isso não erra e é comum e boa.Metafísica? Que metafísica têm aquelas árvores? A de serem verdes e copadas e de terem ramos E a de dar fruto na sua hora, o que não nos faz pensar, A nós, que não sabemos dar por elas. Mas que melhor metafísica que a delas, Que é a de não saber para que vivem Nem saber que o não sabem?"Constituição íntima das cousas"... "Sentido íntimo do Universo"... Tudo isto é falso, tudo isto não quer dizer nada. É incrível que se possa pensar em cousas dessas. É como pensar em razões e fins Quando o começo da manhã está raiando, e pelos lados das árvores Um vago ouro lustroso vai perdendo a escuridão.Pensar no sentido íntimo das cousas É acrescentado, como pensar na saúde Ou levar um copo à água das fontes.O único sentido íntimo das cousas É elas não terem sentido íntimo nenhum. Não acredito em Deus porque nunca o vi. Se ele quisesse que eu acreditasse nele, Sem dúvida que viria falar comigo E entraria pela minha porta dentro Dizendo-me, Aqui estou!(Isto é talvez ridículo aos ouvidos De quem, por não saber o que é olhar para as cousas, Não compreende quem fala delas Com o modo de falar que reparar para elas ensina.)Mas se Deus é as flores e as árvores E os montes e sol e o luar, Então acredito nele, Então acredito nele a toda a hora, E a minha vida é toda uma oração e uma missa, E uma comunhão com os olhos e pelos ouvidos.Mas se Deus é as árvores e as flores E os montes e o luar e o sol, Para que lhe chamo eu Deus? Chamo-lhe flores e árvores e montes e sol e luar; Porque, se ele se fez, para eu o ver, Sol e luar e flores e árvores e montes, Se ele me aparece como sendo árvores e montes E luar e sol e flores, É que ele quer que eu o conheça Como árvores e montes e flores e luar e sol.E por isso eu obedeço-lhe, (Que mais sei eu de Deus que Deus de si próprio?). Obedeço-lhe a viver, espontaneamente, Como quem abre os olhos e vê, E chamo-lhe luar e sol e flores e árvores e montes, E amo-o sem pensar nele, E penso-o vendo e ouvindo, E ando com ele a toda a hora.

quarta-feira, março 08, 2006

Hoje ... de Outros Tempos

Por causa do dia de hoje
(Reeditado do "Novo Arco Íris")

Mulher, ... Sempre! Ou como a evolução da espécie humana ainda criará o Dia Internacional do Homem (por sinal, no mesmo mês, a 19 de Março?)!

Como sinto algo de sombrio sempre que oiço falar de dias internacionais, sobretudo quando evocam o que nem devia ser evocado, porque não há fundamentos para evocar o que nunca careceu de ser evocado! Mulher é, independentemente de quem ou do que quer que seja que digam, como eu sou, assim como qualquer um de nós é. E para o sermos também não carecemos que nos evoquem! Nem, creio, gostaríamos que nos atribuissem um dia em que todos parecem nos querer evocar, num como que sentimento de pena ou pretensa compensação pós-operatória.

Por isso, prefiro evocar, neste dia de 8 de Março (embora já o esteja a fazer no começo do dia seguinte), Fernando Pessoa, quando, com o Guardador de Rebanhos, cria o seu heterónimo Alberto Caeiro.

O GUARDADOR DE REBANHOS
1
Eu nunca guardei rebanhos,
Mas é como se os guardasse.
Minha alma é como um pastor,
Conhece o vento e o sol
E anda pela mão das Estações
A seguir e a olhar.
Toda a paz da Natureza sem gente
Vem sentar-se a meu lado.
Mas eu fico triste como um pôr de sol
Para a nossa imaginação,
Quando esfria no fundo da planície
E se sente a noite entrada
Como uma borboleta pela janella.
Mas a minha tristeza é socego
Porque é natural e justa
E é o que deve estar na alma
Quando já pensa que existe
E as mãos colhem flores sem ella dar por isso.
Como um ruido de chocalhos
Para além da curva da estrada,
Os meus pensamentos são contentes.
Só tenho pena de saber que elles são contentes,
Porque, se o não soubesse,
Em vez de serem contentes e tristes,
Seriam alegres e contentes.
Pensar incommóda como andar á chuva
Quando o vento cresce e parece que chove mais.
Não tenho ambições nem desejos.
Ser poeta não é uma ambição minha.
E´ a minha maneira de estar sòsinho.
E se desejo ás vezes,
Por imaginar, ser cordeirinho
(Ou ser o rebanho todo
Para andar espalhado por toda a encosta
A ser muita cousa feliz ao mesmo tempo),
E´ só porque sinto o que escrevo ao pôr do sol,
Ou quando uma nuvem passa a mão por cima da luz
E corre um silencio pela herva fóra.
Quando me sento a escrever versos
Ou, passeando pelos caminhos ou pelos atalhos,
Escrevo versos num papel que está no meu pensamento,
Sinto um cajado nas mãos
E vejo um recorte de mimNo cimo d´um outeiro,
Olhando para o meu rebanho e vendo as minhas idéas,
Ou olhando para as minhas idéas e vendo o meu rebanho,
E sorrindo vagamente como quem não comprehende o que se diz
E quer fingir que comprehende.
Saúdo todos os que me lerem,
Tirando-lhes o chapeu largo
Quando me vêem á minha porta
Mal a diligencia levanta no cimo do outeiro.
Saúdo-os e desejo-lhes sol,
E chuva, quando a chuva é precisa,
E que as suas casas tenham
Ao pé dúma janella aberta
Uma cadeira predilecta
Onde se sentem, lendo os meus versos.
E ao lerem os meus versos pensem
Que sou cousa natural -
Por exemplo, a arvore antiga
A´ sombra da qual creanças
Se sentavam com um baque, cansados de brincar,
E limpavam o suor da testa quente
Com a manga do bibe riscado.
8 - 03 – 1914
(Retirado do Google.pt)

terça-feira, março 07, 2006

domingo, março 05, 2006

Hoje ... de Outrosa Tempos

Vale a Pena Recordar (5/3/06)

A título experimental, lanço uma primeira edição do que pode vir a ser esta rúbrica.


De entre as várias referências a esta data, merecem especial destaque as seguintes:
5 de Março
- de 1827. Alessandro Volta, cientista italiano inventor da pilha, descobridor do metano, morre. A unidade de medida da tensão eléctrica - o «volt» - foi assim nomeada devido aos seus estudos na tentativa de encontrar uma unidade de medida da electricidade de valor universal.
- de 1917. Manuel de Arriaga, primeiro Presidente da República, morre.
- de 1922. Estreia do filme de Friedrich Wilhelm Murnau Nosferatu.- de 1931. Gandhi aceita pôr fim à campanha de desobediência civil na Índia, dominada pela Grã-Bretanha.
- de 1933. O partido nazi ganha as eleições legislativas na Alemanha.
(Retirado do Portazl da História)
De entre todos estes eventos a que podem aceder todos quantos “naveguem” à procura de eventos históricos significativos, serão certamente de realçar o papel de Gandhi na independência da Índia, contrastante com a vitória eleitoral do partido nazi para as legislativas alemãs, através da qual Hitler acedeu, democraticamente, ao poder, mas que não viria a traduzir-se na forma como o exerceu.


E, mais uma vez, embora não se confirme que a História dá sempre as mesmas voltas, sem proclamarmos o seu fim, podemos comensurar as distâncias (equi ?) que separam o aludido episódio com as constantes fugas às promessas eleitorais de quem só se lembra da democracia para aceder ao poder, facilmente dela se esquecendo quando o exerce, que é dizer quase nunca em nome do povo.


Mas, talvez, a lição maior deste dia deverá atribuir-se ao apóstolo da não-vilência Mohandas Karamchand Gandhi, ao pôr fim à campanha de desobediência civil na Índia, onde e quando ainda não Blocos, de esquerda ou de direita, para impor novas doutrinas sobre o que já havia séculos se tinha aprendido, mas que Gandhi sublimou ao trazer para a política a religião fundadora dos valores com que lutou, dando assim o exemplo, por mais uma razão, de que o laicismo bloqueiro, troykista ou outro, axiologicamente xenófobo, não tem eco na História, será mais uma invençãos das de fazer inveja a Aldous Huxley, para a produção de comportamentos politicamente correctos, sinistramente alinhados.

sábado, março 04, 2006

Hoje ... de Outros Tempos

Vale a Pena Recordar

Será uma rúbrica que assinala os a contecimentos históricos que, em cada dia do ano, merecem ser recordados, pelo menos sempre que a natureza desses eventos possa ser contextualizada com o que de mais crítico se obseve no quotidiano actual, nacional ou internacionalmente digno de nota.

Assim, lanço mais um desafio aos que, de facto, se quiserem juntar a este grupo de cidadãos intervenientes.
Dica: O formato da rúbrica poderá seguir, a título de exemplo, o tratamento sintético dos respectivos conteúdos dentro de uma metodologia do tipo histórico-comparativo, em que dados factos sejam considerados representativos para a análise sócio-histórica dos nossos dias.
Há por aí muitas fontes de informação sobre o assunto. Passando a publicidade, vejam-se no Google as referências bibliográficas (Mestre Carlos Rebelo, J Hermano Saraiva, Portal da História, etc.).

Horizontes Académicos

A Indiferença

O que é mais comum que a indiferença?

Que, sem melhor prova, é muito maior do que uma simples observação (1) da realidade que nos rodeia pode parecer, sobretudo quando sentida no mais quotidiano dos seus pormenores – a paisagem real da sociedade (2): quem a determina, porquê, e de que forma é que, directa ou indirectamente, participamos nessa determinação?São questões que, em época de uma necessária revitalização da participação democrática (3) (diga-se da reedificação do estatuto civilizacional da cidadania (4)), tornam-se tanto mais pertinentes quanto menos interesse aparenta ter a manifesta apatia (5) quase generalizada das pessoas que nos rodeiam.

(1 a 5 - conceitos a desenvolver no contexto do tema proposto)

A Indiferença

A Indiferença

O que é mais comum que a indiferença?

Que, sem melhor prova, é muito maior do que uma simples observação (1) da realidade que nos rodeia pode parecer, sobretudo quando sentida no mais quotidiano dos seus pormenores – a paisagem real da sociedade (2): quem a determina, porquê, e de que forma é que, directa ou indirectamente, participamos nessa determinação?São questões que, em época de uma necessária revitalização da participação democrática (3) (diga-se da reedificação do estatuto civilizacional da cidadania (4)), tornam-se tanto mais pertinentes quanto menos interesse aparenta ter a manifesta apatia (5) quase generalizada das pessoas que nos rodeiam.

(1 a 5 - conceitos a desenvolver no contexto do tema proposto)

sexta-feira, março 03, 2006

Horizontes Académicos

Cinema na blogoesfera

E que tal uma notas dignas sobre a importância do papel da cinematografia actual na sociedade (em Portugal e noutros, se essa for uma realidade sociologicamente diferencial)? Por isso deixo este apelo a todos quantos já acedem a este “local de trabalho” para, tomando como base, e a título de exemplo, a revista “Première” (passo a publicidade), exercerem essa crítica de forma producente e profícua, ou seja, construtivamente.Gostaria que o meu querido amigo JV Mendes pudesse colaborar neste espaço. Vou tentar convencê-lo, pelo menos a deixar-vos algumas orientações úteis.
Prof. JRC

terça-feira, fevereiro 28, 2006

A pandemia dos cifrões

Gripes, viroses, profilaxia e riqueza, saúde e pobreza, com superversão de "Dallas", em época de neo-coincineração.

Confesso que também estou engripado, mas daquelas de trazer por casa, e por isso, deitadinho na cama a ver as novas (?) TV, apercebo-me das homilias de segunda pós fim-de-semana cheio de cólera angolana, temperada com um pouco de hipocrisia persa (iraniana) e a carranquice do Hammas, q. b., por não tocar no "$orgaão" da UE, não vão as armas torcer com os varões mal assinalados por sufrágio inoportuno (?); com os franceses a dizimarem o H5N1, em plenas mini-férias lusas - até daria para visitarmos os nossos frères francious, aprendendo algo sobre profilaxia, não vá o erário público deste bocado de terra à beira mar plantado definhar e, a bem da nação, nos aparecer por aí uma estirpe de algibeira, que é dizer daquelas que, à portuguesa, nos levará o "$orgão" da UE, em jeito de mais uma seca de inverno, não vão as armas torcer com os barões mal assinalados ... .

Enfim, na minha rica caminha, lá vou eu vendo que, se apenas dá cólera a quem não tem água potável, nem infraestruturas sanitárias, então o Tarzan deveria ter morrido de uma valente diarreia, os ciganos (que me perdoem o oportuno exemplo) há muito estatriam extintos pela sobre exposição aos elementos da "natural" exclusão social, as camadas etárias mais novas assim expostas não poderiam sair à rua (não teriam incrementado a potenciação da produção de anticorpos) dado o seu imaturo desenvolvimento imunitário, os exageros antisépticos já nos teriam hiperdesimunizado, etc., etc. . Com a promessa de uma super adaptação, agora para cinema, da já esquecida série "Dallas", não vá o povinho deixar de idolatrar tão importantes personagens, autênticos ícones da coltura oxidental, tão cheias de petróleo que nem era preciso invadir Portugal, ..., sim, porque qualquer dia levam-nos o das Berlengas, isto se o Belmirinho não chegar lá primeiro com uma OVA (Oferta de Verdadeira Aquisição) em época de novo fôlego bolsista ..., com benção de comissões corporativas (cheias de tão brilhantes cabeças e valores erráticos) a olhar para novas Ofertas VA sobre as cimenteiras do futuro, onde já ficaram incinerados os relatórios técnicos independentes sobre tão polutas matérias ... ("isto só visto")!!!
Então, lá dei eu a pensar para comigo - la pensée du jour:

A higiene mais rica é a dos pobres!
A pobreza mais higiénica é a dos ricos!
A saúde menos rica é a pobreza!

Anomias de Hoje

Anomia versus Identidade Social
(Reeditado do "Novo Arco Íris"

Revisitando a anomia, precisamos de mais ciência social.

Creio ser este um tema suficientemente importante tanto para alunos, professores e outros participantes que queiram juntar-se à reflexão de um problema tão fundamental nas sociedades ditas industrializadas, de mercado capitaleiro e de direito pretensamente democrático.

Dicas metodológicas:
1. Consultar a bibliografia fundamental sobre a matéria (a começar, creio que obviamente, por Émile Durkheim;
2. Recorrer aos conceitos relacionados com a questão, designadamente:
a) processos de interacção social;
b) socialização/ enculturação;
c) comunidade, sociedade e identidade social;
d) estado de direito;
e) implicações diferenciais da dicotomia democracia representativa versus democracia participativa no comportamento social ;
f) comportamento anómico;
g) outros.
3. Discussão sobre a importância da apresentação pública dos resultados desta revisita.
4. Escolha de um modelode apresentação.
P.S. (em jeito de bicada): este suicídio (Sócrates e o cálice da cicuta) terá sido estudado por Durkheim?


O Prof. J Rodrigo Coelho

sexta-feira, fevereiro 24, 2006

No Lançamento do "Novo Arco Íris"

Lançamento




Eis que, de um ímpeto,
virtuoso na intenção,
rico em ideias pensadas,
piedoso na complacência
para com os que pecisam dela,
amável pelo carinho do seu empenhamento,
solidário pelas causas que apresenta,
vigilante no rigor que pretende,
categórico nos objectivos,
Surge este grupo de arautos filiados
na Ideia de construção de uma nova era,
de uma nova pedagogia,
de uma nova polis,
continuando a ser Pátria,
nesta língua que é Mundo
que a armilar há muito abraçou,
Cumprindo a humanidade
por todos nós desejada!
Eis o que vos traz
este Novo Arco Íris,
Como Nova "Arca de Noé",
onde todos caberão
em ser e em pensar,
em dizer e em fazer,
aprender e ensinar,
até que um dia chegará,
para se poder dizer:
eu, tu e todos,
SOMOS NÓS!!!



Professor J. Rodrigo Coelho

quinta-feira, fevereiro 16, 2006

Cogitando, ... com Agostinho da Silva.

Hoje … Portugal e Agostinho da Silva!


1. Tudo começou pela consulta habitual que faço ao blogue do meu já muitas vezes citado mestre JA Maltez, com os seus “sítios de diálogo” que remetem para um longo mas incansável ‘mergulho’ em inúmeras conversas com interesse, certamente partilhado por aqueles que ousarem por aí navegar, pois “navegar é preciso” …. E assim me encontrei com a evocação do nascimento desta figura ímpar da cultura portuguesa, que é precisamente Agostinho da Silva.

É neste contexto que surge o ensejo de me manifestar, publicamente, a este respeito, e mais ainda quando, imerso nas leituras a que me referi, entre outras, aprendi que “foi pelo ISCSP [1] que Agostinho andou, ainda em pleno "ancien régime" quando fez o seu primeiro regresso à pátria” [2].

2. Os sentimentos, sobretudo os mais genuínos, não podem ser sujeitos de previsões, e por isso não se planificam. Muito menos ainda a sua manifestação, sob pena de os tornarmos uma potencial hipocrisia. Portanto, deixo aqui expressa, nesta pequena nota, a minha pública ansiedade pelo eventual desfecho que a minha participação neste memorial venha a promover, quer seja pela adesão a programas comemorativos, quer pelo que, ao nível da instituição onde exerço a minha actividade, vier a ser possível disponibilizar. Mas o impulso não traz, só por isso, menos valia pelo facto de não estar previsto em qualquer plano de actividades. Muito menos pelas circunstâncias que envolveram este meu impulso.

E porque se trata de uma identidade de sentimentos, nunca poderei deixar de me juntar àqueles que evocam esta personalidade. Porque em Agostinho da Silva há portugalidade imensa, por referência a uma pátria que se avalia em activos, mas também em passivos, que assim herdamos sem preferências, nunca será demais relembrarmos esta data: “Agostinho, nascido em 1906, no Porto, terá morrido em Lisboa em 1994, a três de Abril, dia da Ressurreição. Por isso ressuscita sempre que, por dentro das suas palavras, ousamos renascer, ao integrá-las no movimento da vida, numa corrente de pensamento que nos faz estar antes e depois da nossa própria vida. E desta escola da Junqueira que o acolheu depois do exílio, ouso proclamar-me seu discípulo. Não apenas da pessoa, mas da tal corrente antiquíssima, intemporal, eterna, a que ambos aderimos, que ambos ousamos servir, porque é antes e depois de nós.” [3]



3. De entre as muitas coisas que podem ficar escritas a respeito de Agostinho, tentando fazer a sua memória, eu não posso ficar indiferente às das suas Reflexões [4], também citadas no ‘sítio’ a que me tenho referido, que aqui apenas deixo em texto:

"A fonte do poder não é, para portugueses, nem delegação de transcendências, nem figuração de imanências, nem contrato ou consenso; a fonte do poder é a unidade essencial do homem, da paisagem e do sonho que numa e noutro anda; o poder emana das aldeias no curtido das faces, na aspereza das rochas, no fumo das lareiras, no mugido dos gados, no escampado horizonte, na imobilidade e no gesto, no silêncio e na palavra; o primeiro elemento é o do homem e o seu chão e o seu cão; depois se forma a aldeia, ainda pequena e desvalida para ser política; mas com o município a primeira república se forma e sobre ela tudo o resto se tem de modelar; a Federação começa aqui ;com a junção das economias aldeãs; a catedral começa aqui; com esta pedra de muro ou este ladrilho de piso; conhece a nau seus primeiros redemoinhos nas águas bravas do cabril; e é o primeiro Reino o deste Rei, com o seu chão e o seu cão; repeti-lo não sobra".

E, para terminar esta nota evocativa, num modus muito cogitandum, subscrevo inteiramente a seguinte definição: “(…) Agostinho da Silva nunca pretendeu converter ninguém, nem, muito menos, fazer discípulos; só quis contribuir para que cada um encontrasse e seguisse o caminho próprio para a santificação da sua vida. Faço, portanto, votos para que, na veneração da sua memória, isso nunca seja esquecido.” [5]

__________________________

[1] Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas, Universidade Técnica de Lisboa, onde, entre outras actividades, onde o Prof. Doutor JA Maltez dirige o único Centro de Estudos do Pensamento Político português.

[2] JA Maltez, http://www.tempoquepassa.blogspot.com/ (Fev. de 2006).

[3] JA Maltez, Idem.

[4] Agostinho da Silva, Reflexões, Aforismos e Paradoxos, Thesaurus, Brasília, 1999.

[5] Abranches de Soveral, Eduardo, Prof. Doutor, “Agostinho da Silva: Um Homem de Deus”, História do Pensamento Filosófico Português, direcção de Pedro Calafate, ed. Círculo de Leitores, vol. V – Século XX, Tomo 1, 2003, pág. 279.