Observatório da nossa Polis à luz das memórias contínuas do pensamento filosófico português. Inspirado nos «Modernos Publicistas», segue o mesmo espírito crítico e de indignação:«De feito. Ardeu-me de todo o topete». Porque nunca calaremos no descampado onde reina a verdade que nos traz glória, repetiremos sempre a vontade de mestre Herculano: "é que não costumo calar nem attenuar as proprias opiniões onde e quando, por dever moral ou juridico, tenho de manifestá-las" ...!
segunda-feira, maio 15, 2006
Divulga por favor,
domingo, maio 14, 2006
Somos aquilo que temos

Também poderia evocar este triste dia de 1915, marcado por "tumultos violentos em Lisboa com assalto a armazéns e a padarias de multidões à procura de comida" 1. Neste mesmo dia, republicanos com a participação de civis (enquadrados prela Maçonaria) e militares, levam a efeito um movimento revolucionário que custou centenas de mortos e feridos e levou à derrocada do Governo" 2. E proclama-se de novo a República.

ÓH, poeta de Coimbra, volta a cantar:
Gaivotas, que o vento norte não traz
Notícias, que tardam sem razão
Ficarei aqui à espera
Ainda que seja quimera
Teu regresso acontecer
Ficarei até morrer!
Ficarei até morrer!

(2) História de Portugal em Datas, Círculo de Leitores.
domingo, maio 07, 2006
Fiat Lux (Tiradas de Reflexão Pura)
1. Olha para mim, Portugal! Sim, olha, porque sei como olham para ti, e penso como em ti pode acontecer o mesmo que a qualquer um, enquanto cidadão que em ti vive, pensando em nós: tenho reparado nesse “organicismo social”, que te pensa como se fosses esse corpo social em que se querem instalar os que te vêem enfraquecer mas nada fazem por ti, mas em ti querem transformar o seu sonho nessa realidade irrealizável, alimentada pelas fantasias com que em ti constroem as suas utopias. E para isso te querem fraco!

3. Mais: na guerra das metamorfoses, em que tais seres iludem aqueles em que se apoiam, como método de descodificação do sistema social que rejeitam (uma espécie de alien social undercover), sobressai essa latente capacidade de mutação virulenta, constituindo a sua arma estratégica mais poderosa, e para a qual não há antídoto conhecido, nem social ou biologicamente eficaz, tal é a implacabilidade com que transformam o corpo que habituaram a pensar na sua regeneração.
4. É por isso que, nesta tendência de degenerescência social, não há regra que se traduza na confrontação dicotómica entre esquerdas e direitas. Não! Mas, nesta saga de lutas pelo corpo social, vejo agora com mais clareza as posições mais ou menos radicalizadas de quem se barrica pelas direitas, tentando encontrar inimizade nos que, já “enfermos” do complexo de esquerda, não conseguem discernir na propaganda da cura ilusória o mal de que se alimentam esses que lhes prometem bem.

5. São estas as consequências das mutações dos vírus, de que a sua correspondente societal também sofre: uma vez atacado o corpo (a sociedade) os anticorpos são os primeiros a agir e, por isso, os primeiros a eliminar ou a iludir pelos seres ‘alienígenas’ que se adaptarão ao alvo (corpo hospedeiro), como se disse, através de mutações necessárias à sobrevivência que, de outra forma, não atingirão. Esta adaptabilidade é, assim, condição indispensável à prossecução dos seus objectivos: sobreviver, mesmo à custa da vida alheia, estando nesta o próprio corpo em que subsiste a sua alienação, procurando finalmente controlá-lo e dominá-lo. Depois desta fase (autêntica convulsão social), o corpo hospedeiro pode atingir o caos e desaparecer. Assim, será transformado num outro ser (sociedade) propícia ao desenvolvimento das pretensões vencedoras (estado de pandemia social).

6. Não podemos deixar de abstrair desta reflexão a eventual vigência de um novo PREC. A confirmar-se será, actualmente, mais subtil do que em qualquer outro período pós-revolucionário, pelo que importará esclarecer as nossas consciências cívicas, já vivenciadas em factos e conjunturas historicamente análogos, através da sublime evocação de uma simples lição de dignidade popular, manifestada em exortações como as que aludem à coragem de enfrentar os que, aparentemente, continuam a iludir-nos:
Todos, que tendes falado por mim,
Apenas vejo o que me mentem
Será por pensarem assim
Que eu vejo o que não sentem?
7. Devo, por tudo quanto nos interessa nesta questão, reler e seguir mais aprofundadamente as lições do meu primeiro mestre na ciência política, a quem desde a leitura do Novíssimo Príncipe, tenho citado com alguma frequência para realçar a fidedignidade das fontes com que sustento as minhas conjecturas e reflexões. Mesmo as que, partindo de inspirações nascidas na inquietude da minha existência social, cedo se revêem nos infortúnios a que a sociedade vai assistindo e que nos espíritos se reflectem.

8. Vou, assim, empreender mais uma revisitação à “Luta escalonada” [1] pelo Poder, e tentar melhor perceber o comportamento desses ‘vírus sociais’ que andam por aí, sediados em tudo quanto são organismos institucionais [2], constituindo uma como que sede real do Poder [3], dado que, mesmo electiva e formalmente emergente num sistema representativo, esta força está socialmente activa em todos os domínios e com uma influência institucional muito acima do valor da sua legítima representatividade eleitoral.
[1] Moreira, Adriano JA, Ciência Política, cap. IV, §3º, Almedina, Coimbra, 1984.
[2] Assinale-se que, por coincidência ou não, é pelas lições do mesmo Professor (AJAM) que comecei a percorrer os caminhos que, na academia, levam ao entendimento e apreensão da importância social do institucionalismo. E, porque também faz parte dos conteúdos que lecciono, não deixa de ser devidamente salientado nos meus ensinamentos.
[3] Moreira, Adriano JA, ob. cit., cap. IV, § 1º.
domingo, abril 30, 2006
Hoje ... de Outros Tempos
30 de Abril
- de 1536. A Inquisição é instalada em Portugal.
- de 1789. George Washington é empossado no cargo de Presidente dos Estados Unidos da América.
- de 1845. Nascimento de Oliveira Martins. Historiador autodidacta, socialista, defensor mais tarde da instauração de um regime autoritário, será um dos membros da «Geração de 70» do século XIX.
- de 1945. Adolfo Hitler suicida-se em Berlim.
- de 1948. Criação da Organização dos Estados Americanos (OEA).
- de 1975. O Brasil, os Estados Unidos da América, a Espanha e a França reconhecem o novo regime saído do golpe de estado de 25 de Abril anterior.
Vejo as notícias e as datas que a História tem marcadas para os dias deste fim de semana prolongado, ainda mais prolongado neste feudo cor de laranja-amargo-doce (…), e que me aguça o topete? Uma sobre a CGD, no JN de sexta-feira (artigo de um leitor), outra com o artigo de VPV no Público de sábado, tudo isto para servir de condimento às minhas razões, também causadas por episódios da minha vida profissional, tornando pessoais as lamentações de muitos daqueles que, noutras épocas, sofreram com perseguições inquisitoriais, das que ainda andam por aí …
"Desejo falar livre, mas não posso. Nunca se veja o que eu daqui já vejo (…) A medo vivo, a medo escrevo e falo, tenho medo do que falo só comigo; mas ainda a medo cuido, a medo calo (…)"
António Ferreira em Poemas Lusitanos
Valha-nos Deus!
Por tudo isto e o muito mais da nossa infelicidade de que vamos sendo vivos testemunhos, no meu pensamento dançam ideias sobre o bailado social que todos temos seguido, já de cor pela persistência com que insiste em nos condenar, nas garras de um qualquer Leviathan devorador dos seus próprios filhos …
A Inquisição
"Maria Mendes foi presa. Confessou logo. Denunciou quantos filhos tinha, netos e parentes, (…) todos quantos conhecia e lhes sabia os nomes, que se entendeu que havia denunciado mais de seiscentas pessoas. Ainda assim foi condenada a morrer queimada. E negou tudo, declarando serem tudo falsidades que haviam posto sobre si e sobre
seus próximos (…) Estando esta mulher no auto já para morrer, uma filha sua que saiu no mesmo auto, em altas vozes lhe quis lembrar alguns parentes, para que ali no auto fosse denunciá-los e não morresse (…)"
Padre António Vieira em Notícias recônditas do modo de proceder da Inquisição com os seus presos (adaptação)
(Retirado da Diciopédia 2000, Porto Editora - veja-se o desenvolvimento do artigo sobre a Inquisição)
A Inquisição era um tribunal eclesiástico destinado a defender a fé católica: vigiava, perseguia e condenava aqueles que fossem suspeitos de praticar outras religiões. Exercia também uma severa vigilância sobre o comportamento moral dos fiéis e censurava toda a produção cultural bem como resistia fortemente a todas as inovações científicas. Na verdade, a Igreja receava que as ideias inovadoras conduzissem os crentes à dúvida religiosa e à contestação da autoridade do Papa.
As novas propostas filosóficas ou científicas eram, geralmente, olhadas com desconfiança pela Inquisição que submetia a um regime de censura prévia todas as obras a publicar, criando o Index, catálogo de livros cuja leitura era proibida aos católicos, sob pena de excomunhão.
As pessoas viviam amedrontadas e sabiam que podiam ser denunciadas a qualquer momento sem que houvesse necessariamente razão para isso. Quando alguém era denunciado, levavam-no preso e, muitas vezes, era torturado até confessar. Alguns dos suspeitos chegavam a confessar-se culpados só para acabar com a tortura. No caso do acusado não se mostrar arrependido ou de ser reincidente, era condenado, em cerimónias chamadas autos-da-fé, a morrer na fogueira.

Defendendo a Igreja Católica as concepções geocêntricas, por as considerar mais de acordo com as Sagradas Escrituras, opôs-se totalmente à teoria heliocêntrica de Copérnico que Galileu defendeu, impondo-lhe silêncio sobre as suas opiniões.
Por isso, a publicação do livro Diálogo sobre os Dois Maiores Sistemas do Mundo custou a Galileu a instauração de um processo pela Inquisição na sequência do qual ele foi obrigado a negar as suas convicções.
"Nós, os cardeais da Santa Igreja Romana, pela graça de Deus, tendo sido nomeados inquisidores-gerais da Santa Fé Católica, verificámos que tu, Galileu, filho de Vicente Galilei, florentino, de 70 anos de idade, já no ano de 1613 foste denunciado a este tribunal do Santo Ofício, em virtude de considerares verdadeira a falsa doutrina de que o Sol é o centro do mundo; e de aceitares a ideia de que a Terra não está imóvel [...].Tendo os teólogos e doutores considerado estas teorias absurdas e erróneas [...] e tendo nós constatado que, depois de teres sido advertido, publicaste em Florença um livro intitulado Diálogo dos Dois Sistemas do Mundo, de Ptolomeu e de Copérnico, no qual continuas a defender as mesmas opiniões [...], declaramos-te, Galileu, fortemente suspeito de heresia. Deverás renegar publicamente as tuas teorias, contrárias aos ensinamentos da Igreja; e ordenamos que o referido Diálogo seja proibido e tu próprio aprisionado nos cárceres do Santo Ofício, ficando à nossa ordem." (Processo de Galileu, semelhante a muitos outros que vão acontecendo, um pouco por aí...).
(Retirado do Google)
quarta-feira, abril 26, 2006
Hoje ... de Outros Tempos
- de 1860. Morte do duque da Terceira, marechal do Exército, político liberal. Tinha nascido em 1792.
- de 1937. Aviões alemães, a Legião Condor, bombardeiam a cidade espanhola de Guernica, no País Basco.
- de 1946. É criado o MUD Juvenil.
- de 1986. Acidente na Central Nuclear ucraniana de Chernobyl) - retirado do Portal da História,

To begin our journey, we must learn a little something about radiation. It is really very simple, and the device we use for measuring radiation levels is called a geiger counter . If you flick it on in Kiev, it will measure about 12-16 microroentgen per hour. In a typical city of Russia and America, it will read 10-12 microroentgen per hour. In the center of many European cities are 20 microR per hour, the radioactivity of the stone.
1,000 microroentgens equal one milliroentgen and 1,000 milliroentgens equal 1 roentgen. So one roentgen is 100,000 times the average radiation of a typical city. A dose of 500 roentgens within 5 hours is fatal to humans. Interestingly, it takes about 2 1/2 times that dosage to kill a chicken and over 100 times that to kill a cockroach.
This sort of radiation level can not be found in Chernobyl now. In the first days after explosion, some places around the reactor were emitting 3,000-30,000 roentgens per hour. The firemen who were sent to put out the reactor fire were fried on the spot by gamma radiation. The remains of the reactor were entombed within an enormous steel and concrete sarcophagus, so it is now relatively safe to travel to the area - as long as we do not step off of the roadway.......

The map above shows the radiation levels in different parts of the dead zone. The map will soon be replaced with a more comprehensive one that identifies more features.

It shows various levels of radiation on asphalt - usually on the middle of road - because at edge of the road it is twice as high. If you step 1 meter off the road it is 4 or 5 times higher. Radiation sits on the soil, on the grass, in apples and mushrooms. It is not retained by asphalt, which makes rides through this area possible.
terça-feira, abril 25, 2006
25 de Abril … quando?




Abril! … Quando?
Deixa-te abrir, de novo
Abril, de ti possam trazer
Tudo o que de ti não sabem,
Mas mereces: o teu povo
Deixa-t’ abrir, sem queixume
E sem remorso, nem temor,
Sem esses lamentos de dor
Que dão em coisa nenhuma
Deixa-te abrir, agora,
Tirar de ti a semente,
Que dará fruto na gente
À espera, a vida fora!
Deixa-t’ abrir, finalmente
Voltar a pensar, que em ti
É tão bom poder sorrir,
E abraçar o que se sente
Deixa-te abrir, é hora
P’ra de novo dizer que não
Aos vis rapinas da razão
Desse ser que em nós mora
Só então, Abril, verás! Quem
Em ti, sempre viveu e amou
Te quis, te bebeu e chamou
Para chegar ao mais além!
Quem!
Abril, de novo?!
segunda-feira, abril 24, 2006
Mire On Local
E de que me queixo? Não de muita coisa! Mas, como noutras circunstâncias, não é o móbil da queixa que lhe traz a gravidade, mas o contexto da sua aceitabilidade social: numa terra que, ultimamente, tem visto o seu povo (com muita ou pouca razão) fabricar "abaixo assinados" em série - lembremo-nos que, dos últimos, também o do protesto contra o encerramento da sua maternidade já provocou um autêntico movimento social -, pouco admissível será o "encaixe psico-social do que clandestinamente (com ou sem autorizações buricrático normativas) se vai construindo ou facilitando - veja-se o exemplo de garagens privadas com caixas de esgoto no seu interior;
ou de autênticas lixeiras a céu aberto, a horas "de movimento",

ou a 'perenidade' de obras que deixa muito a desejar, muito mais ainda que o tempo que demoram a concluir!

Ou, ainda, que continue a fazer-se "mercado" num espaço tão bonito como o do seu Campo da Feira, com serviços hospitalares e das respectivas urgências a ser dificultado, semanalmente por causa do dito comércio

e, todos os anos pelas Festas das Cruzes, a debitar decibéis de poluição sonora para qualquer um de nós que por lá passe e, mais especialmente, para quem tem de ir ou estar no Hospital com que o vil espectáculo se confronta.

Cuidado! Amanhã, muitos dos que não querem saber do que aqui digo andarão vestidos de cravos vermelhjos, conseguindo trazer ao peito sentimentos que nunca perfilharam, pois nunca viveram, por dentro de si, a realidade que ainda não sabem ver, muito menos ser! Quem anda por aí? Será que ninguém dá uma mãozinha? Por favor, aonde fica o exílio?
domingo, abril 23, 2006
Tradição e Revolução
Estes meus artigos de análise crítica a obras politológicas ou de interesse sociológico, que pode ser despoletado pelo impacto que essas obras tenham ou venham a ter, previsivelmente, na sociedade em que vamos vivendo, começam agora, pela mão do Pedro Miguel Cunha, a ser editados no jornal alegadamente mais antigo desta urbe feudo-condalense que é Barcelos. Prometo, palavra de Coelho.
Pois, para começar, talvez nada melhor seja do que fazer a referência ao meu já muito referenciado mestre Professor Doutor José Adelino Maltez, por duas razões: primeiro, porque também ele, nestas andanças blogueiras, é estilo de palavra e voz de referência na crítica sócio-política, principalmente no seu “Sobre o Tempo Que Passa”, e no qual também fui buscar alguma inspiração; segundo, porque é dele a referência literária deste número do Politilendo, esta magnífica obra histórico-política que é TRADIÇÃO E REVOLUÇÃO.
Apresentação
1. Sobre o autor dispenso qualquer apresentação, pois poderá ler-se, entre outras fontes possíveis, as notas biográficas das contra-capas das suas publicações. Nesta também.
Características da obra:
Vol. I
- PELA SANTA LIBERDADE! Ou a necessária indisciplina do bom senso pág. 11
- DOS FANTASMAS DE DIEITA AOS COMPLEXOS DE ESQUERDA - Entre bonzos, endireitas e canhotos pág.123
- 1820, pág. 164
até
- 1910, pág. 560
- TÁBUA DE REFERÊNCIAS, pág. 565
Vol. II
- Para uma caracterização do Portugal contemporâneo, pág. 9
- Erros sem tragédia na constituição a que chegámos, pág. 61
- O revolucionarismo permanecente, pág. 81
- A guerra civil fria, pág. 87
- Compadrismo e corrupção, pág. 93
- 1910. pág. 161
até
- 2005, pág. 765
- TÁBUAS, pág. 767
Bem haja, Mestre, por este contributo!
Hoje ... de Outros Tempos
1. Dia Mundial da Terra.
2. 1500 - Pedro Álvares Cabral descobre as Terras de Vera Cruz, que mais tarde passarão a ser designadas pelo nome de Brasil.
3. 1724 - Nasce o filósofo germânico Immanuel Kant, em Konigsberg, na Prússia.
4. 1732 - Nasce George Washington, em Bridge's Creek, Virgínia, EUA.
5. 1821 - É abolida a Inquisição em Portugal.
6. 1870 - Nasce Vladimir Ilich Ulianov (Lenine) em Simbirsk na Rússia.
Ainda vou a tempo de editar esta rubrica, mesmo já no adiantar do calendário. Assim:
(1) Não subscrevo a comemoração neste dia dedicada à Terra, porque, necessariamente, é uma das dimensões da nossa existência que, por um lado, prescinde dessa efeméride para ser o que é, quer dizer, a Terra ou sistema Mundo; por outro lado, por ser a realidade que é, e na perspectiva de que o é sempre sob a influência da acção humana, então merece que lhe dediquemos todos os dias das nossas vidas, seja quanto ou como for.
(2) Merece algum destaque, pelo impacto que tiveram nas nossas vidas, seja de que formas for, figuras como Immanuel Kant, George Washington e Lenine.
(3) Por que razões as terras de Vera Cruz se tornaram tão importantes para Portugal? Para compreendermos as razões da altura, que o diga a lógica da leitura da História de Portugal, sob o prisma das relações diplomáticas que então se desenrolavam entre a coroa portuguesa, a espanhola e a papista “católica-romano-poucoapostólica”.
(4) Especial destaque a este dia pela abolição da Inquisição, ou Tribunal do Santo Ofício, expressão que apenas deveria ter valido pelo ofício de que se ocuparam as maiores bestas humanas da Idade Média, salvo o devido respeito por aqueles que, nele, achavam o que de santo poderia dalí operar-se, concomitantemente com os que nele encontraram eco para eventuais juízos tribunícios. Mas cristão, lá isso é que não o foi, pois Cristo não sofreu às mãos dos seus carrascos o que, historicamente, conhecemos que muitos passaram nas garras daqueles inquisidores.

Por isso, bem haja o dia em que, neste Abril de tantas aberturas lusitanas, se dá a “extinção do Tribunal do Santo Ofício. O espírito tolerante e laico do liberalismo, que assimilou os valores do iluminismo, entendeu desde logo extinguir este órgão católico repressivo, ao mesmo tempo que pugna pela secularização da sociedade, da cultura e das instituições e por uma não interferência da Igreja nos poderes do Estado.” [1]
[1] História de Portugal em Datas, Círculo de Leitores, pág. 202.
quarta-feira, abril 19, 2006
Hoje... de Outros Tempos

Missão", contrapondo as artificialidades do "fardo do homem branco" ao teocratismo naturista, a exemplo do nosso P. António Vieira, de que os jesuítas sempre foram, também, eloquentes transmissores: ("Uma das marcas relevantes da espiritualidade franciscana, que de algum modo se pressente no Santo português, é o entendimento do mundo do homem no quadro de uma interioridade que não o fecha sobre si próprio, estimulando um movimento de abertura e de relação solidária a tudo o que o cerca, no âmbito de um já muito vincado optimismo na valorização da criação como obra de Deus. A espiritualidade antoniana permanecerá muito permeável, na forma como viveu a perspectiva da interioridade e da pobreza, ao concreto, à natureza e à relação humana. A interioridade acentua a ideia de dependência em relação aos outros homens bem como ao conjunto da criação, numa espiritualidade eminentemente prática e vivencial" - in Pedro Calafate, retirado do Google).

domingo, abril 16, 2006
Hoje ... de Outros Tempos
17 de Abril
Revolta estudantil de Coimbra. Incidentes desencadeados quando a recém eleita direcção da Associação Académica de Coimbra, através dos seu presidente, pede para falar na cerimónia, Tomás recusa. Foi o rastilho para o movimento acirrado pelas prisões feitas pela polícia dos dirigentes estudantis. Até Outubro a cidade de Coimbra vai viver em estado generalizado de desobediência cívica. (In “Destaques”, C.E.P.P., ISCSP-UTL.)
Certamente que noutras efemérides se poderão evocar tantos outros episódios da luta estudantil que eu, como muitos companheiros, travámos: lembro-me, para falar de figuras conhecidas do público, do Dr. António Costa Pinto, o então camarada Tony - a quem só revi uns quase 20 anos mais tarde, no ISCSP, na apresentação da tese de doutoramento do seu amigo e já falecido César de Oliveira -, e das inúmeras actividades que com outros desenvolvíamos – Rui Gomes, o nosso “Tarzan”, não pode ficar esquecido -, desde as noitadas de trabalho de publicação na AE do IST, as R.I.A.’s - Reuniões Inter-Associações - que em várias faculdades tinham lugar, até às manifes que por toda a capital se realizavam, … frente aos inúmeros adversários sociais e políticos da altura, na transição da década de 1960 para a de 70, com a evidente influência que os percursores coimbrãos incutiram no espírito de contestação estudantil (não só universitário, mas ao nível generalizado do ensino secundário) a partir do nosso Maio de 68, que se deu a partir de 17 de Abril de 1969. Depois, … bem, o melhor é perguntar à História, essa transcendente racionalização do passar do tempo que só o tempo, melhor que ela, sabe ensinar … .
Vamos “ver” o filme? Então vá lá:
Decorria o ano lectivo 1968/69. Portugal vivia um período tensão, submetido a um governo fascista, que ao longo dos anos cria um clima de tensão provocado pela Guerra Colonial, pela censura à impressa e aos meios culturais, e a perseguição a todos aqueles que se opunham ao regime.
A repressão era bem visível no contexto Universitário: a Associação Académica de Coimbra tinha à frente dos seus destinos uma Comissão Administrativa nomeada pelo Estado. Entre 1965 e 1968 não foi permitido aos estudantes a escolha dos seus corpos gerentes.

Em 1968, por iniciativa do Conselho de Republicas (CR) e de vários Dirigentes de Organismos Autónomos, foi criada uma Comissão de Pró-Eleições: o objectivo era de promover o Acto Eleitoral, sendo apenas possível após a recolha de 2500 assinaturas num abaixo assinado que foi entregue ao Reitor da Universidade de Coimbra, Andrade Gouveia.
Após vários recuos e avanços, as eleições realizam-se no final do mês de Fevereiro. Comparecem a este acto eleitoral duas listas: a do Conselho de Repúblicas (CR) e a do Movimento de Renovação e Reforma (MRR). O Conselho de Repúblicas ganha as eleições com cerca de 75% dos votos, avançando com uma linha crítica de contestação à Universidade e a todo o Regime em geral.
Um mês mais tarde a Direcção Geral da Associação Académica de Coimbra eleita é convidada para a cerimónia de inauguração do edifício das Matemáticas da Faculdade de Ciências. A DG não só aceita o convite como afirma publicamente a intenção intervir na cerimónia proferindo algumas palavras de descontentamento sobre a situação do ensino da Universidade de Coimbra e no resto do país.
"Em conversa tida com o Magnifico Reitor expusemos conjuntamente (Associação Académica de Coimbra e a Junta de Delegados das Ciências), a nossa pretensão em nos fazermos ouvir. Foi-nos alegado:
1. O Magnífico Reitor ao discursar, representava a Universidade;
3. O senhor presidente da república tinha de visitar o edifício, o que não lhe permitia um alargar da secção; … verdadeiramente conscientes, dum dever irmos esgotar todas as vias para que os estudantes, estando presentes, possam participar na sessão inaugurativa"
Na manhã de dia 17 de Abril de 1969 vivia-se em frente ao Departamento de Matemática um cenário pouco característico para uma ditadura, onde as palavras de ordem eram: "Impõe-nos o diálogo de silêncio", "Intervenção das AEs na vida e reforma da Universidade", "Ensino para todos", "Estudantes no Governo da Universidade", "Exigimos Diálogo", "Democratização do Ensino".

Nessa noite Alberto Martins é preso à porta da Associação Académica de Coimbra por volta das duas horas da madrugada.
A notícia da prisão de Alberto Martins corre rapidamente, os estudantes mobilizam-se em frente à esquadra, originando confrontos e feridos. Na manhã seguinte Alberto Martins é libertado. Durante a tarde do dia 18 há Assembleia Magna, resultando na conclusão da necessidade do aumento da participação activa dos estudantes na vida universitária.
Decreta-se o "Luto Académico" a 22 de Abril.
O período do "Luto Académico" e da "Greve às Aulas" caracterizou-se pelo debate em torno dos problemas das faculdades, da Universidade e do país. As iniciativas de contestação ao regime, também se repercutiram nas actividades culturais e desportivas, ao ponto da Queima das Fitas de 1969 ter sido cancelada:
"O Conselho de Veteranos decretou o luto, com capa e batina fechada e proibição do uso de insígnias, e a Reunião Geral de Grelados deliberou o cancelamento da Queima das Fitas".
Mais tarde e após a Assembleia Magna do dia 28 Maio, nos jardins da AAC, com a participação de cerca de 6000 estudantes, iniciam-se novas formas de luta: ao a "Greve aos Exames" (com uma adesão de 85%), a "Operação Balão" e a "Operação Flor".
O 17 de Abril de 69 foi o início de um processo de contestação estudantil em que "o objectivo era pôr em causa a Universidade para pôr em causa a sociedade", que viria a terminar com a "Revolução dos Cravos" cinco anos mais tarde no 25 de Abril de 1974, na medida em que conseguiu bloquear a acção do Governo e consciencializar social e politicamente os homens que fizeram o amanhã.
(Retirado e adaptado de http://www.aac.uc.pt/historia/17abril.php)
sexta-feira, abril 14, 2006
Hoje ... de Outros Tempos
Não me apetece falar de fórmulas americanas de democracia, para lembrar que neste dia de 1865 Abraham Lincoln foi mortalmente ferido. Apenas me apraz registar o seu poema preferido (retirado do google)

Oh, why should the spirit of mortal be proud?
The leaves of the oak and the willow shall fade,
The infant a mother attended and loved;
The maid on whose cheek, on whose brow,
The hand of the king that the sceptre hath borne,
The peasant, whose lot was to sow and to reap,
The saint, who enjoyed the communion of Heaven,
So the multitude goes - like the flower or the weed
For we are the same that our fathers have been;
The thoughts we are thinking, our fathers would think;
They loved - but the story we cannot unfold;
They died - aye, they died - we things that are now,
Yea, hope and despondency, pleasure and pain,
'Tis the wink of an eye - 'tis the draught of a breath -



quarta-feira, abril 12, 2006
Mire On Local





sexta-feira, abril 07, 2006
A saúde da saudade, em Lisboa!


Provavelmente, nem os recursos disponibilizados por aquele tão falado "choque tecnocrático" (veja-se, por exemplo, as carapaças em metais de liga pesada que nos protejam das investidas da besta) de nada nos valerão, pois a besta já tratou de se domiciliar nos corredores dos bastidores dos palcos do politicamente correcto, ou único, enjeitando esta ditadura tipo soft, que só na "era do vazio" consegue ter lugar!




É desta colectividade de cultura recreio que componho esta publicista, dando conta do que por aqui também disse há já uns bons anos, mesmo quando presidi à Mesa da Assembleia Geral, em jeito de exortação de valores sociais que, na altura (pós PREC) estariam já a ser associativisticamente ameaçados... "a sociedade [SFRA] é o espelho da sociedade a que pertencemos"...



Agora, que também da janela do meu quarto, mesmo ao lado da SFRA, mais um pedaço dos meus horizontes sobre o Tejo levaram, não quero dizer mais nada, porque pouco mais haverá a dizer.

Há, certamente, muito mais a fazer, não só por estas sociedades específicas - as colectividades de cultura e recreio, sobretudo as que, historicamente, merecem nunca ser esquecidas - mas pela sociedade que todos queremos ser!

