segunda-feira, fevereiro 18, 2008

Mais um apelo ao exílio

Sobre as novidades do cinema, recebi esta mensagem de uma editora que lança, no nosso país, o livro escrito sobre o caso real em que se baseia este filme:



Espero comentário do JVM ou da Deuxième

Coincidências históricas

Vejo no meu mailbox esta mensagem, relativa às novidades editoriais de uma famosa editora portuguesa:

"P.S. - EU AMO-TE

Ahern, Cecelia
Quase todas as noites Holly e Gerry tinham a mesma discussão – qual dos dois se ia levantar da cama e voltar tacteando pateticamente o caminho de regresso ao apetecível leito? Comprar um candeeiro de mesa-de-cabeceira parecia não fazer parte dos planos, e assim o episódio da luz repetia-se a cada noite, num rito conjugal de pendor cómico a que nenhum desejava pôr termo. Agora, ao recordar esses momentos de pura felicidade, Holly sentia-se perdida sem Gerry. Simplesmente não sabia viver sem ele. Mas ele sabia-o, conhecia-a demasiado bem para a deixar no mundo sozinha e sem rumo. Por isso, imaginou uma forma de perpetuar ainda por algum tempo a sua presença junto da mulher, incentivando-a a viver de novo. Mas como se sobrevive à perda de um grande amor? Holly ter-nos-ia respondido: não se sobrevive! Mas Holly sobreviveu!"

Mas não sei por que razão é que esta sinopse me fez lembrar a relação entre o nosso PM com o seu PS. Talvez a propósito dos últimos capítulos da novela MA, ou da fidelidade transcendente do dito partido do Governo com a sua histórica paixão!

Francamente, esperava um pouco mais de atenção da referida editora às sinopses que, alguém, lhes redige. Assim …?! Não!

terça-feira, fevereiro 12, 2008

Porque sempre morei no céu!

Deus é, simplesmente, a infinita dimensão cuja contemplação é prova da inteligência humana, por Si criada!

Eu nunca precisei de passar "Sete anos no Tibete" para alcançar essa dimensão em que se consegue contemplar, interiormente em nós, a elevação do espírito, manifesta nas coisas simples que naturalmente se observam, no dia-a-dia, desde o sorriso ou a tristeza, o Sol e a Lua e as estrelas, as nuvens, o frio e/ ou o calor, a presença e o olhar de outros animais, o ódio e o amor, a saciedade ou a carência, o orgulho ou a humildade, a arrogância e prepotência ou a simplicidade, ...! Enfim, todas essas manifestações cognoscíveis a que qualquer ser humano socialmente educado e integrado tem acesso, sobretudo se o processo do seu desenvolvimento pessoal e social decorre dentro do que é naturalmente espectável para se verificar essa integralidade do corpo e espírito, em equilíbrio e em harmonia com o tempo e espaço que vão constuindo o seu domínio de vida!



Pois é! Nascido, criado e educado, nas primeiras estruturas construídas da minha personalidade, na cidade berço desta polis chamada Portugal,



lembro-me do meu tibete tão bem como se estivesse a viver hoje: a natural chama viva de cada olhar, desde os alvores de cada manhã, até às partes do dia iluminadas pelas ténues luzes necessárias às nossas movimentações e tarefas;


desde a sensibilidade interior que tínhamos com todas as coisas, mesmo as relacionadas com a nossa cultura religiosa (que forma tão nossa de nos aproximarmos do Céu!!?) - não necessariamente as dependentes dos rituais determinados por qualquer adaptação canónica do espírito -, a comunicação com os animais, domésticos ou não (cães, gatos, gado, galinhas, coelhos, pássaros, grilos do monte, ratos, cobras-de-água, cigarras, abelhas, etc.); a forma como lidávamos com os produtos vegetais, para alimentação e não só; enfim, quem consigo mesmo não se identicaria com todos estes elementos de referência da Natura Mater, ao ponto de, com ela, se sentir elevado ao Céu? Tendo ou não disso consciência ou, melhor, cognosciência, pois há sempre quem, não tendo esse alcance de si em si mesmo, não deixa, mesmo assim, de participar nesse domínio do espírito!







Então, resta-me, há já uns tempos de meditação, esta máxima: quem está com Deus tem consciência da sua própria inteligência. Por outras palavras, viver com a consciência dessa elevação do espírito é um sinal da inteligència característica da natureza do ser humano. Não é um sinal de redução da nossa liberdade intelectual, a não ser que enveredemos por generalizações sectaristas e adaptadas dessa nossa necessidade de manifestação e contemplação do espírito!


foto ripada do Goggle, em “Comunidade Espiritual

Cá por mim, continuarei sempre fiel a esta minha dimensão, seja qual for a porta de entrada etno-cultural pela qual conceba essa minha interiorização!
(Fotos ripadas dp site da CMG)

terça-feira, fevereiro 05, 2008

Ecos de outros em minh'alma ... sempre que a voz se solta ...!

Mais um justo ... Indisciplinador!

Porque será que, de cada vez que há uma voz de desencanto emitida neste tempo que passa, a minha alma se solta e revolta, dando caminho e eco às angústias por que eu, aqui, também vou passando?

Talvez porque eu, de tanto ser achincalhado, kafkianisado, ostracisado e ... já por três vezes multado (em quatro processos disciplinares e outras tantas tentativas frustradas pelos abutres do ditirambo), tenho vontade de chegar (se isso fosso possível?...) ao pé da Srª Ministra da Educação e de lhe dizer, como estas palavras de Adriano (1) já o diziam há 4 décadas atrás:


"Se V.ª Exª, [Srª Ministra]
Viesse cá almoçar mais vezes
Se um dia aqui chegasse de surpresa
Iria ver onde é a nossa mesa
(...)
Se V.ª Exª, [Srª Ministra]
Viesse cá almoçar mais vezes
Iria ouvir discursos bem diferentes
Nas bocas que hoje foram tão galantes
E ia ver como essa gente
Tão boazinha e sorridente
Como essa gente trata quem trabalha
Como nos fala aqui no dia-a-dia
Se V.ª Exª, [Srª Ministra]
Viesse cá almoçar mais vezes
Se cá viesse sem a comitiva
Então veria o que é a nossa vida
(...)
Se um dia aqui chegasse sem aviso
Então faria disto um bom juízo
(...)
Iria ver ...
que aqui quem manda faz tudo o que quer
Mas não vai ser, não vai ser sempre assim!!!
Se V.ª Exª, [Srª Ministra]"

Que começo, agora que já passei a fase do nojo e da agonia que as depressões causadas me provocaram, a ficar pronto para a luta, seja ela assumida por que forma tiver de vir a sê-lo! Agora é GUERRA AO FASCISMO? Já não é a primeira vez! Então vamos à luta! Pelo chão sagrado que é esta minha Terra Mãe! Quem tem medo que fique em casa! E se quiserem chamar-me de indisciplinador (já fui "inconveniente", para esses acomodados da sindicância intragrupal dos processos do politicamente correcto, mais concreta e literalmente falando, desses bufos e cobardes de gamela cheia, carbonariamente enfileirados no recrutamento de indigentes mentais que, à falta de outros argumentos, arranjam carreira à custa dos miseráveis de espírito que ocupam lugares de micro-poder subestatal ..., a troco de uns diplomasitos para mais tarde selar, muito hipocritamente, a sua eventual avaliação meritocrática ...!!!), então chamem-me! Cá por mim, e dentro do que me respeita em responsabilidade, NÃO DEIXO COPIAR, para esse sistema copista com que se fabricam os resultados do sucesso artificial da mediocridade e da pérfida ganância! Parece, finalmente, que não estou sozinho!!!




Pelos vistos, a visita (de surpresa?) que Sua Exª a Srª Ministra fez não faz o estilo do que é necessário averiguar: " ... Acompanhada da directora Regional da Educação do Norte ... esteve pouco mais de meia hora nas instalações da Alcaides de Faria. Visitpu as instalações, fez perguntas sobre os cursos profissionais, sobre outros aspectos do funcionamento da escola e quis saber se tudo estava a correr bem, disse ao Jornal de Barcelos fonte do Conselho Executivo. Além de rápida a visita era para ser de surpresa. O Conselho Executivo da Alcaides de Faria só soube cerca de meia hora antes." (2)
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(1) Adriano Correia de Oliveira, "Se Vossa Excelência", em A Noite dos Poetas.
(2) Jornal de Barcelos, edição de quarta-feira, 30 de Janeiro de 2008.

sábado, janeiro 19, 2008

Um episódico regresso às origens

Do moçárabe, do nacional e do universal - reencontro com as origens.

Na noite fresca, a limpidez do ar e o aconchego das luzes suaves que do monte da Penha nos aproximam, a quem chega, das memórias de tempos de infância, afagam-nos a alma e o humor, aquecem-nos logo na fogueira da vida ...!

Sofro num sorvo de ar
este suspiro, desabafo
por me olhares, mãe
horizonte de consolação
paisagem de céu matinal
onde o Sol, em mim
resplandece, sereno

Mas o reencontro de hoje não revê, nas mesmas ruas, as gentes que as fizeram e lhes deram côr, nesse tempo onde a memória só chega pelo sentimento que ainda permanece e não esqueceu a matriarca terra que lhes deu vida - tudo parece de outro qualquer lugar, num tempo que, por isso, não é de ninguém. Resta, apenas, a imagem daquilo que, só por si, apenas se abre para os que a conheceram com outra vida, com outro tempo, com outra vontade de viver.

Vem então, memória agreste
ver quem sempre te levou
tão longe contigo foi
guardada no coração
tantas vezes esquecida!

As ruas, as casas, o céu, tudo o que permanece, aos olhos visível de quem passa, nada diz do que já foi: a origem citadina de um Portugal que, dali, se espraiou ao Mundo e concebeu o abraço armilar que, por toda a Terra, muitos evocam como a maior manifestação da nossa identidade perante o Mundo.

Volta aqui, sarraceno
com verdades de agora
mostra que cá sentes
o Mundo que já foste
por aqui nascido e levado!


De facto, foi também daqui que nasceu essa genética propensão para a 'meltização' étnico-cultural. E, por isso, nada mais pertinente para este dia, neste local, neste de memórias necessárias, que esta quase anárquica manifestação musical, assim vivida, em versão 'soft', através de um estilo 'world music' muito free, mas não inteiramente improvisado, à maneira do jazz muito em voga na sua era moderna ...

Outras gentes, lá do Reno
trazes contigo também
alegria, música e cena
Andaluz deste aquém
P'ra nós já foi além!

(JRC, Memórias de Nós 1)

Como Rabih Abou murmurou, no final do 1º número aqui apresentado, esta formação é um sinal de que a miscigenação cultural sempre existiu ("não se admirem de ver um árabe e um americano juntos ...?"), sempre foi positiva para a Humanidade, e a prova é a riqueza do género desta expressão musical, agora apresentada por um trio que, apesar de brilhante, não tem a profundidade que formações anteriores deste libanês patentearam.


Por isso, prefiro este exemplo, àquele que ouvi em Guimarães:




"Rabih Abou-khalil

Compositor e mestre do oud, Rabih Abou-khalil é um dos músicos mais prolíficos da world music. Estudou música Árabe e Europeia no Conservatório de Beirute, bem como em Aleppo e Damasco. Em 1978 a guerra civil fez com que trocasse o Líbano pela Alemanha onde vive presentemente. Com uma discografia extensa e mais de 500.000 cd´s vendidos em todo o mundo, Rabih Abou-Khalil é considerado um compositor e instrumentista vanguardista que se encontra entre os artistas de maior sucesso no mercado de jazz europeu. Em 1999 recebeu cinco prémios da German Phono Academy.

Através de um importante trabalho de miscigenação da música islâmica com formas musicais do ocidente, Rabih Abou-Khalil criou uma linguagem musical universal que é apreciada e elogiada por amantes e críticos que vão desde o jazz à música clássica passando também pela world music. As participações de Khalil em festivais de jazz internacionais e nas mais prestigiadas salas de espectáculo do mundo são inúmeras. Compôs peças para quarteto gravadas pelo Kronos Quartet e Balanescu Quartet. Importantes músicos como Charlie Mariano, Steve Swallow, Sonny Fortune, Glen Moore, Miroslav Vitous, Kenny Wheeler tocaram nas suas formações e podem ser ouvidos nos seus discos.

Foto de JRC, autorizada pela organização do evento

Neste concerto, Rabih Abou-Khalil sobe ao palco do Centro Cultural Vila Flor com o pianista Joachim Kühn, nome cimeiro do jazz europeu, e o excelente percussionista americano Jarrod Cagwin. Joachim Kühn marcou o jazz contemporâneo com a sua sensibilidade, imaginação e dinâmica e todas as suas apresentações ao vivo são consideradas únicas. Kühn conseguiu hoje atingir uma maturidade invejável a nível musical e, ao mesmo tempo, encontra-se sempre aberto a novos encontros e linguagens musicais. O percussionista Jarrod Cagwin acompanha Rabih Abou-Khalil, desde 1999, nas apresentações ao vivo. Um trio de luxo que corresponderá às expectativas dos seguidores mais atentos e surpreenderá todos pela naturalidade com que as várias influências estilísticas se cruzam numa linguagem universal capaz de suplantar barreiras." (Biografia e sinopse apresentadas pela Oficina - Centro Cultural Vila Flor
- Guimarães)

Rabih Abou-khalil oud
Joachim Kühn piano
Jarrod Cagwin bateria e percussão

quarta-feira, janeiro 16, 2008

O caso da cabeça que mudou de corpo

Nesta última do J Notícias, Pina, Manuel António fez-me lembrar uns alunos, há uns dias atrás, quando me aturdiam com as suas habituais atuardas, mas dessa vez pude perceber que, realmente, os alunos começam a ter alguma razão. Sim! O caso não é para menos: "... antes do 25 de Abril, segundo o que os nossos pais contam, a vida era melhor ...!? Não havia tanta desigualdade e as pessoas eram mais felizes, não havia tantas coisas mas, o que se ganhava chegava ...!?" Bem, ali fiquei eu a dar-lhes a ideia que estava surpreso com tamanha afirmação, tendo em conta o que de costume se passava com algumas das suas intervenções menos próprias, mais ou menos jocosas, mais ou menos em tom de brincadeira, ... sim, que isto de leccionar mudou muito ... (?) ... e lá retorqui eu que, há uns anos, na Introdução à Economia, até havia um manual da Disciplina que referia, a páginas tantas (quando, muito pedagogicamente, explicava a importância da definição de critérios de convergência real e não, apenas, nominal - taxa de inflação, % do PIB da dívida pública e os famosíssimos 3% do défice orçamental -, a cumprir pelos países da União Europeia. Sobretudo para países menos desenvolvidos neste espaço organizacional, como era o caso de Portugal), que o poder de compra (o salário real, face ao cabaz de bens e serviços de onde se aferia o IPC) era, em 1973, superior ao de 1995/6/7 ...! O que é também certo é que o dito texto de referência aos respectivos conteúdos programáticos da Disciplina desapareceu dos manuais da dita, e não era por falta de fidedignidade das fontes (com dados do INE e do Banco de Portugal); e que o velhinho de Santa Comba, com os seus autoritarismisinhos de trazer por corredores de São Bento, com almofadas para as sonecas de fim de semana e tudo - a passar 'recadinhos' para a semana seguinte -, neste contexto, era exímio, pois até o número de ovos postos pelas galinhas do quintal das traseiras da actual Assembleia da República mandava que lhe trouxessem. Aqui sim, cumprimento total e obrigatório dos critérios de ... economicidade ...!

Bom, tudo
isto me lembra mais esta opinadela deste senhor já aqui há uns tempos apresentado:

"John Grisham arrisca-se a perder leitores em Portugal com a concorrência que lhe estão a fazer as novelas do BCP e do aeroporto. Enquanto a do BCP caminha para o último episódio e se aguardam as partes II e III, a intriga e o mistério adensam-se no "Estranho Caso do Novo Aeroporto". Os financiadores do estudo da CIP que provocou o emocionante "volte face" herói-cómico do "Alcochete Jamé" continuam encapuzados "com medo de represálias", mas o novo "plot" já tem uma inquietante personagem capaz de desencadear desencontradas emoções entre os espectadores. A Lusoponte, que tudo indica que seja um dos misteriosos encapuzados, fez em 1994 um negócio de pontes com o Estado que o Tribunal de Contas considerou ruinoso para o pobre Estado ("afigura-se bem longe de constituir qualquer ficção a ideia de que o Estado concedente tem sido o mais importante e decisivo financiador da concessão, sem a explorar"), no qual ficava ainda com o monopólio da exploração de tudo o que fosse ponte. Ora quem assinou o negócio por parte do Estado em 1994 foi (as novelas estão cheias de felizes coincidências) o… actual presidente da Lusoponte ("Meu Deus, a cabeça da Natalie Paxton no corpo da Ramona Hensley!", como dizia ontem uma "médium" noutra série). A coisa promete.”

Valham-nos Santo Agostinho, São Bento e Santa Comba Dão? Por este andar da carruagem da tal Entidade, ainda vamos parar a um Estado velho com pretensões e espasmos epilépticos de Novo! Não é preciso tanto, caramba!!!

terça-feira, janeiro 15, 2008

Mudam-se os tempos, não se mudam as vontades? (!...?)

Presto mais um tributo a meu mui citado mestre JA Maltez, agora pelo seu post de hoje, onde, de entre muitas referências possíveis de alinhar para corroborar esta sua manifesta revisitação matinal, relativamente à confusão conceptual gerada nalgumas cabecinhas de abóbora com coroa de beldades intelectuais, atrever-me-ia a citar António Ventura, na já aqui referida obra dirigida por Pedro Calafate (1):

“(…) Houve sempre no movimento operário e socialista português – e não só – uma grande dificuldade em lidar com conceitos precisos, em virtude do deficiente acesso aos textos fundadores, às fontes e aos comentários. (…) De tudo isto resulta uma deficientíssima formação ideológica, com frequentes equívocos e afirmações de que se perfilhava uma postura que entrava, em boa verdade, na mais completa contradição com posições tomadas e textos produzidos. (…) O escritor libertário Emílio Costa – um profundo conhecedor do movimento operário e social da época – escrevia em 1903: «O socialismo não tem progredido entre nós, porque não se coaduna com o carácter do povo e porque tem praticado erros de propaganda […]. O português é essencialmente federalista, autónomo e regionalista. Suporta actualmente uma feroz centralização, porque está bestializado, sem consciência do que foi e é capaz de ser. Por isso lhe há-de repugnar fatalmente a doutrina do socialismo de Estado; ao passo que há-de aceitar de boa vontade a doutrina libertária, que é federalista por excelência … Em cada cem portugueses, dez compreendem melhor o Capital do que A Conquista do Pão; noventa preferem o livro de Kropotkine ao de Marx».

(…) se quisermos encontrar, nessa época, algumas abordagens mais aprofundadas dos princípios marxistas, devemos procurá-las fora do âmbito socialista e operário.”

Por mim, continuo a revisitar alguns dos trechos musicais que espelhem as angústias dos tempos que passam, e elevem a alma aos cumes da satisfação sensorial, já que a razão não medra em tão lastimável cidade … tão longe de Deus e dos homens de boa vontade! Cada vez que nos afastamos, faleço um pouco, diz este já clássico trecho americano, para me fazer lembrar a distância a que aquela polis, minha amada, me deixa a alma fria, descontente, inconsolada!




(1) CALAFATE, Pedro (coord.), História do Pensamento Filosófico Português, vol. V, O Século XX, Tomo 2, Círculo de Leitores, Lisboa, 2002, pp. 195 e ss.

domingo, janeiro 06, 2008

Luis Pacheco, muitos não te esquecerão!

Em vésperas de dia de Reis, pá!?
Apenas reparei que, hoje, dia de Reis, muito se falou de Luis Pacheco na comunicação social. Ainda fui ver ao Jornal de Notícias, mas ... nada! Na RTP2, passava um programa sobre a sua vida e obra (já uma edição produzida algures no tempo), quando me deu para ir à Net procurar ...! Pimba! Lá estava, já actualizada, a sua biografia, com as datas de nascimento e morte (07/05/1925 - 05/01/2008), deste que agora nos deixa.

Então não é que o gajo, pelo menos quase sempre, tinha a sua razão, pá?

Seria assim que eu melhor caracterizaria, no seu estilo discursivo, as interventivas (im)pertinentes deste autor considerado, na capa de um dos últimos números da Revista K (kapa) - Julho de 1992, "o maior escritor vivo, o mais escritor, o mais prtuguês, o mais vivo: Luis Pacheco"! Por mim, não querendo aproveitar-me nem comparar-me (Deus me livre) ao seu percurso, apenas gostaria de frisar que, por causa de o ter citado e referido, na supra aludia entrevista, relativamente ao que ali se pode ler sobre Mário Soares e Cesariny (em Paris), inúmeras, penosas e inaceitáveis represálias e perseguições me têm sido movidas, dentro e fora do âmbito profissional, todas acabando em pântanos processuais estupidamente urdidos por quem, hipocritamente, gosta de se arvorar em defensor de princípios democráticos ...?!???.

Por mim, recebe um grande grito de admiração pela tua coragem e honestidade intelectual, Luis!


Que amanhã os meus filhos te leiam, e os filhos dos outros também! Por aí,conheceremos melhor Portugal!


Até sempre!


O Professor J Rodrigo Coelho

Foto picada do Google

Texto de referência na Wilipédia

"O Último Homem na Terra"

Depois de ver o post de um dos autores (Alvy Singer) do "Deuxième", em que refere nunca ter visto o filme de 1971, realizado por Boris Sagal "The Omega Man, The Last Man Alive", vêem-me às Memórias coisas iniciáticas, como o meu primeiro filme (longametragem) no Cine-Teatro Jordão da minha terra natal, Guimarães, "Todos Podem Matar", uma daquelas cowboyadas das quais nem me lembro, sequer, dos autores (também teria, penso, os meus 10 anitos ...)!

Assim,
começo, aqui, esta rubrica de cinema, inspirado no trabalho do meu querido amigo José Vieira Mendes e da sua equipa (ex-Première). Deitei mãos à procura, no YouTube, e dei de caras com vários trailers, dos quais escolhi este:





Com os cumprimentos do Zé Rodrigo.

domingo, dezembro 30, 2007

Cogitadelas de fim de ano

Qualquer dia Portugal não deixa traço!


Reparei em como a foto picada das notícias impressas aqui referidas ao nosso PM foram suprimidas da net! Será possível que alguém ainda queira chamar a isto democracia?!!!

De repente, dou comigo, em casa desse meu amigo de há longa data, a referir a plena naturalidade das minhas orações, sem momento nem lugar estipulados, por qualquer ritual, rotineiro ou não. E alguém me sugeriu, dentro de toda a espiritualidade, as virtudes do Reiki. Fui ver! Gostei! Hei-de lá ir, prometi eu a essa simpatiquíssima amiga que ali conheci! O Universo tem energia que passa por aí! Obrigado.

E, já que estou nesta onda semi-mística, com a tendência virada para as frequências introspectivas, recordo-me de, em pequeno, ficar uns bons minutos a contemplar os flashes de luz interior que o esfregar os olhos fechados, antes de dormir, me provocava. E via uns relampejos parecidos com a imagem que aqui deixo:

sexta-feira, dezembro 28, 2007

Memórias ... de apetecer!

Cubro-me de espanto
sereno e vivo
a contento
num remorso inevitável
qu'a alma roída!

Ah! Se eu pudesse...!
ainda hoje, mesmo
traria a flor traída
por cobardes vendida
por todos largada!

Ah! Como se nada
tiveramos na mão,
estendida
arremessada
para dizer não!

Cores de nada servem
símbolos fora de tempo
só juntos convergem
no rio de esperança
que há-de crescer!

Nem que para tal
ergamos as mãos,
gritemos, serenos
irmãos já fomos!
Onde está Portugal?!

JRC ("Lamentações")

quinta-feira, dezembro 20, 2007

Mais um abraço plural

Nestes meus 'vols de nuit', com saudades do Cascais Jazz, no seu Pavilhão Dramático dessa vila, sou transportado, ao ler a evocação de meu mui citado mestre JAM, no seu post de hoje (tanto quanto estas "mestiçagens culturais" sempre me trouxeram), para aquele cosmopolitismo que o Tejo traz e leva, com cheiro a rio e maresia, onde a mente tenta sempre ser o que aqui ainda não foi e, por isso, quando for já não é, o qual nunca será demais lembrar, qual dança espiral que nos traz vida, dizendo sim, dizendo não ...! Vivendo, navegando, trazendo aí o pensamento que a vida constrói, fazendo em nós as mestiçagens que nem os tempos negam, gravadas na pele da nossa imemorial humanidade!

terça-feira, dezembro 18, 2007

Para o meu pequeno Manuel

Mensagem de Natal num ... "papagaio"!

Com tristezas vou vivendo o nome Manuel. De muitos que me rodeiam, nem todos com boas intenções, aquele a quem escrevo esta dedicatória é o meu mais velho, a 'navegar essas águas' da aventura em terras de sua Majestade ...! Mas a este, que muitas vezes me imagino a visitá-lo, como se montado num papagaio isso fosse possível, por terras lá ao longe da Mancha, trago no coração e no pensamento, talvez também no 'baú' das minhas preocupações! Mas sempre com aquele amor e carinho com que o trouxe ao meu colo!

Já não sei é se quem precisa mais de protecção sou eu ou ele. Mas que, por estas alturas solestícias de inverno, com a neve, as árvores de Natal e as boas aventuranças que nos atravessam o coração, estamos em elevado estado de graças, com ou sem alinhamentos astrais, lá isso estamos! E, com maior ou menor necessidade de protecção, em estado de maior ou menor felecidade em que se encontre, dedico, este Natal, esta música do Bono ao meu Manel! Com um grande abraço do pai! E dos maninhos também! Esperamos ver-te. Quando quiseres ou puderes!

segunda-feira, dezembro 17, 2007

Ainda vale a pena dizer "Deus não Dorme"!

Retomo, quase que a contra gosto, a escrita nestas páginas sofridas pela angústia acumulada na 'cruz' trazida por quem tem de se sujeitar às maleitas que esta missão pública provoca, hoje em dia sobretudo nos que ainda se entregam ao dever de tratar todos por igual, porque na casa que é de todos ninguém tem títulos de exclusividade ...! Pelo menos, assim fui educado, assim me tornei um servidor público e, por isso, daqui ninguém me arreda! A não ser pelos meandros da kafkianice jacobineira, que ao contrário do que já publicamente quiseram fazer crer até às instâncias presidenciais, a maior onda de politização nas escolas públicas portuguesas, a começar pelos quadros dos seus orgãos de administração, vem das pseudo-esquerdas intelectualistas e aburguesadas q.b., com ou sem filiação nos partidos, hoje, tidos como da direita.

Como de costume, nestes meus postais de lamentações que a angústia promove, assim me introduzo nesta mensagem que, aqui e agora, mais uma vez tenho de apontar, ainda vinda do J Notícias, e sempre a dar-me a razão que eu, aprioristicamente, nunca pretendi, mas que os factos mais uma vez corroboram, a posteriori. Para aqueles que dizem que eu sou um Professor demasiado exigente, e principalmente para esses quantos me tentam derrubar, hipócrita e cobardemente, através de processos e mais processos (ainda agora com mais um de averiguações, que é para não lhe perder o gosto), tomem lá "que é democrático"! Deus não dorme!
(o sublinhado a vermelho é da autoria do Publicista).

O recado foi claro em democracia, quem decide tem de estar preparado para ouvir "a voz do povo". A circunstância era a educação e as palavras as do presidente da República, alusivas ao diálogo do Governo com os professores. E o contexto foi a assinatura de um protocolo para combater o insucesso escolar em Matosinhos, rubricado por autarcas, empresários e escolas.



Presidente diz ser necessária cultura de exigência no ensino


"Espero que o diálogo de todos os intervenientes no processo educativo se possa aprofundar", disse Cavaco Silva, lembrando que os professores têm um "papel decisivo" naquele que é a "instituição inclusiva por excelência" - a escola - e que a sociedade portuguesa "tem de contar com a sua motivação, a sua dedicação e o seu entusiasmo".


O presidente aproveitou para saudar a "resposta extraordinária" dos empresários aos seus apelos para que apoiem projectos de inclusão social. Bem como as autarquias de Paredes e de Matosinhos por lançarem parcerias locais com empresários na área da educação.

A deslocação a Matosinhos visou assistir à assinatura de um protocolo para promover a inclusão social dos alunos do 3º ano do Ensino Básico. Isto porque as estatísticas oficiais indicam uma taxa local de insucesso escolar de 19,1% entre esses estudantes, enquanto o abandono escolar é de 2,7% neste grau de ensino. Para inverter o quadro, o protocolo prevê um investimento de 500 mil euros, em dois anos, para reduzir o insucesso e o abandono.

Mais tarde, já em Alcanena, na inauguração do 17º Centro Ciência Viva do país, o Carsoscópio, Cavaco Silva voltou a abordar os problemas da educação, afirmando que estes não se podem resolver sem exigência e que o "ciclo depressivo" na aprendizagem da matemática não pode ser quebrado com "a desculpabilização do insucesso".

"Aprender exige disciplina, trabalho, exige esforço da parte de professores, pais, da comunidade, mas também muita disciplina dos alunos", insistiu o presidente da República. (…)”

domingo, dezembro 09, 2007

Despertai, com o troar dos canhões negociais ...!

Lembro-me da "Guerra e Paz", na premiada versão de Bakhunine! E de tudo o que me faz lembrar as revoluções dos imperadores, com "a liberdade na ponta das baionetas"!

Vejo e revejo-me, como quase sempre, nas frases tantas vezes inconvenientes de meu mui citado mestre JAM, agora em jeito quase peripatético deste seu postal, sobre a cimeira UE-África. E não consigo esquecer as palavras, envoltas em melancólicas melodias, deste trecho dos Pink Floyd:

sexta-feira, novembro 30, 2007

Porque hoje se para, talvez não haja tempo ...!

"Avec Le Temps"


Dedicando esta cogitadela a mestre JAM ...! Pelo seu postal de hoje ... me lembro dos pedaços de tempo sem tempo, ao jeito peripatético de uma atitude pedagógica em que, tentando 'transportar' meus discípulos por esse instante intemporal, os faça compreender as relativas dimensões do cosmos que somos, limitando-nos a perceber que a nossa inteligência não abarca a do Criador...!
Experimentamos as possibilidades do infinito, com as nossas finitas possibilidades!

Pelo que, se conseguirmos chegar a esse limite humano da compreensão limitada pela 'linha' da nossa incapacidade de a ultrapassar, resta-nos essa contemplação do nosso espaço que começou depois do tempo, que se continua transformando pelo tempo, que acaba antes do tempo, como se tudo acontecesse dentro do tempo! Porque tempo é sempre! No tempo, nunca acabará o sempre! Antes, agora e depois!






Por isso, não há tempo para estes versos, lococionados ao som e ao ritmo de uma melodia de tempos gritantes, sempre tão intemporais como as situações que a geraram!

quinta-feira, novembro 29, 2007

Sujeito objectivo

Cada um de nós é um pequeno universo dentro de si mesmo, apenas assim sentido e vivenciado, apesar de só observável pelos outros! Cada um de nós não se observa a si mesmo, pelo que aquilo que pensa de si mesmo só pode ser aferido por tudo quanto , em nós, se reflecte a partir dos outros e do que nos é exterior. Por outras palavras, cada um de nós apenas tem consciência do mundo dentro de si mesmo, independentemente de tudo quanto o mundo possa ser.



Mas, como o mundo não pode ser sem nós (sem o “eu” que há em cada um, pelo que o pensado só existe pela existência do pensante), só existe porque nós existimos (se eu não existisse, o mundo, através de e para mim, também não). Portanto, a vida, para mim, é tudo em que existo. Nada mais pode ser considerado, para mim, além disso. Além de mim, nada mais existe! O mundo que há para mim sou eu! Tudo o resto é o que me observa, que me é exterior!

Das trovas, dos tempos e dos ventos ... que passam!

Depois da manhã em que tive de me dirigir às chefias subestatais inferiores, com ares de cão enraivecido pela indignidade da injustiça da cegueira burocrática, tais são as características decadentistas deste estado a que chegamos, encontro-me em casa a tomar conta, em dia livre de deveres escolares calendarizados, do meu mais novo, adoentado, que o Pai também está, no meio deste turbilhão de ventos que a demopatia vai fabricando, a tomar conta da saúde, tais são as investidas desta besta que a todos, assim, nos vai atormentando ...!
E ponho-me a ouvir Adriano Correia de Oliveira como música de fundo, enquanto vou navegando, mais um pouco porque "navegar é preciso ", pelas minhas 'ruas' da net. Depois do que já disse, vi, discuti e conversdei hoje, inspiro-me no post de meu mui citado mestre JAM, e não resisto em gritar este poema de Manuel Alegre, tão bem cantado por Adriano:
TROVA DO VENTO QUE PASSA
Pergunto ao vento que passa
Notícias do meu país
E o vento cala a desgraça
E o vento nada me diz.
Mas há sempre uma candeia
Dentro da própria desgraça
Há sempre alguém que semeia
Canções no vento que passa.
Mesmo na noite mais triste
Em tempo de servidão
Há sempre alguém que resiste
Há sempre alguém que diz não.



Qualquer semelhança entre as circunstâncias sócio-históricas que inspiraram estes versos e a presente situação vivida neste nosso bocadinho de Terra que gostávamos que fosse céu não é mera coincidência. Há inúmeras razões para que, hoje de novo, talvez mais que outrora, gritemos Venha a revolta! NÃO queremos/ podemos mais! RESISTAMOS! DIGAMOS NÃO! NÃO! NÃO! ...... MIL VEZES NÃO! ETERNAMENTE NÃO! FASCISMO NUNCA MAIS!

Agora, as armas do nosso Hino são ... ilegais?

Facas de plástico, soldadinhos de chumbo e ... o Governo dos "turnos da noite"!???

Vejo-me a percorrer as linhas do DN de hoje. Muitas são as novas que já passaram de moda, como de costume. Sem leituras semióticas, lá vou eu espreitando o pequenino espaço das pequenas notícias de grandes virtudes, que escasseiam mais que a chuva (este elemento natural já foi "moeda do valor" da 'fartura', que era como quem diz "como a chuva") neste portugal dos P(r)equeninos.



No entanto, merecem realmente nota de destaque, pela novidade institucionalizante, estas inovações (talvez, na esteira de alguns, autênticas invenções governativas, praticamente todas pós-democráticas q.b.) que brotam da dita ciência cibernética da Administração, nesta sociedade convertida, com soldadinhos de chumbo, em organização hiper complexa sem grandes fins (por ironia semântica da analogia à "Tripla Regulação dos Sistemas Complexos Finalizados"). Das que passo a citar:

«Uso das espadas pelos militares foi ilegalizado

A actual Lei das Armas pode dar prisão aos militares que usem as suas espadas e espadins sem ser no exercício de funções, as transportem na via pública ou tenham em casa.

Em causa está a definição do que são armas brancas, a sua inclusão na chamada "classe A" das armas e o facto de a lei 5/2006 se referir às Forças Armadas como instituição e sem abranger os seus efectivos, na prática equiparando os militares aos civis. Como consequência, garantiram fontes militares ao DN, diversas viúvas já entregaram à PSP - "por medo" - as armas que os respectivos maridos tinham trazido de África, no fim das respectivas comissões na guerra colonial.

A referida lei, aprovada em 2006 e quando o ministro da Administração Interna era António Costa, diz que "são proibidos (...) a detenção, o uso e o porte de armas, acessórios e munições da classe A", onde se incluem "as armas brancas sem afectação ao exercício de quaisquer práticas venatórias, comerciais, agrícolas, industriais, florestais, domésticas ou desportivas, ou que pelo seu valor histórico ou artístico não sejam objecto de colecção". A arma branca é o objecto com lâmina "igual ou superior a 10 centímetros".

Militares mais atentos começaram a alertar para o problema pouco depois da publicação da lei, escrevendo mesmo às chefias militares e às associações socio-profissionais. Mas, no final de 2006, a PSP produziu uma interpretação que colide com a dos chefes das Forças Armadas - desde logo, ao afirmar que, "existindo incompatibilidade entre as novas disposições e as regras precedentes" no Estatuto dos Militares das Forças Armadas (EMFAR), "ficam revogadas as normas anteriores que dispunham sobre a mesma matéria". Acresce, segundo o texto da Polícia a que o DN teve acesso, que "(...) daqui decorre, igualmente, a impossibilidade de serem mantidas armas da classe 'A' em detenção domiciliária", exceptuando alguns casos.

Sucede que as espadas e espadins, além de símbolo do oficial dos quadros permanentes, são uma "oferta pessoal" dada no fim dos cursos. Acresce que o melhor aluno da Academia é distinguido por países estrangeiros com espadas ou sabres - como aconteceu há dias, na abertura do ano lectivo da Academia Militar do Exército. "O que é que acontece quando [as] levam para casa? E quando acabam a vida militar?", interrogou-se uma das fontes. Também os sargentos - e os próprios chefes de Estado-Maior das Forças Armadas - são distinguidos pelos seus pares estrangeiros com ofertas pessoais daquela natureza, onde os seus nomes surgem gravados nessas armas.

As Forças Armadas, cujas chefias analisaram o caso há poucos meses em sede de Conselho de Chefes de Estado-Maior, entendem que o EMFAR, enquanto "lei especial", não é revogada pela Lei das Armas. E o bilhete de identidade dos militares dos quadros permanentes diz expressamente que os seus portadores têm "direito ao uso e porte de arma de qualquer natureza".

"A pressa do Governo em legislar", não incluindo militares na preparação da lei, e "o lóbi da PSP" que queria "o exclusivo" no ensino do manejo de armas explicam "a situação ridícula" a que se chegou, frisaram as fontes.»

«Chefe 'informados' pela Internet

A forma como o Governo tem tratado assuntos importantes para a instituição militar alimenta, a par das críticas contra certas decisões políticas, o sentimento de desconsideração para com as Forças Armadas, que os militares sentem e dizem existir da parte da classe política.

O recente projecto de alteração dos vínculos e carreiras à função pública constitui um dos exemplos mais recentes: "Os chefes [de Estado-Maior] souberam pela Internet" da existência desse documento, apesar de terem milhares de civis a trabalhar sob a sua tutela - e de os próprios efectivos militares serem abrangidos pelo novo diploma, disseram diferentes fontes ao DN.

A nova Lei Orgânica da GNR, recentemente promulgada pelo Presidente da República, oferece outro exemplo: o Governo deu ao Conselho de Chefes de Estado-Maior, em Abril, um prazo de apenas 24 horas para analisar aquele projecto de diploma, com influência directa na instituição militar. A resposta seguiu três dias depois, dado "as chefias militares não abdicarem de se pronunciar".

Recorde-se que, em Maio passado, o chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas aproveitou uma cerimónia pública para criticar publicamente o projecto de lei orgânica da Guarda - cuja primeira versão seria depois vetada pelo Chefe do Estado, Cavaco Silva, com uma mensagem violenta ao Parlamento.

Aquele prazo de um dia - repetindo o método seguido antes pelo Ministério da Defesa com as associações de militares (sobre o Estatuto do Dirigente Associativo, por exemplo) - para apreciação de textos legais que "ninguém sabe quem faz" leva os militares, segundo fontes castrenses, a referir-se a esses autores como "o turno da noite".

Não admira que, em Junho e um dia ou dois após as notícias sobre a reforma do Sistema de Saúde Militar, o pessoal do Hospital Militar da Estrela (Exército) fosse reunido, na parada, para ouvir a garantia de que aquele estabelecimento não iria desaparecer nem era verdade a anunciada criação de um hospital militar único.»

E, por que não, esta:

«

UE 'dá' Taiwan à China e omite direitos humanos


PAULO REGO, Agência Lusa em Pequim
TIAGO PETINGA-LUSA (imagem)
A União Europeia cedeu às pressões da China e condenou explicitamente o referendo em Taiwan sobre a adesão às Nações Unidas, conseguindo em troca apenas um grupo de estudos de alto nível para estudar o problema do défice comercial.

Nos dias que antecederam a cimeira União Europeia/China, que ontem teve lugar no Palácio do Povo, em Pequim, a equipa chefiada pelo presidente do Conselho, José Sócrates, e pelo presidente da Comissão, Durão Barroso, tentou impor soluções para a abertura do mercado chinês aos produtos europeus, bem como a criação de mecanismos de valorização mais ambiciosos do remimbi face ao euro.

Mas na mesa negocial estava também a exigência feita pela China para que a União Europeia condenasse de forma explícita o referendo em Taiwan sobre a adesão às Nações Unidas, o que acabou por conseguir.

Coube a José Sócrates a declaração explícita exigida pela China. Lembrando a "posição tradicional da União Europeia, que continua a reconhecer a política de uma só China", defendendo uma solução "pacífica e de diálogo" para o conflito no estreito de Taiwan, o presidente em exercício da União Europeia afirmou que "o referendo pode alterar de forma negativa o status quo" na região.

A China vê o referendo como um passo independentista e tem dado a entender não estar excluído o uso da força contra a ilha nacionalista, que funciona com governo próprio desde 1949. Em carta enviada segunda-feira à Agência Lusa, o gabinete do Ministério dos Negócios Estrangeiros de Taiwan pedia à delegação da União Europeia, presidida por Sócrates, que não cedesse às pressões da China.»

terça-feira, novembro 27, 2007

Mais vale demandar, de novo, as rotas do bacalhau!

Esta 'coisa' dos rankings, muito schumpeterianamente competicional, não resvala só pelas escolas deste portugalório muito in, paganamente politizado pelos gigantones da música pop del arte de governar, e , em consequência, demopaticamente dirigido para os precipícios da pseudo-cidadania.


Mapa picado da Wikimedia
Aliás, é por falar neste instituto jurídico-político-constitucional da cidadania, nos ditos estados de direito democrático, que merece a pena referir o aspecto, a meu ver, mais estruturante deste indicador composto que é o IDH: nele constam, efectivamente, dados referentes ao grau de participação efectiva dos cidadãos nos assuntos públicos, não só através de sufrágios eleitorais, mas também no assento e tomadas de decisão que respeitam à vida colectiva , nos diversos níveis de político-administrativos (assim como, em concomitância, o grau de não-discriminação dessas afectações, em relação ao sexo); dados referentes à qualidade de vida e ao grau de generalização do acesso dos cidadãos a bens públicos, à capacidade de utilização de informações sociais imprescindíveis ao cumprimento de deveres e ao gozo dos mais elementares direitos de cidadania; etc..

Que significado terá, neste cenário de países reais com pretensões reais, num país que tem medo de si próprio, a começar pela fobia dos seus dirigentes políticos em proporcionar uma verdadeira educação para a cidadania, descer um lugar, de 28º para 29º, entre 177 países e regiões? Ou será um qualquer 'erro de paralaxe' da minha parte? Ou será que sou apenas eu, que estou rotulado de inconveniente (por esses subdirigentes especializados nas migalhas dos micropoderes subestatais deste país pós-prequianizado) e ostracizado, que já tenho alucinações de diabinhos que fazem letra morta das normas constitucionais (e respectivos diplomas subsidiários) que institucionalizaram, civilizacionalmente, essa coisa que é ser cidadão?

Foto picada da Wikipédia

Bom, pelos vistos, apenas me resta tirar, em calão, mais uma dessas conclusões que até o Zé do manguito sabe: desenvolvimento sócio-humano, só ... por terras de suas majestades ... do real ... bacalhau, que ... já foi muito ... português!

"Portugal desce uma posição
Está em 29º lugar no índice de desenvolvimento humano


Portugal desceu uma posição no índice de desenvolvimento humano das Nações Unidas, situando-se no 29º lugar, atrás de países como a Eslovénia, Grécia ou Singapura.
No relatório de Desenvolvimento Humano de 2007 do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), Portugal consegue 0,89 pontos num ranking que analisa dados relativos a 2005 em 177 países e regiões especiais.
A Islândia lidera com 0,96 pontos, num índice que visa avaliar o estado do desenvolvimento através da esperança média de vida, da alfabetização dos adultos e da escolarização, bem como indicadores de rendimento.
Entre os Estados-membros da União Europeia, Portugal ocupa a 17ª posição. Irlanda, Grécia, Eslovénia e Chipre estão à frente, para além dos países nórdicos e das potências europeias Espanha, França, Alemanha, Itália e Reino Unido.
Atrás de Portugal surgem a Polónia, a Húngria ou a Bulgária e países do resto do mundo como os Emirados Arabes Unidos, México, Rússia ou Brasil.
A taxa de escolarização bruta combinada dos ensinos primário, secundário e superior atinge os 89,8 por cento em Portugal, que viu aumentar de 92 por cento em 2004 para 93,8 por cento em 2005 a taxa de alfabetização de adultos.
A esperança de vida em Portugal situava-se em 2005 nos 77,7 anos e o valor do Produto Interno Bruto era de 20,4 dólares PPC (paridade poder de compra) per capita.
A Islândia, com 0,96 pontos, ultrapassou a Noruega, que foi número um no ranking nos últimos seis anos.