domingo, março 05, 2006

Hoje ... de Outrosa Tempos

Vale a Pena Recordar (5/3/06)

A título experimental, lanço uma primeira edição do que pode vir a ser esta rúbrica.


De entre as várias referências a esta data, merecem especial destaque as seguintes:
5 de Março
- de 1827. Alessandro Volta, cientista italiano inventor da pilha, descobridor do metano, morre. A unidade de medida da tensão eléctrica - o «volt» - foi assim nomeada devido aos seus estudos na tentativa de encontrar uma unidade de medida da electricidade de valor universal.
- de 1917. Manuel de Arriaga, primeiro Presidente da República, morre.
- de 1922. Estreia do filme de Friedrich Wilhelm Murnau Nosferatu.- de 1931. Gandhi aceita pôr fim à campanha de desobediência civil na Índia, dominada pela Grã-Bretanha.
- de 1933. O partido nazi ganha as eleições legislativas na Alemanha.
(Retirado do Portazl da História)
De entre todos estes eventos a que podem aceder todos quantos “naveguem” à procura de eventos históricos significativos, serão certamente de realçar o papel de Gandhi na independência da Índia, contrastante com a vitória eleitoral do partido nazi para as legislativas alemãs, através da qual Hitler acedeu, democraticamente, ao poder, mas que não viria a traduzir-se na forma como o exerceu.


E, mais uma vez, embora não se confirme que a História dá sempre as mesmas voltas, sem proclamarmos o seu fim, podemos comensurar as distâncias (equi ?) que separam o aludido episódio com as constantes fugas às promessas eleitorais de quem só se lembra da democracia para aceder ao poder, facilmente dela se esquecendo quando o exerce, que é dizer quase nunca em nome do povo.


Mas, talvez, a lição maior deste dia deverá atribuir-se ao apóstolo da não-vilência Mohandas Karamchand Gandhi, ao pôr fim à campanha de desobediência civil na Índia, onde e quando ainda não Blocos, de esquerda ou de direita, para impor novas doutrinas sobre o que já havia séculos se tinha aprendido, mas que Gandhi sublimou ao trazer para a política a religião fundadora dos valores com que lutou, dando assim o exemplo, por mais uma razão, de que o laicismo bloqueiro, troykista ou outro, axiologicamente xenófobo, não tem eco na História, será mais uma invençãos das de fazer inveja a Aldous Huxley, para a produção de comportamentos politicamente correctos, sinistramente alinhados.

sábado, março 04, 2006

Hoje ... de Outros Tempos

Vale a Pena Recordar

Será uma rúbrica que assinala os a contecimentos históricos que, em cada dia do ano, merecem ser recordados, pelo menos sempre que a natureza desses eventos possa ser contextualizada com o que de mais crítico se obseve no quotidiano actual, nacional ou internacionalmente digno de nota.

Assim, lanço mais um desafio aos que, de facto, se quiserem juntar a este grupo de cidadãos intervenientes.
Dica: O formato da rúbrica poderá seguir, a título de exemplo, o tratamento sintético dos respectivos conteúdos dentro de uma metodologia do tipo histórico-comparativo, em que dados factos sejam considerados representativos para a análise sócio-histórica dos nossos dias.
Há por aí muitas fontes de informação sobre o assunto. Passando a publicidade, vejam-se no Google as referências bibliográficas (Mestre Carlos Rebelo, J Hermano Saraiva, Portal da História, etc.).

Horizontes Académicos

A Indiferença

O que é mais comum que a indiferença?

Que, sem melhor prova, é muito maior do que uma simples observação (1) da realidade que nos rodeia pode parecer, sobretudo quando sentida no mais quotidiano dos seus pormenores – a paisagem real da sociedade (2): quem a determina, porquê, e de que forma é que, directa ou indirectamente, participamos nessa determinação?São questões que, em época de uma necessária revitalização da participação democrática (3) (diga-se da reedificação do estatuto civilizacional da cidadania (4)), tornam-se tanto mais pertinentes quanto menos interesse aparenta ter a manifesta apatia (5) quase generalizada das pessoas que nos rodeiam.

(1 a 5 - conceitos a desenvolver no contexto do tema proposto)

A Indiferença

A Indiferença

O que é mais comum que a indiferença?

Que, sem melhor prova, é muito maior do que uma simples observação (1) da realidade que nos rodeia pode parecer, sobretudo quando sentida no mais quotidiano dos seus pormenores – a paisagem real da sociedade (2): quem a determina, porquê, e de que forma é que, directa ou indirectamente, participamos nessa determinação?São questões que, em época de uma necessária revitalização da participação democrática (3) (diga-se da reedificação do estatuto civilizacional da cidadania (4)), tornam-se tanto mais pertinentes quanto menos interesse aparenta ter a manifesta apatia (5) quase generalizada das pessoas que nos rodeiam.

(1 a 5 - conceitos a desenvolver no contexto do tema proposto)

sexta-feira, março 03, 2006

Horizontes Académicos

Cinema na blogoesfera

E que tal uma notas dignas sobre a importância do papel da cinematografia actual na sociedade (em Portugal e noutros, se essa for uma realidade sociologicamente diferencial)? Por isso deixo este apelo a todos quantos já acedem a este “local de trabalho” para, tomando como base, e a título de exemplo, a revista “Première” (passo a publicidade), exercerem essa crítica de forma producente e profícua, ou seja, construtivamente.Gostaria que o meu querido amigo JV Mendes pudesse colaborar neste espaço. Vou tentar convencê-lo, pelo menos a deixar-vos algumas orientações úteis.
Prof. JRC

terça-feira, fevereiro 28, 2006

A pandemia dos cifrões

Gripes, viroses, profilaxia e riqueza, saúde e pobreza, com superversão de "Dallas", em época de neo-coincineração.

Confesso que também estou engripado, mas daquelas de trazer por casa, e por isso, deitadinho na cama a ver as novas (?) TV, apercebo-me das homilias de segunda pós fim-de-semana cheio de cólera angolana, temperada com um pouco de hipocrisia persa (iraniana) e a carranquice do Hammas, q. b., por não tocar no "$orgaão" da UE, não vão as armas torcer com os varões mal assinalados por sufrágio inoportuno (?); com os franceses a dizimarem o H5N1, em plenas mini-férias lusas - até daria para visitarmos os nossos frères francious, aprendendo algo sobre profilaxia, não vá o erário público deste bocado de terra à beira mar plantado definhar e, a bem da nação, nos aparecer por aí uma estirpe de algibeira, que é dizer daquelas que, à portuguesa, nos levará o "$orgão" da UE, em jeito de mais uma seca de inverno, não vão as armas torcer com os barões mal assinalados ... .

Enfim, na minha rica caminha, lá vou eu vendo que, se apenas dá cólera a quem não tem água potável, nem infraestruturas sanitárias, então o Tarzan deveria ter morrido de uma valente diarreia, os ciganos (que me perdoem o oportuno exemplo) há muito estatriam extintos pela sobre exposição aos elementos da "natural" exclusão social, as camadas etárias mais novas assim expostas não poderiam sair à rua (não teriam incrementado a potenciação da produção de anticorpos) dado o seu imaturo desenvolvimento imunitário, os exageros antisépticos já nos teriam hiperdesimunizado, etc., etc. . Com a promessa de uma super adaptação, agora para cinema, da já esquecida série "Dallas", não vá o povinho deixar de idolatrar tão importantes personagens, autênticos ícones da coltura oxidental, tão cheias de petróleo que nem era preciso invadir Portugal, ..., sim, porque qualquer dia levam-nos o das Berlengas, isto se o Belmirinho não chegar lá primeiro com uma OVA (Oferta de Verdadeira Aquisição) em época de novo fôlego bolsista ..., com benção de comissões corporativas (cheias de tão brilhantes cabeças e valores erráticos) a olhar para novas Ofertas VA sobre as cimenteiras do futuro, onde já ficaram incinerados os relatórios técnicos independentes sobre tão polutas matérias ... ("isto só visto")!!!
Então, lá dei eu a pensar para comigo - la pensée du jour:

A higiene mais rica é a dos pobres!
A pobreza mais higiénica é a dos ricos!
A saúde menos rica é a pobreza!

Anomias de Hoje

Anomia versus Identidade Social
(Reeditado do "Novo Arco Íris"

Revisitando a anomia, precisamos de mais ciência social.

Creio ser este um tema suficientemente importante tanto para alunos, professores e outros participantes que queiram juntar-se à reflexão de um problema tão fundamental nas sociedades ditas industrializadas, de mercado capitaleiro e de direito pretensamente democrático.

Dicas metodológicas:
1. Consultar a bibliografia fundamental sobre a matéria (a começar, creio que obviamente, por Émile Durkheim;
2. Recorrer aos conceitos relacionados com a questão, designadamente:
a) processos de interacção social;
b) socialização/ enculturação;
c) comunidade, sociedade e identidade social;
d) estado de direito;
e) implicações diferenciais da dicotomia democracia representativa versus democracia participativa no comportamento social ;
f) comportamento anómico;
g) outros.
3. Discussão sobre a importância da apresentação pública dos resultados desta revisita.
4. Escolha de um modelode apresentação.
P.S. (em jeito de bicada): este suicídio (Sócrates e o cálice da cicuta) terá sido estudado por Durkheim?


O Prof. J Rodrigo Coelho

sexta-feira, fevereiro 24, 2006

No Lançamento do "Novo Arco Íris"

Lançamento




Eis que, de um ímpeto,
virtuoso na intenção,
rico em ideias pensadas,
piedoso na complacência
para com os que pecisam dela,
amável pelo carinho do seu empenhamento,
solidário pelas causas que apresenta,
vigilante no rigor que pretende,
categórico nos objectivos,
Surge este grupo de arautos filiados
na Ideia de construção de uma nova era,
de uma nova pedagogia,
de uma nova polis,
continuando a ser Pátria,
nesta língua que é Mundo
que a armilar há muito abraçou,
Cumprindo a humanidade
por todos nós desejada!
Eis o que vos traz
este Novo Arco Íris,
Como Nova "Arca de Noé",
onde todos caberão
em ser e em pensar,
em dizer e em fazer,
aprender e ensinar,
até que um dia chegará,
para se poder dizer:
eu, tu e todos,
SOMOS NÓS!!!



Professor J. Rodrigo Coelho

quinta-feira, fevereiro 16, 2006

Cogitando, ... com Agostinho da Silva.

Hoje … Portugal e Agostinho da Silva!


1. Tudo começou pela consulta habitual que faço ao blogue do meu já muitas vezes citado mestre JA Maltez, com os seus “sítios de diálogo” que remetem para um longo mas incansável ‘mergulho’ em inúmeras conversas com interesse, certamente partilhado por aqueles que ousarem por aí navegar, pois “navegar é preciso” …. E assim me encontrei com a evocação do nascimento desta figura ímpar da cultura portuguesa, que é precisamente Agostinho da Silva.

É neste contexto que surge o ensejo de me manifestar, publicamente, a este respeito, e mais ainda quando, imerso nas leituras a que me referi, entre outras, aprendi que “foi pelo ISCSP [1] que Agostinho andou, ainda em pleno "ancien régime" quando fez o seu primeiro regresso à pátria” [2].

2. Os sentimentos, sobretudo os mais genuínos, não podem ser sujeitos de previsões, e por isso não se planificam. Muito menos ainda a sua manifestação, sob pena de os tornarmos uma potencial hipocrisia. Portanto, deixo aqui expressa, nesta pequena nota, a minha pública ansiedade pelo eventual desfecho que a minha participação neste memorial venha a promover, quer seja pela adesão a programas comemorativos, quer pelo que, ao nível da instituição onde exerço a minha actividade, vier a ser possível disponibilizar. Mas o impulso não traz, só por isso, menos valia pelo facto de não estar previsto em qualquer plano de actividades. Muito menos pelas circunstâncias que envolveram este meu impulso.

E porque se trata de uma identidade de sentimentos, nunca poderei deixar de me juntar àqueles que evocam esta personalidade. Porque em Agostinho da Silva há portugalidade imensa, por referência a uma pátria que se avalia em activos, mas também em passivos, que assim herdamos sem preferências, nunca será demais relembrarmos esta data: “Agostinho, nascido em 1906, no Porto, terá morrido em Lisboa em 1994, a três de Abril, dia da Ressurreição. Por isso ressuscita sempre que, por dentro das suas palavras, ousamos renascer, ao integrá-las no movimento da vida, numa corrente de pensamento que nos faz estar antes e depois da nossa própria vida. E desta escola da Junqueira que o acolheu depois do exílio, ouso proclamar-me seu discípulo. Não apenas da pessoa, mas da tal corrente antiquíssima, intemporal, eterna, a que ambos aderimos, que ambos ousamos servir, porque é antes e depois de nós.” [3]



3. De entre as muitas coisas que podem ficar escritas a respeito de Agostinho, tentando fazer a sua memória, eu não posso ficar indiferente às das suas Reflexões [4], também citadas no ‘sítio’ a que me tenho referido, que aqui apenas deixo em texto:

"A fonte do poder não é, para portugueses, nem delegação de transcendências, nem figuração de imanências, nem contrato ou consenso; a fonte do poder é a unidade essencial do homem, da paisagem e do sonho que numa e noutro anda; o poder emana das aldeias no curtido das faces, na aspereza das rochas, no fumo das lareiras, no mugido dos gados, no escampado horizonte, na imobilidade e no gesto, no silêncio e na palavra; o primeiro elemento é o do homem e o seu chão e o seu cão; depois se forma a aldeia, ainda pequena e desvalida para ser política; mas com o município a primeira república se forma e sobre ela tudo o resto se tem de modelar; a Federação começa aqui ;com a junção das economias aldeãs; a catedral começa aqui; com esta pedra de muro ou este ladrilho de piso; conhece a nau seus primeiros redemoinhos nas águas bravas do cabril; e é o primeiro Reino o deste Rei, com o seu chão e o seu cão; repeti-lo não sobra".

E, para terminar esta nota evocativa, num modus muito cogitandum, subscrevo inteiramente a seguinte definição: “(…) Agostinho da Silva nunca pretendeu converter ninguém, nem, muito menos, fazer discípulos; só quis contribuir para que cada um encontrasse e seguisse o caminho próprio para a santificação da sua vida. Faço, portanto, votos para que, na veneração da sua memória, isso nunca seja esquecido.” [5]

__________________________

[1] Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas, Universidade Técnica de Lisboa, onde, entre outras actividades, onde o Prof. Doutor JA Maltez dirige o único Centro de Estudos do Pensamento Político português.

[2] JA Maltez, http://www.tempoquepassa.blogspot.com/ (Fev. de 2006).

[3] JA Maltez, Idem.

[4] Agostinho da Silva, Reflexões, Aforismos e Paradoxos, Thesaurus, Brasília, 1999.

[5] Abranches de Soveral, Eduardo, Prof. Doutor, “Agostinho da Silva: Um Homem de Deus”, História do Pensamento Filosófico Português, direcção de Pedro Calafate, ed. Círculo de Leitores, vol. V – Século XX, Tomo 1, 2003, pág. 279.

domingo, fevereiro 12, 2006

Letras do Pensamento

Tiradas de Reflexão Pura

Recordando Agostinho da Silva, é com Amor que vos digo ...

Muitos se estão a recordar, por diversas razões, de ideia ou por factos que o justifiquem, o que é Agostinho da Silva no espectro do pensamento da portugalidade. Por isso também aqui eu digo recordando, mas apenas o posso fazer evocando o que, muito simplesmente, tenho aprendido com a efeméride, ao dever ler o que há já muito deveria ter lido, porque, isso sim, há já muito que sinto e penso o que este evocado Mestre nos tem para ensinar! Sobretudo acerca do que é ser português, nesse enlear do ser com o amar, e do existir, com tal enleio, numa como que constante procura de um Bem maior, a que qualquer mortal não se deve envergonhar de dizer Deus, ou Amor Eterno, ou Verdade Suprema ...! Tantos já percorreram este caminho cogitado, mas muito poucos o fizeram com a terrena humildade da sapiência humana, que é a do homem simples que, por sê-lo, só pode ser uno com a totalidade, constante submissão voluntária daqueles que vislumbram o horizonte intemporal da eternidade ...!
E porque sou livre para obedecer a esa Vontade, que é essência que imana em nós, assim manifesto esse Amor que dessa obediência irradia, e me sinto próximo de Deus. É assim que sinto, é isso que penso e, portanto, é assim que tento viver!


"Agostinho da Silva dizia haver três vias para chegar à eternidade de Deus: a que nos dá a inteligência, a que nos faculta a vontade e a que nos oferece o amor. (...) Obedecer depende da nossa decisão. Pensar é uma actividade espontânea e grata. Mas o amor é um sentimento que podemos experimentar ou não. Pode mesmo acontecer ... que não nos amemos a nós próprios. (...) Mas dever amar apenas nos pode levar a um comportamento objectivamente próximo do que seria um comportamento amoroso. Por de trás desse voluntarismo haverá sempre um vazio afectivo que quase roça a fronteira da hipocrisia. Somos por isso tentados a pensar que, em termos teológicos, o amor, tal como a fé, é um imediato Dom de Deus que lhe devemos pedir com a mais humilde das humildades".

Obrigado, A. S.!

sábado, fevereiro 11, 2006

Cogitadelas 13

Existir numa estreita linha de consciência ...!


Vou começar por onde se deve acabar: em última instância, ninguém tem a autoridade (de qualquer natureza) suficiente para afirmar a plena culpabilidade dos que não chegam a apreender a essência da vida orientada pela virtude.

O mesmo é dizer que, mesmo dentro da imputabilidade directa e objectiva, deve a psicologia forense tentar explicar que, nalguns casos que pode (e certamente já o fez) tipificar, muitos dos comportamentos que todos adoptamos no nosso dia-a-dia terão muito a dever à virtude que, os mesmos, apregoamos defender, em muitas das manifestações de que somos autores, na praça pública ou em circunstâncias mais ou menos privadas.

Por isso, ninguém pode dizer que este ou aquele acto que tenha praticado não é passível de ser avaliado na balança social, sobretudo aqueles actos que todos temos praticado e que defendemos ter origem numa aprendizagem sócio-cultural do meio onde nos desenvolvemos, de forma a crermos que, por esse facto exterior e superior a nós, não temos que prestar contas à nossa consciência ou à moral que dizemos seguir!

terça-feira, fevereiro 07, 2006

Façam-se escolas do ser!

Terça-feira, Fevereiro 07, 2006
(Reedição de Fiat Lux)

Livra-nos, Sócrates, do absurdo promissor!




Não quero seguir outro caminho que não seja o da "academia", só de pensar que, por vezes, sou obrigado a pensar como vivo! Não há lastro psicológico que aguente tais investidas da besta, tão animalesca atravessa as avenidas do quotidiano político a nossa aviltada cidadania! Dá que pensar ver todos os dias, sobretudo em lugares que a Douta Mãe continua tentando preservar na sua aconchegante proximidade com os homens, a acutilante pestilência mental do provincianismo serôdio que, não acredito, possa ter algo a ver com a mensagem dita (por muitas formas, eruditas ou leigas) cristã! Chega a ser clinicamente angustiante e a dar vómitos de inconformidades que o corpo rejeita e a mente dilui, não aceitando cair em "getos" ideológicos só porque a razão é superior ao corpo (ou então ainda comíamos de quatro "patas")! Só assim se evitam as pútridas angústias de quem tem que ser subserviente, combatendo, interiormente e à nossa volta, a lenguice de quem nos quer comprar a virtude por empréstimo do alheio, que é como quem diz, não te deixes hipotecar!


Eu também quero participar e fazer a escola que nos falta! Na Ideia, nos actos, na Ciência e na paixão, no Amor e na vida, eu também quero ir mais além da estúpida montonia do nada que nos absorve de cada vez que respiramos a hipócrita atmosfera do devir que não vem, do Homem que não se faz, do sebastião que não aparece, do ser que não existe! Basta! Deixem-nos respirar a essência do estar para aprendermos a olhar, a sentir e a ver quem somos, ontem, hoje e amanhã!
Faça-se escola! E todos poderemos ser mais e melhor futuro presente!

sexta-feira, fevereiro 03, 2006

Andam por aí ventos de medo,


Que espalham a lusa paranóia da impotência congénita, que é como quem diz, as novas que já só dizem aquilo que já não interessa, porque entretanto se vai chegando a outras realidades que, estando a ser vividas, ainda não convém que sejam assumidas e, quando o forem, já não são realidade, mas serão, certamente, mais uma vez novas! ...?

Mas continuo pensando, ao acompanhar os spots das notícias que convém, em jeito de catarse analítica de um existencialista angustiado com os vómiots do sistema em que não se reconhece. Ou então, para filtrar os resíduos de tão incómodos estímulos, como os que nos estão a invadir o espírito de forma pouco discreta (secreta), mais vale revisitarmos o ideário do zodíaco, e pensarmos como será o celestial Aquário (fluviae potestam). Sem enchorradas!

Há segredos que só metem medo a quem os conhece!

Não há fim da História

"Se Bem Me Lembro..."

São muitas as recordações que os acontecimentos do dia-a-dia fazem brotar de uma certa nostalgia inevitável, porque quem vive "de alma e coração" não risca as memórias da sua contabilidade existencial, só pelo facto de alguns dos seus "desideratos" (a que ninguém escapa) não caberem no cabedal das suas capacidades neuro-psicológicas ...!
Tenho que reler o "Admirável Mundo Novo", de Aldous Huxley, pois a procissão de "criancinhas" top alinement, de produção laboratorial político-partidária, enche o imaginário de quem atenta às novidades que brotam das fontes que ninguém gosta de referir como autoridade, já que esta não lhes está, normalmente, atribuída só pelo facto de que um sistema pseudo-democrático, de intenções gótico-electivas, os colocou num pedestal, de onde cairão um dia em desgraça ...!
Por isso, redigo o que aprendi com um mestre que, agora, anda um tanto mal referenciado na praça blogueira, talvez por super carpir esta res pública (?!), mas ... enfim, ... na História já não há criações originárias, no que se refere aos assuntos públicos. Ela dá sempre as mesmas voltas, em espiral de evolução. Porque não há esse tal fim da História. Há sempre um "devir"!

quarta-feira, fevereiro 01, 2006

Agora sei porque queremos fazer como eles!

Todos os dias podemos, normalmente, observar factos que nos despertam a atenção, o interesse, a imaginação, ou tão somente a constatação de facto. Ainda hoje, ao estar ligado a um canal internacional da TV por cabo, dei de caras com um cerimonial evento ritualista da elite da administração Bush, em que, mais uma vez, como não pode deixar de ser, se vislumbram VI personalidades pela "cassetização" discursiva do líder, a quem imitam, até, na indumentária bancário-burocratizadora, exibida de cada vez que se levantam, com ímpeto talvez desmesurado, pelas majestáticas palavras neste profético ambiente proferidas.

Mesmo doutas personalidades, anichadas aos subjectivos desígnios que as fazem subservir e esquecer ancestrais queixas capitalizadas na côr da pele das raças que as contabilizaram ...! Mesmo na raia da geo-política, com presunções pseudo-académicas, sobretudo daquelas que as igrégias universidades europeias já começaram a identificar, há décadas, no itinerário da criação de mais um império ...!

Mas este espectáculo não deixa de nos ser familiar! Já o observamos um pouco por todo o mundo, e em especial também em Portugal! Percebo por que tão angélicas "carinhas" como as daqueles políticozinhos neófitos recém-aparecidos depressa aprendem a exibir-se com tão presençosas vestimentas, neo-uniformizadas pelos interesses já antigos de uma casta sócio-decadente em prestígio popular que é, como quem diz, legitimidade.Por isso, o meu pensamento do dia só pode ser este:

La pensée du jour: Quem anda na vida sem aprender, só vive por imitação!

terça-feira, janeiro 31, 2006

Ilusões do tempo que não é!

. Há já uns bons anos que li, pela primeira vez, a “Era do Vazio”, de Gilles Lipovetsky, esse professor de filosofia que Adriano Moreira também quis ler, apresentada a obra pela minha mão no final de uma das suas aulas de Ciência Política.

. "Era" esta a nossa em que, com um novo individualismo, trata de instaurar uma ordem de indivíduos conformados a uma uniformidade de orientações redefinidas para as grandes massas anónimas. Colectivismo neo-liberal ou individualismo neo-colectivista, eis um paradoxo assente no dilema do indivíduo colectivamente conformado, ou da colectividade individualmente massificada.

. Mas dificilmente será uma colectividade humanamente socializada, porquanto muitos dos objectivos e interesses institucionalizados têm origem em fontes que transcendem a consciência dos destinatários, quando não se apresentam como as verdadeiras origens de uma clandestinidade não marginalizada e, por isso, de ilegítima usurpação do poder, porque não participada. Assim sendo, antidemocrática.



. ‘La pensée du jour’: Só se reclama o passado com um presente sem horizontes e um vazio como futuro!

sábado, janeiro 28, 2006

Também há religião ... sem Igreja!

Quando a "Cidade de Deus" não tem Igreja

Há já algum tempo que professo a ideia de que, também na vida política activa, não nos devemos orientar com as limitações de gaveta conceptual, com caixinhas de verdades ou ideologias impostas. E isso também se ajusta à vivência espiritual, esse lado da nossa existência frequentemente oculto ou, pelo menos em alguns casos, obscurecido por algumas daquelas limitações. E nada disto contribui para a satisfação dos povos, que é o mesmo que dizer que não traz felicidade para ninguém. Ou, numa linguagem mais positivista, não é por aí, certamente, que se constrói o progresso das civilizações. Mesmo que a base não material destas exija alguma conformidade dentro de imperativos categóricos, não há nada que o progresso social oponha à liberdade natural das pessoas. Mesmo em sociedade. Sobretudo na polis. Principalmente quando percebemos que também há religião sem Igreja, ou que esta começa por ser toda a comunidade, independentemente dos credos a que se devotam.
É assim que não compreendo em que sentido foi a 'orientação' do voto dos que ainda agora militam no Partido em que continuo filiado (a Nova Democreacia), se é que a houve, como é costume nas aproximações partidário-eleitoralistas. Sim, que isto de andar a "competir pelo acesso ao exercício do Poder" tanto exige. Ou, para utilizar uma expressão do meu já mui citado mestre JAM, estas competições pelo Poder fazem os cidadãos "sujar as mão na militância partidária.
Mas como a graça do espírito já não parece pairar sobre tão ilustres cabeças pensantes e dirigentes, resta-nos a vã esperança de que a legítima espectativa deixada no Conselho Geral de Évora tenha ficado na maioria das cabeças cavaqueiras. E, em todo o caso, 'não devemos ter medo'. Devemos acreditar que ainda é possível. Ou não tivéssemos o altíssimo, o único, o mais que tudo, que olha por nós, para nós. Mas, ... talvez já não olhe connosco!

segunda-feira, janeiro 23, 2006

Cogitadelas 12

Nunca digas desta derrota não beberei!

Já há quem se regozige e festeje Portugal, como se de benção se tratasse, pelo facto de termos Cavaco Silva como Presidente da República. Nem agora, que foi eleito, eu vou dizer que ele era o meu candidato (como muitos seguramente o estão já a fazer, mesmo não tendo votado nele).
O que destas eleições mais ressaltou à vista comum foi a demonstração de falta de substância política do actual perfil constitucional do cargo de presidente da República, e que se perfigurou nos candidatos agora apresentados. O que levou, certamente, ao esvaziamento das respectivas proposituras.
Mas isso ainda não é, afinal, justificação para a bicandidatura partidária do Partido Socialista. Uma oficial, outra oficiosamente contrária à vontade do Partido e, por isso, sem o apoio e a disponibilidade da respectiva máquina. Resultando internamente vencedora. Levantando, portanto, divisões, crispando anteriores simpatias, tornando-as potenciais futuras adversidades. Com bombásticos atropelos afirmados pelos aparentemente competidores internos.
Só que esta é uma aparente e simplesmente linear análise das estratégias presidenciabilizadas. O débil mas astuto estratagema para derrotar a forte candidatura apresentada pelos partidos de direita e centro direita (admitamos que são isso mesmo), elaborada a partir do momento em que Manuel Alegre decide reaparecer candidato depois de nos ter feito ver a todos que, afinal, não valeria a pena estragar o projecto da máquina a que pertence, não surtiu efeito. Porquê? Porque, afinal, já ninguém dá cavaco a Soares, o único que poderia ir buscar substancialmente votos a Aníbal, a partir de um centrão que o reelegeu uma vez, há mais de um "século", num tempo que agora já não é seu. Pena é que não tenha percebido isso a tempo, pois já não tinha esbanjado mais uma enormidade de dinheiro (em boa parte também de todos nós) numa campanha, toda ela, pensada em somar votos nas urnas a favor de uma das candidaturas do PS, numa eventual 2ª volta.
Já não há chefe de Estado do Partido Socialista. Oxalá o exercício deste eleito se paute pela postura super superpartidária.

PS: o Estado somos nós! (?)!

sábado, janeiro 14, 2006

Cogitadelas 11

Os nossos cantinhos do Céu

1. Há sempre lugar a um sentimento de pertença ou de identificação com uma sensação, uma imagem espácio-temporal, ou uma ideia de referência básica (um microcosmos), principalmente quando nos libertamos de todas as influências que nos toldam o espírito ao ponto de não podermos, frequentemente, reconhecer em nós aquilo que sentimos e pensamos que somos e gostamos. Algo que reconhecemos como profundamente agradável, no nosso íntimo. É como se tivéssemos, todos, ícones que amamos e mantemos como elementos constitutivos da nossa identidade.

Poderemos, então, exemplificar estes simples e pequenos paraísos individuais nos mais diversos momentos e/ ou lugares por que passamos nas nossas experiências vividas e conscientes: a recordação de um ente que nos é querido; um simples lugar que a nossa memória recorda para a eternidade; a luminosidade de um pequeno espaço doméstico ou de uma paisagem natural que nos é constantemente familiar; o sentimento de filiação numa ideia que evocamos como valor absoluto; a sensação de liberdade que experimentamos ao viver um momento que nunca foi tempo; etc.

2. Este sentimento interior também se pode reportar às nossas mais genuínas porque naturais referências de cidadania, porquanto apenas podemos ser cidadãos numa polis que é o nosso ‘lugar ideal’ ou a representação da nosso universo cívico. E, apesar de todas as 'pedradas' com que nos 'bombardeiam' diariamente, sobretudo nas urbes mais concorridas, restam-nos sempre algumas destas sensações.
Oxalá vivamos todas as nossas experiências que a polis nos exige a partir dos nossos cantinhos do céu!

quinta-feira, janeiro 12, 2006

Cogitadelas 10

Esta democracia de ricos que se dizem defensores dos pobres!

Longe de ser uma provocação, a constatação da veracidade da afirmação em epígrafe pode ser revista nas orçamentações de mais uma campanha eleitoral (presidencial) quase toda directamente paga por todos nós.
Em teoria ou na prática, algumas das candidaturas presidenciais a que agora estamos a assistir não se propõem a eleição, porque é dado como certo (para elas próprias também) não ser possível. No entanto, é líquido que os resultados destas campanhas visam, exclusivamente, uma difusão bem sucedida da mensagem política e, mesmo, ideológico-matricial das respectivas formações onde se inscrevem os intervenientes, justificando as assim desmesuradas despesas de uma campanha de ricos, feita num país onde os receptores são, em grande maioria, os pobres que a pagam.

Estamos todos a navegar numa dimensão espacial já conquistada por apenas aqueles que puderam financiar os meios para a alcançar, e que é controlada, apenas, por aqueles que a alcançaram, repartindo os evedntuais benefícios apenas por aqueles que os podem pagar!

Se a realidade democrática não é originalmente natural (é uma característica do comportamento sócio-humano que tem de ser aprendida e aplicada), ainda menos o é quando se projecta no vácuo das proposituras declaradas por quem está representado, na mente colectiva, ao nível dos corpos celestes inacessíveis, incompreendidos ou tão somente endeusados. Estamos todos a embarcar na nova hierofania do tolerável infinito que é o universo desconhecido!