terça-feira, junho 13, 2006

Literatura

OH! why should the spirit of mortal be proud?

O general William Knox escreveu, no final do séc. XIX, a composição poética intitulada “Oh! why should the spirit of mortal be proud?”. O tom melancólico que perpassa o poema, aliado à reflexão profunda acerca da transitoriedade que envolve a natureza humana, possibilitará ao leitor contemplar-se como fugaz actor na grande peça teatral que é a vida, o que lembra Skakespeare quando afirma: “Out, out, brief candle!/Life's but a walking shadow; a poor player/That struts and frets his hour upon the stage and then is heard no more: it is a tale/ Told by an idiot, full of sound and fury,/Signifying nothing.” (Macbeth, V, v, 19).
Neste blog foi já referido que o poema de Knox se destacava pelo interesse que Abraham Lincoln nutria por ele, tanto que o sabia de cor e o recitava inúmeras vezes. Com a tradução que a seguir se propõe percebemos porquê.

Oh! Por que tem de ser orgulhosa dos mortais a alma?
Como um meteoro fugaz, uma nuvem sem calma,
Um relâmpago, o rebentar das ondas do mar,
O Homem entrega a vida ao seu descanso tumular.

As folhas do carvalho e do salgueiro morrerão,
O vento as espalhará e juntas permanecerão;
E os jovens e os velhos, os pobres e ricos
Retornarão ao pó e não mais se lhes ouvirão os gritos.

A criança de quem a mãe cuidou e amou;
A mãe de quem a criança tanto gostou;
O marido junto da mulher e do filho estava, --
E agora estão todos na última morada.

A criada, em cujos olhos e expressão,
Brilhou doçura, --é longe a sua dedicação;
E aqueles que agora a estimam e elogiam
Já a memória dos vivos não habitam.

A mão no ceptro de onde o rei surgiu;
A fronte do padre que a mitra exauriu;
O âmago da salva, a coragem dos ousados,
Nas profundezas da sepultura estão pousados.

O camponês que plantar e colher tinha como fado;
O pastor que subia com as cabras o monte bravo;
O pedinte que vagueava em busca de pão,
Desapareceram como a erva que pisamos no chão.

O santo que apreciava do céu a comunhão;
O pecador que se atrevia a não querer perdão;
Sábios e tolos, gentes culpadas e bem-aventuradas,
Tranquilamente entrelaçam agora as ossadas.

E assim a multidão caminha como flores ao luar
Que murcham para deixarem os outros triunfar;
E assim a multidão vem, mesmo os que ouvimos,
Repetirem a mesma história que já não sentimos.

Porque nós somos o mesmo que os outros foram;
Vemos as mesmas coisas que eles viram;
Bebemos do mesmo regato e vemos o mesmo sol
E pautamo-nos como eles pelo mesmo farol.

Os pensamentos que temos outros os tiveram
A morte tememos como outros fizeram;
À vida agarramo-nos como outros em pensamento;
Mas ela avança sobre nós como uma ave no vento.

Amaram, mas a sua história não se desvenda ao curioso;
Festejaram, mas o seu riso é agora silencioso;
Escarneceram, mas o espírito dos arrogantes é frio;
Sofreram, mas nenhum som vem do seu jazigo.

Eles morreram, sim! Morreram; e nós somos coisas
Que caminhamos sobre a terra que os cobre;
Que fazemos nos seus domicílios a nossa morada
Encontramos o que eles encontraram na sua jornada.

Sim! Esperança e desânimo, prazer e dor que dura,
Misturam-se sorrisos e lágrimas ao sol e à chuva;
Canções alegres e cânticos fúnebres perseguem-se
Tal como as ondas do mar, que se sucedem.

A vida é um piscar de olhos, um suspiro atirado à sorte
Desde o esplendor da saúde à palidez da morte,
Desde os salões dourados à mortalha, --
Oh! Por que tem de ser orgulhosa dos mortais a alma?

Hoje ... de Outros Tempos

A "Alegria no Trabalho" e "Pessoa", em tempos de coexistências que sempre comemoraram o dia da morte santoantoniana.

13 de Junho

- de 1231. Morre Stº António, a caminho de Pádua.

SANTO ANTÓNIO
RETALHOS DA VIDA DE UM PREGADOR

Por Maria Luísa V. Paiva Boléo

Texto publicado na revista Público Magazine do jornal Público de 12-06-1994.
Revisto pela autora em 12-06-2005 para o site www.leme.pt

Lisboa está cheia de testemunhos de Santo António – o seu santo mais querido e popular. Os museus e bibliotecas portuguesas possuem quase tudo o que um erudito pode querer saber sobre este português fora do vulgar, que viveu nos primórdios da nacionalidade. Porém para a maioria dos lisboetas que não vão às bibliotecas e raramente aos museus, o dia 13 de Junho não passa de um agradável feriado em honra de Santo António, onde se aproveita para ir comer caldo verde e sardinhas assadas, de preferência junto aos bairros da Sé e ver as marchas populares.As crianças já não pedem umas moedas para enfeitar o trono do Santo e as meninas solteiras provavelmente já não lhe pedem um namorado. Tanta popularidade, oitocentos e dez anos depois do seu nascimento, leva-nos a recordar aspectos da vida deste santo, passada entre Lisboa, Coimbra e Pádua.

Desde 1140 que D. Afonso Henriques, o nosso primeiro rei, tentava a conquista de Lisboa aos Mouros, feito que só teve êxito sete anos depois, em 1147, depois de prolongado cerco imposto aos aguerridos Almóadas e com o oportuno apoio dos Cruzados, em número treze mil (grande exército de homens cristãos que vieram do Norte da Europa, rumo à Terra Santa, para expulsarem os Muçulmanos. Usavam uma cruz de pano como insígnia, daí o seu nome. Houve oito Cruzadas desde 1096 a 1270). Lisboa era pois uma cidade recém-cristã, quando na sua catedral foi a baptizar o menino Fernando Martins de Bulhões – Santo António, filho da fidalga D. Teresa Tavera, descendente de Fruela, rei das Astúrias e de seu marido Martinho ou Martins de Bulhões. Há dúvidas quanto ao apelido do pai, bem como se era ou não descendentes de cavaleiros celtas. Sabe-se sim que D. Teresa nascera em Castelo de Paiva e o marido numa terra próxima. Viviam em casa própria no bairro da Sé quando o recém-nascido veio a este mundo, no ano de 1145, embora alguns apontem como data de nascimento 1190 ou 1191.
Fernando frequentou a escola da Sé e até aos 15 anos viveu com os pais e com uma irmã de nome Maria. Aos 20 anos professou nos Cónegos Regrantes de Santo Agostinho em Lisboa, no Mosteiro de São Vicente de Fora. Nesta ordem monástica prosseguirá os seus estudos teológicos.
Rumou a Coimbra ao mosteiro de Santa Cruz, onde tinha à sua disposição a melhor biblioteca monacal do País. Nesse tempo era a abadia de Cluny, em França, que possuía uma das maiores bibliotecas da Europa, com um total de 570 volumes manuscritos, porque ainda não tinha sido inventada a imprensa. Aqui em Coimbra, sendo já sacerdote toma o hábito de franciscano, em 1220. Segundo os seus biógrafos, Santo António terá lido muito, e não foi por acaso que se tornaria pregador.
O mundo cristão vivia intensamente a época das Cruzadas. A chamada «guerra santa» desencadeada contra o Islão. E da parte dos Muçulmanos dava-se a inversa, luta contra os cristãos. Ambos acreditavam que a fé os levaria à vitória. De Oriente a Ocidente os exércitos batalham, e neste turbilhão surgem novas formas de espiritualidade. Em 1209 Francisco de Assis (S. Francisco) abandona o conforto e luxo da casa paterna, para, com outros companheiros, se recolher numa pequena comunidade, dando origem a uma nova reflexão sobre a vivência do Evangelho. É a aproximação à Natureza, à vida simples e à redescoberta da dignidade da pobreza preconizada pelos primeiros cristãos. Em poucos anos, homens e mulheres, alguns ainda bem jovens e filhos de famílias abastadas e poderosas sentem-se atraídos por esta vida de despojamento e sacrifício, com os olhos postos no exemplo de Cristo. A Portugal também chegaram ecos deste novo misticismo.Em Janeiro de 1220 são degolados em Marrocos, pelos muçulmanos, cindo frades menores (franciscanos) e todo o mundo cristão sofre um enorme abalado. A própria Clara de Assis (Santa Clara), praticamente da mesma idade que Santo António (nasceu em 1193 ou 1194) vai querer partir para Marrocos para converter os sarracenos, mas Francisco de Assis seu amigo de infância e seu orientador espiritual não lho permite.
Por cá o nosso futuro Santo António, já ordenado padre, decide mudar de Ordem religiosa e também ele passa a envergar o hábito dos franciscanos. È nesta ocasião que muda o nome de baptismo de Fernando para António e vai viver com outros frades no ermitério de Santo Antão (ou António) dos Olivais, na altura um pouco afastado de Coimbra, nuns terrenos doados por D. Urraca, mulher do rei D. Afonso II.
Em meados de 1220 chegam, com grande pompa religiosa, ao convento de Santa Cruz de Coimbra, as relíquias dos mártires de Marrocos e esse acontecimento vai ser decisivo no rumo da vida de Santo António. Parte para Marrocos, sentindo também ele que é chamado a participar na conversão dos chamados infiéis. Porém adoece gravemente e não podendo cumprir aquilo a que se propunha, teve de embarcar de regresso a Lisboa. Só que o barco é apanhado numa tempestade e o Santo vê o seu itinerário alterado ao sabor de uma vontade superior. Acaba por aportar à Sicília num período de grandes conflitos armados entre o Papa Gregório IX e o rei da Sicília, Frederico II. Relembra-se que várias regiões do que é hoje a Itália unificada eram reinos independentes e este ambiente de guerras geradoras de insegurança e perigos.
Em Maio de 1221 os franciscanos vão reunir-se no chamado Capítulo Geral da Ordem, onde Santo António está presente. No final os frades regressam às suas comunidades de Montepaolo, perto de Bolonha, onde, a par da vida contemplativa e de oração, cabe também tratarem das tarefas domésticas do convento. Aqui os outros frades reparam na grande modéstia daquele estrangeiro (Santo António) e jamais suspeitaram dos seus profundos conhecimentos teológicos. Findo aquele período de reflexão, como que um noviciado, os frades franciscanos são chamados à cidade de Forlì para serem ordenados e Santo António é escolhido para fazer a conferência espiritual. E começa a falar. Ninguém até ali percebera até que ponto ele era conhecedor das Escrituras e como a sua fé e os seus dotes oratórios eram invulgares.
Pelo que se sabe quando começou a falar imediatamente cativou os outros frades e a sua vida seria a partir daquele dia de pragador da palavra de Cristo. Percorrerá diversas regiões da actual Itália, entre 1223 e 1225. Por sugestão do próprio São Francisco vai ser mestre de Teologia em Bolonha, Montpelier e Toulouse.
Quando S. Francisco morre, em 1226, Santo António vai viver para Pádua. Aqui vai começar por fazer sermões dominicais, mas as suas palavras tão cheias de alegorias eram de tal modo acessíveis ao povo mais ou menos crente, que passam palavra e casa vez mais se junta gente nas igrejas para o ouvir. Da igreja passa para os adros para conter as multidões que não param de engrossar. Dos adros passa a falar em campo aberto e é escutado por mais de 30 mil pessoas. É um caso raro de popularidade. A multidão segue-o e começa a fama de que faz milagres. Os rapazes de Pádua têm mesmo que fazer de guarda-costas do Santo português tal a multidão à sua volta. As mulheres tentam aproximar-se dele para cortarem uma pontinha do seu hábito de frade como uma relíquia.
O bispo de Óstia, mais tarde papa com o nome de Alexandre IV, pede-lhe que escreva sermões para os dias das principais festas religiosas que eram já muitas na época. Mais tarde seria este papa a canonizá-lo. Santo António assim faz. São hoje importantíssimos esses documentos escritos, porque Santo António com pregador escreveu pouco. Apenas lhe são atribuídos Sermones per Annum Dominicales (1227-1228) e In Festivitatibus Sanctorum Sermones (1230) .
Sentindo-se doente, o santo pediu que o levassem para Pádua onde queria morrer, mas foi na trajectória, num pequeno convento de Clarissas, em Arcela, que Santo António «emigrou felizmente para as mansões dos espíritos celestes». Era o dia 13 de Junho de 1231.Depois, como é sabido, foi canonizado, em 1232, ainda se não completara um ano sobre a sua morte. Caso único na história da Igreja Católica. Já que nem São Francisco de Assis teve tal privilégio.
Os santos como Santo António, há muito que desceram dos altares para conviverem connosco, os simples mortais, que tomamos como nosso protector e amigo. O seu sumptuoso sepulcro, em mármore verde em Pádua, na igreja de Santo António é o tributo do povo que o amou e é muito mais do que um lugar de peregrinação e de oração. Através dos séculos, a sua fama espalhou-se por todos os continentes. No dia 13 de Junho de cada ano, Lisboa e Pádua comemoram igualmente a passagem por este mundo de um português que pregou a fé e morreu em Pádua. Como todos os santos é universal.
(Retirado do Google.pt)

- de 1645. Início da Insurreição Pernambucana, que levará à expulsão dos holandeses do Brasil.

UM POUCO DE HISTÓRIA DO RECIFE
“Quando Duarte Coelho aqui chegou, em 1535, batizou a sua capitania de Nova Lusitânia, em homenagem à sua pátria - o nome que não permaneceria por muito tempo, talvez como um sinal de que esta viria a ser a capitania mais rebelde ao domínio português. Ficaria conhecida por Pernambuco que significa "Mar Furado".
Duarte Coelho não deu muita importância àquela terra enlameada, cheia de manguezais, foz de não sei quantos rios e riachos. Preferiu fincar sua corte na alta e ladeirosa Olinda, de onde se podia apreciar melhor o litoral (e os invasores). Bom, pelo menos aquela barreira de arrecifes proporcionava um bom porto natural, e foi assim que surgiu a povoação dos Arrecifes, em 1548.A cultura açucareira na capitania desenvolvia-se depressa; a riqueza instalava-se em Olinda.
Tanta fartura chamou a atenção dos Holandeses, que nos séculos XVI e XVII se dedicavam a práticas variadas tais como comércio, pirataria e invasões em geral. Assim, em 1630, 70 navios, 7000 homens e 200 canhões desembarcaram na costa pernambucana, na praia de Pau Amarelo, ao norte de Olinda. Como primeira providência para enfraquecer os portugueses, incendiaram Olinda, em 1631.
Com a capital destruída, onde se estabelecer? Para os holandeses, certamente nada lembrava mais a terra natal que o povoadozinho do porto, já rebatizado de Recife. Naturalmente, para acomodar a nova corte, mais espaço teria de ser ganho às aguas. E assim drenaram-se rios, aterraram-se mangues, construíram-se pontes. O principal artífice desta transformação chegaria ao Brasil em 1637: o Príncipe Johann Mauritius van Nassau-Siegen (em bom português, Maurício de Nassau), comandante das tropas holandesas e governador-geral da província.
Tomado de amores pelo lugar, lá decidiu construir o seu sonho pessoal de cidade: a Cidade Maurícia, projetada pelo arquiteto Pieter Post, irmão do pintor Frans Post. A primeira ponte foi construída em 1643, chamada de Ponte Nassau. A ela seguiram-se outras pontes (hoje há 39, só no centro) dois palácios, igrejas e ruas. Só que a idéia da Companhia das Índias Ocidentais não era bem transformar Recife numa metrópole, e sim conseguir lucros com as plantações de cana-de-açúcar. Daí uma certa irritação com Maurício de Nassau, que resultou no seu chamado de volta à Holanda, em 1644. Sem Maurício de Nassau, cessaram as festas, os saraus e os empréstimos, e começaram as cobranças de dívidas. Os portugueses acharam então que chegara a hora de expulsar os invasores.
A resistência dos portugueses à invasão holandesa foi tênue. Do litoral, apenas o porto era protegido por dois fortes (de São Jorge e de São Francisco) e ofereceu certa resistência. Daí os membros da resistência se refugiarem no interior, construindo o Arraial do Bom Jesus. Nesse local, onde hoje fica o sítio da Trindade, no bairro de Casa Amarela, os portugueses resistiram por cinco anos, até o dia 8 de Junho de 1635. A partir daí, e durante a presença de Maurício de Nassau, a resistência portuguesa foi pouca ou nula.
Com o retorno de Maurício de Nassau à Holanda e a cobrança de dívidas dos senhores de engenho por parte da Companhia das Índias Ocidentais, a elite pernambucana decidiu pegar em armas para expulsar os invasores, através de um movimento chamado Insurreição Pernambucana. É interessante o facto de que o movimento não teve apoio formal da Coroa portuguesa, cujos diplomatas na época encontravam-se ocupados tentando vender o Nordeste brasileiro à Holanda!
Tendo como líder o senhor de engenho João Fernandes Vieira, o movimento conseguiu importantes vitórias frente aos Holandeses em 1645, no Monte das Tabocas (na cidade de Vitória de Santo Antão, a 45Km de Recife) e no Engenho de Casa Forte (no bairro de mesmo nome). Mas a vitória definitiva viria após as duas batalhas do Morro dos Guararapes (na vizinha cidade de Jaboatão), em 1648 e 1649. Este local é hoje considerado o berço do exército brasileiro. A retirada completa das tropas holandesas ainda seria demorada: somente a 27 de Janeiro de 1654 os portugueses retomariam o controle do Recife. Em 6 de Agosto de 1661, em troca de uma indenização de oito milhões de florins, os holandeses assinariam acordo em Portugal renunciando a qualquer pretensão sobre terras brasileiras.
A semente de desenvolvimento plantada pelos holandeses germinou em Recife. Pouco a pouco a cidade, lar de comerciantes e pequenos burgueses, chamados mascates, suplantaria a capital Olinda, lar dos tradicionais senhores de engenho. O ciúme entre as cidades irmãs culminou com a guerra dos mascates, em 1710.
O espírito revolucionário contaminou o sangue dos Recifenses. A capital pernambucana seria palco de várias revoltas, como a Revolução de 1817 e a Confederação do Equador, de 1824. Nelas se destacaria a figura de Frei Caneca, religioso fuzilado pelos seus ideais libertários. Recentemente, os mesmos ideais norteariam o trabalho de D. Hélder Câmara à frente da Arquidiocese de Olinda e Recife: a sua voz calma e mansa foi o instrumento mais poderoso de combate às atrocidades cometidas pela ditadura militar no Brasil nos anos sessenta e setenta.
Em resposta ao Texto acima, o Miguel Monteiro faz um complemento:
Os Portugueses nunca procuraram vender o Nordeste Brasileiro. Apenas negociaram a indeminização que os holandeses, aproveitando-se da situação débil de Portugal, exigiram pelos prejuízos da expulsão, em troca do reconhecimento da Restauração da Independência de Portugal face a Espanha.

Ainda que talvez pouco importante para si, não se deve ignorar essa época (triste) da História de Portugal, até mesmo para entender a invasão "holandesa" no Brasil, à luz de alguns factos pouco divulgados;

1. As relações próximas de António Prior do Crato (único pretendente/oponente de Filipe de Espanha ao trono de Portugal em 1580) com Maurício de Nassau, um dos seus apoiantes no exílio que se seguiria.

2. Os judeus dos Países Baixos como impulsionadores da Companhia das Índias Ocidentais.
Sendo que boa parte desses judeus eram à época, originários de Portugal.

3. Manuel de Portugal, filho do Prior do Crato, que acompanhou o pai no exílio, casou em 1597 com Emília de Nassau - princesa de Orange (irmã de Maurício de Nassau).

Coincidências???”
(Retirado do Google.pt)

- de 1888. Nasce Fernando Pessoa, em Lisboa.
Cronologia da Vida e Obra de Fernando Pessoa
1888 Nasce, a 13 de Junho, o poeta Fernando António Nogueira Pessoa, no 4º andar esquerdo do nº 4 do Largo de São Carlos em Lisboa, filho de Maria magdalena pinheiro Nogueira e de Joaquim de Seabra Pessoa.
1889 Data do nascimento de Alberto Caeiro
1890 Data do nascimento Álvaro de Campos
1893 Em janeiro, nasce Jorge, irmão do poeta. A 13 de Julho, morre, tuberculoso, Joaquim de Seabra Pessoa, pai de Fernado Pessoa, com 43 anos de idade.
1894 Em Janeiro, morre o irmão Jorge. A mãe do poeta, D. Maria Magdalena Pinheiro Nogueira Pessoa, conhece o comandante João Miguel Rosa.
Criação do primeiro heterónimo: Chevalier de Pas.João Miguel Rosa é nomeado cônsul interino em Durban, África do Sul.
1895 Fernando Pessoa escreve, em Julho, a sua primeira poesia: À minha querida mamã.
A 30 de Dezembro, casa, por procuração, D. Maria Magdalena, com o comandante João Miguel Rosa.
1896 Partida para a África do Sul de D. Maria Madalena e o filho, no início do mês de Janeiro.
Nasce Henriqueta Madalena, irmã do poeta
1897 Fernando Pessoa inicia a instrução primária na escola da West Street, e em três anos alcançaria a equivalência de 5 anos.
1898 Nasce, em Outubro, a 2ª filha do casal Miguel Rosa, Madalena Henriqueta.
1899 Em Abril, Fernando Pessoa matricula-se na High Scholl, Form II-B. Em Junho passa para a Form II-A. Em Dezembro ganha o Form Prize na Form II-A. Neste ano cria o heterónimo Alexandre Search, em nome do qual, escreve cartas para si mesmo.
1900 Em Janeiro, nasce o 3ª filho do casal, Luís Miguel. Em Junho, Fernando Pessoa passa para a Form III e é premiado em Francês
1901 Fernando Pessoa faz, em Junho, o exame da Cape Scholl High Examination. Falece Madalena Henriqueta.
Em Agosto, Fernando Pessoa vem de visita, com a família, a Portugal.
1902 Nascimento do 4º filho do casal Miguel Rosa, João Rosa. Regresso da família a Durban, em Setembro. Fernando Pessoa matricula-se na Commercial School, em Durban.
1903 Faz exame de admissão à Universidade do Cabo da Boa Esperança. Lê Shakespeare, Milton, Byron, Poe, Keats, Shelley, Tennyson. Escreve poemas em inglês assinados por Alexandre Search.
Surgem os heterónimos Charles Robert Anon e H.M.F. Lecher.
1904 Regressa novamente à High Scholl, e entra na Form IV. Ganha o Prémio Rainha Vitória, concedido ao seu ensaio de inglês, prova de exame de admissão à Universidade do Cabo. Nascimento de outra filha do casal, Maria Clara. Em Dezembro, faz a Intermediate Examination em Artes, da Universidade do Cabo. Terminam os seus estudos na África do Sul.
1905 Parte sozinho para Lisboa e vai viver com a avó Dionísia e as duas tias, na Rua da Bela Vista,17.
1906 Matricula-se no Curso Superior de Letras de Lisboa. A família volta, de férias a Lisboa. Morre, durante esta estadia, a irmã Maria Clara.
1907 Abandona o curso, sem concluir o primeiro ano. Monta, com o dinheiro herdado da avó Dionísia, uma Tipografia a que dá o nome de Empresa Ibis - Tipografia Editora - Oficinas a Vapor, que mal chega a funcionar.
1908 Entra no comércio como «correspondente estrangeiro», profissão que desempenhará ao longo de toda a vida
1910 Funda-se no Porto a revista A Águia, 1ªfase.
1911 Pessoa é encarregado de traduzir para português uma Antologia de Autores Universais, dirigida por um editor americano.
1912 Funda-se, em janeiro, a Renascença Portuguesa, no Porto. A Águia, dirigida por Teixeira de Pascoaes, torna-se o órgão desse movimento. Em Abril, publica em A Águia, órgão da Renascença Portuguesa, o seu primeiro artigo, A nova Poesia Portuguesa Sociologicamente Considerada, onde profetiza o surgimento de um «Supra-Camões». Inicia a sua correspondência com Mário de Sá-Carneiro o qual, de Paris, o põe ao corrente das novas correntes como o cubismo e o Futurismo. Nasce na mente do poeta Ricardo Reis. Após viver algum tempo num rés-do-chão da Rua da Glória, muda-se para a Rua do Carmo, 18-1º, e depois vai morar com a sua tia, D.Ana Luísa Nogueira de Freitas, na Rua Passos Manuel, 24-3ºEsq.
1913 Escreve a poesia Pauis, que iria dar origem ao paúlismo. Contacta com Almada Negreiros e Mário de Sá-Carneiro. Escreve O marinheiro, drama estático.
Colabora no semanário teatro e prossegue a sua colaboração com A Águia. Escreve Epithalamium e Hora Absurda.
1914 Surge Alberto Caeiro e o texto O Guardador de Rebanhos. Escreve a Ode Triunfal e Opiário, atribuídas a Álvaro de Campos. Escreve Chuva Oblíqua, texto-chave do Interseccionismo. Muda-se para a Rua Pascoal de Melo, para casa da tia Anica Em Junho, escreve a 1ª poesia de Ricardo Reis. Em carta a Sá-Carneiro, datada de Julho, declara ter atingido o período completo da sua maturidade literária. Rompimento com os poetas de A Águia.
1915 Vive algum tempo na Leitaria Alentejana, devido à partida da tia Anica para a Suiça. Sai, em Abril, o primeiro número do Orpheu. Sai, em Julho, o segundo número do Orpheu. Mário de Sá-Carneiro parte para Paris. Período de intensa produção literária de Fernando Pessoa e dos heterónimos. Data possível da morte de Alberto Caeiro.
1916 Em Abril, suicida-se, em Paris no Hotel de Nice, Mário de Sá-Carneiro. Almada Negreiros publica o Manifesto Anti-Dantas. Em Setembro, anuncia-se a saída do 3º número do Orpheu, que não chega a aparecer. Colabora em revistas como Centauro e Exílio.
1917 Sai o primeiro e único número de Portugal Futurista, revista publicada por Almada Negreiros e Santa-Rita Pintor onde Álvaro de Campos colabora com a insercção de Ultimatum. Reside na Rua Bernardim Ribeiro, 11, 1º.
1918 Morrem Santa-Rita Pintor e Amadeo de Sousa Cardoso. Pessoa publica os seus poemas ingleses Antinous e 35 Sonnets.
1919 Apesar de o ter dado como morto, escreve nesta data, uma série de poemas (Poemas Inconjuntos) em nome de Alberto Caeiro. Ricardo Reis exila-se no Brasil. Morre, em Pretória, o comandante João Miguel Rosa, padrasto do poeta.
1920 Escreve a 1ª carta de amor e inicia-se o namoro com Ophélia Queirós. Muda-se para a Rua Coelho da rocha, onde vai habitar com a mãe e os irmãos.
1921 Publica os seus English Poems (I, II e II) por uma casa de edições criada pelo próprio (Olisipo).
1922 Colabora com assiduidade na revista Comtemporânea.
1924 Início do surrealismo em França. Sai em Outubro o primeiro número da revista Athena, que Fernando Pessoa dirige com o pintor Ruy Vaz.
1925 Morte da mãe do poeta. Athena cessa a sua publicação.
1926 Pessoa dirige com o cunhado, coronel Caetano Dias, a Revista de Comércio de contabilidade, cujo primeiro número sai em Janeiro desse ano, e na qual publica artigos sobre temas sócio-económicos.
1927 Publica-se em Coimbra o primeiro número da «folha de arte e crítica» - Presença.
1929 Recomeça o namoro com Ophélia Queirós. Empreende com António Botto, a publicação de uma antologia de Poetas Portugueses Modernos.
1930 Entra em correspondência com o do mago inglês Aleister Crowley e recebe a sua visita em Setembro. O mago desaparece, nesse mês, misteriosamente na Boca do Inferno, em Cascais, desaparecimento no qual Fernando Pessoa participa. Período fecundo de criação poética heterónima e ortónima.
Prossegue a sua colaboração com a Presença.
1931 Publica na Presença a tradução do Hino a Pã, de Aleister Crowley.
1932 Candidata-se, sem sucesso, a um lugar de conservador de um Museu bibliográfico, em Cascais. Colabora com a Presença, onde publica Iniciação bem como fragmentos do Livro do Desassossego.
1933 Atravessa uma grave crise de neurastenia.
1934 Aparece, em Dezembro, a Mensagem. É-lhe atribuída, nesse mesmo mês, pela publicação da Mensagem, a segunda categoria do prémio Antero de Quental, do Secretariado de Propaganda Nacional.
1935 É internado, em 28 de Novembro, com uma cólica hepática, no Hospital de S.Luís, em Lisboa, onde morre a 30 de Novembro..
Quadro cronológico resultante da adaptação e do resumo da cronologia da vida e obra do poeta apresentada por João Gaspar Simões (in Fernando Pessoa - breve história da sua vida e da sua obra, Lisboa, Difel, 1983), por José Augusto Seabra (in Fernando Pessoa ou o Poetodrama, Imprensa Nacional da Casa da Moeda) e por Maria José de Lencastre (in Fernando Pessoa uma fotobiografia, Lisboa, Quetzal Editores, 1996)."
(Retirado do Google.pt)

- de 1935. É criada a FNAT - Federação Nacional para a Alegria no Trabalho, que imita a organização nazi Força pela Alegria e a fascista Doppo Lavoro.
(retirado do Portal da História)

“Através do Decreto-Lei nº 25 495, o governo de Salazar cria a Federação Nacional para a Alegria no Trabalho (FNAT).
À semelhança das actividades de Doppo Lavoro desenvolvidas pelo regfime fascista italiano, a FNAT procurará, em colaboração com o SPN, enquadrar os tempos livres dos trabalhadores de forma a promover e a reforçar uma imagem positiva do Estado Novo.
Concretiza, quer actividades de «mera diversão», quer iniciativas de cariz político-ideológico explícito.” [1]
[1] História de Portugal em Datas, Círculo de Leitores, pág. 327.