segunda-feira, julho 31, 2006

Literatura

Em tempo de, para muitos, merecidas férias, deixo ficar o incentivo para quem aprecia a leitura, ou, não sendo um dos seus passatempos favoritos, o cultive mais, e, assim, um pouco do tempo livre seja agora aproveitado para espicaçar o pensamento e raciocínio, abrir novos horizontes e desenvolver temas de conversa. Além de que, como alguém disse, quem lê nunca está só.
Assumindo a língua inglesa tanta relevância nos dias que correm, estando presente, quer queiramos, quer não, no nosso quotidiano, e, perspectivando-se um aumento da sua importância, segundo dizem, ao tornar-se, daqui a alguns anos, língua oficial da comunidade europeia, recomendam-se algumas leituras em Inglês, que, ao contrário do que à primeira vista poderiam parecer, não se afiguram tão complexas quanto isso.
Numa tentativa de sugestões num percurso cronológico, avançaremos a Idade Média, cujo dialecto Anglo-Saxónico encerra uma grande complexidade a nível lexical e sintagmático, podendo desmotivar, desde logo, o leitor. Salientamos apenas, para os mais ousados, o grande escritor Geoffrey Chaucer (1340-1400) conhecido por The Canterbury Tales, um conjunto de histórias contadas por um grupo de peregrinos na sua viagem a Canterbury.
Com a introdução da imprensa em Inglaterra em 1476, a literatura vernacular expandiu-se, no entanto, tanto a poesia, como o teatro e a prosa tiveram o seu maior desenvolvimento, indubitavelmente, no reinado da rainha Elizabeth I, numa época que ficou conhecida como a Renascença. Ao contrário da Literatura Medieval Inglesa, quase exclusivamente de natureza religiosa, a Literatura Renascentista, inspirada em autores italianos, exaltava o ser humano. Nesta época, é figura de destaque William Shakespeare (1564-1616). De entre a extensa lista das suas obras, sobejamente conhecidas, não destacarei as tragédias, os dramas históricos nem as comédias, ainda que sejam aconselháveis. Recomendo sim, ainda que à sua superfície venha algum vocabulário arcaico, os sonetos (mais de cem), cujos temas continuam em voga.
Um exemplo apenas para aguçar o apetite:

Sonett 57

«Being your slave, what should I do but tend
Upon the hours and times of your desire?
I have no precious time at all to spend,
Nor services to do, till you require;
Nor dare I childe the world-without-end hour
Whilst I, my sovereign, watch the clock for you,
Nor think the bitterness of absence sour
When you have bid your servant once adieu.
Nor dare I question with my jealous thought
Where you may be, or your affairs suppose,
But like a sad slave stay and think of naught
Save, where you are, how happy you make those.
So true a fool is love that in your will,
Though you do anything, he thinks no ill.»
Shakespeare

Neste soneto, cujo tema base- o amor- aflora a casa verso, o sujeito poético coloca-se aos pés da amada, afirmando-se um seu escravo, devotando todo o seu tempo aos desejos e/ou caprichos daquela. Tão altruísta e sincero se diz o poeta que não se coíbe de afirmar não se importar não saber com quem está ou o que faz a sua ‘rainha” longe dos seus olhos. Apenas deseja o seu bem estar.