quarta-feira, novembro 19, 2008

De novo "em baixa"

Não sei se são os efeitos da economia, se das afrontas que vêm dos lados das desditas de maus costumes (porque lá que as há, las hay), o certo é que estou melhorando destas maleitas que as tais me vão pregando, e os seus carrascos carbonários respectivamente vão arquivando ...!

Mas cá me vou arranjando, com a ajuda de Deus, da minha família (que são os meus) e dos santos a quem me dirijo em meditação! E não paro! Estou, nesses entretantos, a tentar construir o meu domínio (depois darei todos os links). A expensas do meu bolso (pelo menos directamente, sem subsídios estatais)!

Que hei-de fazer para poder continuar a trabalhar com tanquilidade, sem as afrontas dos jacobinos do costume? Mudar de estabelecimento de ensino, como me mandam, imperativamente, os receituários médicos? Se assim tem que ser, vamos a isso. Já não é sem tempo!


Oxalá, com a ajuda de todos quantos me quiserem e puderem ajudar, institucionalmente ou não!

quarta-feira, novembro 05, 2008

5 de Novembro: o primeiro dia de uma nova era?

"We shall overcome, one day"!
Se a recordação de meu mui citado mestre JA Maltez "Lisboa é uma capital feita por subscrição nacional" representa, ao nível interno de Portugal, uma observação realista incontornável, o facto histórico deste 4 de Novembro (também dia de aniversário do meu primogénito David) traz-me, de novo, a esperança por mim interiorizada na minha adolescência, de que os EUA são uma representação, à escala planetária, daquilo por que todo o mundo anseia.

Então, eu diria que os Estados Unidos da América são um país, e mais ainda uma nação, feita por subscrição mundial. Essa é a grande, se não a maior, causa da sua força no mundo, e certamente a garantia que ao mundo pode dar quanto às expectativas que muitos cidadãos do Mundo nessa nação depositam.

Muito portuguesmente (na esteira da nossa simbólica esfera armilar, das nossas cinco quinas e dos nossos sete mares, e a nossa "Procura da República Maior"), não posso deixar de relembrar aquele momento discursivo, proferido perante uma das maiores concentrações populares que o Mundo já conheceu, exactamente com a mesma exortação que o candidato democrata Barak H. Obama dirigiu, afinal, não só ao povo americano, mas a todos os cidadãos do Mundo:

"I have a dream"



E que eu actualizaria, dizendo We had a dream, oh mighty God, that finally You may come true.
Se assim for essa a vontade de Deus, God bless you, Barak. Our heart and our minds will follow You!!!
Por isso, aqui deixo o marco histórico da sua campanha eleitoral. A génese do seu discurso mais espiritual não pode ser desmentida. Eis a raíz da esperança em todo o seu discurso político:




Oxalá!!!

PS: Em apreço pela honrosa missão que mestre JA Maltez tenta cumprir em Dili (Timor Lorosae), aqui deixo uma nota de discurso (do já eleito Barak Obama) que gostaria que ele passasse aos seus alunos e, se possível, que este fosse mais um bom exemplo para a unificação dessa tão simpática nação!!! Com mais um abraço de sincera amizade!

O Professor José Rodrigo Coelho

quinta-feira, outubro 30, 2008

Revisões da história e das ideias, durante mais uma "baixa" médica

Sobre as "Contemplações", contemplando ... "e ai de quem não saiba levantar, frente à poesia que destrói, a poesia que promete! (…)"!

Estando eu a tentar traduzir Crane Brinton ("Anatomy of Revolution"), dou comigo a procurar na net o significado da expressão latina sine ira et studio, quando entro num sítio que me deixou bastante surpreendido com mais umas lições de história das ideias e das ideologias, de epistemologia, etc..

E logo me lembrou mais uma das minhas "Contemplações", que escrevi a pensar neste portugalório nortenho onde aquilo que hoje, em qualquer lado, é, quando por aqui passar, já foi, não é ...!!!

"A pretensa 'globalização' comprou a dignidade, o brio e toda a amplitude típicas do português, ao ponto das suas particularidades sócio-humanas regionais, em especial as mais originais, estalarem como o verniz com que tentaram manter as aparências do costume" (...)!

Parece que a vida aqui nos passa em diferido, tal é a apatia com que esta sociedade de corte se venera perante os senhores do dinheiro ...!

Pois é: sobre o capitalismo liberal, ou o liberalismo capitalista, ou o agora tão apregoado neo-liberalismo, todos deveríamos (sine ira et studio) atender à justeza e objectividade assertivas deste artigo (cujas conotações, partidárias ou outras nele expressas, me são completamente alheias):

Excertos do discurso de fundação da Falange Espanhola, pronunciado por José António Primo de Rivera no Teatro de la Comedia de Madrid, em 29 de Outubro de 1933. Por ocasião das evocações do nascimento de José António, a 24 de Abril de 1903.

(…) Veio depois a perda da unidade espiritual dos povos, porque como o sistema funcionava sobre o logro das maiorias, todo aquele que aspirava a ganhar o sistema tinha que procurar a maioria dos sufrágios. E tinha que procurá-la roubando-a, se preciso, aos outros partidos, e para isso não tinha que hesitar em caluniá-los, em verter sobre eles as piores injúrias, em faltar deliberadamente à verdade, em não desperdiçar um só recurso de mentira e de aviltamento. E assim, sendo a fraternidade um dos postulados que o Estado liberal nos mostrava no seu frontispício, não houve nunca situação de vida colectiva na qual os homens, injuriados, inimigos uns dos outros, se sentiram menos irmãos do que na vida turbulenta e desagradável do Estado liberal.
E, por último, o Estado liberal veio a apresentar-nos a escravidão económica, porque aos trabalhadores, com trágico sarcasmo, dizia-se-lhes: «sois livres de trabalhar o que quereis, ninguém pode compelir-vos a aceitar umas ou outras condições; agora: como nós somos os ricos, oferecemo-vos as condições que entendemos; vós, cidadãos livres, se não quereis não estais obrigados a aceitá-las; mas vós, cidadãos pobres, se não aceitais as condições que nós vos impomos, morrereis de fome, rodeados da máxima dignidade liberal». E assim veríeis como nos países onde se chegou a ter parlamentos mais brilhantes e instituições democráticas mais finas, não tínheis mais que afastar-vos uns cem metros dos bairros luxuosos para deparar com tugúrios infectos onde viviam amontoados os trabalhadores e as suas famílias, num limite de decoro quase infra-humano. E encontraríeis trabalhadores dos campos que de sol a sol se dobravam sobre a terra, de costas abrasadas, e que ganhavam em todo o ano, graças ao livre jogo da economia liberal, setenta ou oitenta jornas de três pesetas.
Por isso teve que nascer, e foi justo o seu nascimento (nós não escondemos nenhuma verdade), o socialismo. Os trabalhadores tiveram que defender-se contra aquele sistema, que só lhes dava promessas de direitos, mas não se preocupava em dar-lhes uma vida justa.
Agora, o socialismo, que foi uma reacção legítima contra aquela escravatura liberal, veio a descarrilar, primeiro numa interpretação materialista da vida e da História, segundo num sentido de represália; terceiro na proclamação do dogma da luta de classes.
O socialismo, sobretudo o socialismo que construíram, impassíveis na frieza dos seus gabinetes, os apóstolos socialistas, em quem acreditavam os pobres trabalhadores, (…) o socialismo assim entendido, não vê na História senão um jogo de recursos económicos: o espiritual suprime-se, a religião é um ópio do povo, a pátria é um mito para explorar os desgraçados. Tudo isso diz o socialismo. Não há nada mais que produção, que organização económica. Assim resulta que os trabalhadores têm que espremer bem as suas almas para que não sobre dentro delas a menor gota de espiritualidade.
O socialismo não aspira a restabelecer uma justiça social rompida pelo mau funcionamento dos Estados liberais, mas aspira à represália, aspira a chegar na injustiça tão longe quanto chegaram em sentido contrário os sistemas liberais.
Por último, o socialismo proclama o dogma monstruoso da luta de classes, proclama o dogma de que as lutas entre as classes são indispensáveis, e produzem-se naturalmente na vida, porque não pode haver nunca nada que as aplaque. E o socialismo, que veio a ser uma crítica justa do liberalismo económico, trouxe-nos, por outro caminho, o mesmo que o liberalismo económico: a desagregação, o ódio, a separação, o esquecimento de todo o vínculo de irmandade e solidariedade entre os homens.(…)
O movimento de hoje, que não é de partido, mas é um movimento, quase poderíamos dizer um anti-partido, saiba-se desde já, não é de direitas ou de esquerdas. Porque, no fundo, a direita é a aspiração a manter uma organização económica, ainda que seja injusta, e a esquerda é, no fundo, o desejo de subverter uma organização económica, ainda que ao subvertê-la se destruam muitas coisas boas. Logo, isto decora-se nuns e noutros com uma série de considerações espirituais. Saibam todos os que nos escutam de boa-fé que estas considerações espirituais cabem todas no nosso movimento, mas que o nosso movimento jamais amarrará o seu destino ao interesse de um grupo ou ao interesse de classe que habita sob a divisão superficial de direitas e esquerdas.
A Pátria é uma unidade total, em que se integram todos os indivíduos e todas as classes; a Pátria não pode estar nas mãos da classe mais forte nem do partido melhor organizado. A Pátria é uma síntese transcendente, uma síntese indivisível, com fins próprios que cumprir; e nós o que queremos é que o movimento deste dia, e o Estado que crie, seja o instrumento eficaz, autoritário, ao serviço de uma unidade indiscutível, dessa unidade permanente, dessa unidade irrevogável que se chama Pátria.
E com isso já temos todo o motor dos nossos actos futuros e da nossa conduta presente, porque seríamos apenas mais um partido se viéssemos anunciar um programa de soluções concretas. Tais programas têm a vantagem de que nunca se cumprem. Em troca, quando se tem um sentido permanente perante a História e perante a vida, esse mesmo sentido dá-nos as soluções perante o concreto, como o amor nos diz em que caso devemos discutir e em que caso nos devemos abraçar, sem que o verdadeiro amor tenha feito um mínimo programa de abraços e discussões.
Eis aqui o que exige o nosso sentido total da Pátria e do Estado que a há-de servir.
Que todos os povos de Espanha, por diversos que sejam, se sintam harmonizados numa irrevogável unidade de destino.
Que desapareçam os partidos políticos. Nunca ninguém nasceu membro de um partido político; em troca, todos nascemos membros de uma família, somos todos vizinhos num Município, esforçamo-nos todos no exercício de um trabalho. Pois se essas são as nossas unidades naturais, se a família e o Município e a corporação é no que verdadeiramente vivemos, para que necessitamos do instrumento intermédio e pernicioso dos partidos políticos que, para unir-nos em grupos artificiais, começam por desunir-nos nas nossa realidades autênticas?
Queremos menos palavreado liberal e mais respeito pela liberdade profunda do homem. Porque só se respeita a liberdade do homem quando se o considera, como nós o consideramos, portador de valores eternos, quando se o considera invólucro corporal de uma alma que é capaz de condenar-se ou de salvar-se. Só quando se considera o homem assim se pode dizer que se respeita verdadeiramente a sua liberdade, e mais se essa liberdade se conjuga, como nós pretendemos, num sistema de autoridade, de hierarquia e de ordem.
Queremos que todos se sintam membros de uma comunidade séria e completa, isto é, as funções a realizar são muitas, uns com o trabalho manual; outros com o trabalho do espírito; alguns com um magistério de costumes e refinamentos. Mas que numa comunidade tal como a que queremos, saiba-se desde já, não deve haver convidados nem deve haver zangões.
Queremos que não se cantem direitos individuais dos que nunca podem cumprir-se em casa dos famintos, mas que se dê a todo o homem, a todo o membro da comunidade política, pelo facto de sê-lo, a maneira de ganhar com o seu trabalho uma vida humana, justa e digna.
Queremos que o espírito religioso, chave dos melhores arcos da nossa História, seja respeitado e amparado como merece, sem que por isso o Estado se imiscua em funções que não lhe são próprias nem compartilhe como fazia, talvez por outros interesses que os da verdadeira religião, funções que lhe compete realizar por si mesmo. (…)
Mas o nosso movimento não seria de todo entendido se se cresse que é tão-somente uma maneira de pensar; não é uma maneira de pensar: é uma maneira de ser. Não devemos propor só a construção, a arquitectura política. Temos que adoptar, perante a vida inteira, em cada um dos nossos actos, uma atitude humana, profunda e completa. Esta atitude é o espírito de serviço e sacrifício, o sentido ascético e militar da vida. (…)
Creio que está alçada a bandeira. Agora vamos defendê-la alegremente, poeticamente. Porque há alguns que, frente à marcha da revolução, acreditam que para reunir vontades convém oferecer as soluções mais tíbias; crêem que se deve ocultar na propaganda tudo o que possa despertar uma emoção ou assinalar uma atitude enérgica e extrema. Que equívoco! Os povos nunca foram movidos por mais que os poetas, e ai de quem não saiba levantar, frente à poesia que destrói, a poesia que promete! (…)"

sexta-feira, outubro 24, 2008

Uma prece por minha MÃE!

Também uma prova de amor pela blogosfera!

Não é apenas amor! É paixão!

Não consigo dizer por outras palavras o que neste momento me vai na alma e o que me atingiu no coração, depois de familiares me comunicarem o estado de saúde de minha mui querida MÃE! Depois de tantas das minhas próprias recentes maleitas, eis mais esta! Se não é Deus que me submete a tamanha prova, então eu não sei mais o que é minha razão!

Depois de muitas das imagens imemoriais que a vida me permitiu ao lado deste meu ser mais querido, esta é a que, nos últimos meses, ressaltou do amparo que ELA uma vez mais me deu, quando precisei ...! Ela merece! A melhor MÃE do Mundo merece essa oração divina, que Deus me ouça e a quantos se juntarem a mim neste momento de tão aflita comoção!
Aos meus amigos, aos meus leitores e a quantos me leiam o coração, aos deuses do Mar, à eterna e Divina Criação, rogo, com uma profunda oração, pela saúde de uma QUERIDA MÃE!
Para todos um abraço com sincera gratidão.
José Rodrigo Coelho

Só com a liberdade posso ser!

Ou da liberdade interior
Vejo que mestre JAM vai ter muitos alunos apaixonados, tal é a convicção, acredito, com que tentará ensinar "as coisas boas" aos seus alunos desse jovem e mui querido país que é Timor Lorosae! Bem haja!
Da minha parte, para além da disponibiildade que já lhe manifestei, não só em poder enviar o que me for possível, mas em ajudar de que forma for (ai se Deus me desse essa oportunidade ...), apenas me apraz, aqui e desta forma pública, enviar um grande abraço a todos esses amigos (não esquecerei, nunca, esse colega que tive na Casa Pia de Lisboa chamado Vicente Guterres, e as conversas sobre a esperança, a fé, as melhores soluções possíveis de libertar o seu povo, ...). E que a liberdade ganhe raízes de futuro, para quem a semear poder dizer e viver, amanhã, o que outrora não foi possível, se bem que já apreciado: esse eterno amor de terra-mãe, à qual todos pertencemos, aquele que nos dá força de ser e de viver, aquele pelo qual, por isso, não nos importamos de morrer, porque nele sempre estaremos!
Por tudo isso, nunca esqueçamos que, desse modo, todo o nosso ânimo vem dessa natural vivência das coisas que são por dentro. e, para as alcançarmos, temos que ser (por dentro) como elas: liberdade confunde-se, por isso, com a natural expressão e manifestação extrínseca das coisas que o são.Tudo o resto é fantasia!
Deleitem-se, amigos, com uma das expressões musicais mais apaixonantes (e divinas?) da história da música, de um dos autores que, também, muito contribuiu para o puro sentimento de liberdade (=amor natural e eterno)!


Com toda a amizade
Prof. José Rodrigo Coelho

quinta-feira, outubro 23, 2008

Um destes dias todos seremos "fugitivos"!

Revejo, no HW Canal, "O Fugitivo", na versão de 1993, ano em que ingressei no quadro de uma Escola pública portuguesa, para ... "mal dos meus pecados". Não sei já o que ali disse e/ ou fiz, a quem. O certo é que desde que me referi a uma revista em que citei um já ido escritor português nosso contemporâneo, onde se identificava a orientação sexual de uma altíssima figura do Estado (entre outras figuras públicas da nossa praça), eu nunca mais tive sossêgo, quer dizer, nunca mais me livrei de todas as investidas deste processo de linchamento profissional e pessoal (com certeza que, por decorrência, também familiar). Ao ponto de, mesmo juridicamente, os advogados não terem meios de prova para avançarem com a respectiva queixa-crime, apenas ficando nos registos de alguma instância supervisora da nossa Justiça todos os relatos referentes, um a um, com ou sem erros por parte da Administração que os processa. A todos os níveis, desde o local ao nacional (...)!!!
Por isso, deixo aqui um apelo, também, a todos os pais e/ ou Enc. Educ. (representantes dos alunos), para que, como primeira e acima de todas as preocupações com a vida escolar dos vossos filhos, vigiem a forma como são manipulados nas respectivas Escolas para, a troco de alguns favores avaliativos, se deixarem comprar por detentores de poderes de decisão que, sem o assentimento dos vossos filhos, vêm os seus lugares, posições e privilégios em risco! Com o acompanhamento contínuo destes processos, vocês contribuirão para que a educação deles seja, efectivamente, a de uma escola pública que serve aquilo a que se destina, na sua natureza e génese: a formação de cidadãos conscientes formados no respeito e, assim, responsáveis!
É por tudo isto e contra toda esta canalhocracia que ando a lutar sozinho! E a sofrer as respectivas consequências! Mas, receio, um destes dias todos seremos "fugitivos"!




PS: qualquer semelhança (ou analogia) entre os excertos deste filme aqui reproduzidos e a realidade com que se comparam não é mera coincidência, nem fruto do acaso! Tão somente são elucidativos de um tipo de situações de injustiça extrema, difíceis de combater e resolver a favor de quem está, verdadeiramente, inocente!

segunda-feira, outubro 13, 2008

Escola ?!... Que saudades!

Por que devemos ter medo da "escola a que chegamos"!

Mais uma vez me manifesto com
a deixa das afirmações de mestre JAM! Não sem relevância actual, num dia em que assinalo ter observado, na sala de professores onde trabalho, um abaixo assinado contra os processos avalianígenas que a tecnocracia avalióloga (leia-se e pasme-se com os termos em que estão definidas, normativamente, as equipas de avaliação) vai tecendo para dominar "esta pastelada de massa tenra, muito maleável que, estando em condições precárias, é passível de ser domesticada pela tecnocracia dos reformismos de fachada, à espera de aval decretino".

E o que me lembrou, hoje, esta deixa, foi o que li há já um mês atrás, na 'Notícias Magazine' do JN de 14 de Setembro, numa entrevista à Professora Maria do Carmo Vieira, uma pessoa que, pelos ditos e vistos, muito me orgulho de chamar colega. Donde destaco:



- Ensino

"... Todos nós nos lembramos dos professores que nos marcaram, que se tornaram exemplo. Daí a imprescindibilidade de um professor amar o que ensina ...";

- "... Banido o verbo ensinar, os alunos só têm actualmente de adquirir aprendizagens e competências, tendo em vista o mercado de trabalho. (...) Como estratégia para obter um êxito rápido e cumprir metas estatísticas. Com efeito, as novas teorias pedagógicas (uma ofensa à nobreza da pedagogia) viciam os alunos no facilitismo, cultivando a preguiça e a ignorância ...";

- "Não compreendo como é que os professores de Português aceitam critérios de correcção em que os erros ortográficos não são penalizados.";

- Treinar a não pensar

"É triste, mas creio que neste momento a escola perdeu a sua função milenar de preparar para a vida, e por isso os alunos quando dela saírem encontrarão um mundo totalmente diferente daquele que lhes foi mostrado por um ensino que se centra apenas nos seus interesses imediatos, fomentando o narcisismo e o egoísmo. Sabemos, por experiência, que os interesses dos alunos estão em geral muito afastados da cultura.";

- "... chamaram-me elitista quando dei a conhecer, de forma crítica, a presença do Big Brother e das telenovelas nos manuais .... Elitistas são as pessoas que estão por detrás destes programas e das suas metodologias. Com efeito, se não for a escola a preencher o vazio cultural que resulta de uma situação familiar fragilizada, quem o fará? (...) A esta desigualdade de oportunidades, que a escola promove, chama-se cavar o fosso entre ricos e pobres, para mais tarde, como diria Vieira no seu Sermão de Santo António aos Peixes, os maiores comerem os mais pequenos. Expressiva é também a frase de Schumann: «Aqueles que são ignorantes são fáceis de conduzir.» Na verdade, quem não pensa acaba por baixar os olhos, caminhar em grupo, seguindo os passos de quem o conduz, esquecendo-se de si próprio. Mas isto é um crime, fazer com que os alunos se esqueçam de si próprios, se anulem enquanto seres humanos, ...";

- "... Finalmente, com a implementação desta nova reforma em 2003, oficializou-se a mediocridade na escola, numa atitude de arrogância nunca experimentada, que anunciava o acto de pensar e de reragir, e mesmo de desobedecer, como algo intolerável. ...";
- Professores resignados e com medo

"A resignação é também uma atitude que impera. (...) A par da resignação, existe o medo, agora agravado com a avaliação, nos moldes em que foi imposta (apesar das alterações), infelizmwente com a anuência dos sindicatos. (...) Os professores obedecem porque têm medo. Houve colegas que não assinaram as petições que elaborei em defesa do ensino e da sua dignidade, confessando-me terem medo das consequências. Outra situação é a que se prende com o exercício do poder, nomeadamente através do cargo de «professor titular», que só pode ter sido criado para dividir os professores. Poderia ter concorrido a professora titular, e certamente que obteria a pomposa designação, porém não aceitei fazê-lo. ... Optei pela minha consciência, ... ainda que tenham tentado assustar com possíveis consequências. ... Como é possível avaliar o desempenho de um professor com base em critérios pouco objectivos e discricionários? ...";

- Estamos a destruir o futuro dos alunos

"... o ME quer facilitar, porque conforme afirmou, muito convicto, o coordenador do GAVE [...], «os alunos têm direito ao êxito», ignorando que o êxito se conquista, não se oferece. ... Actualmente exigência é comparada a traumatismo, e à partida os alunos são considerados uns incapazes. O que se pode esperar quando se raciocina assim? (...) Ser avaliados por colegas, e ainda por cima da mesma escola, é inaceitável, mas há sempre quem aceite representar estes papéis. ..."

No final do artigo há uma remissão para a página na internet que esta Professora tem: "Pela Dignificação do Ensino". PARABÉNS!!!

Por mim, sinto uma bofetada na minha dignidade profissional e um atentado à instituição escolar o facto de me atribuírem a leccionação de matérias que eu nunca estudei. E de me retirarem disciplinas que, no mesmo estabelecimento de ensino, eu próprio já há muito comecei a preparar, já leccionei, e sobre as quais tenho projecto de doutoramente universitariamente aprovado. Com conhecimento documental formal (em fotocópia) do respectivo Orgão de Gestão. Com formalização de candidatura na FCT! Há ou não discricionaridade, medo, compadrios, prebendas, represálias ...? Como se pode realizar uma avaliação docente nestas circunstâncias orgânico-institucionais?

Arre!!! Não há pachorra!!!

PS: volto a assumir todas as consequências legais deste meu tão digno acto de civismo e de liberdade de expressão!

(O vermelho é da autoria deste blogue).

terça-feira, outubro 07, 2008

Homens sem idade, sem tempo, neste ... "tempo que passa"!

Quo vadis, magister?

Para onde fores, também gostaria de ir, nessa tal "procura do mais além", que nos possa trazer fortuna, dessa bem aventurança que, mesmo que não faça dos homens ricos, traz a maior riqueza de todas, que será sempre a da alma.

Por tudo isso te deixo essa força contida em minha vontade e desejo, esse sincero desejar ao próximo o que gostaríamos que nos desejassem a nós, em circunstâncias semelhantes. Para onde vais, creio, nada disso é estranho.

Que faças ESCOLA onde, quando e como for merecido, obedecendo sempre a essa Vontade que é a grande Julgadora. Deixa isso bem escrito, de tal forma que perdure a crua e dura simplicidade cristalina da água pura, tão natural como Deus a fez, por onde possa transparecer, a cada passo dado pelos que a procuram, a Verdade que os ilumine. Não espero menos de ti, mestre.

Que nesse Oriente, tão longe e tão próximo, possas deixar semente de futuro, daquele que sempre se espera trazer para melhor. Outro não pode ser o sentido do devir, com o qual podemos dizer desenvolvimento. Nesse eterno sonho de "mais além"!

Deixo, por isso, esse grande momento de exortação à portugalidade, por que não à humanidade, legado pelo grande pedagogo (que também referencio na obra que tenho em empreendimento, por ti orientada) António Gedeão. Talvez ao som dessa melodia, com o encanto desse cântico, a sementeira decorra sem maiores sobressaltos, e a obra chegue a bom fim. "Porque Deus quis, porque o homem sonha, porque a obra pode nascer."



Quando fores, leva então este abraço amigo, e partilha-o, se tiveres oportunidade para isso, com todo esse Povo irmão e, em especial pela saudade que há muito trago em mim, com o meu ex-colega docente na Casa Pia e bom conviva Vicente Guterres.

segunda-feira, agosto 18, 2008

Para além da "escuridão"!

Começo a ter saudades de publicar algumas das minhas coisitas. Mas a desdita, a "cólera" e a "raiva", com que teceram o destino que me queriam "traçar", têm feito com que tenha que refazer e reorganizar algumas das ideias, assim como, consequentemente, alguns dos "cantinhos" da minha vida!

O que nunca mudará (até que Deus me diga o contrário) é a minha vontade de resistir a tudo quanto emporcalha o ser humano, seja de que maneira e/ ou por que motivos forem. Nestas circunstâncias de parametrização do conflito social, nada menos que a vitória sobre a morte! Sempre a glória! Sempre a vontade de viver como Deus nos fez para viver a vida que nos deu! Mesmo para além da "escuridão"!

Só que há que ter sempre cautela com esse desconhecido/ escuro/ tenebroso ...! A partir de uma justa homenagem de Clapton a George Harrison, que algo aprendeu sobre isso com Ravi Shankar! Que evocava Khrishna! Eu digo:

Deus seja louvado!


quarta-feira, julho 30, 2008

Hoje deu-me para mandar ...

Um recado à Srª Ministra da Educação de Portugal:

Exª Srª Dr.ª Maria de Lurdes Rodrigues,

Muito haveria a dizer, da minha parte, a favor e não assim, em relação às suas medidas educativas em geral. Para que, logo à partida desta minha comunicação, se auto-convencesse da sua imparcialidade, isenção e de qualquer despretrensiosismo. Prefiro falar só de mim.

Professor. Da área disciplinar das ciências sociais (7º grupo), agora agregado no 430.

Exigente comigo mesmo, e assim com aqueles a quem pretendo dar alguma coisa, por vocação, primeiro, e por dever de contrapartida pelo que a sociedade me paga para tal, depois.

Já leccionei todas as disciplinas atribuídas a este grupo, de que V. Exª tenha memória. Por minha discricionaridade, nunca "chumbei" um aluno. Poucas vezes foram aquelas em que não consegui fazer o suficiente para evitar que alunos não tivessem o aproveitamento mínimo.

Já fui, durante longos anos, corrector de exames nacionais, de todas as disciplinas que, no meu grupo, a eles eram sujeitas. Nunca fui alvo de qualquer reparo. Das reapreciações que me solicitaram, diz-se o mesmo.

De formação académica teoricamente multifacetada (curso de ciências sociais e políticas do ISCSP - UTL: "Gestão e Administração Pública", na especialização de Administração Urbana e Municipal), frequentei o Curso Conducente ao Grau de Mestre em Ciência Política, pela mesma Escola, e actualmente tenho projecto de investigação para doutoramento em Ciência Política aprovado, oficialmente, na mesma Escola ("Cultura Democrática e Educação para a Cidadania em Portugal do Século XX - Contributos para a Reformulação Epistemológica da Democracia e da Deontologia da sua Prática Pedagógica"), e de cuja declaração autenticada já remeti fotocópia ao Conselho Executivo da Escola onde lecciono.

Por outro lado, há quem, nos meandros do poder interno desse estabelecimento, não goste de mim! Acho que com razão, respeitando o dever que reconheço nesses mesmos actores de zelarem por princípios de boa educação democrática, e de práticas pedagógicas com eles consentâneas.

Com um senão: como as suas próprias acções de boa educação democrática e de práticas pedagógicas a ela conducentes ficam, nesse âmbito, a competir com as minhas, por defeito, há muito tempo que, não sendo eu um dos que se perdem nos meandros daqueles "passos perdidos", por convicção e verticalidade de carácter, sou completamente ostracizado por esta autêntica "casta" docente (tantas e tantas há para contar ...!!!). Por isso lhes reconheço razão!

Há dois anos, quando pela primeira vez apareceu a Disciplina de C. Política no 12º ano do Ensino Secundário, fui no meu Grupo incumbido de a leccionar, preparando a dita ab initio, com as dificuldades mas, também, com as motivações inerentes a algo que, na minha actividade profissional, me era tão chegado. E os tais sabem-no.

Assim, neste ano lectivo que se aproxima, a C. Política volta a ter alunos nesta Escola. Mas, não vá tão 'profano e herético' professor (que, supostamente, devo ser eu) perverter os alunos em tão importante disciplina para a formação política de autênticos cidadãos que queremos formar, atribui-se, dentro do silêncio que o tempo que vai passando não desvela, a tal Disciplina ao grupo de História (sim, que a Nova Ciência Política deve ser uma matéria centrada na análise histórica das ideias políticas ou na história dos factos políticos ... (?)!, com todo o respeito e reconhecimento que os respectivos representantes merecem ).

O Supremo Juízo do Publicista manda que se investigue!

Queira V. Exª, Srª Ministra, dar um bom exemplo de governança democrátrica, seguindo este juízo ancião, mandando investigar isto e tudo o resto, mas todo quanto humana, juridica e tecnicamente possível, que este meu País, de que estamos todos à espera (à excepção dos tais que já vivem no Éden da vida e da Academia), bem precisa. Desde há muito (1970/71) que este que se lhe dirige lutou para isso. Ao lado de actuais conhecidos seus (e colegas do ISCTE).

PS: Assumo, juridicamente, todas as consequências disciplinares deste meu público acto.

O Professor,

José Rodrigo Coelho

sábado, julho 26, 2008

Deus deu-me esta missão, Nesta ventura, Majestade















Deus deu-me esta missão,
Nesta ventura, Majestade:
Restaurai este seu Reino
Por sua própria vontade.

E com fé n’Ele fundai
De novo a glória, apagada
No seu Povo, atendei
P´ra que seja abençoada!

Será então, Destino seu
Merecer de tal sorte, Amor
Que não esmoreceu,
Sempre contigo, Senhor!

Ouvir Portugal (6)

terça-feira, junho 24, 2008

Ouvir Portugal

Deste lado do 'canal'!

Parece que, agora, não sei escrever outra coisa que não seja Portugal!

Longe dos futeboleiros negócios da engenharia sócio-financeira que, por dez réis de circo, se diverte com a anestesia com que enebria a consciência de um Povo que já sonhou Mundo!

Triste destino o daquele entregue à sorte dos que enriquecem com a pobreza que chamam, a cada estação que passa, a "alma da gentes". Até parece que temos de dar razão ao diabo que os pariu, aos que suam as moedas que nunca nos cabem na mão! Por isso pedimos, sempre pedimos, lamentando.

Para agora começo, então, com as minhas "Lamentações" (4)


Retorna a manhã
d'intenso nevoeiro
memórias em mim
que procuro, atordoado
encontrar alma sã;
rever, primeiro
a História do Destino
meu País, amordaçado
que não pede amanhã
nem outrora sedentário
quis chegar inteiro,
unido, abençoado!
P'ra saber onde está
a salvação, queira,
vá p'ra frente, assim:
c'o destino pensado!

e com o primeiro dos poemas "Ouvir Portugal" (1), dedicados às meditações de meu mui citado mestre JA Maltez, lá para as bandas insulares onde, espera-se, ainda haja do tal Povo ...

Sempre à espera, é sina
de ontem, de amanhã
e hoje, porque anima
esquece o que vem, vê
o degredo por cima!

Oh etérea desventura
que guardas no passado
as chaves do segredo
com que abrirás
o nosso futuro!

Diz ao vento que nos traga
alento p´ra mais ouvir
o que tem a nos dizer
o Guardião do Segredo
em que a alma se afaga!

Assim troam sinais
nesta terra, Humanidade;
quantos em ti escreveram
Portugal, que disseram
teus avós, celestiais!

Um grande abraço de serena saudação.

JRC, Lx no solstício de 2008

sexta-feira, junho 20, 2008

Portugal! País "emergente" ..., mesmo depois de mais uma 'humilhação'?!!!

Parece que as calendas acordaram!


Acordo, forçado por compromissos da minha agenda odontológica, com as notícias televisivas a evidenciarem como "Portugal acordou triste"! Como se os portugueses tivessem, pelo menos nos últimos tempos, motivos para andarem alegres ...?!!!

A não ser os que façam parte desse eventual país "emergente", de que nos fala o artigo do DN de hoje (embora já se saiba que a injustiça social, traduzida, no poder de compra, pelo cada vez maior fosso entre ricos e pobres - qual consequência dessa selvática globalização):
«Crise é um acessório que não se usa aqui
Luxo. A crise não parece afectar os bolsos de todos os portugueses. Mesmo caro, muito caro, na hora de comprar um produto de marca famoso, a emoção vence sempre a razão. O mercado do luxo, ao contrário de outros, está a viver dias de crescimento. (...)
Ao contrário de outros, "este é um mercado em rápida expansão em todo o mundo", alimentado pelas grandes e pequenas fortunas que estão a surgir na Rússia, mas também na China e em outros países emergentes, reconhece o empresário.»

Mas, parece ... que chegou o Verão!
Não querendo ser tão academicamente profundo como o artigo de hoje do Sobre o tempo Que Passa, direi que, de todas as anestesias (psicossociais ou outras), a do meu dentista é a que menos se sente! Afinal, em Portugal ainda há quem trabalhe, neste país pseudo-emergente!

Arre!!!?

Ainda à espera das verdadeiras calendas deste ano

Ainda à espera das verdadeiras calendas deste ano, aqui na capital deste antigo reino que fez "A Primeira Aldeia Global - Como Portugal Mudou o Mundo",

volto a agradecer toda a disponibilidade académica e pessoal a meu mui citado mestre e amigo JA Maltez ...! E vou lendo, como aqui referencio (passo a publicidade comercial), mais um desses livrinhos (que até nos hipermercados se vendem), agora traduzido em português de Portugal.
E, porque de retomar memórias que se vão perdendo se trata, parto desta evocação que tem a ver com as tais razões académicas, muito cúmplices de um renovar da nossa verdadeira esperança de fazermos algo pelo nosso cantinho do (deste) Céu, com a qual 'abro peito', a preceito (não vá algum cientista contestar, de boa ciência feita ?, as minhas boas intenções ...), e com esta evocação trago, também, à memória o que com todo este enredo se liga, desde o tal nome de Portugal, ao meu antigo companheiro de outros tempos de 'luta' AC Pinto, ao meu amigo e mui citado mestre JAM ...!
Bom, o melhor é, para eles (se o quiserem), pararem um minuto para ouvir esta daquela dupla musical que deu pelo nome de Simon & Garfunkel:



"Time it was, and what a time it was, it was
A time of innocence, a time of confidences
Long ago, it must be, I have a photograph
Preserve your memories, they're all that's left you"

Um abraço a eles, por tudo!

sábado, abril 26, 2008

25 de Abril, Sempre ... por realizar!

"Em certo sentido, o 25 de Abril ainda está por realizar"!



Coloquei bem a vermelho esta constatação presidencial (veja aqui o discurso do PR), revelada nas comemorações de uma data que, embora muitos possam recordá-la, de facto, como eu que estive naquele dia, já nem tantos poderão dizer, como eu, que para ela tenham colaborado! No entanto, este publicum servitore, na mais estrita missão de cultivar a constitucional liberdade de ensinar e aprender, já foi processado, punido, vilipendiado e completamente ostracizado por todos aqueles que, na sombra que os ganhos de Abril a todos proporcionaram, não gostaram (nem ainda gostam) de serem, quando e porque o merecem, apontados como maus exemplos de democracia e de ensino para a cidadania.

Mas, sempre que se aproximam inaugurações, festas, comemorações, ou qualquer outra forma de evocações democráticas, são os primeiros a engalanarem-se e, de peito levantado pelo fôlego que ainda lhes resta por tudo quanto nunca fizeram, prostram-se no mais graxista reverencialismo dos que continuam a querer manter os privilégios que os donos da revolução lhes concederam, quais micro poderes subestatais, burocraticamente escondidos nos meandros das interpretações normativas que o império da lei ainda não soube resolver, para gáudio dos mesmos açambarcadores das clientelas que sobrevivem no limbo da moral de favores caciquistas! É a este Portugal de Abril que a referência presidencial aponta o dedo!

Bem haja, Sr. Presidente! Com essa já ganhou mais um admirador! Gostaria, profundamente, é que estas minhas "lamentações" lhe chegassem aos olhos de ler, ou tão pouco aos ouvidos, para que de qualquer forma se inteirasse de casos como o meu. Tenho a certeza, sobretudo por quanto já li nas consultas internéticas já efectuadas, que estes casos de joguinhos de poder e de lobisinhos bem anichados nos processos de decisão administrativa da gestão escolar pública, em todas as áreas de actividade, são a prova factual e plena do controle das escolas públicas por grupos de interesse, com ou sem ligações partidárias, pseudo-democráticas e altamente lesivas para o interesse dos alunos e expectativas das respectivas famílias, em geral, e do interesse na educação e formação dos cidadãos de amanhã, acima de tudo!

POR FAVOR, SR. PRESIDENTE, INTERVENHA!
APELANDO A TODAS AS SUAS COMPETÊNCIAS CONSTITUCIONAIS!
DENTRO DO CONSENSO MAIS ALARGADO POSSÍVEL!
AO MAIS ALTO NÍVEL DAS INSTITUIÇÕES DEMOCRÁTICAS E DOS PODERES DE AUTORIDADE DO ESTADO PORTUGUÊS!

Por isso, não deixei de observar, em mais este postal de meu mui citado mestre JA Maltez, as referências que faz a mais uma evocação de Otelo e das FP-25 Abril.

Aí também pude ler um outro artigo de opinião, redigido em cima das comemorações do hemiciclo de S. Bento, sintetizando as alusões que caracterizaram o conjunto das intervenções dos grupos parlamentares, com o tal destaque para os "problemas actuais":

"Um 25 de Abril virado para problemas actuais

EVA CABRAL

Oposição aproveita sessão solene para atacar Governo PS
Trinta e quatro anos depois do 25 de Abril, o deputado socialista Osvaldo de Castro vai lembrar, no Parlamento, o que era o Portugal dos tempos da ditadura e a evolução depois da revolução dos cravos.

Antecipando o seu discurso de hoje, Osvaldo de Castro frisa ser importante realçar a melhoria da qualidade de vida conseguida com a democracia em Portugal e o facto de esta ter sido aprofundada ao longo dos últimos anos.

Já politicamente activo à data do 25 de Abril de 1974, Osvaldo de Castro - que antes do PS militou no PCP - garante ir fazer uma "saudação especial à juventude" e lembrar factores decisivos para o presente como o processo de integração do País na União Europeia.

Mas, na sessão parlamentar de hoje, os discursos feitos com base numa memória própria vivida nos dias e emoções do 25 de Abril de 1974 acabam no deputado socialista.

Todas as outras bancadas optaram por escolher parlamentares muito jovens que apenas têm da data hoje evocada solenemente uma mera memória histórica. São todos jovens que estão hoje mais virados para os muitos problemas do quotidiano e que atacam as actuais políticas do Executivo.

Miguel Tiago, da bancada do PCP, vai denunciar a "provocação feita pelo Executivo PS ao fazer coincidir a aprovação do Tratado de Lisboa e a revisão do Código Laboral com as comemorações do 25 de Abril".

O jovem deputado comunista frisa que o actual Governo socialista tem seguido uma política de "destruição dos ideais e conquistas de Abril", designadamente nas áreas de serviços públicos de educação e saúde.

Já José Moura Soeiro, do Bloco de Esquerda, vai centrar toda a sua intervenção na questão da educação, "considerada como o factor essencial para o Portugal do futuro".

Numa altura em que os jovens são muito afectados com problemas como os da precariedade laboral, José Soeiro diz ser necessário "uma escola que esbata as diferenças sociais dos alunos". O deputado bloquista adianta ser preciso alterar a ideia de que a escola "deve preparar pessoas para responder ao mercado de trabalho", garantindo que esta deve assegurar muito mais do que isso.

Pedro Mota Soares, vice-presidente da bancada do CDS/PP, vai centrar a sua intervenção nas questões da demografia. O deputado popular - que nasceria só em Maio, cerca de um mês depois do 25 de Abril - defende que a evocação da data histórica deve evoluir.

Para Mota Soares, a sessão solene no Parlamento, até por contar com a presença do Presidente da República, deve ser o momento certo para se fazer "discursos de maior alcance em matéria de futuro". Se reconhece que a evocação histórica é importante, considera ser ainda mais relevante dar resposta a problemas concretos dos dias de hoje. Assumindo que a sua bancada tem tido uma agenda centrada em questões como a protecção da maternidade e paternidade e a criação de um sistema fiscal mais amigável para quem quer ter filhos, Pedro Mota Soares garante ir ainda abordar as questões relacionadas com a criação de emprego, o que passa por alterações a nível da taxa social única (TSU) e da tributação sobre os trabalhadores e empresas.

Luís Montenegro, da bancada do PSD, tinha um ano quando se deu o 25 de Abril, cabendo-lhe a tarefa difícil de nestes dias de turbilhão no mundo social-democrata abordar as questões da qualidade da democracia portuguesa .O deputado do maior partido da oposição refere "ser necessário valorizar a actividade política, e dar um sinal de esperança para a juventude portuguesa".

E, por falar em mais esta episódica referência à “falta de motivação das novas gerações para a política” (veja no site da Presidência o estudo referenciado pelo PR), em plena sessão comemorativa na Assembleia da República, relembro umas linhas de um pequeno livrinho[1] que ando a ler, de Carlos Diogo Moreira, Professor que muito bem conheço do meu ISCSP, quando aponta:

" (...)

Na verdade, porém, o sentimento de que predominavam os interesses de todos e não em especial de alguma área ideológica, e a sensação de mudança efectiva é o que prevaleceu ao fim destas três décadas de democracia. Assim, quando o passado vem à memória já não tem relevância para o presente: é uma mera questão histórica ou um motivo de discussão que já não interessa praticamente a ninguém, se assume um mero carácter pontual ou "folclórico"."

Então, tem ou não pertinência o poema que editei, há já três anos, num jornal local?

31 de Abril! Quem?

Deixa-te abrir, de novo
Abril, de ti possam trazer
Tudo o que de ti não sabem,
Mas mereces: o teu povo


Deixa-t’ abrir, sem queixume
E sem remorso, nem temor,
Sem esses lamentos de dor
Que dão em coisa nenhuma

Deixa-te abrir, agora,
Tirar de ti a semente,
Que dará fruto na gente
À espera, a vida fora!


Deixa-t’ abrir, finalmente
Voltar a pensar, que em ti
É tão bom poder sorrir,
E abraçar o que se sente

Deixa-te abrir, é hora
P’ra de novo dizer que não
Aos vis rapinas da razão
Desse ser que em nós mora

Só então, Abril, verás! Quem
Em ti, sempre viveu e amou
Te quis, te bebeu e chamou
Para chegar ao mais além!

Quem!
Abril, de novo?!

J. R. Coelho
(em versão métrica)

________________________________________________________
[1] MOREIRA, Carlos Diogo, Pátria, Identidade e Nação, UTL, ISCSP, Lisboa, 2007, pág. 42.

domingo, abril 20, 2008

Do devir da democracia virtual

Ou da virologia social vigente

Vejo nas notícias de agora sinais de preocupação que me deixam preocupado: qualquer destes sinais mediatizados caberiam, nos meios jornalísticos por onde discretamente (ou receosamente) circulam, nas 1ªs páginas respectivas, com mérito, dignidade profissional e toda a pertinência como serviço público prestado.

Como vai a democracia que temos!?
Apenas anoto, hoje, dois destes sinais. Sem qualquer preconceito, vindos de vozes que, pela escrita falada, apenas apontam sinais de revolta: o excerto de uma entrevista a uma senhora ex-deputada da nossa Assembleia da República (de quem nunca gostei do estilo, mas que "põe o dedo na ferida", lá isso põe), de uma área ideológico-partidária historicamente revolucionária; e um artigo de opinião que, em 360º graus de perspectriva crítica, pinta o quadro da "doença virológica" que infectou o que ainda esperávamos da democracia ideal. Por isso, talvez nunca tenha passado de virtual - realidades democráticas sustentáveis parecem quimeras ou, no mínimo, fantasiosas utopias dos que habitam o submundo!

Excerto da entrevista a Odete Santos:

"(...) Qual é o partido mais próximo do stand-up comedy real?
O Bloco de Esquerda.

Porquê?
Não me convencem com aquelas tiradas revolucionários. Representam a burguesia intelectual.

À Direita, Aguiar Branco afirmou estar disponível para derrotar Sócrates. Pode ser ele o salvador da pátria laranja?
O PSD tem um drama inultrapassável, seja por que figura for Sócrates faz ainda mais política de Direita do que faria o PSD."


E o artigo de opinião da secção cultura do J Notícias de hoje:

"O vírus e a democracia

1. A vitória eleitoral de Berlusconi, num país de milenárias raízes culturais, não pode passar despercebida. Vivemos uma realidade globalizada, como sublinhou, nas páginas deste jornal, Paquete de Oliveira, em artigo emotivo e inteligente (qualidades não incompatíveis, completam-se e enriquecem-se). Escreve Paquete de Oliveira "as democracias estão a ser impregnadas de perigosos e ameaçadores "vírus". Antes, sublinhava o divórcio do povo e dos políticos, o crescente desprezo daquele por estes. Referia o caos crescente e decorrente. Assim é. Ao chegar a Itália (Janeiro de 1975), onde me demorei quase 15 anos, fervia uma polémica apaixonante, entre Calvino e Pasolini, que o assassínio do segundo interrompeu. Os dois escritores debatiam a sociedade e a política, cuja prática marcava (e, no fundo, continua a marcar) os italianos. Discutiam-se ideais, moral, o presente e o futuro. Mas tudo involuíu - a sociedade deixou que a comprassem, para a explorarem. O vírus instalou-se.

2. E instalaram-se os anos do consumismo inconsciente. Aliás, tornar os cidadãos inconscientes, anestesiá-los, afastá-los de preocupações "incómodas" - ética, justiça, solidariedade - era a meta da política neo-liberalista, que tomou as rédeas. O resultado foi desastroso corrupção, queda do poder de compra, desemprego. Obviamente: no frenesi do consumo, o cidadão mandara às ortigas a intervenção cívica e assim que a casa começou a abrir brechas, responsabilizou os políticos, esquecendo que ele é que os deixara livres: incontroláveis. Virando-lhes as costas, reforçara-lhes a venalidade. E, mesmo assim, ou por isso, buscou um magnata salvador: Berlusconi (na imagem), ao qual volta, agora. Não todos, claro!, mas a maioria - e uma maioria folgada. A década das vacas gordas - os anos 80 - representou o triunfo da contra-cultura. E um país só é dono de si próprio quando investe na cultura - na inteligência e conhecimento.

3. De manhã à noite, somos objecto e vítimas da publicidade de um trabalho de sapa, continuado e implacável, que nos vai vulgarizando, anulando. Quero dizer: que vai uniformizando e enfraquecendo a nossa personalidade. Nunca é de mais lembrar o cão de Pavlov e a campainha. Hoje, a Itália - e muitos outros países - anseia pelo que lhe deram e roubaram: dinheiro. E o drama é que não entendem os que se queixam o seguinte: para atingir a justa estabilidade económica é indispensável não perder de vista a defesa e exercício dos direitos inerentes à democracia."

sábado, abril 19, 2008

Um contributo oportuno para o Tibete

Política e ... Meditação!

Não fazia nada mal aos nossos políticos profissionais enveredar, de quando em vez, por umas meditações 'transcendentais' q. b., qual purga das convulsões neurocognitivas a que, constantemente, se vêm sujeitos, tão hipermaquiavelicamente vivem o empenho com que se devotam à causa pública ...!(?)

Recordando o nosso "Alma sã em corpo são", do saudoso programa público televisionado de Vitorino Nemésio, vou ler mais um texto, certamente apaixonante pela especificidade e diferença cultural da que estamos habituados.



ISBN: 978-972-23-3937-7
Nº de Páginas: 248

Data da 1ª Edição:17-4-2008

Sinopse:"Da autoria de um dos maiores especialistas em medicina tibetana no Ocidente, esta é a primeira obra que nos ensina a aplicar os princípios milenares da sabedoria tibetana Bön à nossa vida quotidiana. Com um carácter profundamente holístico, esta leitura revela-nos a íntima ligação entre corpo, mente e alma, e as formas simples como estes conhecimentos ancestrais podem actuar sobre eles restaurando o seu equilíbrio dinâmico. Hansard desvenda-nos todos os aspectos essenciais à mudança das nossas atitudes mentais e comportamentais - ensina-nos a despertar a sabedoria interior, a conseguir a cura emocional, a fortalecer a mente, técnicas de massagem e rejuvenescimento e ainda exercícios de auto-cura e de meditação. Uma obra que reflecte o percurso de iluminação e de experiência clínica de toda uma vida e que contém em si um extraordinário potencial de renovação."



Não sendo neófito na matéria, não sou um seu especialista. Mas sou, seguramente, um devoto e humilde contemplador desta filosofia (Zen). Cheguei´mesmo, em tenra juventude, a alinhar numas dietas macrobióticas ...! Alimentei-me, muito mais, da parte espiritual e estética destes ensinamentos, muito úteis a quem tem abertura de mente, suficiente para, muito portuguesmente, se conciliar com o cosmos.


"Filosofia Zen

Zen é a forma de Budismo mais conhecida e praticada no Japão. Mais do que uma religião ou seita, o Zen é uma filosofia vivencial que ainda hoje influência muito o povo japonês.
A filosofia do Zen consiste na procura da iluminação através do auto conhecimento; uma busca que ultrapassa os obstáculos mentais criados por nós mesmos a fim de encontrar a verdade em seu estado puro. Trata-se de uma percepção extra-sensorial das coisas, um ensinamento especial que não envolve palavras; apenas chama a atenção para a verdadeira essência do homem. O Zen é também a prática do o auto-controle, da disciplina e da simplicidade no viver.As raízes do Zen estão na China, onde foi trazido da Índia por Bodhidharma no século VI. É uma variação do Budismo tradicional tibetano. A diferença básica entre os dois, é que a filosofia do Zen tenta reduzir ao mínimo as doutrinas e o estudo das escrituras sagradas. Para os praticantes do Zen, a palavra escrita é dispensável no caminho da iluminação."



quinta-feira, abril 17, 2008

Estado-Sociedade-Educação

Da violência reprodutora (ou de como a pseudo-cultura democrática gera múltiplas violências)

Depois de receber mais mail postal do "Portal da Educação", sobre a violência nas escolas de Portugal (algures também), e de, por um acaso, ter lido mais um postal em que o meu mui citado mestre JA Maltez dá uma excelente lição sobre a essência da democracia:

"... O essencial da democracia está no estabelecimento do diálogo entre adversários, como dizia Ortega y Gasset, ou em controlarmos o poder dos que mandam, através do sistema de pesos e contrapesos, visionado por Montesquieu. Melhor ainda: o essencial da democracia está em podermos fazer um golpe de Estado sem efusão de sangue, como dizia Karl Popper. A democracia mede-se menos por resultados eleitorais e mais pela prática governativa das maiorias absolutas. A democracia vive-se e mede-se pela distância que vai da teoria à prática. (...)",

veio-me à ideia o tema da minha proposta de investigação para tese de doutoramento:
"Cultura Democrática e Educação para a Cidadania em Portugal de Abril (Contributos para a formulação de uma epistemologia da democracia e de uma deontologia da sua prática pedagógica).

E, de algumas coisinhas que já me passaram pelos olhos de ler, lembro-me de esta (1):

"... a política de avaliação [dos professores], embora declarando promover o desenvolvimento profissional dos professores e a melhoria organizacional das escolas, não incluía algumas características que a literatura considerava fundamentais para atingir esses objectivos. A implementalão da política visava sobretudo a finalidade administrativa de possibilitar a progressão na carreira docente. Em consequência, foram apresentadas recomendações para a reformulação da política e para a sua implementação de forma mais consonante com as finalidades assumidas."

Dito isto, de outra maneira, o trinómio Estado-Sociedade-Educação desfaz-se num acolchoar de interesses mútuos, entre quem escolhemos para nos governar, e que elegemos para nos avaliar. O sistema que se estruturou com a anterior política de avaliação pariu, há muito, seniores bem instalados nas cadeiras directivas que, à boa maneira caciquista, serão os chefes de equipa das comissões internas que, nas escolas de Portugal, continuarão a gerir os interesses já há muito gerados pelas cliques instaladas.

Por isso, não haverá solução, certamente, que não passe pela analógica instalação, essencialmente democrática, de controlarmos o poder de quem manda, no tal jogo de equilíbrios que só o Estado (a tal componente essencialmente externa e, por isso, isenta e imparcial da avaliação) pode assegurar. As comissões internas de avaliação continuarão, forçosamente (pela inércia característica dos fenómenos grupais intra-organizacionais), a acarretar o pendor das suas decisões a favor daqueles que, em contrapartida, garantirão a continuidade dos seus privilégios.

___________________________
(1) Curado, Ana Paula, Política de Avaliação de Professores em Portugal: Um Estudo de Implementação, Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa, 2002, pág. 9. (tradução portuguesa da dissertação de doutoramento da autora).

segunda-feira, abril 14, 2008

Do Jazz fusão sobre o Garb Al-Andalus

«O Andaluz tem sido comparado por muitos autores ao paraíso terreal» (1)

Descobri, agora, este músico (também fusionista cultural através da música) que interpreta soberbamente a convergência mundovidente que reinou neste canto do Mundo chamado al-Andalus.

Do álbum que adquiri, de Renaud Garcia-Fons - "Navigatore" - vê-se a miscegenação instrumental, do clássico ao tradicional folk e ao moderno, onde ressaltam faixas idênticas a esta:




"(...) O Irão, onde antes se implantara o Império Sassânida, revelar-se-ia como um alfobre neste mundo medieval islâmico. A sua influência fez-se sentir no comércio, nas técnicas, nas ciências, na farmácia, na arte, nos termos literários, na música, nas técnicas agrícolas, nos gostos culinários".


"(...) Com o triunfo da Reconquista, o Andaluz surge depois aos olhos dos exilados como o paraíso perdido"

"O amor transforma o amador num pastor de estrelas e planetas:

Pastor sou de estrelas como se tivera a meu cargo
apascentar todos os astros fixos e planetas.
As estrelas na noite são o símbolo
dos fogos de amor acesos nas trevas da minha mente.
Parece que sou o guarda deste jardim vedrde escuro
do firmamento cujas altas ervas estão bordadas de narcisos.
Se Ptolomeu vivesse, reconheceria que sou
o mais douto dos homens a espiar o curso dos astros."




_____________________________________

(1) Autores vários, citados em História do Pensamento Filosófico Português, (Dir. de Pedro Calafate, Círculo de Leitores, vol. I (Idade Média), 2002, pp. 141 e ss.

domingo, abril 13, 2008

Uma boa lição sobre 'Políticas Públicas'

Se eu estivese a passar o capítulo das políticas públicas numa das aulas de Ciência Política adoptaria este artigo de opinião como obrigatório para os meus alunos - eu já o tinha bedm referido: este jornal ainda vai tornar-se uma academia de articulistas.
Eis mais este artigo do já mui referido "Pedrito", com painel de votação para uma pequena sondagem de opinião (já agora, depois explico porque votei 'sim'):

"O nojo

Pedro Santos Guerreiro
psg@mediafin.pt

A indicação de Jorge Coelho para presidente da Mota-Engil convocou o debate das promiscuidades entre política e empresas. E dividiu o País em duas facções: os moralistas e os ingénuos. A demagogia adora divisões assim. Pensar que Coelho está a ser pago por favores prestados é um insulto à inteligência de António Mota.

Não é pelo que fez no passado que Coelho é o preferido pela família que controla a empresa, mas pelo que pode fazer no futuro. Politicamente, é claro.

Se sete anos não é tempo suficiente para período de nojo, então mais vale decidir que ser governante é um caminho sem saída: nunca mais se pode ser nada na vida excepto continuar político ou ser académico. Nesse caso é necessário pagar essa exclusividade: Abel Mateus sai da Autoridade da Concorrência com uma inibição profissional, e bem, de dois anos; por isso recebe, e bem, um subsídio de dois terços da sua anterior remuneração.

Mesmo validar uma contratação desde que seja para empresas que nada tenham a ver com o sector que o ex-ministro tutelou é uma contradição: se o novo gestor nada percebe do sector, a única razão da sua contratação é política.

É evidente que António Mota quer recrutar Jorge Coelho pelos seus contactos políticos. Pela sua influência no PS, que governa. Porque a Mota-Engil está prestes a renegociar com Mário Lino os contratos de concessão de estradas. Porque estão anunciadas oito novas auto-estradas. Mas qual é o mal de querer contratar alguém pela sua rede de contactos?

O mal existe mas é outro: é termos uma economia assente em favorecimentos e dependências recíprocas entre Governos e algumas empresas. São os intervencionismos compulsivos dos ministros, o que cria economias paralelas de privilégios e monopólios. Os métodos são opacos e as justificações populistas. Como dizia António Borges em entrevista há oito dias, a economia está fechada como uma espécie de oligarquia de mercado. Como hoje escreve José Manuel Moreira, num texto obrigatório a páginas 9, “quanto mais se abusa dos meios coercivos do Estado para intervir na economia, mais o sucesso depende da acumulação de capital político”.

Em capital político, António Mota não corre qualquer risco de estar a comprar gato por Coelho. Os accionistas da empresa foram os primeiros a reconhecê-lo, quando valorizaram as acções imediatamente depois da notícia. Mas Mota e Coelho são mais vítimas das circunstâncias em que eles próprios prosperaram do que agentes de uma promiscuidade subitamente desflorada. Na verdade, sempre foi assim. Esse é que é o problema.

Há poucos assuntos tão dados ao populismo como o da migração de políticos para as empresas. E é também por causa do moralismo fácil (a par do aparelhismo cacique e desqualificado) que muita gente de qualidade não está disponível para a política. Mas mal está o País quando o seu Governo só interessa ou a missionários ou a gangsters.

O mundo das empresas está cheio de animais anfíbios, como Luís Filipe Pereira, António Vitorino, Armando Vara, Fernando Gomes ou Ferreira do Amaral e gente que, ao contrário de Coelho, nem nojo teve quando saiu de funções governativas. Entretanto, a Mota-Engil garantiu uma suspeição colectiva e demagógica, que aliás se vai virar contra si, pois todos os concursos que Jorge Coelho ganhar serão sempre linchados na opinião pública.

Se a acção política e os contratos públicos fossem transparentes e escrutináveis, metade desta suspeição sobre a classe política esfumava-se. E metade dos ex-ministros perdia o emprego."

Vote no painel do artigo do J Negócios